quinta-feira, 13 de abril de 2017

"A VIGILANTE DO AMANHÃ – Ghost in the Shell” (2017)

ENREDO

 Em um mundo futurista pós-2029, é bastante comum o aperfeiçoamento do corpo humano a partir de inserções tecnológicas. O ápice desta evolução é a Major Mira Killian (Scarlett Johansson), que teve seu cérebro transplantado para um corpo inteiramente construído pela Hanka Corporation. Considerada o futuro da empresa, Major logo é inserida no Section 9, um departamento da polícia local. Lá ela passa a combater o crime, sob o comando de Aramaki (Takeshi Kitano) e tendo Batou (Pilou Asbaek) como parceiro. Só que, em meio à investigação sobre o assassinato de executivos da Hanka, ela começa a perceber certas falhas em sua programação que a fazem ter vislumbres do passado quando era inteiramente humana.


A versão live-action do anime está sendo lançada agora nos cinemas, em uma superprodução da Dreamworks/Paramount Pictures com outras produtoras da join-venture Amblin Partner. Um verdadeiro parto diga-se de passagem, cujo produto final, pode não agradar a todos, devido as polêmicas referentes a uso de atores ocidentais em um material cujo original é orienta, mas o tempo dirá que o filme se tornará talvez um cult um dia.

A ORIGEM E DIFERENTES FORMATOS:

Masamune Shirow


MANGA:


O início de tudo foi o mangá (popular quadrinho japonês) “Ghost in the Shell”, de influências cyberpunk, criado por Masamune Shirow. Foi lançado no Japão pela Editora Kodansha entre 1989 a 1990, mas só chegou ao Brasil pela Editora JBC, em 2016, na esteira do lançamento do novo filme. O manga gerou duas continuações "Ghost in the Shell 2: Man/Machine Interface" (entre 1991 a 1997) que é a continuação oficial do primeiro mangá. E depois "Ghost in the Shell 1.5: Human Error Processor" (entre 1991 a 1996) que inclui uma série de histórias que seriam originalmente publicadas em "Ghost in the Shell 2: Man/Machine Interface".




ANIME:




O sucesso levou a criação de filmes de anime baseado no manga. " Ghost in the Shell", lançado no Japão em 1995, e lançado diretamente para VHS no Brasil como "O Fantasma do Futuro".Dirigido por Mamoru Oshii e escrito por Kazunori Itô e pelo próprio autor original Masamune Shirow.Foi o primeiro filme anime a ser lançado ao mesmo tempo no Japão, Grã-Bretanha e os Estados Unidos. Foi uma das principais inspirações para a trilogia de filmes Matrix. A história do filme se passa num futuro distante e começa quando um grupo policial tenta encontrar um hacker que rouba informações do governo. Em 2008, uma nova versão do filme original - Ghost in the Shell - foi relançada em alguns cinemas japoneses, com gráficos e som retrabalhados. 


O filme teve uma continuação intitulada "Ghost in the Shell 2: Innocence" lançado em 2004. Também dirigida por Oshii, ela teve como protagonista o personagem Batou. Este filme anime foi o primeiro a conseguir uma indicação a Palma de Ouro em Cannes - 2004.

Em junho de 2013 foi iniciada uma nova franquia de filmes com a série "Arise". O primeiro "Ghost in the Shell: Arise - Border:1 Ghost Pain", contando uma nova história original que aborda o início da Section 9. Em novembro do mesmo ano foi lançada a continuação "Ghost in the Shell: Arise - Border:2 Ghost Whispers", seguida por "Ghost in the Shell: Arise - Border:3 Ghost Tears"  em junho de 2014 e "Ghost in the Shell: Arise - Border:4 Ghost Stands Alone" em setembro do mesmo ano, e para fechar a série, em agosto de 2015 foi lançado " Ghost in the Shell: Arise - Pyrophoric Cult" .

Previsto para junho de 2015 um novo filme animado, com o nome de "Ghost in the Shell: The New Movie (2015), o filme tem ligações com o enredo de "Ghost in the Shell: Arise", principalmente nos episódios Pyrophoric Cult da série "Arise - Alternative Architecture". Ambientado após os eventos de Arise, o filme envolve o assassinato do Primeiro-Ministro do Japão que é publicamente descrito como o "maior evento desde a guerra". Cabe a Secção de Segurança Pública 9, liderada pelo Major Motoko Kusanagi, descobrir a verdadeira natureza do assassinato. Eles são auxiliados pelo filho do Primeiro-Ministro, Osamu Fujimoto.



SÉRIE DE TV
A franquia iniciada pelo mangá,  foi também adaptado para TV em uma série animada, com o nome de "Ghost in the Shell: Stand Alone Complex". A direção foi feita por Kenji Kamiyama, trazendo um enredo alternativo e separado daquele elaborado por Mamoru Oshii nos filmes e por Masamune Shirow nos mangás originais. O foco é na carreira da personagem Motoko Kusanagi e sua equipe, com alguns elementos baseados no filme e no mangá. O sucesso da série rendeu ainda uma segunda temporada, "Ghost in the Shell: S.A.C. 2nd GIG" e o filme - "Ghost in the Shell: S.A.C. Solid State Society" - que estreou na emissora SKY Perfect em 1 de Setembro de 2006, finalizando a franquia SAC.



Em abril de 2015, um novo anime intitulado "Ghost in the Shell: Arise  - Alternative Architecture" iniciou sua exibição. O anime deve ser finalizado com 10 episódios. Série baseada na pentalogia de cinema, "Arise".

No Japão, também foram lançados, livros e games baseados na série.

PRODUÇÃO DO FILME

O sucesso de "Ghost in the Shell" seja em anime, série de TV ou manga pelo mundo, fez com que sua produtora, Production I.G, companhia do criador do anime, Mamoru Oshii, começa-se a abrir negociação com estúdios de Hollywood para consolidar a ideia, a partir de Janeiro de 2007. Em Abril de 2008, depois de negociações com a Universal e a Sony, a DreamWorks Pictures comprou os direitos do mangá lançado em 1989. O filme seria realizado com atores, como planejado, com a intensão de ser totalmente desenvolvido com tecnologia de projeção 3-D! O nome do cineasta Steven Spielberg estava por trás desta aquisição, já que ele foi um dos fundadores do estudio DreamWorks. Para a Variety ele disse :  "Ghost in the Shell é uma das minhas histórias favoritas. É um gênero ao qual damos entusiasmadas boas-vindas na DreamWorks". A DreamWorks também foi responsável pela distribuição dos animes japoneses nos Estados Unidos, então houve realmente a preferência por este estúdio. Os produtores de filmes da Marvel, Avi Arad e seu filho Ari Arad, foram confirmados como os produtores do filme ao lado de Steven Paul. O roteiro inicial ficou a cargo  de Jamie Moss(Os Reis da Rua). Mas pelas sua complexidade, a produção do filme demorou muitos anos ainda pra que se pudesses concretizar.

Em 2009, a roteirista Laeta Kalogridis (Ilha do Medo, Alexandre, Terminator 5), foi chamada para criar uma nova versão do roteiro, iniciado plo Jamie Moss. Em 2010 ela deu uma entrevista falando sobre o roteiro que tinha escrito ao site Shock Till You Drop que a adaptação do mangá cyberpunk era o seu próximo trabalho. "Eu tenho Ghost in the Shell, que é uma adaptação de outro mangá e anime que a DreamWorks e Steven (Spielberg) vão produzir e que eu espero terminar o primeiro roteiro muito em breve, com a esperança de que ele goste. Além disso, estou meio que aberta porque não sei muito bem o que quero fazer. Eu amo Ghost In The Shell há muitos e muitos anos. Acho que poderiam ser três filmes de duas horas, que é o que eu votei. Mas é o texto seminal do cyberpunk, tipo um Neuromancer. É mesmo e não há nada que chegue nem perto dele", desabafou a roteirista, que assumiu o projeto no lugar de Jamie Moss, atual roteirista de X-Men: First Class, do Bryan Singer.

Rupert Sander no set de filmagens de Ghost in the Shell

Só teriamos notícias novamente sobre o projeto apenas em janeiro de 2014, quando o diretor britânico Rupert Sander (Branca de neve e o caçador), foi contratado pela DreamWorks para dirigir a adaptação . Também foi contratado um novo roteirista, William Wheeler (O vigarista do ano) para criar uma nova versão do roteiro, mas ainda não havia previsão de fimagens. Sander falou em entrevista a revista brasileira PREVIEW, seu envolvimento no projeto:

"Eu conhecia bem o anime, já assisti várias vezes. Eu havia feito uma reunião com Steven Spielberg, que estava desenvolvendo o projeto, e ele se aproximou de mim e perguntou: '-Você estaria interessado em Ghost in the Shell?', e era óbvio que eu estava. Vi o esboço que ele havia feito. Era um grande filme com efeitos explosivos. Mas eu queria explorar a essência da série original.Então comecei a capturar fotogramas do anime original, de 'Fantasmas do futuro 2: Inocência' e de 'Stand Alone Complex'. Em seguida, escrevi um rascunho da história e coloquei o texto ao lado das imagens. Levei este projeto de volta para Steven e falei que era assim que gostaria que o filme fosse feito. Originalmente, eu queria fazer a versão da primeira animação. Mas é uma história complexa, com tantas introspecções filosóficas, achei difícil que sua adaptação rendesse um bom filme."

Esboço inicial de Margot Robbie como Major.
Começou-se então uma corrida para encontrar a atriz perfeita para o papel da Major . Em Setembro de 2014, a atriz australiana Margot Robbie (O Lobo de Wall Street), entrou em negociações com a DreamWorks pelo papel principal.  Em Janeiro de 2015, a Variant, anunciou que a DreamWorks acertou com a atriz Scarlett Johansson para o papel principal. Margot Robbie desistiu do filme para ficar com o papel de Alerquina no vindouro Esquadrão Suicida. Scarllet teria recebido U$ 10 milhões pelo papel, o que a coloca entre as atrizes mais bem pagas de Hollywood. Em outubro de 2015, um novo roteirista foi contratado para o projeto, Jonathan Herman, escritor iniciante que assina o roteiro final de "Straight Outta Compton - A História do N.W.A."

Perguntada pelo Collider sobre o fato de ter sido escolhida para o papel, Scarllet Johansson respondeu: "Não sei se sou a pessoa certa, mas acredito que o (diretor) Rupert Sanders e eu compartilhamos a mesma visão do personagem. Logo de cara, quando tivemos essa mesma conversa, acho que cabe ao público decidir se sou a pessoa certa para o papel."
Scarllet Johansson no set de filmagem de Ghost in the Shell

Em seguida, Johansson passou a argumentar a favor de si. "Acho que posso ser desafiada, e tentar fazer isso. Acredito que tenho algo a contribuir. E acho que, nesse caso, minha simpatia pela experiência desta personagem me fez sentir capaz de interpretar o papel", explica a atriz.
"E claro, adoro fazer a parte física. É sempre divertido para mim, é desafiador, e me ajuda como uma outra maneira de aprender habilidades que aprimoram o meu trabalho. Ghost in the Shell vai tornar as gravações de Vingadores 3 e 4 mais fáceis para mim", argumenta.

Definido o papel principal para Scarlett Johansson, começaram a se definir os outros papéis do filme, em novembro de 2015 o site ComicBook anunciou o dinamarquês Pilou Asbæk (Lucy, Game of Thrones) seria Batou, o segundo em comando na unidade da major Mokoto Kusanagi. O ator inglês Sam Riley (Malévola, Na Estrada) entrou em negociações para assumir o vilão da trama, mas o acordo acabou não saindo, só em fevereiro de 2016, que este papel foi preenchido pelo ator Michael Pitt para viver o antagonista The Laughing Man, personagem que é meio humano meio máquina. Outros atores foram contratados para completar o elenco, incluindo o veterano ator japonês Takeshi Kitano (Verão Feliz), no papel de Daisuke Aramaki, fundador e líder da Sessão 9 e a atriz francesa Juliette Binoche, como  Dra. Ouelet, uma cientista que assume, direta ou indiretamente, um papel materno na vida da Major. Uma adição também ao elenco foi a atriz japonesa Rila Fukushima (Wolverine), para viver a androide geisha assassina.

A DreamWorks sabia que um projeto desta magnitude deveria ser realizado em cooperação com outro estúdio gigante de Hollywood, a primeira opção foi a Walt Disney Productions. O lançamento do filme foi originalmente agendado pela Walt Disney Studios Motion Pictures para o dia 14 de abril de 2017, através de sua subsidiária Touchstone Pictures. O filme era parte do acordo de distribuição da DreamWorks Pictures com Walt Disney Studios, que começou em 2009. Em abril de 2015, a Disney mudou a data de lançamento do filme na América do Norte para o dia 31 de março de 2017, com a Paramount Pictures lidando com a distribuição internacional. No entanto, foi relatado em setembro de 2015 que a DreamWorks não renovou seu acordo de distribuição com a Walt Disney Studios Motion Pictures que terminaria em agosto de 2016, em janeiro do mesmo ano, a Disney se retirou do filme depois que DreamWorks Pictures assinou um acordo de distribuição com a Universal Pictures em dezembro de 2015.

Os direitos de distribuição de Ghost in the Shell na América do Norte que ficaria com a Walt Disney Studios Motion Pictures foram transferidos completamente para a Paramount Pictures que anteriormente faria somente a distribuição internacional e à partir de agora fará em ambos os mercados, mantendo o lançamento do filme na segunda data estipulada pela Walt Disney Studios Motion Pictures para o dia 31 de março de 2017.

FILMAGENS

As filmagens principais do filme começaram em 1° de fevereiro de 2016 e foram realizadas em Wellington,  Nova Zelândia  onde também foram desenvolvidos os efeitos especiais principais, a cargo da WETA (empresa de efeitos de Peter Jackson, responsável por Senhor dos Aneis e Hobbit), com finalização em 3 de Junho daquele ano. Então a produção seguiu para Hong Kong na China, a partir do dia 7 a 16 de junho. A cidade que o anime original lançado em 2005 se passava, não era identificada com precisão. O local era uma megalópole que união várias características de capitais orientais como Toquio, Singapura ou Pequim. "Vamos trazer esta mesma sensação de estranhamento e familiaridade que o anime passava. Filmamos em muitas cidades e unimos isto para criar um ambiente únicos", segundo o produtor Arad.



Para ser fiel ao anime original a produção procurou a WETA WORKSHOP para criar os efeitos e desenhos artísticos do filme. Todos equipamentos que o elenco usa, vieram da WETA, incluindo a roupa e o esqueleto da Major. Robbie Gillies, chefe de desenho de produção, disse: "Tudo que será exibido na tela de cinema busca uma referência no anime. Demos nosso toque, mas foi algo que fizemos muito próximo ao pessoal que desenhou o original e que agora entende como esta visão pode ser atualizada."




Em uma entrevista com o IGN, o produtor-executivo da adaptação com atores de Ghost in The Shell, Michael Costigan, comentou sobre como ele acredita que o filme é muito fiel ao material original, e que acha que os fãs vão gostar do resultado final.
"Eu me sinto tanto como um geek fazendo este filme porque realmente estamos o trazendo à vida tão fielmente," Costingan afirmou. "Estamos trazendo coisas que vimos no anime à frente em live-action então eu estou muito animado pelos fãs."

Making of (por trás das câmeras)  - parte 1 e parte 2






Os diretores das animações originais, Mamoru Oshii e Kenji Kamiyama, foram ao set de filmagens em Hong Kong e participaram da produção com ideias, apresentadas ao diretor Sanders. Oshii aliás, foi um ótimo conselheiro para Sanders, e falou que estava bastante animado pela produção. O criador do mangá original, Masamune, não quis se envolver com a produção.

Visita de Mamoru Oshii ao set de gravações :



Em 13 de novembro de 2016 a Paramount Pictures divulgou em suas redes sociais o primeiro trailer do filme. A Paramount realizou  um evento em Tóquio, no Japão, para apresentar o filme ao público. Minutos antes de o trailer de Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell ser revelado ao mundo, o diretor Rupert Sanders estava em um palco repleto de jornalistas e convidados. Participante de um "painel" com perguntas já combinadas previamente, Sanders foi questionado sobre qual assinatura traria para a adaptação americana do clássico criado por Masamune Shirow e dirigido em animação por Mamoru Oshii. "Tudo o que fiz foi pegar o trabalho destes dois mestres e colocar na tela", afirmou Sanders, em tom de brincadeira.

Diretor Sanders e elenco na premier do filme em Tóquio no Japão

A colocação de Sanders, entretanto, não poderia ser mais séria. Quando se fala em versões hollywoodianas de obras da cultura pop japonesa como animes, mangás e light novels, é impossível não se lembrar de pérolas como Dragonball Evolution, com sua total falta de compromisso com o material adaptado. Frente a um cenário como este e em meio a críticas em torno da escalação de Scarlett Johansson para o papel da protagonista Motoko Kusanagi, Ghost in the Shell afirmou, com convicção, que quer enterrar a má fama dos filmes de anime em Hollywood.

Muito além dos segredos do trailer e sua aproximação com o material original, o evento diz muito sobre a intenção de Sanders, Johansson e a equipe que produziu o filme. Não apenas por trazer a mídia de entretenimento global para Tokyo, cidade onde se situa a história original e que respira cultura pop japonesa como nenhuma outra no planeta, mas também pelo que foi apresentado por lá.

Comparação entre o filme e o anime original.

O lançamento no Brasil, também teve cópias legendadas e dubladas. Para dar voz a um dos mais desejados símbolos sexuais da história do cinema foi uma tarefa que a dubladora paulista Fernanda Bullara encara com um sabor de desafio ao assumir o papel principal – o de ninguém menos do que Scarlett Johansson – na versão brasileira de A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell. Na ativa desde criança, a atriz de 32 anos – que dubla desde os 6 – enxerga na esperada ficção científica do diretor Rupert Sanders um tom mais seco no timbre vocal da estrela americana a quem já cedeu sua garganta no passado.

“Dublei Scarlett num filme dos anos 2000 chamado Falsária, quando ela era mais jovem e eu também”, diz Bullara, que já emprestou sua voz a outras atrizes de Hollywood como Mila Kunis e Christina Ricci. Agora, neste filme, que está sendo super esperado, ela fala baixo, num tom mais grave. O meu maior desafio foi encontrar esse tom. Um ator de cinema tem o olhar para traduzir suas emoções. Nós, na dublagem, não: a emoção tem que ser concentrada na voz”. "Ela começa o filme séria, muito direta, num clima misterioso, mas, aos poucos, vai vendo o quanto é humana e vai ficando cada vez mais nervosa”, explica Bullara, que dublou desenhos como Naruto (Ino) e Sakura Card Captors (Tomoyo). “A dublagem brasileira hoje tem um espaço muito grande não apenas pelo mercado aberto nos games, como pelo reconhecimento dos fãs de animês”.

Trailer da versão dublada brasileira


TRILHA SONORA


Para um filme onde o futurismo e a tecnologia de ponta são os temas principais, obviamente que isto também deveria ser sentido na criação da trilha sonora do filme. Ela ficou a cargo de dois proficionais da área, Lorne Balfe e Clint Mansell. Grandes nomes da música eletrônica mundial também foram convidados para participar do projeto. Após Steve Aoki lançar o remix oficial da música do game, “Utai IV Reawakening”, de Kenji Kawai, o tracklist do álbum com as músicas presentes no longa ficou assim:

01) Kenji Kawai– “Utai IV Reawakening” (Steve Aoki remix)
02) Johnny Jewel – “The Hacker”
03) Boys Noize – “Cathryn’s Peak”
04) DJ Shadow ft. Nils Frahm – “Scars”
05) Above & Beyond – “Surge”
06) IO Echo – “Aokigahara Forest” (Album Only)
07) Tricky – “Escape”
08) Ki: Theory – “Enjoy The Silence” (Album Only)
09) Johnny Jewel – “Free Fall”
10) Gary Numan – “Bed Of Thorns”
11) Johnny Jewel – “The Key”
12) Kenji Kawai– “Utai IV Reawakening”


Entre os nomes confirmados estão Above & Beyond, Boys Noize, DJ Shadow entre outros. O álbum, intitulado, "Music Inspired by the Motion Picture Ghost in the Shell", foi lançado em serviços de streaming no dia 31 de março, um dia depois da estreia do longa nos cinemas . Segundo o diretor Sanders e o produtor Arad: "Trouxemos boa parte da equipe que trabalhou no anime Ghost in the Shell, para ajudar na composição da trilha. Queremos muita fidelidade nesta área, mas ao mesmo tempo, queremos dar um pouco da nossa cara ."

A versão de Ki Theory para o clássico do Depeche Mode, "Enjoy the Silence", que toca apenas no trailer de divulgação do filme:



Polêmica  do  "whitewashing"

Desde o anúncio das compras dos direitos cinematográficos por um estúdio americano, houve debates acalorados de fãs com relação ao uso de atores ocidentais brancos para os papéis principais, já que o material de origem é japonês.  Este termo em Hollywood é conhecido como "Whitewashing" (limpeza branca). Houve inclusive uma petição para a mudança da atriz principal.  A questão ainda incomoda alguns fãs da do anime/ mangá e atores, como é o caso de Ming-Na Wen, de Agents Of SHIELD, ela escreveu no seu perfil do Twitter:
“Nada contra Scarlett Johansson. Na verdade, sou uma grande fã. Mas tudo contra esse Whitewashing de um papel asiático.”

Em vista disto, os produtores do filme Paramount e a DreamWorks encomendaram testes de efeitos visuais para deixar a protagonista com visual mais asiático durante a pós-produção.
O teste teria sido conduzido pela Lola VFX, responsável por O Curioso Caso de Benjamin Button e uma das melhores empresas do chamado processo de “embelezamento” dos filmes de Hollywood, que deixam atores mais jovens, mais magros, mais fortes, etc. O site diz que, após a revisão do teste, que foi feito de forma digital sem a participação da atriz fisicamente, a ideia foi descartada pelos produtores. A Paramount afirmou que houve um teste, mas não confirmou que foi para fazer a mudança de etnia e disse que tudo aconteceu com outro ator, e não com a protagonista.

Scarllet caiu como uma luva no papel da Major


Depois da polêmica sobre testes para mudar a etnia de Scarlett Johansson em Ghost in the Shell , Sam Yoshiba, diretor da divisão internacional da editora Kodansha, afirmou que gostou da escalação da atriz e que uma atriz japonesa nunca foi cogitada (via THR):
“Olhando para a carreira dela até agora, Scarlett Johnsson é uma escolha de elenco muito boa. Ela tem uma coisa meio cyberpunk sabe. E, desde o começo, nós nunca imaginamos que seria uma atriz japonesa”, afirmou Yoshiba. A Kodansha é a editora responsável por publicar o mangá de Ghost In The Shell em 1989.
“É a chance de uma propriedade japonesa ser vista ao redor do mundo”, completou o executivo dizendo ainda que visitou o set do filme na Nova Zelândia e ficou impressionado com o respeito da equipe ao material original.

Em entrevista ao Buzzfeed, o produtor Steven Paul justificou a escolha de Scarlett Johansson para estrelar a versão americana de Ghost in the Shell e reagiu à controvérsia do "whitewashing" - a tendência hollywoodiana de diluir etnias e escolher caucasianos em papéis-chave para supostamente não perder o apelo do público americano médio:.

 Rupert Sanders,  Scarlett Johansson e Mamoru Oshii.
"Eu acho que todo mundo vai terminar ficando bem feliz com o filme. [Os fãs] ficarão contentes quando virem o que de fato realizamos com o mangá, e não acho que as pessoas vão sair desapontadas", começa Paul. "Acho que honramos o mangá, e os fãs vão ficar felizes porque estamos pagando um grande respeito ao mangá."

Sobre o "embranquecimento", o produtor diz que o filme terá "um mundo internacional". "Estamos utilizando todo tipo de pessoa e nacionalidade no mundo de Ghost in the Shell. É gente de todas as partes do mundo. Temos japoneses, chineses, britânicos, americanos", diz. "Eu não acho que seja uma história só japonesa. Ghost in the Shell era uma trama bem internacional, não só focada no Japão, a ideia era que fosse um mundo todo. Por isso em acho que o enfoque internacionalista é o melhor enfoque."

Masamune Shirow, o AUTOR original, o cara que criou o mangá que deu origem ao filme e ao anime, aprovou a escolha de Scarlet. Mais: ele disse que mangás são obras 'apátridas', obviamente salvo se forem sobre samurais e outros elementos históricos japoneses. No fim das contas, deviam aprovar a DIVERSIDADE exibida no filme, no Japão, um dos países mais etnicamente uniformes do mundo.

Por fim a própria atriz principal, Scarlett Johansson, falou sobre a polêmica. Em entrevista à Marie Claire comentou: "Eu certamente nunca me atreveria a interpretar outra raça de uma pessoa. Diversidade é importante em Hollywood e nunca gostaria de sentir que estava interpretando uma personagem que era ofensiva. Além disso, ter uma franquia estrelada por uma mulher é uma oportunidade tão rara. Eu certamente sinto a pressão disso, o peso de uma franquia tão grande nos meus ombros", explicou a atriz.

Em verdade é que a personagem original do manga/anime não é exatamente asiática, apesar da estória de passar em algum lugar da Asia, seus traços são bem ocidentais, ela tem olhos grandes e até olhos claros. Alias, ela é um androide, então ela pode ser qualquer coisa. No filme também vemos atores orientais como é o caso de  Takeshi Kitano e Rila Fukushima, entre outros.

  Resultado final e bilheterias

Poster para o mercado japonês


O filme foi lançado em 29 de Março em várias partes do mundo e logo, começaram a aparecer as primeiras críticas, positivas em sua maioria, mas o filme não conseguiu ter uma abertura boa nos Estados Unidos/Canadá, e estreou apenas em terceiro lugar, ficou atrás de O Poderoso Chefinho — estreante da semana — e de A Bela e a Fera, que foi para sua terceira semana em cartaz. O blockbuster da Paramount arrecadou apenas US$ 19 milhões e nem chegou perto de cobrir o seu orçamento de produção. Ghost in the Shell teve um orçamento de US$ 110 milhões e, no mundo todo, o filme arrecadou na estreia US$ 59 milhões. A segunda semana foi ainda pior, somou apenas US$ 7,3 milhões, chegando a um total acumulado de US$ 31,45 milhões nas bilheterias domésticas, uma queda de 60%. A surpresa, foi onde o filme foi bem...no mercado asiático, que muitos pensavam que o filme também fracassaria devido a polêmica do "whitewashing", o filme foi o lider da semana de estreia na China, onde já tinha arrecadado  US$ 21,4 milhões. Outra supresa foi no Japão, país de origem da franquia,  o sci-fi teve uma estreia surpreendente, se comparado com o mesmo final de semana de abertura nos Estados Unidos.  Arrecadando US$ 3 milhões em seus primeiros três dias no cinema, ‘A Vigilante do Amanhã’ teve uma recepção muito positiva entre os japoneses, apesar de toda a revolta gerada pelo ‘embranquecimento’ com a escalação de ScarJo para o papel da cyborg japonesa.

De acordo com o site de cinema do Yahoo japonês, a produção contabilizou a pontuação de 3.56 entre os fãs, número maior que o da animação original. O site The Hollywood Reporter também conversou com algumas pessoas que foram aos cinemas assistir ao sci-fi e a maior parte das opiniões sobre o filme foi positiva. Dentre os aspectos mais elogiados estão os efeitos visuais, a atuação de ScarJo e de forma geral a abordagem feita do material de origem.



Graças à bilheteria global, a produção deu uma boa recuperada, acumulando um total de US$ 124.373 milhões, sendo que mais de US$ 90 milhões vieram de fora dos EUA. Mas, ainda ficará abaixo do esperado,como consequência o filme deve sofrer um prejuízo grande, pois alcançando sua projeção de US$ 200 milhões arrecadados mundialmente, a produção ainda ficará no vermelho. Juntando os custos de produção e de publicidade, o filme custou mais de US$ 250 milhões, o que geraria uma perda de aproximadamente US$ 60 milhões. A publicação também reporta que fontes próximas do longa informaram que o orçamento de “A Vigilante do Amanhã” – listado em US$ 110 milhões – na verdade está mais próximo de US$ 180 milhões. Caso isso se confirme, o prejuízo será ainda maior, podendo ficar em torno de US$ 100 milhões. O que se pode dizer que o futuro no cinema, parece que se encerrou já no primeiro filme e dificilmente veremos alguma continuação de algum grande estúdio.

Paramount Pictures, produtora do filme, comentou o caso e culpou parte do fracasso na polêmica da escolha de um elenco não asiático, principalmente no caso de Scarlett Johansson como protagonista:
‘’Tínhamos esperanças de melhores resultados no mercado interno. Acho que a conversa com relação ao elenco impactou os comentários”, admitiu Kyle Davies, chefe de distribuição doméstica da Paramount, durante entrevista à CBC. “Você tem um filme que é muito importante para os fãs, uma vez que é baseado em um filme de anime japonês”, completou.
Para Davies, a ideia de transformar uma história asiática em global é um desafio muito difícil de ser feito. “Então você está sempre tentando enfiar essa agulha entre honrar o material de origem e fazer um filme para um público em massa. Isso é desafiador, mas claramente os comentários não ajudaram”, lamentou.




CRITICAS DE SITES GEEKS BRASILEIROS
- Boa parte dos sites e blogs de cultura Nerd e Geek, deram reviews positivos ao filme, sendo que muitos também apontaram alguns problemas nesta adaptação.


“Ghost in The Shell ganhou um filme digno de sua importância. Corajoso, fiel e diferente como deveria ser.”
THIAGO ROMARIZ - OMELETE
Nota 4 de 5 (ÓTIMO)



“Por fim, A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é um blockbuster com pretensões de trazer questões temáticas e estéticas que se diferenciem do atual cenário do cinemão. Se essa versão de Ghost in the Shell pode não chegar ao status de cult movie, trazer características e ideias que fogem do padrão é sempre muito bem-vindo.”
 GIOVANNI RIZZO – Observatório do Cinema
Nota 3 e ½ de 5




“No fim das contas, A VIGILANTE DO AMANHÃ é um filme que até tem uma cota de pontos positivos, que o torna interessante até para ser revisto. Nem que seja para ficar novamente deslumbrado com o desenho de produção e as cores, que não saem prejudicadas pelo 3D, aqui usado de maneira atraente e elegante.”

Ailton Monteiro – SCI FI DO BRASIL
Nota: 3 de 5




“Ainda deve-se aplaudir a inteligência do filme em não tomar partido em relação a quem é o verdadeiro vilão da história. “


 Pedro Karan – Observatório do Cinema

Nota: 4 de 5


" Então Ghost In The Shell, entre hipnótico e monótono, a maior obra audiovisual do cyberpunk. Cyberpunk que era o mundo das idéias de então: a chegada da revolução digital às ruas e às nossas almas, ao business e à guerra, além das fronteiras, para o bem e para o mal.
Como chamávamos então, pela sigla: GITS. Balas voando e Baudrillard, Philip K. Dick e Mecha, política, pop e espiritualidade. A presciência do século 21, do impacto que a nascente internet teria, a intuição das discussões de gênero e identidade e classe e geopolítica que viriam. E Major, uma protagonista feminina capaz, complicada, fria e quente, quente como só um cérebro humano em um corpo artifical poderia ser."

Andre Forastieri - Jornalista R7




Fontes: Omelete, CinePop, Observatório do Cinema, Wikipedia, Paramount Pictures/Dreamworks

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