sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Discografia completa revista - Joy Division(1976-1980)

 


A revisão de discografia que farei, é de uma banda, que começou como outra banda com um som bastante diferente. Geralmente, quando faço o review das bandas, sempre menciono o passado original delas, seus embriões antes de se tornarem uma banda de sucesso. No caso do New Order, o embrião dela, era o Joy Division, mas sua primeira formação, em uma discografia curta, foi tão marcante que seu legado continua até os dias de hoje, que será meio impossível separar as duas, como algo diferente, mas apenas uma evolução de som, integrantes e estado de espírito, abalados por uma tragédia pessoal que marcou todos os integrantes.

O Joy Division foi uma banda inglesa de rock, fundada em 1976, em Manchester. É notória por ser uma das bandas mais influentes da história da música, sendo uma das pioneiras do pós-punk e do rock gótico, com elementos sutis de música eletrônica. A banda também tinha como integrantes Bernard Sumner (guitarrista e tecladista, à época chamado Bernard Albrecht), Peter Hook (baixista e vocalista) e Stephen Morris (percussionista e baterista). Começaram como Warsaw e mudaram pra Joy Division, assim que assinaram com a Factory Records. Após tentar alguns vocalistas, optaram pelo jovem  Ian Curtis, que também era guitarrista ocasional da banda. Com esta formação eles decolaram, gravaram dois álbuns, mas quando estavam começando a chamar a atenção e se preparando para sua primeira turnê nos Estados Unidos, Curtis, cometeu suicido devido a seu estado emocional e depressivo, causado principalmente por questões ligadas a epilepsia que sofria (muitas vezes no palco...), os anos se passaram a banda se tornou cult, apesar de terem encerrado a atividade em 1980, com o a morte de Curtis. 


"Transmission"(1979) - Primeiro single do Joy, lançado como sobras de um álbum que a RCA iria lançar em 1978, do embrião do Joy Division, o Warsaw, mas acabou sendo abortado pela gravadora. Eles mudaram para o selo Factory Records e o nome da banda. Este single foi o primeiro lançamento oficial do Joy e até hoje é tocado nas apresentações do New Order/Peter Hook e virou um clássico do pós-punk (considerado até o início do movimento).Um grande single de estreia, baixo cadenciado do Peter Hook, batida firme e quase militar da batera de Stephen Morri, guitarra sem intromissão na música e é claro a voz constante, ríspida e quase robótica de Ian Curtis. O refrão fica pregado na cabeça e a música finaliza como uma batida do coração desacelerada...o single atingiu o  4° lugar na parada indie inglesa. Caminho aberto para um álbum...



Unknown Pleasures
(1979) - Lançado pela Factory Records, com a capa que se tornou icônica, apresentando um gráfico recebido do radiotelescópio de Arecibo, de um pulsar. Um álbum que não teve single de divulgação, e hoje se tornou cult. Em uma época que o punk já tinha dado seu grito revolucionário contra o sistema, este álbum tem elementos desta revolução, mas vai muito além dos três acordes. O que se destaque neste álbum, a bateria cadenciada de Stephen Morris, o baixo cheio de riffs de Peter Hook e a voz meio Bowie e ditosa de Ian Curtis. O álbum abre com "Disorder", uma música bem estranha uma muralha sonora psicológica quase intransponível para todos os músicos de rock pós-punk. Suas letras, arranjo e harmonia podem ser percebidos em praticamente todos os trabalhos posteriores do gênero realizados por artistas da área. "Day of the Lords", faixa seguinte é mais discursiva, com Curtis, parecendo fazer uma homilia de missa. "Candidate" e "Insight"  sãos mais músicas de lamentação não fugindo a regra desde o começo do álbum. E para finalizar o lado A, "New Dawn Fades", que a meu ver é a música mais interessante até aqui, com diferentes camadas e melodia mais pop, diferente do ar deprê do álbum em si. Ela conta com um riff de guitarra ascendente de Bernard Sumner tocado contra um riff de baixo descendente de Peter Hook. A música usa a mesma progressão por toda parte, mas cresce em intensidade conforme a música avança, atingindo seu pico com Ian Curtis cantando "Me, seeing me this time, hoping for something else"(Eu, me vendo desta vez, esperando por outra coisa), e terminando com um solo de guitarra. O lado B, começa com a música que se tornou um clássico da banda, "She's Lost Control", que Curtis compôs sobre uma garota que tem epilepsia, a mesma doença dele. Continua até hoje um clássico e sempre tocada nos shows do New Order ou do Peter Hook. "Shadowplay", começa com a batida do baixo de Hook e depois a bateria cadenciada de Morris, com Curtis entrando com um vocal em um modo mais discursivo. Uma grande faixa alias. O lado B começou ótimo. "Wilderness", com cadência militar os instrumentos da banda e uma voz meio "Bowie" de Curtis, também bastante interessante. "Interzone", mais agitada e menos melódica, uma festa punk. "I Remember Nothing", fecha o disco com uma música mais sombria e melosa. Sons tristes, sombrios, melancólicos, praticamente definindo o momento dark/gótico, sem ser exatamente isto, um rock de desesperados, desiludidos, desempregados...reflexos da época pós-punk. O álbum chamou muita atenção, apesar de ser classificado ainda como banda indie. Chegou a marcar o 5° lugar nas paradas inglesas para surpresas de muitos pela descoberta de um novo som. E primeiro lugar na parada indie também britânica. O início de um voo promissor maior...


Closer
(1980) -  Factory Records, não perdeu tempo, e lançou o segundo álbum do Joy Division, menos de um ano depois do primeiro. Entre o primeiro e segundo álbum notamos algumas mudanças no som da banda. Continua com as lamentações da letras cantadas por Ian Curtins, a cadência quase militar da bateria de Morris, a guitarra distorcida de Sumner e o baixo com os riffs inconfundíveis do bass hero, Peter Hook. A banda continua em seu caminho Pós-punk e Rock gótico, que influenciaram bastante os anos e décadas seguintes.  "Atrocity Exhibition"  a música que abre, tem uma batida que lembra um 'samba sombrio', "Isolation" , "Passover"  e "Colony"  são músicas melhores construídas que a primeira, e parece seguir na mesma direção do álbum anterior, com uma guitarra mais suja e as atitudes de Hook de sempre pontuar as canções com os toques melódicos do seu baixo enquanto Curtis, canta como um Bowie robótico com toques de Kraftwerk."A Means to an End" , a última música do lado A, praticamente define um ritmo de dança gótica de salão, uma das melhores do álbum até aqui. Lado B, começa com "Heart and Soul" , que tem uma batida cadenciada de forma invertida, e "Twenty Four Hours" tem um baixo ao estilo punk de 3 acordes de Peter Hook, tocando enquanto Curtis, faz um discurso meloso e musical, mais interessante que a anterior. "The Eternal", é uma música cantada em forma de lamentação por Curtis durante 6 minutos, enquanto segue um rítmo de marcha fúnebre...e a última, "Decades", tem uma pegada mais rock com batidas variadas do baixo de Hook e variações com música eletrônica dando um ar mais deprê, também 6 minutos, ao som de um rock gótico. O álbum foi 6° lugar das paradas inglesas (sendo que atingiu o 1° lugar na parada indie). Também foi 3° lugar na Nova Zelândia. Foi o último álbum da banda, lançado poucos dias depois do suicido de Curtis. A capa do álbum que foi tirado de uma tumba no Cemitério Staglieno, em Gênova, Itália,  acabou sendo uma infeliz coincidência. Ao meu ver, Closer segue bastante o álbum anterior, e tem mais variações nas músicas, consigo até ver um pouco de eletrônica, tentando criar uma atmosfera mais densa nas músicas, como foi o caso de "Decades", mas não uma evolução maior. Em todo caso com a morte de Curtis, o Joy Division deixou de existir...Chegou ao 6° lugar das paradas inglesas e 1° lugar na parada indie britânica.



Still
(1981) - O fim do Joy Division, com a morte de Curtis, não foi o fim dos lançamentos. A banda estava ganhando projeção quando aconteceu a tragédia pessoal de Ian. Obviamente a gravadora não queria ficar na mão, já que com o falecimento de Ian, havia surgindo um culto em volta da banda e já no ano seguinte ao fim prematuro dela foi lançado pela Factory Records, esta compilação, na verdade um álbum duplo. Consiste em material de estúdio não utilizado ou indisponível anteriormente e gravações ao vivo. O álbum inclui a única apresentação ao vivo do grupo da música "Ceremony", que mais tarde se tornou single do New Order. Material que teve boa aceitação dos fãs, avidos pelos espólios da banda. As três primeiras faixas do disco 1, "Exercise One", "Ice Age", "The Sound of Music", devem ser material lá do fundo do baú, cortadas dos discos. Músicas bem sombrias e de lamentação com uma atmosfera bem gótica. Não achei elas lá interessante, mais por curiosidade mesmo. Já "Glass", tem uma pegada melhor apesar de ser uma baladinha triste, fechando o lado A com "The Only Mistake". Lado B do disco 1, segue mais três musicas de atmosfera gótica muito iguais: "Walked In Line"(esta aqui com o refrão bem repetitivo), "The Kill" e "Something Must Break". Chegamos a "Dead Souls", que pela pegada do baixo de Hook, lembra bastante as futuras músicas do New Order, sim, temos um pouco de alegria na melodia (não sei bem da letra), e o disco 1 fecha com uma faixa ao vivo "Sister Ray", do Velvet Underground, com direito a microfonia e experimentação na faixa, estendendo ela por uns 7 minutos, muito improviso.

Partimos para o disco 2 totalmente ao vivo, uma apresentação na Universidade de Birminghan, de 2 de maio de 1980, que foi a última apresentação do Joy Division, 16 dias antes do suicídio do vocalista Ian Curtis. Começamos três músicas "Ceremony", "Shadowplay", "A Means To An End","Passover" são musicas tocadas ao vivo que mostram que sua melancolia, atormentos, atenção, lamentações, são passadas de forma ríspidas pelas músicas na voz 'quase Bowie' de Curtis e as cadências das batidas da banda. Mostram que ao vivo, são bem improvisados e não conseguem tirar o máximo como no álbum de estúdio, talvez por não ligarem muito para qualidade, já que eram considerados uma banda independente. Já "New Dawn Fades", é uma música que conta com um riff de guitarra ascendente de Bernard Sumner tocado contra um riff de baixo descendente de Peter Hook. A música usa a mesma progressão, mas cresce em intensidade à medida que progride, atingindo seu pico com Ian Curtis cantando "eu, me vendo desta vez, esperando por outra coisa", terminando com um solo de guitarra . Então são surpresas interessantes para ouvidos mais atentos."Twenty-Four Hours", outra música bem interessante das lamentações de Curtis. Lado B: "Transmission" , se tornou um clássico, o primeiro single da banda, que alias, não está no álbum. Eles tocam ela bem maneira ao vivo. "Disorder" e "Isolation", são quase variações do mesmo tema que tornou a banda com seu rock noturno e sombrio famoso. Então chegamos a "Decades", eu simplesmente achei uma grande surpresa, a melhor música do álbum, foi tocada ao vivo muito bem, ela tem variações no ritmo ao longo dos seus 5 minutos , batida legal e um clima criado com sintetizador, que mostra um caminho que seguiriam com o New Order depois. "Digital" , mais um single fora dos dois álbuns originais... Bônus: "Love Will Tear Us Apart" (recorded live at High Wycombe Town Hall fev/1980), a mais famosa música da banda, quase seu legado, que foi lançado apenas como single póstumo alguns meses depois da morte de Curtis. Ao vivo ela é interessante, mas não atinge sua grandeza como no estúdio. Ao fim, você chega a conclusão que eram uma banda que tinha muito melhor performances em estúdio do que ao vivo, mas seus shows, atraiam cada vez mais multidão... Este álbum atingiu o 5° lugar dos mais vendidos no Reino Unido e 1° lugar na parada indie britânica, mantendo a tradição da banda, mesmo ela não existindo mais.


Substance
(1988) - Coletânea com os maiores sucessos e singles da banda, lanaçado em 1988, época que o New Order já havia estourado. Algumas músicas nem estão nos dois álbuns oficiais, mas já se tornaram clássicas. "Warsaw", gravada em 77, mas publicada em um EP , "An Ideal for Living" no ano seguinte, tem uma pegada bem pesada e punk. É polêmica, pois tem citações nazistas na mesma. A canção parece ser uma biografia um tanto fantástica de Rudolf Hess, vice-Führer de Hitler, que voou para a Grã-Bretanha em 1941 na tentativa de negociar a paz entre a Alemanha e o Reino Unido, supostamente por causa de sua desilusão com o nacional-socialismo.  "Leaders of Men", tem aquela pegada do baixo de Hook, logo na entrada e toda cadência que acompanharia a banda até sua curta trajetória, também do E.P. inicial da banda  " An Ideal for Living". "Digital", tem uma pegada mais balada rock seguido da esquizofrenia normal da banda, também saiu em um E.P. de coletâneas da Factory e posteriormente no Still. "Autosuggestion", outra faixa que havia saído em um EP de coletâneas de bandas da Factory, tem uma batida mórbida no começo que vai prolongando até entrar a voz do Curtis já no meio e volta as batidas instrumentais. "Transmission", a melhor faixa da banda, com sua inspiração bem Kraftwerk. "She's Lost Control", é outra música clássica, sobre o relacionamento de Curtis e sua esposa Debbie, cantada em forma de lamento. "Incubation", faixa Lado B do single "Komakino", com um rock bem trabalhado . "Dead Souls", é uma balada bem trabalhada, que lembra futuros trabalhos do New Order com um pouco de melancolia."Atmosphere", é uma faixa linda mas triste parecendo quase uma despedida de Curtis. Finalmente "Love Will Tear Us Apart" , a faixa mais famosa do Joy Division, quase seu cartão postal para as novas gerações que querem conhecer a banda, com sua batida e pegada mais pop, sobre um amor dilacerado (mais uma vez o relacionamento conjugal de Curtis), marco de gerações e que fez a banda atingir paradas...uma pena que o artista tenha morrido antes do sucesso...esta coletânea é uma boa pedida pra começar a conhecer o Joy. Mesmo a banda não existindo mais, mas já tendo sua sucessora New Order reinando nos charts ingleses, esta coletânea não fez feio em 1988, atingindo 7° lugar das paradas e Primeiro Lugar nos charts indies britânicos. 


Conclusão: Joy Division foi uma banda realmente muito interessante, longe de ser uma das melhores da história, com certeza, seu culto ao longo dos anos, a transformaram em um mito junto com seu líder desaparecido, Ian Curtis. Filmes, livros, novas gravações, documentários, são feitos de tempos em tempos, tentando entender sua ascensão e desaparecimento rápido em uma questão de dois anos e como ela ajudou a moldar o que chamamos de movimento pós-punk e gótico, ao incorporar em suas letras, melancolia, desprezo, sons sujos, romantismo utópico e um pouco de eletrônica para criar seus sons que vão do estranhamento ao avant garde de vanguarda. Então, se você quer tentar descobrir um pouco desta enigmática banda, a discografia completa dela ajuda a entender, mesmo que não totalmente o que propunham ou ...não. Mas seus membros estavam corretos em finalizar a banda com a morte de Curtis, e começar um novo projeto, diferente, a partir de suas cinzas...

Nota para banda :  4 de 5

Nota para Composições: 3 de 5





sexta-feira, 28 de julho de 2023

Discografia completa revista - Dire Straits (1978 - 1995)




Dire Straits foi uma banda de rock britânica formada em 1977 por Mark Knopfler (guitarra e vocais), seu irmão David Knopfler (guitarra), John Illsley (baixo) e Pick Withers (bateria). Suas músicas são bastante identificadas, principalmente pelos riffs clássicos da guitarra de Knopfler e sua voz inconfundível. A banda surgiu no meio do movimento punk e do movimento disco, mas ao invés de seguir as tendências do momento, preferiram focar no rock clássico e nas letras suaves e bem tocadas, buscando nas origens do rockabille, mas também incorporando sons eletrônico sempre casandos com os instrumentos acústicos como vilão, piano e saxofone. Criaram clássicos que até hoje, não são considerados datados, mas continuam tocando nas rádios e corações do mundo inteiro como:  "Sultans of Swing", "Lady Writer", "Your Latest Trick", "Romeo and Juliet", "Why Worry", "So Far Away", "Money for Nothing", "Walk of Life", "Tunnel of Love" e "Brothers in Arms". A banda ao longo dos anos, girou em torno de Mark Knopfler, seu irmão David Knopfle, saiu durante a produção do terceiro álbum. Outros músicos entraram em saíram da banda no curto período de tempo que ela existiu, sempre com Knopfler na direção da banda, além dele apenas o baixista  John Illsley, também esteve até o fim da mesma. A banda terminou sem alardes em Junho de 1995, após Knopfler expressar não querer mais grandes turnês, partindo para um trabalho em tempo integral em material solo e trilhas sonoras de filmes, enquanto os outros integrantes partiram para carreiras distintas. Em 2018, a banda foi induzida no Hall da Fama do Rock, em Cleveland.


Dire Straits (1978) - Primeiro álbum da banda, homônimo, lançado apenas um ano após a formação, pela gravadora britânica Vertigo, e pelo selo Mercury da Warner Bros nos EUA e Canadá. É um álbum notavelmente realizado para uma estreia. Imagens dylanescas, que realçam a atmosfera esfumaçada e discreta do álbum. Nada de pós-punk ou new wave aqui, é música clássica nascendo clássica. O álbum abre com a ótima "Down to the Waterline", música que conseguiu sobreviver ao longo dos anos em coletâneas da banda e sempre lembrada por fãs. Logo de cara se escuta os riffs da guitarra de Knopfler e sua voz que se tornaria marca registrada. Era algo realmente extraordinário. O álbum ainda tem o single hit, "Sultans of Swing", que abre o lado B, uma balada bem agitada que conquista o ouvinte logo de cara. Só estas duas músicas já valem o álbum, cujas as músicas em geral, dão as caras do que esperar do Dire Straits nos próximos anos. Estreou em 5° lugar no Reino Unido e em 2° Lugar nos EUA. Sendo 1° lugar na França e na Áustria e já ganhando vários discos de ouro e platina pelo caminho. O importante notar que a estreia nos EUA, foi até melhor que no país natal, mesmo porque o rock da banda é simples, direto e bem executado com traços do country e rhythm in blues. Então acertaram em cheio o lançamento.


Communiqué (1979) - Segundo álbum do Dire Straits, repetindo o lançamento pela gravadora britânica Vertigo, e pelo selo Mercury da Warner Bros nos EUA. Se o primeiro álbum deu uma impressão muito boa a esta banda, o segundo álbum segue a mesma tendência do anterior, com os riffs característicos de Mark Knopfler. Nada de influências pós-punks ou disco, continuando com o rock básico que fez o primeiro uma boa estreia. O lado A, possui músicas muito parecidas com o primeiro álbum, "Once Upon a Time in the West" e "News", o mesmo para a faixa título "Communiqué", baladas calcadas no rock clássico sem muitas ousadias. Mas ainda no lado A, temos a bela "Where Do You Think You're Going?" que tem sobrevivido as coletâneas ainda hoje, bem como "Lady Writer", uma ótima balada, que não pode faltar nos shows da banda, com rock hipnótico , instrumentação escaldante e vocais distintos de Mark Knopfler. "Lady Writer" e "Angel of Mercy" são ambas, pegadas country, a primeira mais lenta e a segunda balada incorporando riffs meio blues de  Knopfler, já "Portobello Belle", é uma faixa mais trabalhada com ótimos riffs de guitarra , uma boa música bem construída. O álbum termina com "Single-Handed Sailor", um dos melhores riffs blues de Knopfler em todo o álbum, e finaliza com "Follow Me Home", sem fugir da pegada de todo o álbum até aqui. Então temos um segundo álbum honesto, praticamente quase igual ao primeiro, com talvez um pouco mais de riffs de Mark Knopfler, e infelizmente, o último álbum com os dois irmãos Knopfler,  David Knopfler, saiu no começo das gravações do próximo. Este álbum foi 5° lugar nos charts britânicos e 11° nos States(talvez os americanos esperavam mais), conseguindo também 1° lugar na Alemanha e na Suíça. Tido em geral como um álbum competente, mas muitos criticaram por ser muito parecido com o anterior, sem grandes inovações.


Making Movies (1980) - Terceiro álbum da banda, teve um problema no começo, quando os irmãos Mark Knopfler (guitarra e vocais) e David Knopfler (guitarra) se estranharam durante o início das gravações e David acabou abandonando a banda. Mark Knopfler, então expandiu a banda pra um quinteto: Além dele,  John Illsley (baixo) e Pick Withers (bateria), foi acrescentados também Roy Bittan(teclados) para uma nova guinada musical e Sid McGinnis, assumiu a guitarra de David. Este álbum já mostra uma guinada da banda, para apresentar algo muito mais do que as simples faixas de rock clássico. Uma mistura de raizes do rock com um tempero New Wave.  Eles buscaram refinar melhor o som do álbum com letras mais arranjadas. Claro que os riffs de Knopfler estão sempre lá, sem comprometer a qualidade, ja´ que ele é a alma da música, mas eles se permitem criar atmosferas que vão além do velho rock.  A primeira faixa do álbum "Tunnel of Love", começa com uma introdução de "The Carousel Waltz" composta por  Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, mostrando ali, que o álbum não seria copia carbono dos anteriores, esta música inclusive acabou sendo popularizada por causa do filme de Richard Gere, "A Força do Destino"(1982). Uma música linda e envolvente, uma das melhores da banda, seguindo para "Romeo and Juliet", uma linda balada romântica. "Skateaway", a música seguinte, foi também um dos singles de trabalho do álbum igual as duas anteriores, e não deixa a peteca cair. Com um ótimo lado A, que vale todo o álbum o lado B, mostra novamente a banda sem arriscar muito, parecendo que as melhores músicas ficaram no lado anterior. "Expresso Love" , é uma balada romântica com um bom toque do teclado, "Solid Rock", seria a faixa rock'n'roll, pra dizer que eles apesar de mostrar uma guinada no som, ainda toca o bom e velho rock'n'roll. E fechando com "Les Boys", que tenta resumir tudo em uma balada de pista interessante. Um veredito final, é que o álbum consegue ser superior aos anteriores, as duas primeiras faixas, se tornaram clássicos da banda, tocaram bem nas rádios e ainda mantem viva a chama de boa música. Então eles podem mirar ainda para o alto mais...e mais... Foi 4° lugar no Reino Unido e 19° nos States, mostrando que o público americano ainda merece ser melhor trabalhado.

Love over Gold (1982) - Quarto álbum do Dire Straits, pelas gravadoras a britânica Vertigo, e pela Warner Bros nos EUA. Este seria o último álbum do baterista Pick Withers. Completando a formação Hal Lindes(guitarra), John Illsley (baixo) e Alan Clark(teclado). Se o anterior, já era um começo de guinada, e foi positivo, este novo álbum foi mais além, com melodias incríveis, riffs matadores da guitarra clássica de Knopfler, longas suítes com piano e as vezes acústicas, e mais acerto nas letras. Neste álbum o ouvinte consegui sentir mudanças focadas tanto no rock progressivo, na art rock e no Jazz Rock, sem esquecer o lado country, já parte do DNA da banda. A faixa que abre o álbum é "Telegraph Road", com mais de 14 minutos (uma versão menor, é mais conhecida dos shows e coletâneas), a faixa é longa, mas não é 'empurrada', ela é realmente viajante e bem executada, e vc até esquece o tempo dela. O lado A fecha com "Private Investigations", ela começa com uma orquestração de sintetizador de alta frequência (removida das versões de coletâneas e rádio), levando a uma lenta progressão de piano acompanhando um violão clássico, seguido por vários versos falados. Só estas duas faixas, já valeriam o álbum inteiro. E se você consegue chegar até aqui, vai saber que eles realmente estão em franca evolução e fizeram seus melhores trabalhos até o momento. O lado B, começa com "Industrial Disease", uma música interessante sobre doenças de trabalho, que funciona como música de salão meio country, com riffs interessantes do Knopfler. "Love over Gold" é uma balada romântica com um efeito de guitarra interessante e "It Never Rains" é um rock de salão, com uma suite final e prolongada, que não cansa. Em outras palavras, o álbum expande seus sons e ambições, deixando o Dire Straits, junto no panteão das grandes bandas daquele período. Continuando a tendência, a banda rema com seu próprio som, sem se preocupar muito com a concorrência, e melhorando a cada disco. Passos maiores serão dados mais a frente, para uma expansão mais global. O álbum conseguiu atingir o objetivo de levar o Dire Straits ao 1° lugar no Reino Unido...mas também Austrália, Áustria, Nova Zelândia e Holanda. Mas apenas o 19° novamente nos States. 

ExtendedancEPlay (1983) - Este álbum é um EP, com apenas 4 faixas (3 no resto do mundo e 4 nos States). Uma tentativa de prolongar o sucesso do álbum anterior, lançado pela  Vertigo Records internacionalmente e Warner Bros. Records nos States, durante um hiato de 3 anos para o próximo álbum completo . O EP consiste em faixas animadas com um toque de rock and roll, jazz e swing. É o primeiro lançamento da banda com o baterista Terry Williams, que ocupou o lugar depois que o baterista Pick Withers deixou o grupo em novembro de 1982. Este álbum inicia com o single  "Twisting by the Pool", uma balada rock animada, que já se tornou um clássico da banda e vale bastante todo o EP. "Badges, Posters, Stickers, T-Shirts", que aparece apenas na versão americana, é um lado B do álbum anterior, o Love over Gold. Ela quase é um jazz nostálgico, que meio que destoa do resto do EP, aqui mais como curiosidade. As faixas "Two Young Lovers" e "If I Had You", são dois rocks de balada de salão, bem característicos da banda. Neste projeto de EP, foi bem específico pra agradar mais os roqueiros baladas e o lado dança de salão que a banda sabe fazer muito bem. O EP foi primeiro lugar apenas na Nova Zelândia, ficando em 14º no Reino Unido e 12º na Billboard americana. 


Alchemy: Dire Straits Live (1984) - Este é o primeiro álbum ao vivo do Dire Straits, aproveitando seus principais sucessos e o calor de seus shows, preparando o terreno para o quinto álbum que só iria sair em 1985. E não é pouca coisa não, pois lançamento é álbum duplo.  Lançado novamente pela  Vertigo Records internacionalmente, e Warner Bros. Records na América do Norte. São gravações e shows realizados em julho de 1983, no Hammersmith Odeon de Londres. Seguido de um lançamento em DVD. O álbum são músicas dos 4 primeiros álbuns da banda mais o EP de 1983, também com músicas da trilha sonora do filme Local Hero, na qual Mark Knopfler compôs em carreira solo. Começa bastante interessante, uma instrumental orquestrada para dar o clima inicial do show...uma introdução de "Stargazer" seguido de  "Once Upon a Time in the West" (faixas da trilha sonora do filme  Local Hero ), segue versões ao vivo bem executadas e estendidas de "Romeo and Juliet", "Expresso Love","Private Investigations" e "Sultans of Swing", tudo isto do disco 1, no disco 2 para os mais de 14 minutos de "Tunnel of Love"  e os mais de 13 "Telegraph Road", suas faixas mais conhecidas. As faixas cumprem seu papel e são estendidas lembrando que a banda ao vivo parece um Pink Floyd ou Led Zeppelin, tentando dar o máximo de experiência sonora para seu público , uma verdadeira viajada na guitarra de Mark Knopfler e no instrumental de toda a banda, em uma química perfeita. Uma pena que foram cortadas  "Industrial Disease," "Twisting by the Pool" e "Portobello Belle"... .Mas uma conclusão final é que o o Dire Straits, mesmo nestes primeiros anos, entregam um show perfeito para o que o público quer ouvir. O álbum foi 3° lugar no Reino Unido, e 1° na Holanda, mas nos States apenas a ... 46° posição..

Brothers in Arms (1985) - Quinto álbum de estúdio do Dire Straits, novamente pelas gravadoras Vertigo Records internacionalmente, e Warner Bros. Records na América do Norte. Esperava-se que após um hiato de 3 anos (com EP e ao vivo para aquecer os fãs), o Dire Straits, voltasse com algo surpreendente, pois a concorrência na época era fortíssima, principalmente por causa da banda U2. O esforço foi recompensado, já que eles conseguiram fazer sua obra-prima, melhor álbum da carreira. Os álbuns do Dire Straits escutados até aqui, temos 2 faixas de cada álbum que foram singles de sucesso, se tornaram hits ou entraram nas coletâneas e fizeram parte do repertório ao vivo da banda até aqui. Mas Brothers in Arms vai além de tudo. As faixas  "So Far Away", "Money For Nothing", "Walk of Life" e "Your Latest Trick", que são reconhecidas e consideradas algumas das melhores músicas da banda e que tocam nas rádios até os dias de hoje. E isto sem abandonar o estilo que consagrou a banda, sendo que o mega-hit "Money For Nothing", mostra uma faixa bem voltada ao hard rock/metal, o que só fez a banda ganhar novos fãs, inclusive eu quando escutei pela primeira vez nos programas de clips da TV e na rádio. E "Your Latest Trick", uma lenta romântica com um saxofone maravilhoso, é cantarolada facilmente por muita gente e eu considero a música mais maravilhosa desta banda até hoje. E um detalhe interessante, a belíssima "Why Worry",  não foi single, mas fez muito sucesso no Brasil em 1985, por ser tema de novela da Globo e tocou bastante nas rádios. Pra fechar, o álbum ainda tem outra música sensacional e belíssima, a homônima "Brothers in Arms". Com 6 faixas hit makers neste álbum, quase uma coletânea, ainda possui 3 faixas inéditas pouco conhecidas, que são complementares e interessantes: "Ride Across The River", bem estilo jazz,  "The Man's Too Strong"  bem ao estilo blues e "One World" o seu clássic rock/country. E o importante lembrar aqui que a versão CD possui músicas mais estendidas que a versão em LP. A espera pelo sensacional lançamento foi recompensada. Finalmente o Dire Straits atingiu o primeiro lugar não apenas no Reino Unido e conquistou os EUA, mas também na Alemanha, Holanda, Austrália, Áustria, Canadá, França, Suécia , Nova Zelândia e outras partes do mundo...Fazendo a banda ganhar dezenas de Discos de Platina e Diamante por todo o planeta. Um dos melhores álbuns dos anos 80 e um dos melhores de todos os tempos.  Simples assim. Um legado para uma banda que batalhou muito pelo sucesso e chegou ao patamar, com produção caprichada.

Money for Nothing (1988) - Primeira coletânea oficial do Dire Straits. Na espera que levaria longo 6 anos, para o próximo álbum, a gravadora Vertigo Records internacionalmente, e Warner Bros. Records na América do Norte, colocou no mercado um Best of, para fãs sedentos de muita música boa. Foram escolhidas 11 faixas (sendo 13 na versão CD), sendo que "Portobello Belle (Live) (Alternative outtake)" e "Where Do You Think You're Going? (Alternative mix)" são versões diferentes, e que teve boa aceitação. Todos  os álbuns e o EP, estão aqui representados com o melhor do Dire Straits. Este álbum em sua versão fita K7, foi um dos primeiros discos de rock que ganhei na vida. E foi bastante apreciados pela minha mãe que passou a adorar a banda também. Aqui mostra os diferentes estilos da banda sem muito fugir da sua proposta classic rock, mas sem soar datada. Foi 1º Lugar no Reino Unido , França e Suécia. Nos States, apenas a 62º posição.

On Every Street (1991) - Sexto álbum de estúdio do Dire Straits lançado pela Vertigo Records internacionalmente, e Warner Bros. Records nos EUA. Com o line up da banda formado por  Mark Knopfler, John Illsley, Alan Clark and Guy Fletcher. Seis longo anos depois do mega sucesso do álbum anterior, era muita responsabilidade deles repetir o sucesso para retornarem ao topo. Uma espera longa depois de um estouro sensacional, se esperava pelo menos discos a cada dois anos...mas.... Aqui temos um álbum maior que o habitual, pois os anteriores era muito voltado ao LP, e agora estamos na era digital do CD. Portanto mais tempo e mais músicas. Seguimos então...é um disco novamente na qual escutamos o velho estilo do Dire Straits de sempre. Eles nunca mudaram. Músicas que se baseam bastante nas raízes do rock, como jazz, blues, rhythm in blues , Country e rock clássico, com pitadas modernas de sintetizadores no modo mais clássico. O álbum se inicia com "Calling Elvis", uma música que se baseia na teoria dos fãs de que Elvis Presley está vivo, cantada de forma pausada, meio blues...interessante. "On Every Street", lenta no piano, meio blues também, tenta pegar carona nos sucesso do passado.  "When It Comes to You" Country music que chegou a ser regravada por outros artistas countrys. "Fade to Black", lenta com pegada blues, tenta ser meio um Brothers in Arms disfarçado, com aqueles riffs do Knopfler..."The Bug", outra Country e muito balada de salão, alias, bem melhor construída que a anterior. "You and Your Friend", tem uma linha de guitarra bonita do Knopfler e é bastante chorada blues..."Heavy Fuel", a melhor música do álbum, a que eu lembro que tocou bastante em rádio e depois foi incluída em coletâneas posteriores, ela é muito rocker bem ao estilo da banda. "Iron Hand" é uma música Country-Blues lenta, "Ticket to Heaven", um Country rock tradicional ao estilo Johnny Cash com direito a piano clássico, "My Parties" uma balada lenta rock de salão com boa pegada com gaita, "Planet of New Orleans" é a melhor música do álbum, nunca tinha ouvido, não é exatamente um blues típico de New Orleans, como o título dá a impressão, é uma faixa muito ao estilo do Pink Floyd, uma longa suíte com a guitarra de Mark Knopfler no lugar do Guilmour, só ela já valeria o álbum inteiro  e a última faixa, "How Long" não deixa de ser outro Country ao estilo de Nashville bem na pegada de Willie Nelson, com Knopfler, tocando um violão acústico, talvez o melhor Country deste álbum. Enfim...o álbum On Every Street, retorno do Dire Straits após 6 anos, não consegue superar o imbatível álbum Money for Nothing de 1988, mas ainda sim é um bom álbum em geral. Uma pena que foi o último da banda...pelo menos até agora...mas fazem décadas que foi lançado..:(. Foi muito bem recebido, primeiro lugar no Reino Unido e também na Austrália, Áustria, França, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia e Suécia e ficou ainda em 12° nos EUA.

On the Night (1993) - Segundo álbum ao vivo do Dire Straits, lançado pela Vertigo Records internacionalmente, e Warner Bros. Records nos EUA. Gravado de um show de 1992, aproveitando a turnê do álbum "On Every Street". Começa com "Calling Elvis", estendendo ela do meio para o final com riffs de guitarra conquistando a plateia ja na música inédita do último álbum, de aproximadamente  10 mim, segue para o hit "Walk of Life", com uma interpretação interessante que agradou o público, segue para "Heavy Fuel" , o último grande hit da banda do último álbum. Com o público tomado vem uma linda versão estendida de "Romeo and Juliet", com os acordes da guitarra quase infinita de Mark Knopfler, "Private Investigations" e "Your Latest Trick", completam os hits , mas última que é uma das mais lindas criadas pela banda, poderia ter uma versão maior no show. Segue então mais duas faixas do novo álbum  a homônima "On Every Street" e "You and Your Friend". Reconquistando o publico com o mega hit "Money for Nothing" (parceria com o Sting do The Police) e fechando com a sensacional "Brothers in Arms". Então, pode se dizer a banda ao vivo chega a ser até melhor que no estúdio, pois eles fazem um ótimo trabalho ao vivo e entregam aquilo que os fãs esperam e muito mais. É bom dizer que o álbum ao vivo não foi duplo, mas simples, mas rendeu um EP no mesmo ano chamado Encores, com mais 4 faixas, "Your Latest Trick" (uma versão um pouco maior), The Bug", "Solid Rock" e "Local Hero (Wild Theme)" , uma música instrumental linda. Este álbum ficou em 4° no Reino Unido, 1° na França e Áustria e apenas...116 nos EUA. 


Live at the BBC (1995) - Terceiro álbum ao vivo do Dire Straits, lançado pela Vertigo Records internacionalmente, e Warner Bros. Records nos EUA. São compostas por gravações na rádio BBC, em 1978 e 1981. Tipo uma raridade de gravação. Segundo Mark Knopfler, foi lançado para fechar contrato, já que ele iria assumir definitivamente a carreira solo e o Dire Straits estava acabando naquele ano.  O que esperar de um material antigo gravado no início de carreira banda ? Em se falando em Dire Straits, tudo...não é material caça-níquel definitivamente. É algo de grande qualidade, pois mostra que a banda ao vivo (mesmo que gravado dentro de estúdio da BBC), é ótima. Seguindo a moda iniciada pelos Beatles, de lançar suas gravações e participações na BBC, este material aqui está muito bem coeso mostrando aquilo que se espera de uma banda...Clássicos como "Down to the Waterline", "Water of Love" e "Sultans of Swing", dão um tom de destaque a este show. E ainda "Tunnel of Love", gravada de outra sessão em 1981, tem uma introdução linda usando trechos de The Carousel Waltz" composta por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, talvez a melhor faixa do álbum e ainda um bonus interessante:  "What's the Matter Baby?", é uma faixa inédita matéria excluído dos primeiros álbuns, foi escrita em conjunto pelos irmãos Knopfler  David e Mark, bem interessante. Infelizmente, foi o último álbum lançado da banda (inédito mesmo só o On Every Street de 1991). Pouco depois deste lançamento Mark Knopfler anunciou o fim do Dire Straits :(

 

Conclusão: Dire Straits, surgiu em um momento em que o rock estava enfrentando uma mudança muito forte que influenciaria pra sempre o movimento da música pop, principalmente por causa do punk e da disco, dos movimentos de pós-punk, new wave, rock gótico, declínio do rock progressivo constante rivalidade dos artistas no período 70 e 80. Mas, eles chegaram com sua música simples, tocando um rock clássico básico, com elementos de blues e  country music, mas ao mesmo tempo, levando a uma pegada mais pop, com alguns elementos sutis de música acústica com eletrônica bem diluída. Os riffs de guitarra de Mark  Knopfler,  cativaram mais ainda e cada álbum mostraram que simplicidade e organização, não custa nada a ninguém e chegaram ao mainstream facilmente. É balada ou música lenta, romântica ou um pouco de hard rock, eles conseguiram conquistar um público fiel no mundo inteiro. Eu realmente amo esta banda, não superam The Beatles ou Pink Floyd, mas são muito melhores que o Led Zeppelin, por exemplo ou mesmo The Who e até os Rolling Stones. Uma pena que Mark Knopfler, tenha parado com a banda em 1995, para focar em sua carreira solo, na qual alias, não existe muita distinção. 


Nota para banda :  5 de 5

Nota para Composições: 5 de 5






sexta-feira, 26 de maio de 2023

Discografia completa revista - Led Zeppelin (1968 - 1980)

 



Começando o ano de 2023, com mais análises de discografia completas de bandas e rockstars famosos.

Led Zeppelin foi uma banda britânica de rock formada em Londres, em 1968. Consistia no guitarrista Jimmy Page, no vocalista Robert Plant, no baixista e tecladista John Paul Jones e no baterista John Bonham(1948-1980). Seu som pesado e violento de guitarra, enraizado no blues e música psicodélica de seus dois primeiros álbuns, é frequentemente reconhecido como um dos fundadores do heavy metal. Seu estilo foi inspirado em uma grande variedade de influências, incluindo a música folk, psicodélica e o blues.


Yardbirds

A origem do Led Zeppelin começou com outra banda que teve bastante relevância nos anos 60, The Yardbirds, do Reino Unido, com pegada no  blues-rock e teve várias formações, surgido em 1963 e ficou famosa por ter tido três dos melhores guitarristas de todos os tempos em sua formação, sucessivamente: Eric Clapton, Jimmy Page e Jeff Beck. Com vários problemas internos, em 1968, Jimmy Page formaria das cinzas o New Yardbirds, que passou a se chamar finalmente, Led Zeppelin. Recomendo que os ouvintes escutem uma coletânea do Yardbirds. O som é muito blues rock, e blues, com vários riffs de guitarra, mas as primeiras gravações, parecem muito datadas, típicas do início dos anos 60, meio Beatles/Rolling Stones, mas que aos poucos mudou a pegada mais jazz/blues e Rhythm and Blues, pois bebiam bastante nesta vertente, o que o velho e bom rock'n'roll não tenha se sobressaído nisto tudo. O uso de piano, saxofone, gaita, contrabaixo eram comuns nas gravações do grupo. Alguns destaques:  "For your love"  (primeira parada de sucesso do grupo), "Heart Full of Soul", "Shapes of Things" e "Over Under Sideways Down".



Led Zeppelin (
1969) - o álbum de estreia da banda britânica de rock Led Zeppelin, gravado em Londres. Lançado em uma época de muitas agitações culturais e sociais mundiais, como a chegada do homem a lua, direitos civis, luta contra o racismo e a Guerra do Vietnã.  Este álbum estabeleceu a difusão entre o blues e o rock. Muitas canções deste disco, tais como "Dazed and Confused", "Communication Breakdown" e "How Many More Times", apresentam um som pesado atípico na época de seu lançamento. A banda também criou um grande número de seguidores e devotados, com suas próprias canções de hard rock e som agradável; para eles uma parte da contracultura em ambos os lados do Atlântico. As músicas são bem variadas no estilo, o que causa bastante surpresa, é que entregam um álbum, onde todas as músicas são muito boas, bem construídas, compostas e principalmente tocadas. Os 4 membros se esforçam ao máximo para dar um grande álbum de rock, em uma época que Beatles, Stones, Pink Floyd e The Who, pareciam que dominariam sozinhos a cena. Led Zeppelin, aqui, está muito superior ao som que faziam no The Yardbirds, seus músicos já tinham bagagem musical e conseguem impor um ritmo que agrada em cheio crítica e público. Já nasceram grandes !!! O álbum de estreia fez o 6° lugar no Reino Unido e 10° nos EUA. Ganhou vários discos de platina dupla, diamante e ouro. Merecido.

Lez Zeppelin II
(1969) - O segundo álbum do Led Zeppelin, que passou a seguir a tradição de ser apenas nomeado com o nome da banda, foi lançado ainda no ano do primeiro álbum, com a diferença de 9 meses apenas. A gravadora Atlantic, sabia que a banda tinha muita coisa a oferecer e logo de cara antes do primeiro LP ter estourado, já botou os caras no estúdio para já tirar um segundo para ser lançado antes do final do ano. Em Led Zeppelin II os temas apresentados nas letras do álbum anterior foram mais elaboradas, fazendo com que esse trabalho tenha se tornado mais influente e amplamente aclamado que o seu antecessor. Com elementos de blues e da música folk, mostra também a evolução do estilo musical da banda, a partir do material proveniente dessas fontes, associado à sonoridade dos riffs de guitarra. É considerado o álbum mais pesado da banda E disco feito rápido não é bom ? Sim, é bom, mas ele se parece bastante com o primeiro álbum, o que não é uma coisa ruim, já que o primeiro foi um grande sucesso, mas achei que se for assim pra sempre, eles podem ficar comprometidos de não evoluírem como The Beatles ou Pink Floyd...As primeiras faixas deste álbum, parecem não oferecer muita novidade, além do velho e bom rock-blues que eles viam martelando a algum tempo, mas ao longo do disco, já verifica-se que ainda tem muito chão pela frente e melhorar ainda mais as composições...mas o que vc precisa ? Riffs sensacionais de Page, as batidas do baixo de Jones e bateria frenética de Bonham e é claro a inconfundível voz de Plant, sempre surpreendendo em seus graves e agudos. Deixa o som rolar... duas faixas me chamaram a atenção, "Thank You", música lenta, que conheci muitos anos depois como cover da banda Duran Duran (que ainda prefiro em detrimento da original) e "Moby Dick", uma faixa instrumental matadora, com um longo solo de batera do John Bonham. Ela é bastante reconhecível em shows e na mídia. Já em evidência deste o primeiro álbum, foi nº 1, nos dois lados do Atlântico (Reino Unido e EUA), e ainda na Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Alemanha, Paises Baixos, Espanha...Não dava pra dizer que a banda tinha qualquer dificuldade em agradar, mesmo com a concorrência pesada de outras bandas, mas neste cenário era os Beatles em fim de carreira e um Pink Floyd ainda experimental.



Led Zeppelin III (1970) - Terceiro álbum, lançado com um tempo mais de sobra pra gravar. Todos tinha uma certeza, os Beatles, já não existiam mais...o espaço estava livre para qualquer grupo ganhar as paradas de sucesso e havia muita gente boa ali...o Led Zeppelin, já era considerado um super grupo, os dois álbuns anteriores já deu prova que vieram pra ficar, então quando este terceiro álbum estreou, não restava mais dúvidas que aquela era realmente uma das bandas que iriam ganhar as paradas por muito tempo. Como no álbum anterior, o grupo evitou o uso de músicos convidados, com todas as músicas tocadas pelos membros da banda Robert Plant (vocais), Jimmy Page (guitarras), John Paul Jones (baixo, teclado) e John Bonham (bateria). A gama de instrumentos tocados foi bastante reforçada neste trabalho, com Jones especialmente emergindo como um multi-instrumentista talentoso, tocando uma ampla gama de instrumentos de teclado e cordas, incluindo vários sintetizadores, bandolim e contrabaixo, além de seu usual baixo. Como em álbuns anteriores, Page serviu como produtor. Supreendentemente, achei este o melhor álbum que os dois primeiros. Sim, era muito bom e evoluído, pois achei o segundo , uma tentativa de fazer quase a mesma coisa do primeiro. O álbum mostrou uma progressão do rock puro para a música acústica e o folk. Enquanto as influências do hard rock ainda estavam presentes, como em "Immigrant Song", canções acústicas como "Gallows Pole" e "That's the Way" mostraram que o Led Zeppelin era capaz de tocar diferentes estilos com sucesso. O grupo escreveu a maior parte do material sozinho, mas como em gravações anteriores, incluiu duas canções que eram reinterpretações de trabalhos anteriores: "Gallows Pole", baseada em uma popular canção tradicional inglesa, do cantor americano Fred Gerlach; e "Hats Off to (Roy) Harper", uma reformulação de uma canção de blues de Bukka White. A banda era muito mais que apenas hard rock e vamos lá...a influência do blues-rock é muito presente. Eles conseguem evoluir sem esquecer suas origens. Guitarra sempre afiada de Page, voz versátil de Plant e o resto da equipe , Jones e Bonham, em sintonia perfeita...Destaques aqui pra "Immigrant Song"  (repara na tentativa de Plant de imitar o Tarzan)...clássico e "Tangerine", uma lenta muito linda, baseada no blues...1° lugar no Reino Unido e Estados Unidos , além do Canadá, Nova Zelândia e Austrália. 


Led Zeppelin IV (1971) - Quarto disco, do Led Zeppelin, e confirmando que os caras não estão na música pra brincadeira. Praticamente entregando um álbum por ano, suficiente para desenvolver vários temas e afinar ainda mais a banda. E se o álbum anterior já mostrava que a banda estava afinada, o quarto álbum entregou tudo aquilo e muito mais, no que eu considero o melhor álbum da banda. E não é atoa, já que um dos clássicos imortais de todos os tempos do rock, "Stairway to Heaven", e ao mesmo tempo uma dádiva, mas também uma maldição para a banda, pois se tornou um hit, que toca até hoje, mas fazendo a banda rejeitar o mesmo e se negando a tocar em seus shows, mesmo para os artistas em sua carreira solo. O álbum começa muito quente com "Black Dog" e "Rock and Roll" , dois hard rocks potentes, que rivaliza com as melhores músicas deste gênero, segue "The Battle of Evermore"(uma referência ao livro O Senhor dos Anéis do  J. R. R. Tolkien), então vem o mega-hit  "Stairway to Heaven", uma música que é lenta ao estilo o folk rock,  e pesada ao mesmo tempo, gênero que depois seria explorado por outras bandas como Guns'n'Roses ou Queen, seguida de duas músicas bacanas mais baladas, "Misty Mountain Hop"  e "Four Sticks"  e finalizadas com "Going to California" , uma balada linda, que não conhecia e "When the Levee Breaks"  um blues rock de 7 minutos com o melhor dos 4 músicos do Led Zeppelin. Em geral, várias músicas ali estão ao estilo folk rock e  jazz rock com electric blues. Então temos um dos melhores álbuns de rock de todos os tempos, ao lado de Sgt Pepper's dos Beatles ou The Dark Side of the Moon do Pink Floyd.  Foi primeiro lugar no Reino Unido, Canadá e 2° lugar nos EUA, França e Japão. E com o tempo, se tornou um dos álbuns mais vendidos da história. 


Houses of the Holy (1973) - Quinto disco do Led Zeppelin, o primeiro com um título. Ele representa um ponto de viragem musical para Led Zeppelin, como eles começaram a usar mais camadas e técnicas de produção em gravar suas canções. Os riffs de guitarra se tornaram mais trabalhosos, com técnicas e influências do blues. Apresentam estilos não vistos nos álbuns anteriores da banda. Mas ao meu modo de ver, o álbum não começa exatamente como eu esperava. "The Song Remains the Same", tem  um começo inspirador...mas não consegue sair do lugar e a seguinte, "The Rain Song", são 7 minutos e 40, com o Led tentando soar um Beatles psicodélico, mas não conseguindo sair do lugar, preso em seu próprio...ego...mas as coisas começa a melhorar nas canções seguintes, para a alegria da galera...sim o bom e velho rock'n'roll sem enrolação estão presentes nas faixas : "Over the Hills and Far Away"  e "The Crunge" . Mas o ponto de virada, é "Dancing Days", possivelmente a melhor música do álbum. E outro destaque é D'yer Mak'er" , música que tem elementos e batidas reggae com uma pegada  hard rock, por sí só, é esplendido . E finalmente as duas músicas finais, "No Quarter", uma canção de 7 minutos, que poderia ser uma mistura das suítes do Pink Floyd com o estilo blues-rock do Led Zeppelin. Ela é muito bem construída. "The Ocean", a música que fecha o álbum, é o bom e velho Led Zeppelin que conhecemos dos outros discos, com um ótimo hard rock que se nota influências para futuras bandas como Iron Maden... Em geral, o álbum é bom, mas creio que após o LZ III e o excelente LZ IV, era difícil a banda fazer algo a altura. Fica devendo no começo, mas finaliza com músicas boas a seguir. Eu não consegui identificar nenhum clássico neste álbum, que tenha feito um sucesso maior. Sendo a banda que era no seu auge, qualquer coisa vendida bem, então foi fácil para banda atingir os primeiros lugares nos dois lados do Atlântico...e seguir o barco...


Physical Graffiti (1975) - Sexto álbum, praticamente com tempo de sobra de um ano para sair em turnê, gravar e fazer um bom planejamento de lançamento.  No caso agora, o Led Zeppelin, se dá o luxo de colocar álbum duplo no mercado ! Sendo o primeiro álbum editado pela Swan Song Records, a gravadora criada pelo grupo, após o fim do contrato com a Atlantic Records.Demonstra o máximo de suas habilidades, e o álbum aponta para vários estilos e influências. O álbum abre com duas faixas que são puro hard rock, "Custard Pie" e  "The Rover", já mostrando na cara, que não quer brincadeira, reparem nos riffs de Jimmy Page aqui e já passando por cima das críticas do álbum anterior. Segue então uma música que fecha o Lado A, ... "In My Time of Dying" de 11 minutos !!! Tipo..vamos ter que engolir outra "The Rain Song" que nem o álbum anterior ? Não, ela é surpreendente, muito bem tocada. A faixa foi gravada ao vivo, com Page posteriormente adicionando mais overdubs de slide guitar. O arranjo e a estruturação foram liderados por Bonham, que elaborou onde as várias seções de parada/início na faixa deveriam estar e como o grupo saberia onde voltar. O final da música apresenta sua tosse fora do microfone, fazendo com que o resto do grupo se desfaça nesse ponto. Bonham posteriormente gritou "Isso tem que ser o único, não é?", sentindo que era a melhor tomada. O Labo B abre com "Houses of the Holy", faixa que deveria estar no álbum anterior, que alias, é homônima, mas que tinha estrutura semelhante de "Dancing Days", e é um ótimo hard rock...Segue outra boa, "Trampled Under Foot" que podemos considerar uma faixa rock-funk de condução e fechando o Labo B, do primeiro disco, a fantástica e hoje clássica "Kashmir", mostrando que a banda também sabia fazer rock sinfônico, ao estilo do Pink Floyd, com a linda voz de Plant. 

Então passamos para o disco 2, começando com "In the Light", um bom exemplo do  rock progressivo, mostrando novamente a veracidade da banda.   "Bron-Yr-Aur" , é uma faixa com guitarra acústica totalmente Jimmy Page, parece parte de um projeto que ele tinha a algum tempo, ficou legalzinha. "Down by the Seaside"  é um soft-rock de praia...e "Ten Years Gone"  uma balada de amor, bem blues...e temos também a representação de um  country rock com "Night Flight". "The Wanton Song", é um hard rock construído a música em torno dos riffs. Já a linda "Boogie with Stu"  é um  rock 'n' roll acústico com uma pegada blues, na verdade,  uma jam session com o pianista dos Rolling Stones, Ian Stewart baseada na música de Ritchie Valens "Ooh My Head". Então o álbum finaliza com "Black Country Woman" um  rock'n'roll acústico bem bacana e "Sick Again" um hard rock dos bons, pra fechar... Então, sim, eles conseguiram fazer outro grande álbum, e um álbum duplo ao mesmo tempo, mostrando muita versalidade , boa música e química entre os 4 membros. Esta entre os melhores da banda, apesar de só conhecer "Kashmir", no meio de tudo aquilo, o resto é ótimo. Primeiro lugar no Reino Unido, EUA e várias partes do  mundo...


Presence
(1976) é o sétimo álbum de estúdio da banda britânica de rock Led Zeppelin, após o excelente álbum duplo o aclamado Physical Graffiti. Expectativas altas pra ver se a banda ainda conseguiria ficar no topo, com a grande concorrência no período. Realizado enquanto o vocalista Robert Plant, estava se recuperando de um acidente de carro, que o deixou algum tempo de cama. Os caras começam com o bom e eletrizante hard rock de 10:30, com um nível alto de complexidade, "Achilles Last Stand", ela começa com acordes acústicos de Page, e também finaliza com eles, mas a música é quase totalmente hard rock, com uma batida da bateria de Bonham simplesmente fenomenal sem mudar em nada nos 10 minutos e pouco da música. As outras duas faixas que fecham o Lado A, "For Your Life" e "Royal Orleans" , são dois hard rocks bons, diferentes entre si, mas bem executados, sendo que esta última é a única do álbum creditada por todos os 4 membros da banda e a letra fala sobre a vida na estrada. O Lado B, começa com "Nobody's Fault but Mine", que tem por volta dos 6:20 de música, bem construída. "Candy Store Rock"  é um hard rock mais leve e despretensioso. "Hots On for Nowhere"  tem outra pegada Hard rock e finalmente, "Tea for One"  é um blues com cara de jam session quase infinita de 9 minutos e tanto, onde o pessoal deixa o som rolar solto até finalizar a fita, mesmo assim, um blues muito bem construído e não repetitivo. O álbum não tem algum hit que eu lembre, como os outros, mas é um bom álbum, pra quem saiu quase de sua obra-prima anterior. Mesmo nas circunstâncias do acidente de Plant, os músicos trabalharam bem, e mandaram bala com música de boa qualidade. 1° lugar nos dois lados do Atlântico.


The Song Remains the Same
(1976) o próximo álbum do Led Zeppelin, foi lançado no segundo semestre de 76, e foi o primeiro álbum live da banda. Eles tinham condições para isto, já que seu repertório era grande, suas músicas conhecidas e tinham público cativo e naquele período, poderiam dizer que eram a Maior banda de rock do Mundo! O projeto é de um show gravado ao vivo em vídeo no Madison Square Garden, em Nova York, no ano de 1973. O filme foi para os cinemas, e o LP DUPLO da trilha sonora do show, foi lançado junto no ano de 1976. O álbum live, também serviu para dar um tempo para banda descansar de seus shows e gravações. O álbum show demonstra bem o motivo do Led Zeppelin, ser considerada uma das maiores bandas de todos os tempos, igual Beatles ou Pink Floyd, pois o que eles fazem ao vivo, chega até ser melhor que eles fizeram no estúdio. E aqui é uma boa demonstração, na qual Page e Bonham liberam seus solos de guitarra e bateria auxiliados da voz de Plant e baixo do Paul Jones, que parece que estão em uma jam session infinita...e bota infinita nisto...se acha que a versão de 10 minutos de "Stairway to Heaven" é algo fantástico, quero ver você falar a mesma coisa pra outras músicas ao vivo como "No Quarter"  (12 min),  "Moby Dick"  (12:47), "Whole Lotta Love" (13 min)...mas nada chega perto de "Dazed and Confused"  com seus mais de 26 minutos, incrivelmente todo o Labo B do disco 1...e só o Zeppelin pra fazer isto...mas é um álbum que não é pra todos os gostos, confesso. Ela começa com clássicos de duração pequena como "Rock and Roll"  , "Celebration Day"  e "The Song Remains the Same" , depois vem estas faixas mais longas e chegando quase ao infinito. Mas não deixa de ser um álbum bacana. 1° Lugar no Reino Unido e 2° nos States.



In Through the Out Door
(1979) - Oitavo álbum de estúdio. O álbum é marcado pela mistura de sons e ritmos trazidos de outros estilos musicais, como o country e o reggae. Marcado também pelo fato dos teclados e sintetizadores de John Paul Jones se sobressaírem além dos acordes de Jimmy Page que vivia uma crise artística graças ao vício em heroína. Um fato que marcou enormemente o lançamento do álbum, foi a edição com 6 capas diferentes: a cena no bar fotografada por 6 ângulos opostos. Foi o último álbum do baterista John Bonham, que morreria um ano depois em 1980, precipitando assim o fim do Led Zeppelin. O álbum com diferentes estilos ainda entre o bom e velho hard rock que eles ajudaram a criar a uma década passada. Ainda são reis, apesar de algumas melancolias em algumas musicas em especial o hit .Então começamos com "In the Evening" a faixa de abertura do álbum como "um épico completo", a fim de mostrar que o Led Zeppelin ainda pode fazer boa música. A faixa apresenta um contraste entre os riffs poderosos na parte principal da faixa, contra uma seção intermediária relativamente tranquila."South Bound Saurez" começa com uma "introdução de piano divertida" tocada por Jones;  a faixa evoca aquela sensação de um bar de Nova Orleans..."Fool in the Rain" foi uma tentativa de combinar um ritmo de samba com uma melodia de rock básica, resultando em uma polirritmia no meio da música. A ideia foi inspirada por Plant explicando que o grupo deve explorar um novo território musical para se manter atual. "Hot Dog" meio uma homenagem tentando evocar covers de Elvis Presley e e Ricky Nelson, uma espécie de rockabilly country . "Carouselambra" é uma faixa de dez minutos, dominada pelos teclados de Paul Jones e abrangendo uma variedade de estilos musicais com flerte até na música pop. "All My Love" foi composta por Plant em homenagem ao seu filho que havia falecido há pouco tempo, uma tragédia pessoal transformada em quase um hino. A música tocou horrores nas rádios e já criança, foi uma das primeiras coisas de rock que escutei na vida..."I'm Gonna Crawl" é um blues mais relaxado pra fechar o álbum...no fim, mais um espetáculo do Zeppelin e parecia que eles nunca irão sair do topo...então veio a morte Bonham por overdose... Primeiro lugar nas paradas do Reino Unido, EUA, Austrália, Canadá, Espanha...



CODA (1982) - Nono e último álbum do Led Zeppelin, praticamente um álbum póstumo, pois após a morte do baterista  John Bonham, a banda decidiu anunciar seu fim. Talvez este álbum tenha sido lançado para fechar o contrato que eles tinha ou uma homenagem. O álbum é formado por oito faixas, que são sobras de estúdio de várias gravações de 1970 até versões inéditas ao vivo. São oito faixas maravilhosas, bem executadas, mostrando o melhor que a banda tinha, mesmo sendo sobras, bem produzidas alias, e não podemos dizer que são migalhas, é uma despedida de classe para os fãs que acompanharam a banda ao longo dos anos. Analisando, temos três de sua fase de blues elefantino, três de seu canto de cisne não intencional - não são por onde começar a descobrir o porquê. Mas, apesar da falta de jeito calculada do início e das orquestrações incompletas do final, tudo aqui, exceto a John Bonham Drum Orchestra, convenceria uma parte desinteressada - um zé ninguém, digamos. Jimmy Page fornece um solo multiforme em "I Can't Quit You Baby" e riffs jumbo por toda parte. Presente de despedida honesto ! Não chegou totalmente as paradas, mas mesmo assim um 4° lugar no Reino Unido e 6° nos EUA, pra mostrar que finalizaram no TOP 10 nos dois lados do Atlântico.



Remasters
(1990)  é a primeira coletânea oficial da banda britânica de rock Led Zeppelin, com material selecionado pelo guitarrista Jimmy Page.Foi lançada em outubro de 1990 na Europa e nos Estados Unidos junto com o Boxed Set de quatro CDs intitulado Led Zeppelin'". O melhor do Led Zeppelin, ou o disco para iniciantes, seria um dos melhores títulos para ele. Só não tem músicas do CODA, que por si só, já seria uma coletâneas de faixas nunca lançadas, então Remasters, fica voltado a discografia entre 1969 a 1979. Um ótimo álbum duplo para conhecer o melhor de uma das melhores bandas de rock de todos os tempos. Destaques: "Black Dog" ,"Immigrant Song", "Dazed and Confused" , "Whole Lotta Love" , "Rock and Roll" , "Stairway to Heaven", "Kashmir" e "All My Love", são algumas da grandes músicas da banda, reunidas aqui e que frequentaram e ainda frequentam bastante as rádios ao longo dos anos. Top 10 no Reino Unido, 1° lugar na Austrália e apenas a 47º posição nos States, mesmo assim vendeu bem em outros lugares do mundo.


Epílogo:

Ao longo dos anos após a morte do baterista John Bonham em 1980 e seu fim oficial em 1981, cada um dos integrantes remanescentes, remanescentes John Paul Jones, Robert Plant e Jimmy Page, continuaram a brilhar em suas carreiras solos ou em colaborações com outros artistas (incluindo até entre eles), ao logo dos anos. Houve algumas tentativas de retorno, mas duraram apenas um show. 

Em 13 de julho de 1985, o trio reuniu-se para o concerto Live Aid, no JFK Stadium, em Filadélfia, tocando em uma curta apresentação com os bateristas Tony Thompson e Phil Collins e o baixista Paul Martinez. Collins havia contribuído nos dois primeiros álbuns solo de Plant, enquanto Martinez era um membro do Band of Joy. O desempenho foi prejudicado pela falta de ensaio com os dois bateristas, lutas de Page com uma guitarra fora de sintonia, monitores de mal funcionamento, e pela voz rouca de Plant. Page descreveu a performance como "muito caótica", enquanto Plant a caracterizou como uma "atrocidade"...sem chance pra um retorno definitivo.

Os três membros reuniram-se em 14 de maio de 1988, para o concerto do 40º aniversário da Atlantic Records, com o filho de John Bonham, Jason Bonham, na bateria. O resultado foi mais um desempenho desarticulado, depois de Plant e Page argumentarem imediatamente antes da entrada em cena sobre a possibilidade de tocar "Stairway to Heaven", e com a perda completa dos teclados de Jones na alimentação de televisão ao vivo. Page descreveu a performance como "uma grande decepção", e Plant disse que "o show foi podre".

Em 1995, os membros remanescentes da banda foram introduzidos no Rock and Roll Hall of Fame nos Estados Unidos por Steven Tyler e Joe Perry do Aerosmith. Jason e Zoë Bonham também participaram, representando seu falecido pai. Na cerimônia de posse, o racha interno da banda se tornou aparente quando Jones brincou ao aceitar seu prêmio, "Obrigado, meus amigos, por finalmente lembrarem o meu número de telefone", causando consternação e olhares estranhos de Page e Plant. Posteriormente, eles tocaram num breve conjunto com Tyler e Perry, com Jason Bonham na bateria, e, em seguida, uma segunda vez com Neil Young, desta vez com Michael Lee tocando bateria.

Em 10 de setembro de 2007, os membros remanescentes da banda reuniram-se para o Ahmet Ertegun Tribute Concert na O2 Arena, em Londres, com Jason Bonham novamente no lugar de seu falecido pai na bateria. De acordo com o Guinness World Records 2009, eles estabeleceram o recorde mundial de "Maior Procura de Ingressos para um Concerto de Música", como 20 milhões de pedidos para o show de reunião foram prestados online. Críticos musicais elogiaram a performance da banda e houve especulações sobre uma reunião completa. Page, Jones e Jason Bonham relataram sobre estarem dispostos a uma turnê, e estavam trabalhando em material para um novo projeto do Led Zeppelin. Plant continuou seus compromissos de turnê com Alison Krauss,bafirmando em setembro de 2008 que ele não estaria gravando ou em turnê com a banda. Jones, Page e Bonham teriam procurado um substituto para Plant, considerando cantores incluindo Steven Tyler, e Myles Kennedy do Alter Bridge, mas em janeiro de 2009, foi confirmado que o projeto havia sido abandonado.

Bonus:

Celebration Day
(2007) -  é um filme-concerto e álbum ao vivo da banda britânica de rock Led Zeppelin, gravado no Tribute Concert Ahmet Ertegun em 10 de dezembro de 2007, na Arena O2 em Londres, Reino Unido. Praticamente o último show do Led Zeppelin ou...o show tributo dos remanescentes do Led Zeppelin, entendam como proferirem. Passados quase 30 anos, pode se dizer que os veteranos artistas, acompanhado por Jason Bonham (que substitui seu pai, de forma magistral), ainda continuam em uma pegada boa. Se as outras tentativas de reunião 88 e 95, não conseguiram por diferentes razões, fazer um show descente, este de 2007, no Arena  O2, eles chegam quase a perfeição. Um show perfeito feito na medida para os fãs, começando com "Good Times Bad Times", passando por clássicos como "Black Dog", "Dazed And Confused", "Stairway To Heaven","The Song Remains The Same", "Kashmir", "Whole Lotta Love" e fechando com "Rock And Roll", em um total de 16 faixas do melhor do rock, que ajudou a definir o hard rock no cenário mundial. Foi 4° lugar no Reino Unido e 9° lugar nos EUA, provando que ainda tinham folego depois de tanto tempo. Foram 1° lugar na Alemanha e Nova Zelândia. Vários discos de ouro e platina pelo mundo.


Conclusão: Led Zeppelin, não são superiores a The Beatles ou Pink Floyd(em minha opinião), na qual fiz análises anteriores, mas são um dos alicerces do rock, longe de serem experimentais ou seguirem tendências além do próprio rock, eles foram sim, bastante honestos na sua proposta de fazer música boa e muito rock'n'roll, sempre voltado nas raízes do blues e do rock original, criaram as bases do hard rock, mostraram o caminho para heavy metal e ainda tiveram tempo de fazerem baladas legais. Não criaram um álbum conceitual como Beatles ou Floyd, mas fizeram verdadeiros clássicos do rock. Sua influência chega a ser quase infinita nas bandas que vieram depois, só pra citar de exemplo: Queen, Nazareth, Aerosmith, Gun'n'Roses e atualmente os moleques do Greta Van Fleet. 

Nota para banda :  5 de 5

Nota para Composições: 4 de 5