Faz tempo que não tiro férias de verdade, acho que desde 2018 quando fui para Balneário Camboriú - SC. Desde aquele ano, minha vida deu uma virada grande...perdi meu emprego em São Paulo capital e em 2019, tomei a decisão de voltar para o interior mineiro com a família, estabelecendo em definitivo em Uberlândia-MG, perto de parentes. Não foi uma decisão fácil, deixei tudo pra trás em São Paulo, onde morei por 20 anos... e anos seguintes, tive diferentes empregos, vários problemas na família com falecimentos (incluindo cunhado, pai, sobrinha e irmão) e doenças e a COVID, e bastante debilitado financeiramente...A dois anos arrumei um novo emprego, e consegui dar uma espraiada na parte financeira e comecei a planejar tirar férias de verdade...Sou uma pessoa que adora viajar e conhecer lugares. Estive nos EUA, Canadá, Reino Unido, França, Mônaco, Peru, Chile, Argentina, Paraguai...mas estas viagens e suas lembranças, foram partes do passado...não posso viver apenas dele...
Peguei 20 dias, e planejei passar um tempo fora...mas um tempo curto, pois ajudo a cuidar da minha mãe que não pode ficar sozinha muito tempo e não está em boas condições de viajar comigo...Então o planejamento foi de uma viagem de uma semana (domingo a domingo), na qual escolhi pegar diferentes meios de transporte, alguns inéditos pra mim, rever amigos em BH (cidade onde morei quando criança) e tentar conhecer a única capital e o único estado da região sudeste que eu não conhecia pessoalmente, Vitória no Espírito Santo.
Ônibus Uberlândia - BH
A viagem começaria da minha saída da rodoviária de Uberlândia em direção a Capital Mineira, Belo Horizonte, dia 10/05 as 23:30 (não queria perder o dia das mães, naquele dia). O ônibus fez duas paradas, a primeira em Araxá, e fiquei estarrecido em ver que nos últimos 30 anos, esta rodoviária, de uma importante cidade brasileira, onde fica uma das maiores minas de nióbio do mundo...continua velha, feia e suja, com banheiros imundos e fedorentos. A segunda parada foi em posto de melhor estrutura perto de Luz, também em MG.
Belo Horizonte
Dia 11/05
A chega em BH foi por volta das 8 horas da manhã, da segunda-feira dia 11/05. Na mesma e velha rodoviária que eu conheci 30 anos antes...e constatei que quase nada mudou nela, sendo a parte de desembarque ainda possuem banheiros pagos e mau cuidados, também lamentável. Tomei um café rápido e parti de Taxi para o Financial Hotel no centro, quase ao lado da Praça Sete. Ao chegar, fui informado que o check in começaria as 12 horas, mas eu poderia pegar o quarto antes...pagando uma meia diária...infelizmente muitos hotéis cobram isto e não existe lei ou regra definida...pelo menos, deu direito a outro café da manhã...estabelecido no quarto, hora de tomar um banho e já preparar uma saída, pois teria apenas dois dias na cidade.
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| Praça Sete |
Belo Horizonte já é mais que centenária, uma metrópoles organizada com boa parte dela planejada (a primeira capital planejada do Brasil). Como morei 4 anos na cidade entre 1984 a 1988, eu conheço bastante o centro. Bora bater perna. Logo na saída, com a atenção redobrada devido a violência e assalto (seguro não morreu de velho, visto que foi assaltado quando criança). Assim, segui a principal avenida da cidade, a Afonso Pena (a maioria das cidades de Minais Gerais, tem avenidas com este nome). Passando ao lado de edifícios históricos, como o Edifício Acaiaca, cuja construção, antes do famoso Ed.Martineli de S.Paulo, chegou a ser considerado o maior do Brasil. No Acaiaca, existe no seu subsolo, um bunker, construído na época da II Guerra Mundial e que hoje serve de visitação, junto com o rooftop convertido a mirante do centro da cidade...ambos são pagos, e ambos tem que agendar...mas infelizmente as visitas são as quintas-feiras a domingo, não era pra mim, pois iria embora na quarta-feira...fica pra uma outra oportunidade.
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| Edifício Acaiaca |
Hora então de seguir para o próximo conjunto de prédios as torres gêmeas dos edifícios Sulacap e Sulamérica, formam um famoso conjunto arquitetônico de estilo protomoderno construído nos anos 40 do século passado, tornarem uma verdadeira ‘janela’ para o Viaduto Santa Tereza, conectando por uma escadaria dando acesso a uma praça e pelo fluxo contínuo de pedestres, duas das principais avenidas da cidade. Quem é morador de BH ou conhece bem a capital sabe que a ideia da ‘janela aberta para o horizonte’ não durou muito. Em menos de três décadas, durante os anos 1970, foi construído o anexo — ou leia-se ‘puxadinho’ — Novo Sul América, que acabou unindo as duas torres do conjunto e, consequentemente, alterando parte da essência do projeto. O prédio, que abrigava diferentes comércios, foi demolido em 2024 pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), na intenção de recuperar as características iniciais da construção, idealizada pelo arquiteto italiano Roberto Capello.
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| O Portal que atravessa o Sulacap e Sulamérica ao fundo o viaduto Santa Tereza e o Bairro Floresta |
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| Conjunto Sulacap e Sulamérica |
Seguindo em frente na Avenida, em um enorme quarteirão inteiro, está o pulmão verde da capital, o Parque Municipal Américo Renné Giannetti (ou apenas como Parque Central), é o patrimônio ambiental mais antigo da cidade, tendo sido criado antes mesmo da fundação de Belo Horizonte. Hoje, é uma área de preservação importante em meio ao movimentado centro da cidade. Tem muito verde, e 4 mil árvores, entre figueiras, ipês, jaqueiras, guapuvurus e outras espécies têm o Parque como lar. Animais como gambás, micos-estrela e pássaros podem ser vistos na área verde. Também há um orquidário, além de um coreto e um lago com pedalinho...nunca tinha entrado lá, e infelizmente naquela segunda-feira...estava fechado(abre e terças-feiras a sábados) !!! Mas uma atração que ficará para uma próxima visita. Alguns metros a frente da entrada do Parque Central, temos o fabuloso Palácio das Artes, vinculado à Fundação Clóvis Salgado, é o maior centro de produção, formação e difusão cultural de Minas Gerais e um dos maiores da América do Sul, inaugurado em 1971, ocupando uma área de 18.000 m² dentro do Parque Central. Desenho arquitetônico de ninguém menos que Oscar Niemeyer e Hélio Ferreira Pinto. O complexo cultural dispõe de recursos cênicos e acústicos de elevado padrão técnico para a montagem de óperas, peças teatrais, concertos, espetáculos de dança e shows de música popular, além de salas adequadas e confortáveis para exposições, exibição de filmes, lançamento de livros, palestras, congressos e seminários. Entrei apenas no saguão principal para dar uma olhada rápida. Nunca tinha ido lá. Não tinha nenhuma atração ou exposição que também me atraia no momento e segui em frente.
Uma das coisas mais interessantes quando se anda pela Av.Afonso Pena, é ver a arquitetura de seus prédios, imponentes edifícios e também de antigos palacetes que já foram repartições públicas no passado, lembrando um passado glorioso do centro. Temos ali quase em frente ao Belas Artes, o antigo prédio central dos Correios e da sede da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) construído em um estilo icônico art déco e inaugurado em 1937.
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| Muitos palacetes antigos na Av.Afonso Pena. |
Hora de mudar de direção, sair da quase infinita Afonso Pena, e pegar pro lado direito e ir tentar voltar ao centro e tentando achar a entrada do Mosteiro de S.José, mas meu instinto de desbravador urbano que eu sou, e tenho muita sola de tênis pra gastar, em diz que ali perto da Praça Afonso Arinos, palco de uma manifestação sindical dos professores universitários em greve, é hora de fazer um desvio a esquerda, pois achei algo muito interessante por ali...o Museu da Moda, em um palacete antigo muito bem preservado se assemelhando a uma igreja...Museu da Moda de Belo Horizonte (MUMO). Conhecido popularmente como "Castelinho da Rua da Bahia", é o primeiro museu público do Brasil dedicado à indumentária e à preservação da história e da cultura da moda. Não entrei, mas tirei muitas fotos de fora...Inaugurado em dezembro de 2016, a entidade funciona em um edifício histórico no centro da capital mineira, inaugurado em 1916 para ser a sede do Conselho Deliberativo de Belo Horizonte. Este prédio de características ecléticas, com elementos neogóticos foi tombado na década de 1970.A imponente arquitetura chama a atenção de quem passa pela região da Praça Afonso Arinos.
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| Museu da Moda de Belo Horizonte (MUMO). |
Queria tirar mais fotos deste palacete, e um prédio ali do lado na Av. Augusto de Lima, tinha mezaninos abertos com cadeiras e mesas de restaurante e bares, fui lá na tentativa de subir um lugar mais alto e pegar um ângulo menor. E para minha surpresa, o Edifício que eu estava era o famoso, Edifício Maletta localizado no Centro de Belo Horizonte, no cruzamento entre a avenida Augusto de Lima e a Rua da Bahia. Eu tive um primo que tinha quase a mesma idade minha e quase o mesmo nome, Ricardo Melo Rossi...cujo apelido na família era Ricardão. Entre idas e vindas e morando em diferentes cidades, ele esteve um tempo em Araxá, neste período, onde esteve inclusive casado, se aventurou na parte da literatura e escreveu um livro de mistério policial, sobre um assassinato acontecido justamente no Edifício Maletta...e lá estava eu, no prédio citado no livro do meu primo (falecido muito jovem) uma grande coincidência...No local onde funcionava o Grande Hotel, que hospedou expoentes das artes, como Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, foi erguido o Edifício Arcangelo Maletta. Inaugurado no início dos anos 1960, o prédio se tornou um dos mais icônicos da capital. Ao longo dos anos, virou ponto de encontro da boemia de BH, aristas como a turma do "Clube da Esquina" se encontravam lá, em sues bares e restaurantes. Ainda hoje, existe o famoso 'Cantina do Lucas' (inaugurado em 1962), e onde eu pretendia até comer, mas achei por bem esperar pra ir a outro lugar. Adentrando o Maletta pra acesso ao mezanino, existe uma escada rolante que pode ser considerada a primeira da cidade de BH. E lá em cima são várias salas de galerias, onde em boa parte existem sebos para várias coisas como LPs, CDs, livros, jogos antigos e novos, e uma infinidade de coisas, gosto muito destes lugares, pois frequentava bastante em S.Paulo. Depois de tirar as fotos que queria, hora de seguir...
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| Edifício Arcangelo Maletta |
Enfim, o Santuário Arquidiocesano São José, a antiga Matriz da capital mineira, que está localizado no hipercentro de Belo Horizonte (Rua dos Tupis). O templo histórico é famoso por sua arquitetura neogótica, recebendo milhares de devotos diariamente. Com uma forma de uma perfeita cruz latina, a matriz tem 60 metros de comprimento e 19 de largura, ela foi construída como uma igreja em estilo eclético de influência neo gótica, em estilo neomanuelino com fortes influências holandesas e é um dos mais notáveis monumentos construídos em Belo Horizonte. A Paróquia São José foi criada em 27 de janeiro de 1900, a pedra fundamental da matriz foi lançada em 20 de abril de 1902, em 1904 começou a ser usado o recinto para funções religiosas, e a conclusão se deu no ano de 1910. Teve sua decoração interior iniciada em agosto de 1910 e abriga os capitéis das belas colunas no estilo coríntio, o grandioso presbitério. A pintura interna da igreja foi feita pelo artista alemão Guilherme Schumacher, que entregou a obra em fins de 1912.No altar-mór, um painel retrata a Santíssima Trindade entre anjos e santos. No presbitério, aparecem no teto Nossa Senhora com o Menino Jesus e 40 medalhões com os antepassados de Jesus desde Abraão até São José. Nas paredes estão os quatro evangelistas e ao lado das janelas inferiores, os Doze Apóstolos. No alto dos arcos, há seis doutores da igreja e São José, padroeiro da igreja. Nos altares laterais do lado direito, há cenas da vida de Santo Afonso, a promessa da Redenção feita a Adão e Eva e a aparição de Nossa Senhora de Lourdes a Bernadete. Do lado esquerdo, é narrada a história do quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o Calvário e a aparição do Sagrado Coração a Santa Margarida Maria. No corpo da igreja, no alto, estão de um lado 14 santos e do outro 14 santas, sendo que esta separação refletia o costume da época de estarem separados os homens das mulheres dentro das igrejas. Na beira do teto, oito quadros mostram a história de São José. No fundo da igreja há dois painéis apresentando José do Egito vendido pelos irmãos e exaltado num carro de triunfo. Nas naves laterais, os signos do zodíaco indicam que Deus é o Senhor dos tempos e da história. Do lado de fora, existe já na escadaria um EU AMO BH, para o pessoal tirar foto, tendo a faixada da igreja de fundo.
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| Paróquia São José |
Aqui uma ressalva, morei 4 anos em BH, peguei ônibus várias vezes com minha mãe, no ponto que fica ao lado...mas nunca tinha entrado lá...um erro histórico...pois ao adentrar aquele templo cristão, é praticamente impossível não conter a emoção da beleza interior, onde a fé e a arte caminham juntas. Um templo maravilhoso e uma das igrejas mais bonitas que vi na vida, cada detalhe de suas paredes, da abóboda central, do seu altar, as imagens, tudo muito incrível. Suas pinturas que remetem passagens da Bíblia, são também fantásticas.
Hora de seguir, subindo a Av.Amazonia, rua de grande comércio e lojas do Centro de BH, procurei a Elmo Calçados...mas ela não existia mais, falei durante a pandemia, tinha uma história de quase 80 anos, e as placas dos nomes de ruas no centro, tudo leva o oferecimento dela. Mas vejo muito prédio velho e decadente e mau cuidado, o centro de BH está largado...existem algumas fachadas laterais pintadas com pinturas sobre cotidiano lembrando as obras muralistas mexicana, mas isto é tipo como esconder a degradação do imóvel...mais um pouco de caminhada e cheguei ao Mercado Central...
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| Mercado Central |
O Mercado Central (atualmente Mercado Central KTO), anteriormente denominado Mercado Municipal de Belo Horizonte, é um mercado localizado no Centro de BH. Foi criado em 7 de setembro de 1929 pelo então prefeito Cristiano Machado. Pertenceu à Prefeitura de Belo Horizonte até 1964. Seu galpão ocupa um quarteirão inteiro do Centro da cidade, sendo a entrada principal voltada para a avenida Augusto de Lima. Um lugar de encontros com famílias, turistas, pessoas que passam pelo centro. Não são apenas lojas ou barracas de uma feira com produtos hortifruti granjeiros, o que eu conhecia quando criança, quase não existe mais...era realmente uma bagunça organizada a 40 anos, com animais sendo vendidos de forma irregular, cachorrinhos nas gaiolas, dava dó. Hoje, todo revitalizado, é um point gastronômico e cultural da cidade. Então ...as coisas lá são caras...mas vale a pena...assim como o Mercadão de S.Paulo, existe várias opções de restaurantes e lanchonetes, ou lugares pra comprar quase tudo o que quiser. Cheguei lá com muita fome...hora então de degustar duas atrações gastronômicas do lugar...se no Mercadão de S.Paulo, o Bolinho de Bacalhau ou o Sanduiche de Mortandela, são as iguarias principais, o de BH temos o famoso Pão de Queijo com Pernil do Comercial Sabiá é uma das cafeterias e tabacarias mais tradicionais do Mercado, é uma delícia... e depois comprar a broa de fubá com queijo Canastra derretido. Uma pena que já não exista mais as barracas de sequilhos e doces de farinha sortida que havia antigamente...
Mas não existe apenas um Mercado Central, este é o mais antigo e mais conhecido, existe um outro mercado chamado Mercado Novo...tem que ir pro lado da Praça Raul Soares, uma praça emblemática e um importante marco e ponto de encontro no hipercentro da capital, por ser grande e circular.Construída em estilo francês, está situada na confluência de quatro importantes avenidas: Olegário Maciel, Augusto de Lima, Amazonas e Bias Fortes. De lá dá pra ver o imponente Conjunto Governador Kubitschek, mais conhecido como Edifício JK ou Conjunto JK, é um famoso complexo residencial projetado por Oscar Niemeyer, construído nos anos 50. E ali mais algumas quadras se chega no Mercado Novo. Esqueça o glamour turístico do Mercado Central principal, nada de turístico ali...tudo feio , parecendo um mercado comum com lojas/barracas de frutas e verduras, açougues, armazéns velhos...NÃO RECOMENDO A VISITA...fiquei decepcionado.
Voltando para o hotel, ali no centro visitei algumas galerias daquele centro, como sou desbravador urbano, a curiosidade me move...mais lojinhas de sebo ou de CD ou DVDs e mídias antigas...mesmo que eu não vá comprar, gosto de ver. Ali perto da Praça Sete, tem a Galeria Ouvidor, um shopping movimentado com três pequenos andares que abrigam várias boutiques ecléticas e restaurantes. Um andar só de joias e relógios por exemplo. Bom hora de voltar pro Hotel, antes dar mais uma olhada na Praça Sete com seu obelisco central, conhecido popularmente como 'Pirulito'. O monumento foi uma doação feita pelo povo da vizinha Capela Nova do Betim, hoje o município de Betim, aos habitantes da capital mineira, por ocasião da comemoração do Centenário da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822. Como é conhecido, é feito de granito e formado por uma agulha de 7 m apoiada sobre um pedestal quadrangular adornado por um poste em cada um de seus vértices. Palco de passeatas, manifestações etc (tinha até uma lá), mas constatar que a mendigada usa o mesmo...pra fazer suas necessidades fisiológicas, sim, na frente de todo mundo, no meio dos carros...é realmente uma desolação humana, ver o centro de uma das maiores e mais importantes cidades do Brasil daquela forma.
Hora de um descanso merecido, pensei em até encerra o dia no hotel, mas as 16 horas, decidi ver o por do sol no melhor lugar da cidade, o Mirante dos Mangabeiras. O local é um dos pontos mais elevados da capital com, aproximadamente, 1.170 metros de altitude. Mas, não é apenas o fato de oferecer uma vista privilegiada que o torna um dos cartões postais da cidade e um dos espaços mais procurados para se admirar o pôr-do-sol. Uma área de preservação ambiental com aproximadamente 35.000 m², o Mirante do Mangabeiras foi incorporado ao Parque das Mangabeiras - Maurício Campos, que é responsável por sua administração. O local possui luneta para observação terrestre e dois deques de madeira, medindo cada um cerca de 125 m², garantindo espaço para práticas como piquenique, yoga, relaxamento e até brincadeiras com as crianças. E acredite...lá é realmente lindo, de graça...as 17:30, o sol começa a se esconder no horizonte...de Belo Horizonte...hora de várias fotos e vídeos...tem alguns pássaros exóticos lá em cima também. E dá pra ver parte da Serra do Curral.
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| Mirante dos Mangabeiras |
Um fato importante das minhas férias, era ir a BH e me encontrar com meus amigos do Jarrefan-Brazil...Dlaivison (um dos fundadores junto comigo) e o Harry. O encontro foi marcado no Mercado Boca, um barzinho que é um point importante da cidade localizado no famoso bairro Savassi. A ideia era pegar um taxi ou Uber, mas achei dificuldades na hora de sair do parque que já estava escurecendo...então arrisquei, ir a pé mesmo...5 Km...mas valeu a pena a caminhada. Depois reencontrar os amigos de pois de muito tempo, sempre é legal.
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| Amigos do Jarrefan, Harry e Dlaivison. |
Dia Finalizado com sucesso !!!
Dia 12/05
Segundo dia em BH, acordar cedo, tomar aquele café reforçado de hotel e partir, primeiro explorando o centro mais embaixo até a Praça da Estação Ferroviária...Depois pegar um UBER até o Bairro da Floresta, para relembrar o passado onde morei e estudei...Atravessar aquele Viaduto Santa Tereza mais uma vez, após anos...quase uma volta ao tempo.O viaduto foi projetado por Emílio Baumgart e inaugurado em setembro de 1929. Foi a primeira travessia em desnível da capital, e passa sobre a Avenida dos Andradas, o Ribeirão Arrudas, uma linha de trem e uma de metrô. A estrutura tem 390 metros de extensão e foi uma das primeiras a usar concreto armado em sua estrutura. Liga o Centro a Floresta, neste sentido único.
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| Colégio São José (Bairro Floresta) |
Primeira parada foi no colégio S.José, onde fiz o antigo curso ginasial da 5º a 8º série. Relembrar parte da adolescência que passei ali...A fachada parece não ter mudado, só está com pintura nova. Chama Colégio São José Escolápias. As Irmãs Escolápias fundam o Colégio São José, em 1936. Como ex-aluno, queria muito ver como o colégio estava...entre na secretaria, me apresentei como ex-aluno e pedi visita...pediram pra eu esperar...20 minutos depois a mulher que me atendeu disse que era nova lá, e que pra visitas, eu deveria mandar um e-mail etc, etc...ok, me despedi e fui embora...decepcionado !!! Nem olhei pra trás...vamos dizer, que apesar de ter tido um ensino de formação cristã, tive problemas de bulling lá, gangues chegaram a cercar o colégio pra me pegar e isto eu só tinha 15 anos, mas consegui me safar...e depois fui acusado de algo que não fiz, pois denunciei um aluno palhaço lá...mas a própria turma escutei o lado dele e não o meu... deixa pra lá...
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| O Edifício que morei na R.Azurita (os pinheiros da frente cresceram bastante) |
Fui então a poucos metros dali, pra onde morava, na rua Azurita, o antigo prédio onde vivi entre 1984 a 1988. Obviamente está lá no mesmo lugar, agora com as árvores plantadas lá, bem altas, com uma portaria nova, o posto de gasolina em frente...a fundação S.Vicente de Paula ao lado, do mesmo jeito...ver tudo aquilo não veio muitas lembranças...hora de caminhar mais um pouco pelo bairro Floresta...ir no local onde ficava a antiga padaria Itambé, que não existe mais...atravessar a Av.Contorno e ir lá na Igreja N.S. das Dores,...mas infelizmente estava fechada...parecia que o Bairro inteiro estava fechado pra mim ou dizendo que...ok, vc só cresceu aqui, não mudou nada...pode seguir em frente. Cine Floreta, que na minha época já era fechado, foi transformado em loja, a banca de revista eu comprava meus gibis e revistas, agora foi transformada em banca de camelô...caminhei até o antigo Supermercado CD, agora transformado em ETA. Entrei lá pra ver...nada mudou. Em frente, tinha o antigo Cine Odeon, que agora fechado, chegou a ser um centro cultura e depois boate gay, hoje fechado...Não, não tenho mais nada com este lugar...fui atrás de nostalgia e encontrei ...a mesma coisa, ou nada de interessante...Em minhas próximas viagens em BH, vou lembrar de não voltar mais na Floresta...
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| Igreja N.S. das Dores (Floresta) |
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| Banca , onde ficava a antiga banca de revista da Av.Concorno |
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| Antigo Cine Floresta, agora loja |
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| Antigo supermercado CB , atual EPA(Floresta) |
Hora de pegar o taxi e seguir para o próximo destino...Praça da Liberdade, já começa atravessando o Viaduto Floresta, deixando o passado pra trás. Ainda na parte da manhã, uma ótima oportunidade para visitar a famosa praça, onde fica a antiga sede do Governo Mineiro, o Palácio da Liberdade. Infelizmente, só seria aberto apenas a partir das quartas-feiras a domingo... mais um espaço que não pude entrar. Deu pra tirar fotos do jardim, e portão, e seus arredores. O portão principal é algo que traz pra mim notícias tristes. Quando o Presidente eleito Tancredo Neves (que havia sido governador de MG, antes) faleceu sem tomar posse em 21 de abril de 1985, após seu translado passando por S.Paulo, Brasilia, veio para o Palácio da Liberdade, onde o povo fez fila pra se despedir.... Uma multidão de milhares de pessoas aguardava na Praça da Liberdade para dar o último adeus. Por volta das 16 horas, o cadeado do portão principal cedeu, gerando um efeito dominó: as pessoas na grade foram derrubadas pelas que vinham atrás, resultando em pânico, correria e pisoteamento..5 mortes...270 feridos, muitos em estado grave..uma tragédia, para o início da chamada..Nova República !
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| Praça da Liberdade |
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| Palácio da Liberdade |
Inicialmente conhecido como Palácio Presidencial(pois os governadores eram conhecidos antes como Presidentes do Estado, foi construído para servir como sede do governo de Minas Gerais e residência oficial dos governadores do estado. Projetado por José de Magalhães, o palácio foi um dos edifícios públicos erguidos para a nova capital. Sua fachada se aproxima do classicismo romântico francês, enquanto os interiores combinam elementos neobarrocos, neorrenascentistas italianos, art nouveau, Luís XV e mouriscos. O edifício possui escadaria de ferro e mármore, pinturas decorativas de Frederick Steckel e Antônio Parreiras, pisos de parquet, materiais importados e jardins projetados por Paul Villon. A pedra fundamental foi lançada em 7 de setembro de 1895, a construção começou em 25 de novembro do mesmo ano e o palácio foi inaugurado em 1898, um ano depois da inauguração de Belo Horizonte. Durante grande parte do século XX, governadores viveram e trabalharam no edifício, que também recebeu visitantes oficiais. Dois governadores ligados ao palácio tornaram-se depois presidentes do Brasil: Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves.
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| Ed. Niemeyer |
Em se falando novamente sobre Tancredo Neves (1910-1985), na esquina a poucos metros do Palácio da Liberdade, tem o Edifício Niemeyer, onde Tancredo morou até seu falecimento. O prédio, em estilo moderno, possui curvas sinuosas que remetem às linhas das Serras mineiras[1]. Caracteriza-se pela planta com fachadas sinuosas cobertas por brises horizontais que protegem da insolação e conferem privacidade aos apartamentos, ao passo em que mantém a paisagem livre para seus ocupantes. Foi projetado pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, uma década depois das obras do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em 1954, e teve sua obra concluída em 1960.
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| Tv. Travessia |
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| Busto de D.Pedro II |
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| Coreto da Praça da Liberdade |
Mas a Praça não é só o Palácio, em volta dela, existem vários edifícios lembrando palacetes parisienses do início do século XX, e não é por menos, quando Belo Horizonte foi projetada como Capital, o Palácio da Liberdade seria a sede do governo, e os palacetes em volta seria suas secretarias estaduais, isto é, o poder executivo estadual tudo concentrado em um só lugar. A Praça da Liberdade é uma praça pública e um conjunto arquitetônico e paisagístico. Jardins muito bem cuidados. Chafarizes com estátuas e até um coreto. A praça foi implantada entre 1895 e 1897, durante a construção de Belo Horizonte. Depois da transferência do governo estadual para a Cidade Administrativa de Minas Gerais em 2010, vários antigos edifícios públicos ao redor da praça foram adaptados como museus, arquivos, bibliotecas, centros culturais e espaços educativos, formando o Circuito Cultural Praça da Liberdade, depois chamado Circuito Liberdade. A Praça é cortada por uma avenida chamada TRAVESSIA, em homenagem a famosa música de Milton Nascimento, inspirada em Minas Gerais.
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| Antigas secretarias estaduais hoje se transformaram em museus |
Então andando em volta da praça, as antigas secretarias e repartições foram restauradas ou adaptadas como museus, arquivos, centros culturais e espaços educativos. O projeto mudou a vida cotidiana da praça e de seu entorno, transformando uma área por muito tempo associada à administração pública em um distrito cultural frequentado por visitantes, estudantes, pesquisadores e turistas. E o que é legal, várias empresas passaram a administrar estes novos espaços culturais. O Memorial Minas Gerais Vale, instalado no antigo prédio da Secretaria da Fazenda, mantido pela Vale (antiga Cia.Minerara Vale do Rio Doce). Não entrei, só fotos externas mesmo. O que eu fui foi no antigo prédio da Secretaria da Educação, que virou o MM Gerdau - Museu das Minas e do Metal. Ele foi instalado no histórico Prédio Rosa, dedica-se à geologia, à mineração e à metalurgia, temas ligados de perto à história e à economia de Minas Gerais. Se de fora ele é lindo, por dentro ele é simplesmente deslumbrante, tendo sido inaugurado em 22 de março de 2010 com projeto arquitetônico de Paulo Mendes da Rocha e museográfico de Marcello Dantas. Você entra em uma grande exposição montada em diferentes andares da edificação secular. Caminha já sobre história e testemunha com seus olhos não só todos os ciclos minerais do estado como do Brasil, apresentando vários tipos de minerais, pedras preciosas e metalurgia em geral. Vi pela primeira vez, urânio..ou uma coleção de meteoros...platina...não dá pra descrever, pois é muita coisa legal. Vale a pena conhecer...e é de graça !!!
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| Saguão de entrada no museu de minerologia (antiga Secretaria de Educação) |
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| Quatzo |
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| Vários minerais |
Mais a frente, na esquina da Praça, colocaram um Cristal de Quartzo enorme, não sei se é real ou apenas replica. Mas não deixa você sair tem tirar várias fotos bacanas. Quartzo chamado de Patriarca na Praça da Liberdade - pedra encontrada na lavra de Ariranha em Teófilo Otoni no ano de 1940. Ele pesa mais de 5 toneladas.
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| O grande cristal de Quartzo |
Atravessando a avenida Bias Fortes, do outro lado, mais um prédio que chama a atenção, Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa. Inaugurada em 2014, a Biblioteca Pública Estadual carrega um design marcante, sendo mais um exemplo da capacidade de Niemeyer para criar espaços que unem beleza arquitetônica e funcionalidade. Seu acervo contém livros, periódicos e materiais audiovisuais. Logo na entrada existe 4 estátuas de bronze pra você tirar fotos, conhecidas como "Encontro Marcado" representam os escritores mineiros Fernando Sabino , Otto Lara Resende , Hélio Pellegrino e Paulo Mendes Campos “os quatro cavaleiros do Apocalipse” de Minas.
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| Biblioteca Pública Estadual |
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| Junto ali dos 4 cavaleiros do apocalipse mineiro |
Dentro da biblioteca, existe uma sessão apenas para livros em Braille, para deficientes visuais, e estava tendo uma exposição sobre um importante escritor mineiro chamado Agripa Vasconcelos (1896 - 1969), foi médico, escritor ficcionista e poeta brasileiro. Destacou-se como autor de romances históricos, a “Saga do País das Gerais”, que retratam diversos períodos, locais e personagens icônicos da história de Minas Gerais. Ganhou maior notoriedade ainda quando seus romances A vida em flor de Dona Beja e Chica que manda, foram transformados em telenovelas da TV Manchete com os títulos de D. Beija (1986) com a bela Maite Proença e Xica da Silva (1996). Foi também poeta e estreou na literatura com a coletânea de poemas Silêncio, publicada em 1920, que lhe rendeu a eleição para uma cadeira na Academia Mineira de Letras.
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| "A Vida em Flor de D.Beja" (obra de Agripa Vasconcelos) |
Ainda deu tempo de ir ai atrás do Palácio da Liberdade na Casa Fiat de Cultura, famoso centro cultural com café, apresentações, exposições e workshops, cumpre importante papel na transformação do cenário cultural mineiro, ao apresentar grandes e prestigiosas coleções e exposições de renomados artistas e movimentos artísticos brasileiros e internacionais. Pra ver artes de artistas como Caravaggio, Chagall, Rodin, De Chirico, Aleijadinho, Amilcar de Castro, Portinari, Tarsila do Amaral. Instalada no prédio do antigo Palácio dos Despachos, no coração de Belo Horizonte, a instituição mantém em exibição permanente no hall principal a obra “Civilização Mineira”, maior painel de Candido Portinari em Minas Gerais. Desde sua fundação, já recebeu mais de 2 milhões de visitantes às exposições e mais de 350 mil participaram das atividades educativas. O fica onde estava o Palácio dos Despachos , edifício construído para abrigar o serviço administrativo do estado de Minas Gerais. A construção do palácio ocorreu no governo de Israel Pinheiro com a justificativa de que o espaço do Palácio da Liberdade se tornou insuficiente. Foi projetado pelo arquiteto Luciano Amédee Péret, construído pela empreiteira do engenheiro Alberto Bouchardet Filho e inaugurado em 24 de outubro de 1967. Desocupado após transferência para o Centro Administrativo, foi reaberto em 2005 com a inauguração do centro cultural administrado pela FIAT.
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| “Civilização Mineira” de Cândido Portinari |
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| Casa da Cultura FIAT |
Bom, creio que a parte da manhã foi bem proveitosa, hora de ir embora...resolvi descer a pé mesmo a Av.Bias Forte, comer um rango em um boneco de esquina mais algumas quadras. Ainda passei andando lá pelo centro pra comprar algumas coisas nas lojas que tinham preços bom. Depois voltar pra o hotel e relaxar o resto da tarde, pois o dia seguinte seria de uma viagem muito longa...
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| Praça Sete vista do alto do meu hotel em BH |
Viagem de TREM - BH - VITÓRIA
Dia 13/05
Chegou o dia da aguardada viagem, acordar cedo, pegar o UBER e ir direto para a Estação Central de Belo Horizonte, inaugurada em 1922, fica na Praça Rui Barbosa (Centro) e abriga o Museu de Artes e Ofícios. Ela é o ponto de partida do Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e também um importante terminal do Metrô BH. A EFVM operado pela Vale, é o único trem diário de longa distância do Brasil. A viagem até Cariacica (Região Metropolitana de Vitória/ES) dura cerca de 13 horas e meia, cobrindo 664 km. O trem parte diariamente às 07h00.
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| Bora viajar de trem... (Estação Central - BH) |
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| Trem da Estrada de Ferro Vitória a Minas |
No passado o Brasil teve uma malha ferroviária muito boa, ligando as principais cidades deste país. Infelizmente, deixaram sucatear em prol do transporte rodoviário. Era muito mais fácil e prático construir rodovias pelo país, na qual o transporte viário via ônibus praticamente monopolizou tudo...Em outros países como Europa, Japão e China e até Índia, este meio de transporte continuou em paralelo aos outros e até evoluiu para trens mais leves, econômicos e ultra-rápidos. Hoje se fala na volta do trem de passageiros, mas o caminho será longo...
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| Rota entre BH e Vitória no trem da Vale. |
Sobre a EFVM, sua locação se iniciou no final do século XIX e tinha como objetivo inicial o transporte ferroviário de passageiros e escoar a produção cafeeira do Vale do Rio Doce e Espírito Santo, no entanto seu foco foi alterado em 1908, passando a visar Itabira e escoar o minério de ferro extraído no município até os complexos portuários capixabas. A partir da construção da via férrea, estruturaram-se povoados que deram origem a novos municípios, tais como Coronel Fabriciano e posteriormente ao Vale do Aço, cujo crescimento industrial só foi possível pela existência da EFVM, que também passou a servir como forma de escoamento da produção das indústrias locais. Em 1991, a ferrovia alcançou a capital mineira, após a construção de um novo ramal de ligação.
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| Mineiro não pode perder o trem...bora !!! |
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| Acomodado pois o trem vai partir. |
Chegar na estação central com 40 minutos de antecedência, é constatar que já existe fila, que vai crescendo, com diferentes tipos de passageiros. Tem turistas, ou apenas pessoas que estão indo para suas cidades, já que o trem liga 42 cidades de MG e ES. É preciso comprar o bilhete com antecedência de dias, pois a possibilidade de comprar na hora, quase não existe devido a alta demanda, e olha que comprar na classe executiva, que é melhor que a comum, é outro grande sacrifício...fui comprar com duas semanas de antecedência e não tinha, tive que me contentar com a comum. E logo ao adentrar dentro do vagão, constatei que o que muda entre as classes, são apenas a quantidade de cadeiras por fileiras e poltronas reclináveis na executiva.
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| Viaduto Santa Teresa visto de baixo...BH vai ficando pra trás. |
O trem partiu, praticamente no horário, deixando a capital mineira, pra mim, ficou a lembrança de passar por baixo do viaduto Santa Tereza, na qual tinha cruzado por cima, um dia antes...o trem foi deixando BH pra trás e logo a paisagem foi mudando. O trem cruza uma região com significativa quantidade de montanhas e rios e que tem como vegetação típica alternância entre Mata Atlântica e Cerrado, estando grande parte de sua extensão às margens do rio Doce, até chegar às praias capixabas.
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| Serras de Minas e Mata Atlantica |
As poltronas são pouco reclináveis, é bom ficar ao lado da janela pra ver a paisagem e tirar foto. O serviço de bordo começa algum tempo depois, um rapaz vai passando um carrinho no corredor, vendendo salgados, água, café, refrigerante, pão, pão de queijo, etc. Ele avisa também que já devemos fazer com antecedência o pedido para compra do almoço, pois ao meio-dia, pedir será complicado e demorado e o vagão restaurante será pequeno pra todo mundo, assim já pede , paga antecipado que as 11:30, a comida já chega e vc come na própria poltrona que dispõe de uma mesinha retrátil na frente. A comida do cardápio é algo que deve ser falado... Pratos típicos como feijão tropeiro (arroz, linguiça e couve) e frango com quiabo. Há também opções como strogonoff. Os pratos custam, em média, entre R$ 23 e R$ 32. Vi um lá que me chamou a atenção, lombo de porco desfiado com purê de batata...então veio a decepção...além de ser pouco, não vem arroz, não vem feijão ou outro complemento, só aquilo... ao chamar o rapaz de atendimento, ele informa que só vem o que escrito no cardápio.. pode pedir pra trocar, por outro prato com arroz e feijão, mas preferi comer aquilo mesmo...Outra coisa, tem que levar dinheiro, pois celulares e maquininhas de cartão, perde o sinal constantemente na viagem, só perto das cidades que volta.
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| Atravessando o Vale do Rio Doce no trem da Vale... |
A viagem estava até interessante, passando no meio de todo aquele vale do rio Doce...e até em áreas de mineração, já que a ferrovia corre em paralelo aos trens de carga. Uma das minas a céu aberto, é enorme, um verdadeiro buraco. Então as 12:30...o trem parou...e não foi em uma estação...geralmente a parada vai de 3 a 5 minutos...só que o trem não saia do lugar...e ninguém avisava.. 1 hora depois informaram que era problema técnico no trem e que ...não tinha previsão de partida...o lance é não se deixar chatear, levei um tablet com um monte de quadrinhos digitais pra ler... li "Além do Buraco Negro", continuação do filme da Disney de 1980...li "Phoenix Without Ashes" do Harlan Ellison, em quadrinhos, a ideia original que Ellison teve para o seriado Starlost. E parei na metade de "V de Vingança" do Alan Moore, leitura ótima, mas ai o tablet acabou a bateria e não tinha levado carga...Por volta das 14:30, o trem voltou a andar, ao olhar pela janela, notei de um lado a viatura da polícia militar de MG e do outro o carro do IML...E depois veio a notícia...o trem havia atropelado e matado um homem por volta dos 40 anos, que estava no trilho do trem ...suicídio ? Vai saber, o certo é que não era uma parada por problema no trem...mas obviamente o fato de ter morrido alguém leva uma parada pra chegada de peritos, remoção do corpo, perícia, polícia, etc.
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| Vista dos trilhos pelo último vagão...deixando Minas. |
O trem segue, para passar o tempo, dá pra caminhar por ele de ponta a ponta, visitar o bar ou o vagão restaurante...trocar ideias com outras pessoas, tem muito tempo...o trem parou em Governador Valadares, antes de escurecer, a famosa cidade, que mais mandou brasileiros para os EUA. Tem uma montanha enorme lá. Parece um lugar bonito e interessante de se conhecer um dia. A tarde passa...a noite chega...e o agendamento de se chegar ao destino final as 20:30, obviamente já tinha ultrapassado...chegamos a estação Pedro Nolasco em Cariacica, na região metropolitana, as 22:00. A saída, é quase uma muvuca de gente ao sair da plataforma, lotada, deveria ter por volta de umas 500 pessoas ali. Logo na saída da estação, também tinha milhares de pessoas na sua frente oferecendo serviço de UBER, VAN e TAXI...mas cobram uma nota... tipo de R$ 40,00 a R$100,00...sim, exploram bastante... mas a dica é sair de fora da estação e em frente a avenida pedir o Uber ali...nada como pagar R$ 25,00 para um serviço mais justo e não ser explorado.
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| Paisagens das serras capixabas começam a dar lugar na paisagem |
O UBER te leva a Vitória, pois a capital capixaba fica em uma ilha, e vc atravessa uma ponte, de onde vê parte da baia e porto. A chega ao hotel Alice Vitória Arte, é rápido, já que ela fica no centro. Hora de descansar...a missão é cumprida...mas assim que cheguei ao quarto de hotel no 10º andar...e olhei pela janela...não acreditei na beleza , uma praça embaixo, morro nas laterais esquerda...e a direita a visão do porto de vitória, uma cidade grande ao fundo e um lindo morro que parece até o Pão de Açúcar carioca... Lindo de mais...hora de dormir após um banho, pois o dia seguinte seria de muita caminhada...
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| Vista do meu quarto ao chegar em Vitória-ES... |
Parte 2 das férias em breve...aguardem !!!










































































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