terça-feira, 3 de outubro de 2023

Discografia completa revista - New Order (1980 - 2013)




 

O New Order  é uma banda inglesa de rock e música eletrônica formada em Manchester, no ano de 1980, por Bernard Sumner (vocais, guitarra e sintetizadores), Peter Hook (baixo e sintetizadores) e Stephen Morris (bateria, sintetizadores e programação) – os membros remanescentes da banda Joy Division (leia nosso texto anterior) após a morte do vocalista Ian Curtis – com a adição de Gillian Gilbert (guitarra e sintetizadores). Após a morte de Curtis, a banda decidiu cumprir os contratos de shows que tinham do Joy Division, mas decidiram que mudariam o som, a inclusão de mais sintetizadores, Bernand Sumner, assumindo os vocais e a entrada de Gillian, então namorada e futura esposa de Morris. Ao longo dos anos, eles conseguiram atingir as paradas de sucesso com vários hits dançantes, fazendo uma combinação inovadora de pós-punk com synth-pop e música eletrônica, mas ainda mantendo um pouco a melancolia, da banda anterior, apesar de criarem sons completamente diferentes.


Single "Ceremony" (1981) - Primeiro single do New Order, é uma música ...do Joy Division retrabalhada. Ela foi a última música gravada pelo Joy Division ainda com o Ian Curtis vivo e estava no álbum "Still" lançado em 1980. A nova versão para o single, tem a voz de Bernard Sumner no lugar de Ian Curtis, e agora com a adição de Gillian na banda. Esta música é realmente maravilhosa, seus acordes iniciais quase infinitos e icônicos do baixo de Hook, a voz de Sumner, tentando se desviar a melancolia do Curtis, sua bateria rítmica e os teclados eletrônicos sem sobrepor a música, de Gillian, fazem desta faixa uma delícia de escutar. Aqui o New Order mostra que não será um novo Joy, apesar do disco Movement, mostrar que parte dos elementos que fizeram a banda anterior um sucesso ainda estão lá. Hit certo.


Movement (1981) - O álbum de estreia da banda New Order, lançado pela Factury. Gravado após o suicídio do vocalista do Joy Division, Ian Curtis, no ano anterior, o álbum é uma continuação do som pós-punk sombrio do material do Joy Division, aumentando o uso de sintetizadores enquanto ainda está predominantemente enraizado no rock. Na época de seu lançamento, o álbum não foi particularmente bem recebido pela crítica ou pelo público, alcançando apenas a posição 30° na parada de álbuns do Reino Unido; a banda mudaria gradualmente para um som mais eletrônico ao longo do próximo ano. Então começamos com "Dreams Never End", uma música interessante que parece mostrar onde o New Order quer seguir, com uma música com uma atmosfera um pouco mais dance apesar da melancolia. Ela é a única música neste álbum com a formação clássica de guitarra, baixo e bateria. "Truth", segundo música, é quase um Joy Division, só muda aqui a voz do Bernard Sumner ao invés do Ian. "Senses", tem um alguns usos da eletrônica interessantes na abertura, misturada com o baixo de Hook, emulando muito barulho e metal, meio que fazendo experimentalismos e vendo onde a fronteira da eletrônica pode levar flertando com motivos de guitarra mais divertidos do que Joy Division. "Chosen Time", ainda preso nas canções do Joy Division, mas nada surpreendente com introdução de bateria eletrônica."ICB"(que dizem ser um acrônimo para 'Ian Curtis Buried', confirmado por Peter Hook), traz a introdução do baixo de Hook com a batida de Morris, e um fundo eletrônico futurista de Gillian e a voz de Sumner, tentando emular Ian novamente. É uma faixa bem transitória entre o som do JD para o som do NO. "The Him", outra faixa inspirada em Curtis, o que é bem interessante nela, é que começa bem melancólica, mas termina nos seus minutos finais bem agitada e alegre. "Doubts Even Here", a música começa com uma série de ruídos de percussão eletrônica antes de sintetizadores lentos e riffs de baixo entrarem, que eventualmente ganham velocidade mais tarde na música. E é o Peter Hook que canta e não Barney Sumner, com contribuições faladas de Gillian Gilbert. E por fim, "Denial", também com batidas eletrônicas, o baixo de Hook assume um papel melódico enquanto Gilbert fornece os graves nas canções "Chosen Time" e "Denial" e Sumner não tenta assumir um vocal Curtis...No entanto, apesar dessa continuidade com a banda anterior, o álbum Movement também sugere o som distinto do New Order em seus álbuns posteriores. Ainda sim, é um trabalho que mostra a banda meio perdida em qual caminho seguir, algo que vai mudar de album pra album nos anos seguintes, até transformar no New Order que conhecemos. O álbum chegou apenas ao 30° nas paradas inglesas (nem Top 10, como os álbuns do Joy Division), mas 1° lugar na parada indie britânica, que mostra que a banda teve uma receptividade média.


EP - 1981 1982 (1982) - E.P. que a Factory lançou no mercado para deixar a banda na ativa até o lançamento do próximo álbum que sairia no ano seguinte. As faixas são singles lançados pouco antes do lançamento do primeiro álbum Movement. "Everything's Gone Green" foi o terceiro single do New Order, lançado em dez/81, tem uma estrutura musical que vai lembrar muitos os trabalhos posteriores da banda, como alguns ecos de "Blue Monday", bom baixo e bateria bem organizados no meio da música eletrônica. "Procession", foi lançado inicialmente como o 2° single do New Order em set/81. Muita batida eletrônica, drum machine, mostra a banda em uma posição intermediária entre o pós-punk Joy Division e o light electropop New Order. O otimismo pop mais leve, com forte ênfase no ritmo. Essa "mensagem confusa" pode ajudar a explicar por que a música permanece obscura no repertório do New Order, apesar de ter sido um single. Possui um  um sabor ainda mais otimista e vocais que quase se desfazem da imitação de Ian Curtis. As letras são abstratas e difíceis de discernir, dada a densidade da mistura e a força dos outros instrumentos. A música é notável, também, porque há breves backing vocals do membro da banda Gillian Gilbert. "Mesh" foi lançado inicialmente um lado B do single  "Everything's Gone Green", e ela é bem peculiar e barulhenta, parece mais uma faixa meio experimental. "Temptation", eu considero este single como o primeiro hit do New Order, ela é mais estruturada com um toque de synthpop comercial e em alguns momentos mais caótica com ênfase em ritmos eletrônicos ao invés de melodia, seu cantarolar inicial e que vai aparecendo durante a melodia, é uma das suas características importantes principalmente por ajudar o público a cantar nos shows da banda. "Hurt" foi lançado inicialmente um lado B do single "Temptation" e segue uma batida dance muito bacana, synthpop na mesma linha da faixa "Temptation". Chegou ao 4° lugar nas paradas indies britânicas, preparando terreno para o próximo lançamento do New Order.



Power, Corruption & Lies (1983) - Segundo álbum do New Order, lançado pela Factury Records. O álbum traz mais faixas eletrônicas do que seu primeiro álbum, Movement, de 1981, com uso mais pesado de sintetizadores. A primeira faixa, "Age of Consent", é uma música linda, começa com acordes matadores do Hook, a bateria cadenciada do Morris, a voz mais suave e sem tentar ser Curtis, do Sumner e a eletrônica da Gilbert, criando uma ambientação dance muito bacana. New Order apresentou aqui o que será sua carreira a partir de agora. A música seguinte "We All Stand", dá a impressão que eles tentam voltar as origens do Joy, com um ritmo desolador característico da banda anterior mas é um bom trabalho de rock gótico, como Cure e soa muito Siouxsie. "The Village", mostra que a música anterior são apenas lembranças, pois ela retorna ao estilo rock-dance, com a voz do Sumner cantando muito mais alegre. Então chegamos a  "586", faixa baseada nos experimentos com programação rítmica do baterista Stephen Morris com o Oberheim-DMX, esta composição possui o tradicional ritmo "bate-estaca", como em "Blue Monday", que é o elemento característico da eletrônica dance desde que o grupo alemão Kraftwerk lançou a fórmula do gênero com Trans-Europe Express, em 1977. "Blue Monday", o único single deste álbum, lançado dois meses antes do lançamento, não está dentro do vinil original, só na sua primeira versão CD. E o que falar de uma faixa tão icônica ? Talvez o verdadeiro testamento da banda, e seu maior sucesso e uma das mais influentes (É considerado o single de 12 polegadas mais vendido de todos os tempos). "Blue Monday" possui  um uso extremamente inovador da caixa de ritmos Oberheim DMX e do sintetizador Moog Source. E ela faz uso de samplers de faixas conhecidas como  "Our Love" da Donna Summers (produzida por Giorgio Moroder), com inspirações nas trilhas sonoras de Ennio Morricone no baixo usado por Hook e "Uranium" do Kraftwerk. Clássico dos Clássicos. A faixa "Your Silent Face"  já é uma faixa mais relaxante mas que não deixa de fazer o uso da eletrônica e os baixos tradicionais de Hook e batidas de Morris, com uma ambientação suave dos teclados de Gilbert e a voz calma de Sumner. Esta faixa possui um arranjo claramente inspirado em "Trans-Europe Express" e, por esta razão, o New Order a apelidou de "Kraftwerk One" (KW1). "Ultraviolence", tem novamente a batida dance para as pistas de dança e é bastante pulsante. "Ecstasy", também segue o estilo da anterior, aqui fazendo uso do vocolder parar criar uma voz sintetizada do Sumner, enquanto a batida eletrônica de todo o grupo ganha força e por fim para fechar o álbum em grande estilo, a faixa "Leave Me Alone"  cria uma atmosfera eletrônica envolvente durante 1 mi e meio, quando entra a voz em estilo romântico e mais lenta de Bernard Sumner onde novamente todo o grupo trabalha em seu ritmo em uma química bacana. Por fim, chegamos a conclusão que este segundo álbum é muito melhor que o anterior, e mostra que a banda já está livre das amarras do Joy Division, achando seu próprio estilo e também influenciando gerações. O álbum melhorou em muito em relação ao anterior...Foi 4° álbum mais vendido nos charts ingleses , 1°lugar na parada indie britânica e outras boas vendagens pelo mundo. 



Low-Life (1985) - Terceiro álbum do New Order, lançado pela Factory Records. Neste álbum, o New Order aumentou bastante o uso de sintetizadores e samplers no seu som dance rock, em relação ao álbum anterior, "Power, Corruption and Lies". A banda voltou neste disco bem animada, e já deixou para trás qualquer ligação com Joy Division. Se o segundo disco eles apontaram a direção a seguir, neste terceiro eles seguiram trilhando o caminho escolhido...e a escolha foi certeira. Este álbum aumentou bastante o uso de sintetizadores e samplers no seu som dance rock, em relação ao álbum anterior. O álbum começa com "Love Vigilantes", uma delícia de música com a voz suave de Bernard Sumner e todo conjunto, com destaque para os acordes de Hook, nosso bass-hero. Ela é um afastamento do estilo usual do New Order de várias maneiras, ela é decididamente pop e mostra inspiração na música country e folk americana. "The Perfect Kiss", segunda música, continua mostrando que vieram com tudo, mais uma linda contribuição com synth-pop e dance-pop (quem nunca dançou ao escutar esta maravilha). Os temas dela incluem amor ("Nós acreditamos em uma terra de amor") e morte ("o beijo perfeito é o beijo da morte"). Uso de samplers é bem notado nela. O arranjo complexo da música inclui vários instrumentos e métodos normalmente não usados pelo New Order. Por exemplo, uma ponte apresenta sapos coaxando melodicamente e também som de ovelhas...as duas próximas canções "This Time of Night" e "Sunrise", não são muito conhecidas, a primeira tem uma batida dance com uma pegada mais balada, sem esquecer os efeitos eletrônicos e a segunda tem um início atmosférico criado em synth pela Gilbert, que segue os acordes do Hook no baixo então logo em seguida a bateria cadenciada de Morris. No meio da música, entra a voz de Sumner, em um ritmo pesado que a música toma, pois estamos falando ainda de uma banda de rock...muito boa. "Elegia", é instrumental totalmente ambient eletronic music, com inspiração em  Ennio Morricone e um tributo novamente ao Ian Curtis do New Order. "Sooner Than You Think", eu desconhecia parece tem um inicio meio Perfect Kiss, mas ganha nova pegada. Balada rock, bem construída com uma voz mais suave de Sumner. "Sub-culture", outra música linda do New Order muito bem construída, mas que eu conhecia apenas de remix, esta versão é um pouco diferente, o que não deixa de ser bonita. Fazendo uso da palavra eixo com suas possíveis conotações sexuais, a música parece ser sobre rejeição sexual, solidão e alienação em um ambiente urbano, e ela é muito dance music e rock alternativo. Ótima para um clima na pista de dança. "Face Up", a música que fecha o disco, não é conhecida mas é uma síntese de todo o álbum balada rock com toques eletrônicos voz pesada de Sumner. Com isto temos um álbum que nos deu 3 hits ("Love Vigilantes", "The Perfect Kiss" e "Sub-culture"), com outra que fez sucesso no meio das trilhas sonoras de alguns filmes e séries, "Elegia". Se o anterior já era um álbum bom, este terceiro álbum é melhor ainda, não deixando dúvida da verdadeira vocação da banda para as pistas de dança e o flete eletrônico que só aumenta de álbum para álbum. Foi 7° lugar nos charts britânicos e 1° no indie britânico. Sendo que conseguiu a distante 94° posição nos EUA e alguns discos de ouro a mais que o anterior.



Brotherhood (1986) - Quarto álbum já lançado um ano depois do último, pela Factory Records. Neste período, a banda estava em sociedade com o produtor Tony Wilson, no The Hacienda, uma casa noturna de Manchester que apresentava as músicas do New Order com exclusividade e point da moçada da cidade que amava música eletrônica. The Haçienda está altamente associado com a ascensão da acid house e da 'Madchester' e com o surgimento da cultura rave. Isto é bem notado desde o segundo álbum da banda que o caminho da música eletrônica era algo que não seria passageiro. O quarto álbum viu a banda explorando ainda mais sua mistura de estilos pós-punk e eletrônico, com a lista de faixas sendo conceitualmente dividida em "lago A rock e lado B disco ". O álbum inclui "Bizarre Love Triangle", o primeiro single da banda nos Estados Unidos e na Austrália. O disco abre com "Paradise", faixa bem interessante bem rock, cheio de batidas acústicas de Morris, baixo sutil, guitarra mais avançada e voz mais soturna de Sumner. "Weirdo", voz mais calma do Sumner, mas longe da balada anterior, um rock mais cometido nada muito surpreendente. "As It Is When It Was", é uma música que começa com guitarra ou vilão acústico, vai crescendo com baixo e depois a cadência da bateria, não consegui sentir nada eletrônico, quase que um rock-pop básico, já "Broken Promise", é um rock com batidas mais pesadas, um ritmo interessante, voz bem bacana do Sumner com refrão que gruda, não conhecia e amei, talvez a melhor do álbum até aqui. "Way of Life", continuando a tendência da música anterior e com a batida da bateria de Morris mais pesada ainda e voz mais potente, com um rock mais encorpado até agora, mesmo que as características do baixo de Hook ainda estejam bem definidas aqui. E assim terminamos o lado A, rocker...O lado B, começa com uma música que já virou um clássico e talvez seja uma das melhores da carreira do New Order, "Bizarre Love Triangle", tido como sendo uma "obra-prima do synth-pop" e "uma joia incandescente do amor por computador de meados dos anos 80". O "melhor momento pop" do New Order e creditado à sua simplicidade em comparação com singles anteriores, como "Blue Monday". Só ela, já vale o álbum inteiro. E não está ali por acaso, pois as duas faixas seguintes, "All Day Long" e "Angel Dust", continuam a tendência eletrônica para as pistas de dança, a primeira uma balada eletrônica mais lenta com a voz do Sumner mais suave e a segunda uma ótima balada eletrônica agitada com uma batida muito boa, meio que antecipando a tendência industrial que viria a seguir alguns anos depois. E por fim "Every Little Counts", uma música mais calminha com voz mais suave de Sumner e batida bem fraca, que acaba meio com um caos musical e fazendo o barulho de alguém tirando o disco da vitrola... Enfim, um disco interessante, que a meu ver tem um clássico, "Bizarre Love Triangle", e dualidade com o lado rock e o lado eletrônico-disco. Não chega a superar a meu ver o Low-Life de 1985, mas mesmo assim, merece ser escutado. Foi 9° lugar nos charts ingleses, continuando o reinado de 1° lugar sempre, no Charts inglese de música indie, mas a 117° posição nos charts americanos...



Substance (1987)  - Com um repertório já grande e audiência louca por baladas agitadas do final dos anos 80, a Factory Records, lança esta coletânea dupla que fez bastante sucesso devido as versões remix e dance das músicas conhecidas do New Order. Quem não conhecia, passa a conhecer a admirar. Foi mais ou menos nesta época que conheci esta maravilhosa banda, através deste álbum. Ela foi lançada com grande alarde, pois as músicas foram retrabalhadas e remixadas para as pistas de dança e fizeram esta coletânea parecer um lançamento de estúdio normal, o que muita gente confunde até hoje. Mesmo porque muitas das músicas, que já haviam saído nos álbuns anteriores, são mais conhecidas hoje de suas versões remix deste álbum, do que dos lançamentos normais. Uma jogada de mestre da gravadora. A primeira faixa, "Ceremony", foi o primeiro single do New Order, na verdade uma música que foi trabalhada antes pelo Joy Division,a versão de Substance é uma nova versão com Gilian Gilbert que não tinha juntado a banda ainda quando o single foi lançado. "Everything's Gone Green", foi o terceiro single da N.O. e já havia saído no E.P.  1981–1982 , "Temptation (New Version)", música que tem uma cantarolar característico na abertura que faz a galera cantar nas apresentações, está aqui em uma versão totalmente regravada, deixando ela ainda mais dançante. "Blue Monday", o clássico do synthpop e do N.O., está aqui na sua versão de 12", maior e mais arrojada para as pistas de dança. "Confusion (New Version)", single está também regravada com novas variantes eletrônicas dançantes. "Thieves Like Us", está aqui em sua versão normal e na versão instrumental como um bônus. "The Perfect Kiss", mais um clássico lindo, remixado aqui com mais batidas e variantes eletrônicas para as pistas. "Sub-culture", está reconstruída e remixada, praticamente uma nova faixa, diferente da original, que já linda. Muito bem trabalhada esta versão . "Shellshock",a versão original da trilha sonora de Pretty in Pink não foi usada, como se acredita, mas uma versão editada do remix de 12 polegadas foi reduzida para seis minutos e meio, omitindo um verso inteiro de vocais. É esta versão que aparece com mais frequência em CD. "State of the Nation", é uma versão maior de 12", mais arrojada que a original do LP. "Bizarre Love Triangle", música maravilhosa da banda, aqui tirada da versão 12", estendendo ainda mais a emoção dançante da música. "True Faith", seria a música inédita, primeiro single de divulgação do Substance, outra que virou clássico.  O Segundo CD, são muitas músicas de Lados B's que não estão nos discos lançados normalmente , começa com "In a Lonely Place", faixa ainda escrita nos tempos do Joy, foi lado B do single "Cerimony", com uma eletrônica criando uma atmosfera mais sombria. "Procession" foi o lado B de do single "Everything's Gone Green", segundo single do New Order, mostra a banda em uma posição intermediária entre o pós-punk Joy Division e o light electropop New Order. O otimismo pop mais leve, com forte ênfase no ritmo, supera o título sombrio da música. "Cries and Whispers" , foi outro lado B do single "Everything's Gone Green", com uma batida e cantos mais cometidos de Bernard Sumner, tentando ainda emular o Ian Curtis.  "Hurt", lado B do single "Temptation", está com uma versão editada no Substance, já mostrava as caracteristas que a banda seguiria, com batida forte do baixo de Hook e da bateria de Morris e com um refrão caracteristico forte, de Sumner. "The Beach" é uma versão de Blue Monday (da qual é um lado B) mais instrumental. "Confusion Instrumental", é o lado B instrumental de Confusion.  "Lonesome Tonight", lado B de Thieves Like Us, tem uma batida característica do baixo de Hook e uma voz mais suave de Sumner. "Murder" havia sido lançado em single apenas, é uma peça instrumental que contém samples de diálogos dos filmes 2001: Uma Odisseia no Espaço e Caligula, com um instrumental meio experimental.  "The Kiss of Death", foi o lado B de The Perfect Kiss, é uma versão dub típica do New Order: é um remix principalmente instrumental do lado A com efeitos adicionais; apresenta notavelmente a abertura da versão do álbum.  "Shame of the Nation", lado B de State of the Nation, é um arranjo alternativo da faixa principal do lado A, que incluía, entre outros elementos, backing vocals, uma faixa bem despretensiosa e pop. E finalmente, "1963", lado B de "True Faith", descreve um relato irônico da letra da música que a relaciona ao assassinato de John F. Kennedy em 1963, em uma batida dance e bem tranquila...sempre assim as letras irônicas e estranhas em musicas que soam alegres e na verdade...não são. Por fim o álbum  Substance pega o melhor do New Order, soma com alguns Lados B's, dá uma trabalhada nas músicas pra ficarem mais dançantes e solta as mesmas nas pistas do mundo inteiro. Formula certeira. O melhor álbum pra se conhecer a banda. Ele foi 3° Lugar nos Charts britânicos, 1° como sempre na parada Indie, a melhor posição nos States, 36°...e disco de ouro e platina em diferentes partes do mundo. Se havia qualquer dúvida sobre o New Order era uma grande boa, este álbum mostrou que não restava mais nenhuma... Eles haviam conquistado o mundo , as paradas e as pistas de dança.



Technique (1989) - Quinto álbum de estúdio do New Order, gravado pela  Factory Records. Realizado dois anos depois do sucesso de Substance, a banda estava totalmente imersa no universo da música eletrônica dançante, os membro haviam ido para Ibiza, na Espanha, onde a música eletrônica reinava. E incorpora batidas baleares e influências de acid house no som dance-rock do grupo. O álbum foi influenciado pela então crescente cena Acid House, e pelas experiências de Sumner no Shoom em Londres. Eles estavam vivendo a cultura dos clubes de dança, dos DJs do início do Techno e muita droga rolava também entre eles. O álbum começa com a faixa "Fine Time", uma faixa totalmente techno, com muito drum machine e synths e sons vocálicos usando vocolder. Já "All the Way", a faixa seguinte é um synthpop bacana, com a caracteristica normal do New Order dos seus álbuns dos anos 80. Muito mais alegre que seus sons anteriores, poderia facilmente ser sucesso nas pistas. "Love Less" é uma balada rock-pop bem bacana e "Round & Round" é uma balada típica eletro-rock do New Order, com um refrão delicioso e grande final synthpop, que faz voltas na sua cabeça do esquerdo para o direito e vice e versa."Guilty Partner", outra balada típica eletro-rock do New Order, também gostosa de escutar, bateria e baixo muito bem cadenciados e voz suave e integra do Sumner.  "Run", é uma música deliciosa, um synthpop muito bem construído, no melhor estilo das melhores baladas do NO, realmente adoro. "Mr.Disco", é uma soma entre batidas dance com rock e a voz cadenciada e sensível de Sumner, a faixa seguinte "Vanishing Point", é a meu ver, a melhor música do álbum disparado, e isto sem menosprezar "Round & Round" e "Run", duas faixas sensacionais. Vanishing Point tem a melhor mistura de eletrônica com rock, tão viajante que fico horas imaginando como a banda chegou até ela, depois de compor clássicos atemporais...mas infelizmente, esta música meio que se perdeu no tempo, mas no meu coração, sempre irá tocar ! E finalmente o álbum termina com "Dream Attack", outra balada pop, rock, synth bacana, com batida eletrônica cativante e com química perfeita na execução de todos seus integrantes. O álbum é ótimo, creio que depois de Substance (que é coletânea na verdade), seja o meu segundo álbum preferido da banda. Eles conseguiram chegar ao final dos anos 80 íntegros e influenciadores de novas bandas ao longo dos anos. Não vejo aqui neste álbum com canções muito mais alegres, vestígios do Joy Division, que ficou a anos luz de distância agora...E pela primeira vez na sua história (juntando também os tempos de Joy), o New Order era numero 1 no Reino Unido e nas paradas indies ao mesmo tempo (onde nunca deixou de reinar) , chegando também a melhor posição nos EUA, 32° na Billboard. O álbum foi disco de ouro em vários países.


Bonus: "World in Motion" (1990) - Single do New Order, lançado pela Factory Records, como música oficial do English Team na Copa do Mundo da Itália em 1990. Foi a última gravação da banda antes do primeiro hiato deles, quando cada membro foi trabalhar em projetos paralelos diferentes e só retornariam em 1993... A música em si, é bem alegre, despretensiosa e totalmente comercial, com ufanismo do refrão para o time inglês na Copa. Inclusive alguns jogadores fazem backing vocal, e uma parte meio RAP, dentro de uma música bem dance, bem ao estilo...Pet Shop Boys..(creio que o Bernard Sumner, já estava colaborando com os membros do PSB, no projeto Electronic).



Republic (1993) - Após 4 anos sem lançar um álbum, o New Order retornou em 1993, para seu sexto álbum de estúdio e o primeiro pela gravadora  London Records (em associação com a Warner Music nos EUA), após abandonarem o selo Factory. Segundo o baixista Peter Hook, a banda foi forçada a fazer o álbum para salvar o The Haçienda, um clube de Manchester parcialmente propriedade da banda que estava perdendo muito dinheiro. A banda também foi informada de que, se não produzisse outro álbum, a Factory Records iria à falência e os membros da banda, que haviam garantido empréstimos para a Factory e o clube, ficariam arruinados financeiramente. Ao mesmo tempo que Hook e Sumner estavam brigando internamente pelo controle da banda. Neste período, os músicos estavam trabalhando em projetos paralelos e se reuniram para lançar este álbum, com os 4 membros originais: Sumner, Hook, Morris e Gilbert. Se acham que irão encontrar um álbum inferior...estão enganados...mas demorariam mais um tempo para fazer outro...novamente partindo para seus trabalhos paralelos. "Regrat" é uma das faixas maravilhosas, uma das melhores músicas dos anos 90 (uma década só do hard rock, experimental, techno pop e outras praias), mostrando que o New Order voltou com tudo e afiado. Balada rock linda que chegou a fazer muito sucesso no Brasil devido a trilha de novela da Globo. "World", a segunda faixa e single, também foi outro sucesso estrondoso, com batidas techno-dance e balada rock, mostrava uma grande versalidade da banda. Só "Regrat" e "World" já valiam o álbum inteiro. Que ainda tinha mais coisas..."Ruined in a Day", também viro single, apesar de não ter tido o mesmo sucesso das duas primeiras, um som bem mais eletrônico de balada com batida mais relaxada, sem muitas pretensões. "Spoock", outro single que não fez muito alarde, feito para as pistas de dança, com muito drum machine, e pegada mais eletrocash, com o uso de vocoder. "Everyone Everywhere", é uma balada electro-rock, com um som parecido com Depeche Mode ou Duran Duran, e não exatamente N.O., o que é interessante. As três faixas seguintes,  "Young Offender", "Liar" e "Chemical", são baladas rock-synth-pop caracteristicas do N.O., que apesar de serem até dançantes, mas parecem que estão ali pra ser para preencher o material do álbum, a faixa seguinte "Times Change", tem uma pegada de RAP na faixa, que faz lembrar bastante "West and Girl" do Pet Shop Boys, o que por si só é bastante interessante. "Special", é um eletro dance rock alternativo, com batidas eletrônicas e linha de baixo de Hook com voz mais suave de Sumner. Por fim, o álbum finaliza com uma faixa instrumental eletrônica mais lounge, chamada "Avalanche". O certo é que muitas faixas do álbum são uma mistura de alternative pop, dance-rock e synthpop, dois singles que ajudaram a vender bem, e se tornaram clássicos nos shows, o álbum em si, não supera seus anteriores. Parece que a banda começou bem, mas deixou no piloto automático na metade final. As diferenças criativas da banda já eram muitas...e eles só se reuniriam de novo 5 anos depois...O álbum puxado por seus dois singles (e outros dois sem muito apelo), levou a banda novamente ao 1° lugar de vendas no Reino Unido, 5° na Austrália e 11° posição nos EUA, onde conseguiu sua melhor posição insuperável até hoje. 



The Best of New Order (1994) - Coletânea lançada pela gravadora  London Records. O grupo entrou em hiato devido a tensões e disputas durante a gravação e turnê de seu álbum de 1993, Republic, que havia sido o primeiro álbum que o grupo lançou pela London Records, e com o grupo anunciando poucas intenções de trabalhar juntos em um futuro próximo, a gravadora seguiu em frente compilando The Best of New Order. A compilação consiste principalmente em mixagens  dos singles de sete polegadas do grupo de 1985 em diante. Novas versões de "True Faith", "Bizarre Love Triangle", "1963" e "Round & Round" aparecem em mixagens alternativas. A coleção também inclui uma faixa que single, "Vanishing Point" (do LP Technique ), embora a música já tenha sido popularizada como tema da série da BBC Making Out . Apenas "Thieves Like Us" (a faixa mais antiga incluída, de 1984) aparece da mesma forma que na compilação anterior, Substance. Um destaque interessante, "Touched by the Hand of God"(87), que fez parte da trilha sonora do filme  Salvation!, e não estava em nenhum LP oficial da banda, pode ser escutada aqui também, uma musica com uma pegada dance e um refrão pegajoso mas gostoso de se escutar. "Run 2", a principal diferença com a "Run" original é que a música se tornou mais compatível com o rádio, editando a maior parte do longo instrumental e acrescentando-a com uma repetição final do refrão. A mixagem de Scott Litt retira muito do eco e das camadas de sintetizadores e, no lugar, centraliza a mixagem no vocal de Sumner e no baixo de Peter Hook.  "Blue Monday '88", é a versão do Substance. Esta coletânea então ajudou a popularizar ainda mais o New Order, apesar de "Substance" ter um impacto muito maior e melhor selecionada, mas ela cumpre o seu dever de apresentar as mais conhecidas e os remix mais interessantes dos clássicos da banda. Foi 4° lugar no Reino Unido e 78° nos States. Ganhou discos de ouro e platina.



The Rest of New Order (1995) - A London Records, aproveitando o grande retorno da coletânea The Best of em 94, lançou no ano seguinte "O Resto do New Order", por assim dizer, esta coletânea veio nove meses depois, desta vez os compiladores reuniram uma seleção de remixes mais antigos junto com novos remixes especialmente encomendados. Os remixes de "Blue Monday", "Confusion", "Touched by the Hand of God", "Bizarre Love Triangle", "Age of Consent", "Temptation" e "Everything's Gone Green" foram todas novas reinterpretações radicais. Os quatro singles do Republic são representados com remixes que já haviam aparecido como B-sides. A mixagem mais antiga incluída foi a versão de Shep Pettibone para "True Faith" de 1987. A primeira faixa trás "World" (Perfecto Mix), um remix muito bem interessante, que desacelera a faixa ao mesmo tempo que incluem batidas, mas não deixa descaracterizar a música em si, ótimo remix. .A segunda faixa "Blue Monday" (Hardfloor Mix), cabe uma pergunta...a música mais icônica do New Order, que por sua vez tem sua popularidade por causa de seu remix de 1988 do Substance, ganharia ou perderia com um novo remix ? Bom o apresentado aqui faz uma aceleração da música, incluem efeitos e batidas mais dances e muda a voz de Sumner pra robótica, e quase tira os acordes famosos do Hook em seu baixo...então , este remix apesar de não descaracterizar a faixa, não supera obviamente o original, mas não prejudica a música. Vamos dizer que é um remix desnecessário, mas é somado a riqueza da original (isto é, do remix 88).  "True Faith" (Shep Pettibone Remix), começa com batidas rápidas para as pistas, e logo entra a música em si , mas ela perde força com mais batidas, meio que derrubando a música conhecida , um remix fraco.  "Confusion" (Pump Panel Reconstruction Mix), são 10 minutos que parecem uma eternidade, não acaba mais, de música remixada que simplesmente mata a original (que nem percebemos), devido ao loop infinito criado pelo remix. "Touched by the Hand of God" (Biff & Memphis Remix), é um remix mais lounge desacelerando a faixa principal, tem alguns bom momentos mas a duração prolongada , 10 mim, acaba tirando um pouco o brilho, mas não é de todo descartável. "Bizarre Love Triangle" (Armand van Helden Mix), versão remixada com batidas sem fim que estraga toda a essência da música. Um péssimo remix... "Everything's Gone Green" (Dave Clarke Remix), é um remix lounge que desacelera a versão original e deixa ela menos interessante. "Regret" (Fire Island Remix), com seus 7 minutos de remix lounge, tira o rítimo original, descaracterizando a mesma, sem criar algo realmente bom , "Age of Consent" (Howie B Remix), é lounge remix, que simplesmente destrói a música ao arrancar o que ela tem de melhor...o baixo cadenciado de Peter Hook e por fim "Spooky" (Magimix), faixa de uma música que nem tem muita representatividade na carreira do NO, então seu remix é até interessante, apesar de soar bem diferente da original mas também tem alguns ganhos, nada que mereça muita atenção. Então, "The Rest of..." é um disco meio caça-níquel da gravadora, pra poder ganhar mais alguns trocados e dar mais um pouco de relevância ao New Order nos clubes de dança, adicionado a cultura DJ eletrônica totalmente a ele.  Por incrível que pareça, foi TOP 5 nos charts britânicos, mostrando sim...New Order tinha ainda muita relevância uma década depois...



Get Ready (2001) - Sétimo álbum, 8 anos depois do último álbum de estúdio lançado, novamente pela London Records. Não, o New Order não tinha acabado, apesar dos constantes rachas internos e seu projetos paralelos, então demorou bastante tempo para juntar a banda de novo...E o que sentimos depois de tantos anos de espera ? Uma banda diferente, mostrando que são bastante imprevisíveis. Os dois primeiros singles, foram muito bem trabalhados e tiveram boa recepção inclusive sendo bastante divulgados na MTV : "Crystal" e "60 Miles an Hour", já mostra um New Order muito mais com uma pegada rock, com a eletrônica apenas criando um ambiente de fundo pra deixar um clima mais moderno pra o início de século, são muito rock-dance-alternativo com um pé no indie 2000. Chrystal inclusive está entre 10 melhores músicas criadas pelo NO. A próxima, "Turn My Way" .... apresenta um convidado nos vocais, ao lado de Bernard Sumner,  Billy Corgan do  Smashing Pumpkins, uma banda que tem profunda influência do New Order. A faixa por sua vez, ganha bastante com Sumner e Corgan juntos, dá realmente ar somado de New Order com Smashing Pumpkins, o que deixa a balada atual e agradável. Até aqui estas três faixas já fazem do disco, um dos melhores daquele ano, uma espera que realmente valeria a pena após este hiato da banda. A seguinte, "Vicious Streak" é uma balada rock mais lenta com um clima eletrônico de fundo parecido com a banda francesa A.I.R., já "Primitive Notion", é uma faixa mais rápida, que começa com um clima meio Joy Division, mas logo se transforma em um rock dançante e mais pesado do que o habitual da banda com uma eletrônica mais sutil, mesmo assim, com uma batida legal do baixo de Hook e a bateria cadencia de Morris. "Slow Jam", uma faixa rock que cresce em batidas pesadas e tem muito a ver com o rock dos anos 90/2000. "Rock the Shack", mais um rock mais atual, com vocais mistos de Sumner e Robert Gillespie, vocalista do Primal Scream, o que dá uma pegada de rock alternativo do novo milênio. "Someone Like You", foi o terceiro single do Get Ready, é um rock pop com pegada mais juvenil, mas longe da proposta musical normal da banda, não é algo muito chamativo, alias, é bastante simples, creio que outras músicas aqui neste álbum poderia ter sido um single melhor. "Close Range", batida bacana, balada interessante, mais uma vez um som voltado para as bandas da época. "Run Wild", lenta, quase acústica que se vale até de uma orquestra, baladinha leve, lembra até um pouco o U2 das baladas mais softs. Em resumo, pra uma banda que ficou muito tempo parada, que veio dos anos 80 onde foram muito prolíferos e quase não fizeram nada na década seguinte, este álbum no início do novo milênio mostra um New Order, muito mais rock com uma pegada mais na guitarra, com a eletrônica apenas para criar um ou outro ambiente, nada de remixes e com parcerias interessantes, que faz o disco de uma banda tão influente, ter sons influenciados por exemplo, do brit pop e do som do início do novo século, mostrando eles cada vez mais atuais e é sempre bom uma banda fazer colaborações e se mostrar sempre atual com o som da época e não ficar preso apenas ao passado . O único porem aqui, foi que seria o último disco com os integrantes originais, pois no próximo , não teremos mais a Gillian Gilbert, esposa do Morris, que deixou a banda pra cuidar do filho autista que requeria cuidados (ela retornaria em um futuro mais pra frente)... O álbum atingiu o 6° lugar das paradas britânicas , 41° na Billboard americana e alguns discos de ouro e platina...mas novamente, teremos novo hiato por causa das diferenças criativas e trabalhos paralelos...



Waiting for the Sirens' Call (2005) - Oitavo álbum do New Order, desta vez os fãs só tiveram que esperar 4 anos...Lançado pela London Records no Reino Unido e pela Warner Music no resto do mundo. O álbum foi lançado em um momento em que a banda experimentava um reconhecimento sem precedentes na mídia, devido a filmes sobre a trajetória do Joy Division e as várias bandas que se deixou influenciar pelo New Order ao longo dos anos. Aqui marca também o segundo retorno da banda ao Brasil em 2006 (na qual eu estive presente). A banda agora conta com os integrantes Bernard Sumner, Peter Hook, Stephen Morris e o novo integrante Phil Cunningham, que assumiu as guitarras e sintetizadores já que a Gillian Gilbert havia deixado a banda. A primeira faixa é "Who's Joe?", uma balada rock mais lenta, seguida da contagiante "Hey Now What You Doing", balada rock muito bem trabalhada, mostrado a banda bem antenada com o rock. "Waiting for the Sirens' Call" (terceiro single) e homônima do álbum, junto com "Krafty", foram singles deste álbum, e por mais que sejam músicas legais, a primeira um rock balada suave e a segunda, calcada um pouco no ínicio com eletrônica, relembrando a batida do Kraftwerk, por isto o nome, não chegaram a impressionar quando lançadas, mesmo com toda relevância da banda. Mas volto a repetir, são boas. As duas seguintes, "I Told You So" e "Morning Night and Day", são músicas com batidas dance, a primeira com uma sequencia de drum machine mais techno, então uma eletrônica mais voltada ao novo milênio com uma melodia dance music, sem esquecer o sequenciamento eletrônico e um pouco de guitarras e distorções de rock... a segunda, seguinte, tem um início mais lento que vai crescendo até se tornar em outra dance music com sequenciamento de eletrônica digital com uma melodia mais rápida que a anterior e não esquecendo a batida rock, tudo mostrando uma contemporaneidade com a música do período. "Dracula's Castle", é uma música muito legal, uma típica balada New Order, com todo o conjunto da banda, somado ao baixo característico do Peter Hook, que já estava sentindo falta desde o começo do álbum. Poderia facilmente ter sido um single deste álbum. "Jetstream", foi o segundo single do álbum, apresenta uma colaboração vocal de  Ana Matronic , vocalista da banda  Scissor Sisters, que por sua vez dá um ar de modernidade a faixa, que alias, lembra até um pouco o Garbage, com aquela apimentada linha de baixo do Hook e alguns efeitos de vocolder no vocal de Matronic. "Guilt Is a Useless Emotion", é uma balada mais eletro pop, interessante, mas  a seguinte "Turn", é uma balada rock , melhor que a anterior, com vocal bem harmônico do Sumner e pegada legal do baixo de Hook, com bateria interessante do Morris, inclusive, merecia ser single. Por fim, "Working Overtime", que encerra o álbum, é uma balada rock com pegada na guitarra pesada e baixo do Hook, criando uma melodia muito bacana e dançante, com um ou outro efeito eletrônico (quase não se sente). O álbum mostra do New Order, tentando se distanciar cada vez mais da EDM e eletrônica dos seus primeiros álbuns e se voltar mais para o rock de balada e sem melancolia. É um álbum legal, muitas boas. Vale a conferida. Infelizmente, foi o último álbum do Peter Hook que deixou a banda em 2007 e alguns anos depois processou seus antigos companheiros por voltarem a banda sem o consentimento dele. E foi praticamente o álbum que trouxe a banda ao Brasil em 2006, nos shows que eu estive presente. Foi Top 5 nos charts britânicos e posição 46° lugar na Billboard americana.



Singles
(2006) - Mais uma coletânea do New Order, lançado pelos selos London(Reino Unido) e Warner Bros(internacional). Coletânea baseada totalmente nos singles de 7" da banda, lançados até o lançamento do álbum Waiting for the Sirens' Call. Muita coisa já havia sido publicada antes, mas ainda assim é uma boa pedida pra quem quer conhecer a banda agora, pois tem músicas de várias fases do grupo. Chegou a 14° lugar nas paradas britânicas e ganhou alguns discos de ouro. 



Lost Sirens (2013) - Novo álbum do New Order. Lançado pela London Records no Reino Unido e pela Warner Music no resto do mundo. Mais uma espera longa pois em 2007, o baixista e um dos fundadores Peter Hook decidiu sair da banda e começou uma disputa jurídica entre Hook e os remanescentes do New Order, que chegaram a anunciar novo projeto chamado Bad Lieutenant. Este álbum foi gravado logo em seguida a "Waiting for the Sirens' Call",  com Hook ainda na banda, mas logo após sua saída, os trabalhos do mesmo foi encerrado e o material arquivado. Em 2013, a gravadora London Records, conseguiu lança-lo, com 8 músicas gravadas. Então podemos dizer que seria o último álbum da banda com Hook, mesmo ele tendo saído alguns anos antes. O álbum começa com "I'll Stay with You", é uma ótima música com o espírito do New Order, começa com uma introdução eletrônica meio eletro-cash, mas parte para uma balada rock muito bem executada com todos os membros mostrando uma ótima sintonia."Sugarcane", tem um começo legal bem trabalhado e logo vira uma balada de salão interessante, a seguinte, "Recoil", é uma balada lenta e mais calma, como se fosse a hora de dançar coladinho..."Californian Grass", é uma balada com ar moderninho e tom mais suave na voz de Sumner. "Hellbent", é uma balada rock bem ao estilo das bandas mileniais. "Shake it Up", é uma balada que tem um começo bacana, com uma pegada meio electro-cash com eletrônica e rock, fazendo até uma similaridade com bandas como Gargage. "I've got a Feeling", penúltima faixa, bem despretensiosa, começa lentinha depois passa para uma baladinha básica com batidas e voz cadenciadas, mas pro final ganha mais metais e um refrão mais interessante. "I Told You So", começa com fortes batidas, guitarras distorcidas, e cadenciamento musical dos instrumentos, entra a voz de Sumner, lembrando as primeiras canções do New Order, depois ele puxa um coro mais discursado, então temos o baixo de Hook e mais pro final fica mais pesado. Esta é a melhor faixa deste álbum e poderia ser seriamente um single da banda. Incrivelmente, Lost Sirens, não teve singles e nem muita promoção pois os integrantes estavam passando pelos problemas jurídicos com a saída de Hook. Então a meu ver, é um álbum cheio de baladas despretensiosas, longe das grandes baladas que fizeram o New Order uma das maiores bandas do mundo. Álbum de 8 faixas, possivelmente sobras do álbum anterior. Fica mais pra curiosidade ou fechamento do ciclo da banda. Não teve o mesmo sucesso que os anteriores, 23° lugar nas paradas britânicas e 174° na americana...



A discografia do New Order está sendo encerrada aqui, mesmo com a banda retornando com álbum novo em 2015 com Music Complete, mas é uma banda sem Peter Hook, seu fundador, mesmo que tenha o retorno da tecladista Gillian Gilbert, a falta do baixista fundador da banda muda muita coisa. Hook, nunca aceitou este retorno e processou seus ex-colegas nos tribunais pelos direitos. Atualmente o New Order continua sem ele mas só o tempo dirá que Hook voltará um dia a tocar com seus ex-companheiros. O próximo passo agora é destrinchar uma discografia com todos os projetos paralelos dos membros do New Order, inclusive falaremos sobre o retorno da banda sem Hook em breve. Aguardem novo post....


Conclusão: New Order sempre foi um mistério para mim, quando comecei a escutar a banda no final dos anos 80, foi por causa de Substance, desde então vinha acompanhando bastante o som deles. Em 2006, estive em um show da banda, ainda com Peter Hook no baixo, antes da saída definitiva. E foi um show legal, apesar que ao vivo, ainda devam bastante, no que fizeram em estúdio. Eles influenciaram toda uma cultura musical ao longo de 4 décadas, saíram das cinzas do Joy Division, que já era uma banda icônica, para criar uma outra banda com um som cada vez mais distante e diferente da sua banda anterior. O que foi sempre legal nela, foi a dualidade entre o rock e a música eletrônica, a ponto deles quase serem uma banda rock-DJ, mas mudaram totalmente o som para estarem juntos aos sons do novo milênio. Adaptou bastante ao cenário musical e seu legado será ainda bastante discutido ao longo dos anos. Vale muito a pena. Não existem discos ruins, só alguns álbuns diferentes o que por sua vez, é ótimo. Dentre os inúmeros artistas e bandas que o New Order influenciou estão artistas dos mais variados estilos musicais como :  The Chemical Brothers, Fatboy Slim, Underworld, Moby, Nine Inche Nails ,  Smashing Pumpkins, Suede, Skrillex, The Killers, Hot Chip, LCD Soundsystem, The Rapture, Cut Copy e até Röyksopp.


Nota para banda :  5 de 5


Nota para Composições: 4 de 5


sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Discografia completa revista - Joy Division(1976-1980)

 


A revisão de discografia que farei, é de uma banda, que começou como outra banda com um som bastante diferente. Geralmente, quando faço o review das bandas, sempre menciono o passado original delas, seus embriões antes de se tornarem uma banda de sucesso. No caso do New Order, o embrião dela, era o Joy Division, mas sua primeira formação, em uma discografia curta, foi tão marcante que seu legado continua até os dias de hoje, que será meio impossível separar as duas, como algo diferente, mas apenas uma evolução de som, integrantes e estado de espírito, abalados por uma tragédia pessoal que marcou todos os integrantes.

O Joy Division foi uma banda inglesa de rock, fundada em 1976, em Manchester. É notória por ser uma das bandas mais influentes da história da música, sendo uma das pioneiras do pós-punk e do rock gótico, com elementos sutis de música eletrônica. A banda também tinha como integrantes Bernard Sumner (guitarrista e tecladista, à época chamado Bernard Albrecht), Peter Hook (baixista e vocalista) e Stephen Morris (percussionista e baterista). Começaram como Warsaw e mudaram pra Joy Division, assim que assinaram com a Factory Records. Após tentar alguns vocalistas, optaram pelo jovem  Ian Curtis, que também era guitarrista ocasional da banda. Com esta formação eles decolaram, gravaram dois álbuns, mas quando estavam começando a chamar a atenção e se preparando para sua primeira turnê nos Estados Unidos, Curtis, cometeu suicido devido a seu estado emocional e depressivo, causado principalmente por questões ligadas a epilepsia que sofria (muitas vezes no palco...), os anos se passaram a banda se tornou cult, apesar de terem encerrado a atividade em 1980, com o a morte de Curtis. 


"Transmission"(1979) - Primeiro single do Joy, lançado como sobras de um álbum que a RCA iria lançar em 1978, do embrião do Joy Division, o Warsaw, mas acabou sendo abortado pela gravadora. Eles mudaram para o selo Factory Records e o nome da banda. Este single foi o primeiro lançamento oficial do Joy e até hoje é tocado nas apresentações do New Order/Peter Hook e virou um clássico do pós-punk (considerado até o início do movimento).Um grande single de estreia, baixo cadenciado do Peter Hook, batida firme e quase militar da batera de Stephen Morri, guitarra sem intromissão na música e é claro a voz constante, ríspida e quase robótica de Ian Curtis. O refrão fica pregado na cabeça e a música finaliza como uma batida do coração desacelerada...o single atingiu o  4° lugar na parada indie inglesa. Caminho aberto para um álbum...



Unknown Pleasures
(1979) - Lançado pela Factory Records, com a capa que se tornou icônica, apresentando um gráfico recebido do radiotelescópio de Arecibo, de um pulsar. Um álbum que não teve single de divulgação, e hoje se tornou cult. Em uma época que o punk já tinha dado seu grito revolucionário contra o sistema, este álbum tem elementos desta revolução, mas vai muito além dos três acordes. O que se destaque neste álbum, a bateria cadenciada de Stephen Morris, o baixo cheio de riffs de Peter Hook e a voz meio Bowie e ditosa de Ian Curtis. O álbum abre com "Disorder", uma música bem estranha uma muralha sonora psicológica quase intransponível para todos os músicos de rock pós-punk. Suas letras, arranjo e harmonia podem ser percebidos em praticamente todos os trabalhos posteriores do gênero realizados por artistas da área. "Day of the Lords", faixa seguinte é mais discursiva, com Curtis, parecendo fazer uma homilia de missa. "Candidate" e "Insight"  sãos mais músicas de lamentação não fugindo a regra desde o começo do álbum. E para finalizar o lado A, "New Dawn Fades", que a meu ver é a música mais interessante até aqui, com diferentes camadas e melodia mais pop, diferente do ar deprê do álbum em si. Ela conta com um riff de guitarra ascendente de Bernard Sumner tocado contra um riff de baixo descendente de Peter Hook. A música usa a mesma progressão por toda parte, mas cresce em intensidade conforme a música avança, atingindo seu pico com Ian Curtis cantando "Me, seeing me this time, hoping for something else"(Eu, me vendo desta vez, esperando por outra coisa), e terminando com um solo de guitarra. O lado B, começa com a música que se tornou um clássico da banda, "She's Lost Control", que Curtis compôs sobre uma garota que tem epilepsia, a mesma doença dele. Continua até hoje um clássico e sempre tocada nos shows do New Order ou do Peter Hook. "Shadowplay", começa com a batida do baixo de Hook e depois a bateria cadenciada de Morris, com Curtis entrando com um vocal em um modo mais discursivo. Uma grande faixa alias. O lado B começou ótimo. "Wilderness", com cadência militar os instrumentos da banda e uma voz meio "Bowie" de Curtis, também bastante interessante. "Interzone", mais agitada e menos melódica, uma festa punk. "I Remember Nothing", fecha o disco com uma música mais sombria e melosa. Sons tristes, sombrios, melancólicos, praticamente definindo o momento dark/gótico, sem ser exatamente isto, um rock de desesperados, desiludidos, desempregados...reflexos da época pós-punk. O álbum chamou muita atenção, apesar de ser classificado ainda como banda indie. Chegou a marcar o 5° lugar nas paradas inglesas para surpresas de muitos pela descoberta de um novo som. E primeiro lugar na parada indie também britânica. O início de um voo promissor maior...


Closer
(1980) -  Factory Records, não perdeu tempo, e lançou o segundo álbum do Joy Division, menos de um ano depois do primeiro. Entre o primeiro e segundo álbum notamos algumas mudanças no som da banda. Continua com as lamentações da letras cantadas por Ian Curtins, a cadência quase militar da bateria de Morris, a guitarra distorcida de Sumner e o baixo com os riffs inconfundíveis do bass hero, Peter Hook. A banda continua em seu caminho Pós-punk e Rock gótico, que influenciaram bastante os anos e décadas seguintes.  "Atrocity Exhibition"  a música que abre, tem uma batida que lembra um 'samba sombrio', "Isolation" , "Passover"  e "Colony"  são músicas melhores construídas que a primeira, e parece seguir na mesma direção do álbum anterior, com uma guitarra mais suja e as atitudes de Hook de sempre pontuar as canções com os toques melódicos do seu baixo enquanto Curtis, canta como um Bowie robótico com toques de Kraftwerk."A Means to an End" , a última música do lado A, praticamente define um ritmo de dança gótica de salão, uma das melhores do álbum até aqui. Lado B, começa com "Heart and Soul" , que tem uma batida cadenciada de forma invertida, e "Twenty Four Hours" tem um baixo ao estilo punk de 3 acordes de Peter Hook, tocando enquanto Curtis, faz um discurso meloso e musical, mais interessante que a anterior. "The Eternal", é uma música cantada em forma de lamentação por Curtis durante 6 minutos, enquanto segue um rítmo de marcha fúnebre...e a última, "Decades", tem uma pegada mais rock com batidas variadas do baixo de Hook e variações com música eletrônica dando um ar mais deprê, também 6 minutos, ao som de um rock gótico. O álbum foi 6° lugar das paradas inglesas (sendo que atingiu o 1° lugar na parada indie). Também foi 3° lugar na Nova Zelândia. Foi o último álbum da banda, lançado poucos dias depois do suicido de Curtis. A capa do álbum que foi tirado de uma tumba no Cemitério Staglieno, em Gênova, Itália,  acabou sendo uma infeliz coincidência. Ao meu ver, Closer segue bastante o álbum anterior, e tem mais variações nas músicas, consigo até ver um pouco de eletrônica, tentando criar uma atmosfera mais densa nas músicas, como foi o caso de "Decades", mas não uma evolução maior. Em todo caso com a morte de Curtis, o Joy Division deixou de existir...Chegou ao 6° lugar das paradas inglesas e 1° lugar na parada indie britânica.



Still
(1981) - O fim do Joy Division, com a morte de Curtis, não foi o fim dos lançamentos. A banda estava ganhando projeção quando aconteceu a tragédia pessoal de Ian. Obviamente a gravadora não queria ficar na mão, já que com o falecimento de Ian, havia surgindo um culto em volta da banda e já no ano seguinte ao fim prematuro dela foi lançado pela Factory Records, esta compilação, na verdade um álbum duplo. Consiste em material de estúdio não utilizado ou indisponível anteriormente e gravações ao vivo. O álbum inclui a única apresentação ao vivo do grupo da música "Ceremony", que mais tarde se tornou single do New Order. Material que teve boa aceitação dos fãs, avidos pelos espólios da banda. As três primeiras faixas do disco 1, "Exercise One", "Ice Age", "The Sound of Music", devem ser material lá do fundo do baú, cortadas dos discos. Músicas bem sombrias e de lamentação com uma atmosfera bem gótica. Não achei elas lá interessante, mais por curiosidade mesmo. Já "Glass", tem uma pegada melhor apesar de ser uma baladinha triste, fechando o lado A com "The Only Mistake". Lado B do disco 1, segue mais três musicas de atmosfera gótica muito iguais: "Walked In Line"(esta aqui com o refrão bem repetitivo), "The Kill" e "Something Must Break". Chegamos a "Dead Souls", que pela pegada do baixo de Hook, lembra bastante as futuras músicas do New Order, sim, temos um pouco de alegria na melodia (não sei bem da letra), e o disco 1 fecha com uma faixa ao vivo "Sister Ray", do Velvet Underground, com direito a microfonia e experimentação na faixa, estendendo ela por uns 7 minutos, muito improviso.

Partimos para o disco 2 totalmente ao vivo, uma apresentação na Universidade de Birminghan, de 2 de maio de 1980, que foi a última apresentação do Joy Division, 16 dias antes do suicídio do vocalista Ian Curtis. Começamos três músicas "Ceremony", "Shadowplay", "A Means To An End","Passover" são musicas tocadas ao vivo que mostram que sua melancolia, atormentos, atenção, lamentações, são passadas de forma ríspidas pelas músicas na voz 'quase Bowie' de Curtis e as cadências das batidas da banda. Mostram que ao vivo, são bem improvisados e não conseguem tirar o máximo como no álbum de estúdio, talvez por não ligarem muito para qualidade, já que eram considerados uma banda independente. Já "New Dawn Fades", é uma música que conta com um riff de guitarra ascendente de Bernard Sumner tocado contra um riff de baixo descendente de Peter Hook. A música usa a mesma progressão, mas cresce em intensidade à medida que progride, atingindo seu pico com Ian Curtis cantando "eu, me vendo desta vez, esperando por outra coisa", terminando com um solo de guitarra . Então são surpresas interessantes para ouvidos mais atentos."Twenty-Four Hours", outra música bem interessante das lamentações de Curtis. Lado B: "Transmission" , se tornou um clássico, o primeiro single da banda, que alias, não está no álbum. Eles tocam ela bem maneira ao vivo. "Disorder" e "Isolation", são quase variações do mesmo tema que tornou a banda com seu rock noturno e sombrio famoso. Então chegamos a "Decades", eu simplesmente achei uma grande surpresa, a melhor música do álbum, foi tocada ao vivo muito bem, ela tem variações no ritmo ao longo dos seus 5 minutos , batida legal e um clima criado com sintetizador, que mostra um caminho que seguiriam com o New Order depois. "Digital" , mais um single fora dos dois álbuns originais... Bônus: "Love Will Tear Us Apart" (recorded live at High Wycombe Town Hall fev/1980), a mais famosa música da banda, quase seu legado, que foi lançado apenas como single póstumo alguns meses depois da morte de Curtis. Ao vivo ela é interessante, mas não atinge sua grandeza como no estúdio. Ao fim, você chega a conclusão que eram uma banda que tinha muito melhor performances em estúdio do que ao vivo, mas seus shows, atraiam cada vez mais multidão... Este álbum atingiu o 5° lugar dos mais vendidos no Reino Unido e 1° lugar na parada indie britânica, mantendo a tradição da banda, mesmo ela não existindo mais.


Substance
(1988) - Coletânea com os maiores sucessos e singles da banda, lanaçado em 1988, época que o New Order já havia estourado. Algumas músicas nem estão nos dois álbuns oficiais, mas já se tornaram clássicas. "Warsaw", gravada em 77, mas publicada em um EP , "An Ideal for Living" no ano seguinte, tem uma pegada bem pesada e punk. É polêmica, pois tem citações nazistas na mesma. A canção parece ser uma biografia um tanto fantástica de Rudolf Hess, vice-Führer de Hitler, que voou para a Grã-Bretanha em 1941 na tentativa de negociar a paz entre a Alemanha e o Reino Unido, supostamente por causa de sua desilusão com o nacional-socialismo.  "Leaders of Men", tem aquela pegada do baixo de Hook, logo na entrada e toda cadência que acompanharia a banda até sua curta trajetória, também do E.P. inicial da banda  " An Ideal for Living". "Digital", tem uma pegada mais balada rock seguido da esquizofrenia normal da banda, também saiu em um E.P. de coletâneas da Factory e posteriormente no Still. "Autosuggestion", outra faixa que havia saído em um EP de coletâneas de bandas da Factory, tem uma batida mórbida no começo que vai prolongando até entrar a voz do Curtis já no meio e volta as batidas instrumentais. "Transmission", a melhor faixa da banda, com sua inspiração bem Kraftwerk. "She's Lost Control", é outra música clássica, sobre o relacionamento de Curtis e sua esposa Debbie, cantada em forma de lamento. "Incubation", faixa Lado B do single "Komakino", com um rock bem trabalhado . "Dead Souls", é uma balada bem trabalhada, que lembra futuros trabalhos do New Order com um pouco de melancolia."Atmosphere", é uma faixa linda mas triste parecendo quase uma despedida de Curtis. Finalmente "Love Will Tear Us Apart" , a faixa mais famosa do Joy Division, quase seu cartão postal para as novas gerações que querem conhecer a banda, com sua batida e pegada mais pop, sobre um amor dilacerado (mais uma vez o relacionamento conjugal de Curtis), marco de gerações e que fez a banda atingir paradas...uma pena que o artista tenha morrido antes do sucesso...esta coletânea é uma boa pedida pra começar a conhecer o Joy. Mesmo a banda não existindo mais, mas já tendo sua sucessora New Order reinando nos charts ingleses, esta coletânea não fez feio em 1988, atingindo 7° lugar das paradas e Primeiro Lugar nos charts indies britânicos. 


Conclusão: Joy Division foi uma banda realmente muito interessante, longe de ser uma das melhores da história, com certeza, seu culto ao longo dos anos, a transformaram em um mito junto com seu líder desaparecido, Ian Curtis. Filmes, livros, novas gravações, documentários, são feitos de tempos em tempos, tentando entender sua ascensão e desaparecimento rápido em uma questão de dois anos e como ela ajudou a moldar o que chamamos de movimento pós-punk e gótico, ao incorporar em suas letras, melancolia, desprezo, sons sujos, romantismo utópico e um pouco de eletrônica para criar seus sons que vão do estranhamento ao avant garde de vanguarda. Então, se você quer tentar descobrir um pouco desta enigmática banda, a discografia completa dela ajuda a entender, mesmo que não totalmente o que propunham ou ...não. Mas seus membros estavam corretos em finalizar a banda com a morte de Curtis, e começar um novo projeto, diferente, a partir de suas cinzas...

Nota para banda :  4 de 5

Nota para Composições: 3 de 5





sexta-feira, 28 de julho de 2023

Discografia completa revista - Dire Straits (1978 - 1995)




Dire Straits foi uma banda de rock britânica formada em 1977 por Mark Knopfler (guitarra e vocais), seu irmão David Knopfler (guitarra), John Illsley (baixo) e Pick Withers (bateria). Suas músicas são bastante identificadas, principalmente pelos riffs clássicos da guitarra de Knopfler e sua voz inconfundível. A banda surgiu no meio do movimento punk e do movimento disco, mas ao invés de seguir as tendências do momento, preferiram focar no rock clássico e nas letras suaves e bem tocadas, buscando nas origens do rockabille, mas também incorporando sons eletrônico sempre casandos com os instrumentos acústicos como vilão, piano e saxofone. Criaram clássicos que até hoje, não são considerados datados, mas continuam tocando nas rádios e corações do mundo inteiro como:  "Sultans of Swing", "Lady Writer", "Your Latest Trick", "Romeo and Juliet", "Why Worry", "So Far Away", "Money for Nothing", "Walk of Life", "Tunnel of Love" e "Brothers in Arms". A banda ao longo dos anos, girou em torno de Mark Knopfler, seu irmão David Knopfle, saiu durante a produção do terceiro álbum. Outros músicos entraram em saíram da banda no curto período de tempo que ela existiu, sempre com Knopfler na direção da banda, além dele apenas o baixista  John Illsley, também esteve até o fim da mesma. A banda terminou sem alardes em Junho de 1995, após Knopfler expressar não querer mais grandes turnês, partindo para um trabalho em tempo integral em material solo e trilhas sonoras de filmes, enquanto os outros integrantes partiram para carreiras distintas. Em 2018, a banda foi induzida no Hall da Fama do Rock, em Cleveland.


Dire Straits (1978) - Primeiro álbum da banda, homônimo, lançado apenas um ano após a formação, pela gravadora britânica Vertigo, e pelo selo Mercury da Warner Bros nos EUA e Canadá. É um álbum notavelmente realizado para uma estreia. Imagens dylanescas, que realçam a atmosfera esfumaçada e discreta do álbum. Nada de pós-punk ou new wave aqui, é música clássica nascendo clássica. O álbum abre com a ótima "Down to the Waterline", música que conseguiu sobreviver ao longo dos anos em coletâneas da banda e sempre lembrada por fãs. Logo de cara se escuta os riffs da guitarra de Knopfler e sua voz que se tornaria marca registrada. Era algo realmente extraordinário. O álbum ainda tem o single hit, "Sultans of Swing", que abre o lado B, uma balada bem agitada que conquista o ouvinte logo de cara. Só estas duas músicas já valem o álbum, cujas as músicas em geral, dão as caras do que esperar do Dire Straits nos próximos anos. Estreou em 5° lugar no Reino Unido e em 2° Lugar nos EUA. Sendo 1° lugar na França e na Áustria e já ganhando vários discos de ouro e platina pelo caminho. O importante notar que a estreia nos EUA, foi até melhor que no país natal, mesmo porque o rock da banda é simples, direto e bem executado com traços do country e rhythm in blues. Então acertaram em cheio o lançamento.


Communiqué (1979) - Segundo álbum do Dire Straits, repetindo o lançamento pela gravadora britânica Vertigo, e pelo selo Mercury da Warner Bros nos EUA. Se o primeiro álbum deu uma impressão muito boa a esta banda, o segundo álbum segue a mesma tendência do anterior, com os riffs característicos de Mark Knopfler. Nada de influências pós-punks ou disco, continuando com o rock básico que fez o primeiro uma boa estreia. O lado A, possui músicas muito parecidas com o primeiro álbum, "Once Upon a Time in the West" e "News", o mesmo para a faixa título "Communiqué", baladas calcadas no rock clássico sem muitas ousadias. Mas ainda no lado A, temos a bela "Where Do You Think You're Going?" que tem sobrevivido as coletâneas ainda hoje, bem como "Lady Writer", uma ótima balada, que não pode faltar nos shows da banda, com rock hipnótico , instrumentação escaldante e vocais distintos de Mark Knopfler. "Lady Writer" e "Angel of Mercy" são ambas, pegadas country, a primeira mais lenta e a segunda balada incorporando riffs meio blues de  Knopfler, já "Portobello Belle", é uma faixa mais trabalhada com ótimos riffs de guitarra , uma boa música bem construída. O álbum termina com "Single-Handed Sailor", um dos melhores riffs blues de Knopfler em todo o álbum, e finaliza com "Follow Me Home", sem fugir da pegada de todo o álbum até aqui. Então temos um segundo álbum honesto, praticamente quase igual ao primeiro, com talvez um pouco mais de riffs de Mark Knopfler, e infelizmente, o último álbum com os dois irmãos Knopfler,  David Knopfler, saiu no começo das gravações do próximo. Este álbum foi 5° lugar nos charts britânicos e 11° nos States(talvez os americanos esperavam mais), conseguindo também 1° lugar na Alemanha e na Suíça. Tido em geral como um álbum competente, mas muitos criticaram por ser muito parecido com o anterior, sem grandes inovações.


Making Movies (1980) - Terceiro álbum da banda, teve um problema no começo, quando os irmãos Mark Knopfler (guitarra e vocais) e David Knopfler (guitarra) se estranharam durante o início das gravações e David acabou abandonando a banda. Mark Knopfler, então expandiu a banda pra um quinteto: Além dele,  John Illsley (baixo) e Pick Withers (bateria), foi acrescentados também Roy Bittan(teclados) para uma nova guinada musical e Sid McGinnis, assumiu a guitarra de David. Este álbum já mostra uma guinada da banda, para apresentar algo muito mais do que as simples faixas de rock clássico. Uma mistura de raizes do rock com um tempero New Wave.  Eles buscaram refinar melhor o som do álbum com letras mais arranjadas. Claro que os riffs de Knopfler estão sempre lá, sem comprometer a qualidade, ja´ que ele é a alma da música, mas eles se permitem criar atmosferas que vão além do velho rock.  A primeira faixa do álbum "Tunnel of Love", começa com uma introdução de "The Carousel Waltz" composta por  Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, mostrando ali, que o álbum não seria copia carbono dos anteriores, esta música inclusive acabou sendo popularizada por causa do filme de Richard Gere, "A Força do Destino"(1982). Uma música linda e envolvente, uma das melhores da banda, seguindo para "Romeo and Juliet", uma linda balada romântica. "Skateaway", a música seguinte, foi também um dos singles de trabalho do álbum igual as duas anteriores, e não deixa a peteca cair. Com um ótimo lado A, que vale todo o álbum o lado B, mostra novamente a banda sem arriscar muito, parecendo que as melhores músicas ficaram no lado anterior. "Expresso Love" , é uma balada romântica com um bom toque do teclado, "Solid Rock", seria a faixa rock'n'roll, pra dizer que eles apesar de mostrar uma guinada no som, ainda toca o bom e velho rock'n'roll. E fechando com "Les Boys", que tenta resumir tudo em uma balada de pista interessante. Um veredito final, é que o álbum consegue ser superior aos anteriores, as duas primeiras faixas, se tornaram clássicos da banda, tocaram bem nas rádios e ainda mantem viva a chama de boa música. Então eles podem mirar ainda para o alto mais...e mais... Foi 4° lugar no Reino Unido e 19° nos States, mostrando que o público americano ainda merece ser melhor trabalhado.

Love over Gold (1982) - Quarto álbum do Dire Straits, pelas gravadoras a britânica Vertigo, e pela Warner Bros nos EUA. Este seria o último álbum do baterista Pick Withers. Completando a formação Hal Lindes(guitarra), John Illsley (baixo) e Alan Clark(teclado). Se o anterior, já era um começo de guinada, e foi positivo, este novo álbum foi mais além, com melodias incríveis, riffs matadores da guitarra clássica de Knopfler, longas suítes com piano e as vezes acústicas, e mais acerto nas letras. Neste álbum o ouvinte consegui sentir mudanças focadas tanto no rock progressivo, na art rock e no Jazz Rock, sem esquecer o lado country, já parte do DNA da banda. A faixa que abre o álbum é "Telegraph Road", com mais de 14 minutos (uma versão menor, é mais conhecida dos shows e coletâneas), a faixa é longa, mas não é 'empurrada', ela é realmente viajante e bem executada, e vc até esquece o tempo dela. O lado A fecha com "Private Investigations", ela começa com uma orquestração de sintetizador de alta frequência (removida das versões de coletâneas e rádio), levando a uma lenta progressão de piano acompanhando um violão clássico, seguido por vários versos falados. Só estas duas faixas, já valeriam o álbum inteiro. E se você consegue chegar até aqui, vai saber que eles realmente estão em franca evolução e fizeram seus melhores trabalhos até o momento. O lado B, começa com "Industrial Disease", uma música interessante sobre doenças de trabalho, que funciona como música de salão meio country, com riffs interessantes do Knopfler. "Love over Gold" é uma balada romântica com um efeito de guitarra interessante e "It Never Rains" é um rock de salão, com uma suite final e prolongada, que não cansa. Em outras palavras, o álbum expande seus sons e ambições, deixando o Dire Straits, junto no panteão das grandes bandas daquele período. Continuando a tendência, a banda rema com seu próprio som, sem se preocupar muito com a concorrência, e melhorando a cada disco. Passos maiores serão dados mais a frente, para uma expansão mais global. O álbum conseguiu atingir o objetivo de levar o Dire Straits ao 1° lugar no Reino Unido...mas também Austrália, Áustria, Nova Zelândia e Holanda. Mas apenas o 19° novamente nos States. 

ExtendedancEPlay (1983) - Este álbum é um EP, com apenas 4 faixas (3 no resto do mundo e 4 nos States). Uma tentativa de prolongar o sucesso do álbum anterior, lançado pela  Vertigo Records internacionalmente e Warner Bros. Records nos States, durante um hiato de 3 anos para o próximo álbum completo . O EP consiste em faixas animadas com um toque de rock and roll, jazz e swing. É o primeiro lançamento da banda com o baterista Terry Williams, que ocupou o lugar depois que o baterista Pick Withers deixou o grupo em novembro de 1982. Este álbum inicia com o single  "Twisting by the Pool", uma balada rock animada, que já se tornou um clássico da banda e vale bastante todo o EP. "Badges, Posters, Stickers, T-Shirts", que aparece apenas na versão americana, é um lado B do álbum anterior, o Love over Gold. Ela quase é um jazz nostálgico, que meio que destoa do resto do EP, aqui mais como curiosidade. As faixas "Two Young Lovers" e "If I Had You", são dois rocks de balada de salão, bem característicos da banda. Neste projeto de EP, foi bem específico pra agradar mais os roqueiros baladas e o lado dança de salão que a banda sabe fazer muito bem. O EP foi primeiro lugar apenas na Nova Zelândia, ficando em 14º no Reino Unido e 12º na Billboard americana. 


Alchemy: Dire Straits Live (1984) - Este é o primeiro álbum ao vivo do Dire Straits, aproveitando seus principais sucessos e o calor de seus shows, preparando o terreno para o quinto álbum que só iria sair em 1985. E não é pouca coisa não, pois lançamento é álbum duplo.  Lançado novamente pela  Vertigo Records internacionalmente, e Warner Bros. Records na América do Norte. São gravações e shows realizados em julho de 1983, no Hammersmith Odeon de Londres. Seguido de um lançamento em DVD. O álbum são músicas dos 4 primeiros álbuns da banda mais o EP de 1983, também com músicas da trilha sonora do filme Local Hero, na qual Mark Knopfler compôs em carreira solo. Começa bastante interessante, uma instrumental orquestrada para dar o clima inicial do show...uma introdução de "Stargazer" seguido de  "Once Upon a Time in the West" (faixas da trilha sonora do filme  Local Hero ), segue versões ao vivo bem executadas e estendidas de "Romeo and Juliet", "Expresso Love","Private Investigations" e "Sultans of Swing", tudo isto do disco 1, no disco 2 para os mais de 14 minutos de "Tunnel of Love"  e os mais de 13 "Telegraph Road", suas faixas mais conhecidas. As faixas cumprem seu papel e são estendidas lembrando que a banda ao vivo parece um Pink Floyd ou Led Zeppelin, tentando dar o máximo de experiência sonora para seu público , uma verdadeira viajada na guitarra de Mark Knopfler e no instrumental de toda a banda, em uma química perfeita. Uma pena que foram cortadas  "Industrial Disease," "Twisting by the Pool" e "Portobello Belle"... .Mas uma conclusão final é que o o Dire Straits, mesmo nestes primeiros anos, entregam um show perfeito para o que o público quer ouvir. O álbum foi 3° lugar no Reino Unido, e 1° na Holanda, mas nos States apenas a ... 46° posição..

Brothers in Arms (1985) - Quinto álbum de estúdio do Dire Straits, novamente pelas gravadoras Vertigo Records internacionalmente, e Warner Bros. Records na América do Norte. Esperava-se que após um hiato de 3 anos (com EP e ao vivo para aquecer os fãs), o Dire Straits, voltasse com algo surpreendente, pois a concorrência na época era fortíssima, principalmente por causa da banda U2. O esforço foi recompensado, já que eles conseguiram fazer sua obra-prima, melhor álbum da carreira. Os álbuns do Dire Straits escutados até aqui, temos 2 faixas de cada álbum que foram singles de sucesso, se tornaram hits ou entraram nas coletâneas e fizeram parte do repertório ao vivo da banda até aqui. Mas Brothers in Arms vai além de tudo. As faixas  "So Far Away", "Money For Nothing", "Walk of Life" e "Your Latest Trick", que são reconhecidas e consideradas algumas das melhores músicas da banda e que tocam nas rádios até os dias de hoje. E isto sem abandonar o estilo que consagrou a banda, sendo que o mega-hit "Money For Nothing", mostra uma faixa bem voltada ao hard rock/metal, o que só fez a banda ganhar novos fãs, inclusive eu quando escutei pela primeira vez nos programas de clips da TV e na rádio. E "Your Latest Trick", uma lenta romântica com um saxofone maravilhoso, é cantarolada facilmente por muita gente e eu considero a música mais maravilhosa desta banda até hoje. E um detalhe interessante, a belíssima "Why Worry",  não foi single, mas fez muito sucesso no Brasil em 1985, por ser tema de novela da Globo e tocou bastante nas rádios. Pra fechar, o álbum ainda tem outra música sensacional e belíssima, a homônima "Brothers in Arms". Com 6 faixas hit makers neste álbum, quase uma coletânea, ainda possui 3 faixas inéditas pouco conhecidas, que são complementares e interessantes: "Ride Across The River", bem estilo jazz,  "The Man's Too Strong"  bem ao estilo blues e "One World" o seu clássic rock/country. E o importante lembrar aqui que a versão CD possui músicas mais estendidas que a versão em LP. A espera pelo sensacional lançamento foi recompensada. Finalmente o Dire Straits atingiu o primeiro lugar não apenas no Reino Unido e conquistou os EUA, mas também na Alemanha, Holanda, Austrália, Áustria, Canadá, França, Suécia , Nova Zelândia e outras partes do mundo...Fazendo a banda ganhar dezenas de Discos de Platina e Diamante por todo o planeta. Um dos melhores álbuns dos anos 80 e um dos melhores de todos os tempos.  Simples assim. Um legado para uma banda que batalhou muito pelo sucesso e chegou ao patamar, com produção caprichada.

Money for Nothing (1988) - Primeira coletânea oficial do Dire Straits. Na espera que levaria longo 6 anos, para o próximo álbum, a gravadora Vertigo Records internacionalmente, e Warner Bros. Records na América do Norte, colocou no mercado um Best of, para fãs sedentos de muita música boa. Foram escolhidas 11 faixas (sendo 13 na versão CD), sendo que "Portobello Belle (Live) (Alternative outtake)" e "Where Do You Think You're Going? (Alternative mix)" são versões diferentes, e que teve boa aceitação. Todos  os álbuns e o EP, estão aqui representados com o melhor do Dire Straits. Este álbum em sua versão fita K7, foi um dos primeiros discos de rock que ganhei na vida. E foi bastante apreciados pela minha mãe que passou a adorar a banda também. Aqui mostra os diferentes estilos da banda sem muito fugir da sua proposta classic rock, mas sem soar datada. Foi 1º Lugar no Reino Unido , França e Suécia. Nos States, apenas a 62º posição.

On Every Street (1991) - Sexto álbum de estúdio do Dire Straits lançado pela Vertigo Records internacionalmente, e Warner Bros. Records nos EUA. Com o line up da banda formado por  Mark Knopfler, John Illsley, Alan Clark and Guy Fletcher. Seis longo anos depois do mega sucesso do álbum anterior, era muita responsabilidade deles repetir o sucesso para retornarem ao topo. Uma espera longa depois de um estouro sensacional, se esperava pelo menos discos a cada dois anos...mas.... Aqui temos um álbum maior que o habitual, pois os anteriores era muito voltado ao LP, e agora estamos na era digital do CD. Portanto mais tempo e mais músicas. Seguimos então...é um disco novamente na qual escutamos o velho estilo do Dire Straits de sempre. Eles nunca mudaram. Músicas que se baseam bastante nas raízes do rock, como jazz, blues, rhythm in blues , Country e rock clássico, com pitadas modernas de sintetizadores no modo mais clássico. O álbum se inicia com "Calling Elvis", uma música que se baseia na teoria dos fãs de que Elvis Presley está vivo, cantada de forma pausada, meio blues...interessante. "On Every Street", lenta no piano, meio blues também, tenta pegar carona nos sucesso do passado.  "When It Comes to You" Country music que chegou a ser regravada por outros artistas countrys. "Fade to Black", lenta com pegada blues, tenta ser meio um Brothers in Arms disfarçado, com aqueles riffs do Knopfler..."The Bug", outra Country e muito balada de salão, alias, bem melhor construída que a anterior. "You and Your Friend", tem uma linha de guitarra bonita do Knopfler e é bastante chorada blues..."Heavy Fuel", a melhor música do álbum, a que eu lembro que tocou bastante em rádio e depois foi incluída em coletâneas posteriores, ela é muito rocker bem ao estilo da banda. "Iron Hand" é uma música Country-Blues lenta, "Ticket to Heaven", um Country rock tradicional ao estilo Johnny Cash com direito a piano clássico, "My Parties" uma balada lenta rock de salão com boa pegada com gaita, "Planet of New Orleans" é a melhor música do álbum, nunca tinha ouvido, não é exatamente um blues típico de New Orleans, como o título dá a impressão, é uma faixa muito ao estilo do Pink Floyd, uma longa suíte com a guitarra de Mark Knopfler no lugar do Guilmour, só ela já valeria o álbum inteiro  e a última faixa, "How Long" não deixa de ser outro Country ao estilo de Nashville bem na pegada de Willie Nelson, com Knopfler, tocando um violão acústico, talvez o melhor Country deste álbum. Enfim...o álbum On Every Street, retorno do Dire Straits após 6 anos, não consegue superar o imbatível álbum Money for Nothing de 1988, mas ainda sim é um bom álbum em geral. Uma pena que foi o último da banda...pelo menos até agora...mas fazem décadas que foi lançado..:(. Foi muito bem recebido, primeiro lugar no Reino Unido e também na Austrália, Áustria, França, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia e Suécia e ficou ainda em 12° nos EUA.

On the Night (1993) - Segundo álbum ao vivo do Dire Straits, lançado pela Vertigo Records internacionalmente, e Warner Bros. Records nos EUA. Gravado de um show de 1992, aproveitando a turnê do álbum "On Every Street". Começa com "Calling Elvis", estendendo ela do meio para o final com riffs de guitarra conquistando a plateia ja na música inédita do último álbum, de aproximadamente  10 mim, segue para o hit "Walk of Life", com uma interpretação interessante que agradou o público, segue para "Heavy Fuel" , o último grande hit da banda do último álbum. Com o público tomado vem uma linda versão estendida de "Romeo and Juliet", com os acordes da guitarra quase infinita de Mark Knopfler, "Private Investigations" e "Your Latest Trick", completam os hits , mas última que é uma das mais lindas criadas pela banda, poderia ter uma versão maior no show. Segue então mais duas faixas do novo álbum  a homônima "On Every Street" e "You and Your Friend". Reconquistando o publico com o mega hit "Money for Nothing" (parceria com o Sting do The Police) e fechando com a sensacional "Brothers in Arms". Então, pode se dizer a banda ao vivo chega a ser até melhor que no estúdio, pois eles fazem um ótimo trabalho ao vivo e entregam aquilo que os fãs esperam e muito mais. É bom dizer que o álbum ao vivo não foi duplo, mas simples, mas rendeu um EP no mesmo ano chamado Encores, com mais 4 faixas, "Your Latest Trick" (uma versão um pouco maior), The Bug", "Solid Rock" e "Local Hero (Wild Theme)" , uma música instrumental linda. Este álbum ficou em 4° no Reino Unido, 1° na França e Áustria e apenas...116 nos EUA. 


Live at the BBC (1995) - Terceiro álbum ao vivo do Dire Straits, lançado pela Vertigo Records internacionalmente, e Warner Bros. Records nos EUA. São compostas por gravações na rádio BBC, em 1978 e 1981. Tipo uma raridade de gravação. Segundo Mark Knopfler, foi lançado para fechar contrato, já que ele iria assumir definitivamente a carreira solo e o Dire Straits estava acabando naquele ano.  O que esperar de um material antigo gravado no início de carreira banda ? Em se falando em Dire Straits, tudo...não é material caça-níquel definitivamente. É algo de grande qualidade, pois mostra que a banda ao vivo (mesmo que gravado dentro de estúdio da BBC), é ótima. Seguindo a moda iniciada pelos Beatles, de lançar suas gravações e participações na BBC, este material aqui está muito bem coeso mostrando aquilo que se espera de uma banda...Clássicos como "Down to the Waterline", "Water of Love" e "Sultans of Swing", dão um tom de destaque a este show. E ainda "Tunnel of Love", gravada de outra sessão em 1981, tem uma introdução linda usando trechos de The Carousel Waltz" composta por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, talvez a melhor faixa do álbum e ainda um bonus interessante:  "What's the Matter Baby?", é uma faixa inédita matéria excluído dos primeiros álbuns, foi escrita em conjunto pelos irmãos Knopfler  David e Mark, bem interessante. Infelizmente, foi o último álbum lançado da banda (inédito mesmo só o On Every Street de 1991). Pouco depois deste lançamento Mark Knopfler anunciou o fim do Dire Straits :(

 

Conclusão: Dire Straits, surgiu em um momento em que o rock estava enfrentando uma mudança muito forte que influenciaria pra sempre o movimento da música pop, principalmente por causa do punk e da disco, dos movimentos de pós-punk, new wave, rock gótico, declínio do rock progressivo constante rivalidade dos artistas no período 70 e 80. Mas, eles chegaram com sua música simples, tocando um rock clássico básico, com elementos de blues e  country music, mas ao mesmo tempo, levando a uma pegada mais pop, com alguns elementos sutis de música acústica com eletrônica bem diluída. Os riffs de guitarra de Mark  Knopfler,  cativaram mais ainda e cada álbum mostraram que simplicidade e organização, não custa nada a ninguém e chegaram ao mainstream facilmente. É balada ou música lenta, romântica ou um pouco de hard rock, eles conseguiram conquistar um público fiel no mundo inteiro. Eu realmente amo esta banda, não superam The Beatles ou Pink Floyd, mas são muito melhores que o Led Zeppelin, por exemplo ou mesmo The Who e até os Rolling Stones. Uma pena que Mark Knopfler, tenha parado com a banda em 1995, para focar em sua carreira solo, na qual alias, não existe muita distinção. 


Nota para banda :  5 de 5

Nota para Composições: 5 de 5