sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Férias...finalmente , férias de verdade... PARTE 2 - Espírito Santo (1° e 2° dia)


Continuando as férias de 2026...


Dia 14/05 - quinta-feira - Vitória - ES - Parte da manhã



Vitória, Capital do Espírito Santo...por muitos anos, menosprezei estado e cidade...tipo, ninguém nunca lembra disto aqui no Brasil. Pra que este estado existe dentro do sudeste ao lado de gigantes como SP, MG e RJ ? Não é um estado tampão criado só pra impedir que Minas Gerais tenha seu mar ? Fiz um questionamento durante anos...mas comecei a mudar o pensamento, depois que comecei a ver vídeos e fotos de Vitória. Era algo que foi mudando e comecei a pesquisar muito...e vi que acho que tive um grande engano nesta vida...eu precisa ir lá pra comprovar que estava errado (alias, eu torcia). Com mais de 50 anos, conheci vários estados brasileiros, mas nunca tinha completado o Sudeste, minha região, faltava o Espirito Santo e sua capital. Rio, Sampa e BH eu já conhecia...então programei as férias para fazer esta viagem de trem de BH até Vitória e finalmente conhecer.


Quando você estuda Vitória, descobre que ela tem a 2º menor população do Brasil...pouco mais que 340 mil pessoas moram lá...e não é brincadeira pensar que cidades como Uberaba, onde cresci, tem 350 mil... O Estado do Espirito Santo, apesar de ficar no sudeste e estar do lado do rico e poderoso estado do Rio de Janeiro, tem 4,16 milhões de pessoas vivendo lá, sendo que o RJ, possui mais de 17 milhões, quase 4x mais...e ao contrário de outros estados do sudeste sul e até nordeste, nenhum  capixaba chegou a ocupar o cargo máximo do executivo federal, nunca teve Presidente do Brasil...Mas estamos falando de um estado nulo para o país, sustentado pelos outros grandes ? Não, definitivamente. O PIB do estado é apenas o 14º, sendo que representa 2 % para o país, em um momento que estados como Minas e Rio, representam negativamente...o IDH é o 10º do país..índice de violência, considerado baixo se comparado aos estados irmãos do sudeste onde PCC e Comando vermelho dominam...boa infraestrutura...porto movimentado...região de agronegócio e escoamento de minérios, royaltes do petróleo (maiores produtores de petróleo e gás do Brasil). Café de primeira qualidade (considerado um dos melhores do país). Mas por que será que nunca ouvíamos falar do Espírito Santo nos jornais ? Nem time de futebol de expressão nacional o estado tem. Muita gente lá torce para o Flamengo (Pra variar, assim como outros times do Rio, Minas Gerais e SP). Atrás destes enigmas que me fez ir atrás da verdade sobre o estado nestas férias. 



Primeiro dia, é um dia pra me alimentar bem no café da manhã do Hotel Alice Vitoria Arte, na Praça Getúlio Vargas, no centro da capital. Hotel três estrelas bom, bem localizado, tem muita coisa boa perto, recomendo pra quem não quer luxo, tem um café da manhã, que precisa ser reforçado para o dia dedicado a caminhadas...Esta Praça Getúlio Vargas, em frente ao hotel, é muito bem cuidada, limpa, com bancos e espreguiçadeiras onde as pessoas podem descansar, tem cafés do outro lado, tem um monumento dos 10 mandamentos de um lado, possivelmente feito por alguma igreja evangélica e uma grande estátua do Presidente Getúlio Vargas inteiro, olhando para o porto, com a famosa descrição de sua carta testamento. Em frente a praça cruza uma importante avenida, Marechal Mascarenhas de Morais (o comandante da FEB na II Guerra Mundial) e na frente fica a visão da baia e do porto de Vitória com vários navios do outro lado carregando e descarregando mercadoria...navios enormes. Alguns containers eram de carros novos para exportação, e logo ali do lado do porto, uma grande pedra maciça, o Penedo , também conhecido como o "Pão de Açúcar de Vitória"...O maciço do Penedo é uma emersão granítica de 135 metros, marco inconfundível da capital do Espírito Santo, localizado na parte continental, na região de Capuaba, em Vila Velha, na foz do rio Aribiri (não, o Penedo e Porto , não ficam fisicamente em Vitória). Penedo ao longo dos anos, sofreu violações, torres, correntes, cortes, mas depois da remoção de tudo isto, foi tombado e é hoje preservador, pois é um dos principais cartões postais da cidade, com direito a iluminação noturna, coisa linda de se ver...


Resolvi seguir na outra direção do hotel, neste outro lado, o limite são os morros que cercam a ilha onde fica Vitória. Pegando a Av.Princesa Isabel, em direção ao centro, logo vc passa por ruas onde existem diferentes estilos de habitações de diferentes épocas, e isto já agrada os olhos. Casarões antigos convivendo com a modernidade..alguns muito bem preservados e outros caindo aos pedaços. A primeira parada no primeiro quarteirão do hotel, é o Mercado do Capixaba, construído no ano de 1926, o local possui formas ecléticas e neoclássicas, tendo sido desenvolvido pelo arquiteto checo Joseph Pitilick para substituir o antigo mercado municipal. Com o tempo deixaram degradar...em 2002, um incêndio só deixou a faixada em pé...e após vários anos de restauração, o mesmo foi reaberto em 2024, após mais de 20 anos abandonado...surto minha visitar lá...lojas de artesanato, livrarias, cafeterias, bares, sorveterias e restaurantes, com um grande pátio interno que serve para artistas locais se apresentarem. Mau saí de lá e já dei de cara com uma das escadarias da cidade...existem várias espalhadas pelo centro...por ser uma cidade pequena construída em volta de morros, as construções foram seguindo as partes altas até onde deu pra encostar neles. Então para cessar uma rua mais a cima a pé, foram construído estas escadaria...algumas muito antigas, preservadas e históricas. 





Seguindo mais ao centro, chega-se a Praça Costa Pereira, bem arborizada, com árvores que parecem centenárias, em volta cheio de prédios antigos e históricos. No local onde hoje está localizada a praça havia uma pequena praia e próximo a esta uma igreja dedicada a Nossa Senhora da Conceição. A área sofreu inúmeros aterros e ficou conhecida como largo da Conceição, a igreja foi demolida durante a gestão de Muniz Freire para a construção do Teatro Melpômene. Com a construção do teatro o espaço ficou conhecido como largo do teatro, muitos anos se passaram até que o Largo fosse transformado pelo engenheiro Moacir Avidos em praça em 1926.O espaço sofreu inúmeras intervenções paisagísticas ao longo do tempo e é considerado um importante centro cultural da capital capixaba, pois em suas proximidades se encontram o Teatro Carlos Gomes e o Cine Teatro Glória. 




O Teatro Carlos Gomes é lindo. O mais antigo do Espírito Santo, abriu suas cortinas pela primeira vez em 5 de janeiro de 1927. A inauguração preencheu a lacuna deixada pelo Teatro Melpômene, demolido após um incêndio. Projetado pelo arquiteto italiano André Carloni, sua arquitetura de estilo neorrenascentista foi inspirada no Teatro Alla Scala, de Milão, na Itália. Fechado em 2018, o teatro reabriu suas portas em novembro de 2025, após dois anos de obras de restauro e readequação, passando por inúmeras melhorias, resgatando valores estéticos e históricos que contribuirão para perpetuar suas tradições e saberes. Cheguei a entrar lá dentro, um hall de entrada muito bonito, mas as visitas guiadas precisava de agendamento, então desisti.




Já o Teatro Gloria, possui arquitetura eclética. É interessante dizer que o Glória foi o primeiro edifício com mais de cinco andares em Vitória, sendo, portanto, um grande marco para a cidade. A casa de espetáculos foi construída no antigo Jardim Municipal, que era chamado de Éden Park, onde havia certo antigo cinema. Contudo, o local foi vendido e adquirido pela empresa Santos e Cia. por volta de 1926. O projeto do Glória foi feito pelo arquiteto Ricardo Wright. Durante toda a sua trajetória no cenário da cultura local, o edifício foi cinema e teatro. As demais dependências foram utilizadas por diversas empresas para fins comerciais como, por exemplo, hotel e escritórios da produção cafeeira. Hoje o imponente edifício é o Sesc Glória, um dos principais centros culturais do Espírito Santo. Inaugurado em 2014 pelo Sesc-ES, lá oferece teatro, cinema, biblioteca, exposições e cursos de arte com infraestrutura moderna. O grande problema era...estava em reformas, então sua imponência só deu pra ver do lado de fora...




Seguindo em volta da praça, descubro uma escadaria linda, de vários níveis que sobe até a Catedral Metropolitana. A Escadaria de São Diogo tem suas raízes históricas no antigo Forte São Diogo, que desempenhava um papel crucial na proteção da cidade de Vitória. Em 1942, uma nova escadaria foi construída e, com seu estilo eclético, mostrou maior imponência em relação ao desenho anterior característico do período colonial. Apesar de ser discreta na paisagem da cidade, ainda preserva a importante função de ligar a Cidade Baixa à Cidade Alta. Foi restaurada em 2019. Subindo ela, se chega a imponente Catedral Metropolitana.


Onde fica a atual Catedral, foi anteriormente outros templos católicos, a primeira igreja matriz de Vitória teria sido construída provavelmente ainda em 1550, na época da fundação da Vila de Nossa Senhora da Vitória. Lá é o marco zero da cidade. Em 1918 foi demolido e a nova catedral começou a ser construída em 1920 e foi concluída em 1970, em estilo neogótico. Toda branca e inspirado na Catedral de Colônia, na Alemanha. Lá dentro impressiona não só pelo tamanho, mas por seus vitrais... A luz filtrada pelos vidros multicoloridos, as ilustrações, o ambiente convidativo ao silêncio e à oração, são sinais do efeito provocado pelo seu uso. Eles conferem ao ambiente, tanto uma maior espiritualidade, quanto imponência. São atualmente 23 vitrais (21 em formato ogival e 2 medalhões), muitos com os nomes das famílias que doaram. Hora de fazer a primeira oração do dia. Pedi pela alma do meu irmão Wilson que faleceu em janeiro de 2026...uma perda até hoje dura de aguentar...


Saindo da catedral e anda nas imediações, vi lojas maçônicas e uma outra igreja bem interessante. Capela de Santa Luzia é um templo católico construído em 1537, a mais antiga de Vitória. Construída no século XVI sobre uma pedra como capela particular da fazenda de Duarte de Lemos, primeiro morador da ilha de Santo Antônio – atual cidade de Vitória. Durante o período de 1950 a 1970 sediou o Museu de Arte Sacra do Espírito Santo que foi transferido para o Museu Solar Monjardim, entre 1976 a 1994 funcionou como Galeria de Arte e Pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo. Anos depois, quando o Iphan voltou a assumir a gestão da capela, retornando para lá a coleção de arte sacra até a criação do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Com a conclusão das obras de 2019, a Arquidiocese de Vitória reassumirá a gestão da capela que retomará as celebrações religiosas, suspensas desde 1938. Desde então, o templo passou a ser o local designado para a celebração das Missas Tridentinas (missa em latim). Infelizmente a capela estava fechada... então não deu desta vez.



Seguindo mais em frente, acabei chegando em uma grande praça com vários prédios históricos cujo principal era o Palácio Anchieta. Mas antes, a Praça em questão é a José Clímaco. A área onde hoje é o estacionamento do Palácio Anchieta era, na verdade, o largo da Igreja São Tiago (Palácio Anchieta). Depois passou a se chamar largo Afonso Brás ou largo da Misericórdia, há 100 anos, por causa da Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, que foi construída no local onde está a antiga Assembleia Legislativa. Este prédio da antiga Assembleia chama muito atenção pela sua beleza arquitetônica, com cúpula e mini cúpula e o brasão da republica nele.  Palácio Domingos Martins foi construído como expressão do projeto modernizador empreendido na cidade durante a primeira metade do século XX. Algumas paredes e os alicerces da antiga igreja da Misericórdia, uma estrutura executada em pedra argamassada com espessura de aproximadamente um metro. Edificados sobre essa base, dois pavimentos se elevam, fechados por três fachadas dispostas sobre os limites do terreno e por uma face posicionada sobre a esquina. Essa, desenhada de maneira a receber a entrada principal ao interior do Palácio, é hierarquizada com a disposição de detalhes e a composição simétrica de elementos de arquitetura hierarquicamente dispostos sobre sua superfície semicircular. Atualmente após a transferência da Assembleia Legislativa pra outro lugar, virou  Sala de Concertos Domingos Martins e a sede da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (Ofes). Não deu pra ir lá, devido o tempo...







Ao lado do Palácio Domingos Jardins, está a  Biblioteca Municipal Adolpho Poli Monjardim conta com um acervo de mais de 20 mil obras, inaugurada em 1941. Também só tirei fotos externas...aquela praça ainda tem muitos palacetes antigos interessantes. Ali, ao lado do Palácio Anchieta, existe uma mini praça, 15 de Setembro com um monumento a imigração alemã na cidade, e uma grande estátua em cima de um pedestal (tendo um chafariz desativado ao fundo) em homenagem a Domingos José Martins. Quem foi ele ?  Líder da Revolução Pernambucana de 1817 capixaba, foi preso e fuzilado, posteriormente  foi homenageado pela Polícia Civil do Estado do Espírito Santo que o escolheu como patrono. Atrás dois palacetes muito antigos, um bastante acabado e é a sede tradicional do Instituto dos Advogados do Espírito Santo (IAES). Fundação: 05 de março de 1927. Se ainda serve algum propósito, poderia ter pelo menos ter um restauro melhor. Ao lado, tem outro palacete, só que bem melhor cuidado e com pintura nova, a sede da Academia de Letras Espírito-santense ( AEL ),  criada em 1921 com o objetivo de promover a pesquisa , a divulgação e o intercâmbio nacional e internacional da literatura do sul do Brasil .

E com tanto prédio e palacetes históricos, antes de chegar ao principal, deixa aqui meu desagravo, pois uma área tão histórica, deixou outros prédios de arquitetura mais nova e moderna, mas sem qualquer gosto arquitetônico serem construídos ao lado destes prédios históricos...são apenas espigões, muitos edificações de moradia de classe alta, que só serve para descaracterizar o centro, que deveria ter sido melhor preservado...



A saída do Palácio , se depara com suas laterais seguindo até a rua, na Praça Cecília Monteiro do lado direito do Palácio, existe uma escultura que parece uma estátua de tamanho inteiro de São Sebastião, mas na verdade é a estatua da mitologia grega Hermes, deus da velocidade e do comércio, Hermes protegia os viajantes, mágicos e adivinhos. E aquela estátua guarda uma história interessante...Esculpida em mármore de Carrara pelos artistas Pedro Gianordoli e Ferdinando Gianordoli em 1912, a peça integra o conjunto escultórico da escadaria Bárbara Monteiro Lindenberg, em frente a  Escola Maria Ortiz. Durante 67 anos foi testemunha silenciosa do tempo, até ser dada como desaparecida...Sim, acontece que em 1979, um galho de um flamboyant (que ainda existe) caiu sobre a peça durante uma tempestade e provocou danos estruturais. Então ela foi levada para ser arrumada e ..nunca mais voltou...por anos esteve como desaparecida. Como não havia um depósito municipal para guardá-la, a peça acabou sendo levada para a casa de um profissional que atuava na obra. A escultura foi encontrada em outubro de 2024, em uma residência em Vila Velha, após o pessoal fazer uma limpeza da área. A intenção inicial dos pesquisadores era levá-la até um laboratório para digitalização e reconstrução das partes danificadas com tecnologia de impressão 3D. No entanto, o transporte da peça exige cuidados especiais devido ao peso e à fragilidade do material. Este ano, 48 anos depois, a estátua volta para seu lugar, o pedestal que por anos ficou vazio no meio do nada...ao dar uma olhada nela de perto, se percebe que não restaram ela por inteiro, está sem os braços, e parte de baixo quebrada...mas voltou a seu local.


Segui em frente até mais uma importante praça de Vitória, o Parque Moscoso...sendo uma área protegida que pertence ao sistema nacional de unidades de conservação. Ela é gradeada...e andando ao redor, notei que lá dentro tinha um pessoal fumando maconha...mesmo com a guarda municipal por ai. Arrisquei entrar. Andei rápido por lá. Inaugurado em 1912, é o mais antigo parque municipal da cidade. Com, aproximadamente, 24 mil metros quadrados de área, é considerado um ambiente de tranquilidade em meio à correria do centro da metrópole. O nome Moscoso é uma homenagem ao presidente da província Henrique Moscoso. Possui um lago com peixes e duas ilhas, cortado por pontes e alamedas formadas por árvores típicas da Mata Atlântica. Cruzei ele, cheguei a ir no banheiro publico lá dentro. No parque existe a Concha acústica, um palco onde acontecem inúmeros espetáculos, tombada como patrimônio cultural pelo Conselho Estadual de Cultura. Tem chafarizes e estatuas, que pedem uma manutenção melhor. Crianças brincam ali...bem...posso dizer que poderia ser melhor cuidado.



Desci até a Av.Mascarenhas de Morais, pra voltar depois a região do Palácio Anchieta. E passei ao lado dos armazéns do cais do porto de Vitória. A história do Porto de Vitória remonta à expansão da cultura cafeeira na Província do Espírito Santo, na última parte do século 19. A partir de 1870, com a exportação de café em alta, a saturação operacional do Porto de Itapemirim provocou a transferência de embarques ao chamado Cais do Imperador. Já no século 20, foram iniciadas as obras para a implantação de instalações portuárias no novo local, culminando com a inauguração do Porto de Vitória, em 3 de novembro de 1940.A partir de 1957, o complexo portuário passou a ter nas exportações de minério de ferro sua principal atividade, acarretando um gradual desuso dos seus armazéns. Surge, assim, a possibilidade de restauração e adaptação desses espaços para finalidades culturais e educacionais, atendendo não só à demanda social por novos equipamentos de lazer na cidade, mas também ao processo de recuperação do centro antigo da capital capixaba. O conjunto de armazéns do Porto de Vitória possui localização privilegiada e está atualmente em processo de tombamento no âmbito estadual. Sua requalificação representa um avanço significativo para o desenvolvimento social e econômico da cidade, semelhante a outros projetos de revitalização existentes. No momento que passei ao lado, tudo estava fechado. Mas o aproveitamento destes antigo galpões para área cultura será de ótima importância não só para os cidadãos da cidade, mas também para os turistas que visitam Vitória.

Saindo dali, existe uma das escadarias bonitas de Vitória, a que liga a parte de baixo onde fica os armazéns do porto ao próprio Palácio Anchieta. A Escadaria Bárbara Lindenberg, um marco histórico que remonta ao século XVII, tem uma história rica e cheia de transformações que refletem a evolução da cidade ao longo dos anos. Originalmente conhecida como ladeira Padre Inácio, em homenagem a Santo Inácio de Loiola, fundador da Companhia de Jesus, esta via íngreme passou por várias mudanças de nome ao longo dos séculos. No século XIX, após a visita de Dom Pedro II ao Espírito Santo em 1860, a ladeira foi rebatizada como ladeira do Imperador, em honra ao monarca. Posteriormente, em 1883, foi transformada em uma majestosa escadaria, com seis ordens de degraus e planos calçados a paralelepípedos, iluminada por lampiões a gás.Durante o governo de Jerônimo Monteiro, a escadaria foi redesenhada e ganhou sua forma atual, sob a supervisão do engenheiro Justin Norbert. Decorada com quatro imponentes estátuas de mármore representando as estações do ano, além de uma estátua central de um adolescente sentado sobre um delfim estilizado, a escadaria tornou-se um verdadeiro ponto de referência na cidade. Apesar do recente nome Bárbara Lindenberg, em homenagem a uma figura local. Impressiona pela beleza e pelos níveis de andares, além das estátuas.








Antes de entrar no Palácio Anchieta, sede do poder executivo do estado, é importante primeiro saber sua história...que não é pouca. No ano de 1551 a recém criada Vila de nossa Senhora da Vitória sofre o início de grandes construções. Os padres da Companhia de Jesus, liderados pelo padre Afonso Brás, principiaram a construção do conjunto arquitetônico formado pela Igreja de São Tiago e pelo Colégio dos Jesuítas. A Casa de São Tiago, sob a forma de colégio e seminário, foi por mais de duzentos anos o farol da educação na província do Espírito Santo...catequizou índio, formou cidadão da colônia. Entre os personagens ilustres que passaram pelo complexo foi o padre José de Anchieta que, em 1587, ficou responsável por dirigir e concluir a primeira ala do Colégio de São Tiago de frente para a praça João Clímaco e a igreja de Nossa Senhora da Conceição . Hoje São José de Anchieta, já tinha destaque antes com um dos fundadores de S.Paulo e depois Rio de Janeiro, quando foi para o Espirito Santo para mais uma ação para os brasileiros da região. Faleceu lá mesmo em 1596 onde foi sepultado frente ao altar principal da antiga igreja de São Tiago, onde até hoje é possível visitar o túmulo simbólico, pois em 1610 os restos mortais foram removidos para Bahia.  Em 1757, com a expulsão dos jesuítas das colônias portuguesas os bens pertencentes aos clérigos, assim como o complexo jesuítico de São Tiago, foram incorporados ao patrimônio nacional. Após descaso, incêndio e abandono. Somente em 1798, dois anos após o incêndio, o prédio é recuperado e denominado Palácio do Governo...então após anos de restauros e descaracterizações, não havia mais igreja ou colégio, havia apenas um prédio grande administrativo. É daí que o Governador do estado toma posse e despacha.




A lateral em frente a Praça José Clímaco, tem um portão de entrada, e tinha um poster enorme de uma exposição gratuita lá dentro do Palácio Anchieta...  “Rembrandt – O mestre da luz e da sombra”, que traz ao Brasil 69 gravuras originais de Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606-1669), considerado um dos maiores artistas de todos os tempos. Rembrandt revolucionou a arte ao combinar uma técnica impecável com uma sensibilidade única para captar a psicologia e a humanidade de seus personagens, transformando cenas bíblicas, retratos e paisagens em narrativas vivas, cheias de emoção e profundidade. Seu domínio absoluto do claro-escuro, a ousadia de retratar emoções com realismo e sua confiança a ponto de assinar apenas pelo primeiro nome. Estas gravuras em preto e branco , não são grandes, mas são impressionantes vinda de um mestre, criado quase que com grafite. Junto a expo, existe salas interativas, sobre a história do famoso pinto. Valeu muito a pena ter conhecido. 








Ainda dentro do Palácio Anchieta, acabei entrando em alguns lugares históricos. Foi muito bem restaurado e deixou a mostra os antigos alicerces internos das construções originais. Os visitantes podem ver os altares laterais da antiga igreja de São Tiago, que foi construída no local no século XVI. Existe até internamente a antiga capela onde guardava o túmulo de São José de Anchieta, com os fossos das covas escavadas.






Retorno ainda pra Praça José Clímaco, pois nela própria ainda existe muitas coisas interessantes, e que apesar da importância dos lugares em volta, ela própria está bastante abandonada e mau cuidada. E ela em si, nem é grande. O problema que nos move a tratar desta praça é a constatação de sua invisibilidade como espaço público atualmente na Cidade Alta, sempre vazia, as vezes ocupada por moradores de rua. A denominação foi uma homenagem ao padre João Clímaco de Alvarenga Rangel (1799–1860), natural de Vitória, e que foi professor de filosofia, diretor do Liceu, deputado eleito em 1833, e advogado dos escravos na Insurreição do Queimado (1849). Criado originalmente como um jardim particular de palacete residencial, em 1896, quando o antigo palacete veio a se tornar a palácio da Presidência do Governo Federal, o jardim foi transformado em um exemplar do paisagismo romântico, então em moda no Rio de Janeiro. Contendo vários elementos românticos, tais como: caminhos sinuosos, um rio artificial coleante que percorre o jardim a partir da gruta em concreto imitando pedras, pontes de concreto imitando madeira e esculturas em bronze em todos os canteiros do jardim. Outros elementos artificiais ali encontrados são: coreto, fontes, imitações de pedras em concreto nas margens do rio, as pontes de concreto imitando madeira, e a utilização cênica da vegetação, entre outros. No caso da utilização cênica da vegetação, há que notar a aleia central que corta o jardim no trajeto entre a rua do Catete e a avenida Beira Mar. A aleia é de palmeiras imperiais, sendo coroada ao centro por um chafariz que tem em seu topo a escultura O nascimento da Vênus, obra de Mathurin Moreau, de 1896. Mas tudo deixou acabar...do coreto, tem uma plataforma enorme que não dá mais pra distinguir o que seria, eu mesmo pensei que fosse um antigo fosse de fonte... sua caverna está toda abandonada, parece casa de morador de rua agora. Nas laterais, existem dois buracos de cada lado, que dão pra caverna embaixo. Não sei a função. 




Ademais dos aspectos acima ressaltados e ilustrados, a praça João Clímaco contém duas esculturas. Uma representa uma jovem mulher, esculpida em mármore branco. Ela tem o braço esquerdo erguido segurando uma pequena tocha, e o braço direito segurando um triângulo. Não há placas identificando esta estátua feminina. A outra escultura representa um soldado, forjado em material metálico, sobre pedestal em alvenaria revestida em placas de mármore branco. Esta estátua constitui um monumento aos mortos durante a Segunda Guerra Mundial. No pedestal, há uma placa metálica com o nome dos combatentes capixabas mortos na II Guerra, homenageados por esse monumento. Apenas triste este abandono...





Após sair da praça do lado de baixo, segui pela rua Nestor Gomes, uma destas ruas estreitas antigas, com um monte de casas muito antigas e velhas...na passagem por ela pra voltar ao centro me deparo com outra escadaria importante, Escadaria Maria Ortiz. A história da escadaria começa em 10 de março de 1625, quando oito naus holandesas, comandadas pelo almirante Piet Heyn, aportaram na barra de Vitória. Os corsários tentaram chegar a parte alta da vila, através de uma estreita rampa, conhecida como ladeira do Pelourinho, mas foram surpreendidos por uma jovem, Maria Ortiz. Da janela do sobrado que morava, jogou sobre os invasores, água fervendo. A seguir, com um tição, ateou fogo numa das peças bélicas dos piratas e, assim, encorajou os demais moradores da ilha à luta e a expulsão dos invasores.




Retorno a Praça Costa Pereira, e bem ao lado ali na Av. Jerônimo Monteiro, ainda na Praça, existe a "Garapa da Cidade", inaugurado em 1957, ponto de encontro por gerações e por trabalhadores que só querem refrescar com um bom caldo de cana...que veio a calhar naquela hora de manhã. Segui retornando ao hotel sem antes passar no Mercado do Capixaba, fui lá almoçar, pois tinha alguns pratos bons e baratos em um restaurante. Depois finalmente segui pra o hotel pra descansar um pouco... Mais a tarde, subi no rooftop do hotel, onde tinha piscina (mas não usei) pra tirar fotos do alto , onde pude apreciar melhor a vista lá de cima. Hora de dar uma descansada, pois a tarde ainda prometia muita coisa.


 DIA 14/05 - parte da tarde


Ok, 14 horas é hora de sair... dei uma andada novamente na Praça Getúlio Vargas e pedi um Uber até a Praça do Papa. Oficialmente a praça chama Praça João Paulo II, motivo é obvio homenageia a histórica visita do Papa João Paulo II à capital capixaba em 19 de outubro de 1991, quando celebrou uma grandiosa missa campal no local. Ela é um dos principais cartões-postais e espaços de lazer de Vitória. Localizada no bairro Enseada do Suá, à beira-mar, oferece uma vista panorâmica privilegiada da Baía de Vitória, da Terceira Ponte e do Convento da Penha. Em volta, ao contrário do centro, existem prédios altos e modernos, a maioria comerciais. A região concentra também edifícios de classe alta. Na área central existe uma esfera grande de alumínio no meio de uma rosa de ventos indicado nas direções. Em volta desta praça, na verdade um grande parque a céu aberto, podemos ver uma cruz estilizada, onde ficou o palco do Papa no dia de sua visita e nas laterais ainda tempos perto o Espaço Baleia Jubarte, a estação das barcas, playground para as crianças, uma mini prainha, lugar de restaurantes e o o Espaço do Projeto Tamar de Vitória. Lugar muito 'instagramavel', por assim dizer.









Logo ali do lado, um dos motivos da minha visita a Vitória, conhecer o Cais da Artes, onde estava acontecendo a expo Amazônia, exposição de fotos de Sebastião Salgado com a trilha sonora exclusiva do ídolo, Jean Michel Jarre...queria ter visitado esta expo nas outras cidades brasileiras que ela esteve, no caso Rio de Janeiro, São Paulo e Belém, mas infelizmente não deu...agora era a ótima oportunidade. O Cais das Artes é um teatro e museu, em construção desde 2008(que ficou anos parado e só inaugurado no final de 2025), localizado em frente à baía da cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, no bairro nobre da Enseada do Suá. Consta com uma área de 30 000 metros quadrados, possuindo, apenas o seu museu, uma área aproximada de 3 000 metros quadrados. Trata-se de uma obra arquitetônica brutalista, com concreto, muito robusta. Foi categorizada pelo próprio autor do projeto como um monumental confronto entre natureza e construção, criado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha que faleceu na pandemia sem ter visto a obra ser inaugurada... No seu vão central aberto, dá de frente para o Morro do Convento da Penha e a baia de Vitória. Muito lindo...dá várias fotos ali. 




Subindo as escadas, sem me desprender da paisagem, você entra na Expo Amazônia...só que temos um porem...não se vende ingressos na hora, tudo é feito via agendamento...a boa notícia é que fiz lá na hora e deu pra entrar sem problemas...agora, o ingresso físico, chegou a ser emitido nos primeiros dias, infelizmente queria muito...mas, tudo bem, o importante era estar lá nesta exposição.  Só nas primeiras duas semanas, havia atraído mais de 12 mil pessoas.  Após passagens importantes por centros culturais internacionais, como Paris, Roma e Londres, e por cidades brasileiras. A exposição chega ao Espírito Santo mantendo o mesmo protagonismo que marca sua trajetória. Com curadoria de Lélia Wanick Salgado(viúva de Sebastião), “Amazônia” propõe uma imersão sensorial na floresta e nos modos de vida de seus povos originários, combinando fotografia, som e narrativa em uma experiência que dialoga com temas urgentes da atualidade, como preservação ambiental e diversidade cultural. E é claro, a música de Jean Michel Jarre, nos leva a imersão total na floresta. Dentro da expo, existem ainda duas salas de exibição de documentários, um sobre os índios e outro sobre a floresta e ainda existe uma sessão só em braile, pra as pessoas 'tocarem' as fotos. São mais de 200 fotos... Mas uma constatação...não tem folder pra levar, não tem ingresso, nada físico da expo, na lojinha, tem o livro da Tachem, posters e fotos, mas a trilha sonora lançada em CD pelo Jarre, é ignorada...uma pena.










Depois da expo, hora de seguir pela Enseada do Suá, cheguei a um lugar bonito contemplado por belezas naturais de um morro de pedra, gramado e pedras na frente da baia, estou falando da Praça Sônia Almeida do Valle, onde fica um morro de granito chamado Pedra do Analista, lugar ótimo para contemplar a baia, tirar fotos da ponte Terceira, fazer piquenique e relaxar...espaço bem bacana. Segui mais a frente passando pela pequena Praia do Meio, com ciclovia e um caminho de pedestre para caminhadas...vc passa debaixo da ponte Terceira e continuando do outro lado chega ao Pier da Enseada do Suá. Em um destes píer (são dois), vc pode tirar mais fotos, principalmente no por do sol e curtir a paisagem, muita gente vai lá fazer isto...







Bom, anoitecendo, mas antes de retornar pro hotel, naquele dia, tão intenso, ao lado do Pier, existe o Shopping Vitória. Fundado em 1993, é um shopping Center amplo com redes de lojas famosas, um cinema e diversas opções gastronômicas casuais. Fui lá comer e comprar uma blusa pra mãezinha. Abastecido...hora de retornar pra o hotel.


Aguardem terceira e última parte...

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