quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Lançamento do single "Call Me" completa 40 anos



A história de “Call Me” um dos maiores sucessos do Blondie.



Corria o ano de 1980, o início de uma nova década que parecia ser bastante promissora.  A cultura pop estava muito alta, seja na moda, no cinema ou na música. O cineasta Paul Schrader, queria levar as telas uma estória ousada de um 'profissional do sexo' masculino,  em um mundo elitista que satisfazia mulheres ricas. Tema considerado ainda um verdadeiro tabu nesta época.  O filme foi classificado com neo-nair e drama criminal. A Paramount, relutante no início, deu sinal verde a produção de Gigolô Americano (American Gigolo)  na qual Schrader assumiu como diretor e roteirista com produção de Jerry Bruckheimer, produtor que ainda faria seu nome em filmes blockbusters alguns anos depois.  A Paramount, resolveu apostar alto no filme, convidou atores jovens e bonitos para a produção, o iniciante Richard Gere e a modelo Lauren Hutton.  O produtor Bruckheimer, chamou o tarimbado produtor musical italiano Giorgio Moroder para criar a trilha sonora.



Moroder, obviamente aceitou a proposta, e convidou a banda Blondie, para tocar o tema principal, que seria a abertura do filme.  Nascia assim, "Call Me", um dos singles de maior sucesso da banda e dos anos 80,  primeiro lugar nas paradas nos EUA, no Reino Unido e em boa parte do mundo...mas como surgiu este clássico ?

Conta-se que o produtor Giorgio Moroder, tinha outra ideia para cantora da canção, que não era inicialmente Debbie Harry, vocalista do Blondie, mas Stevie Nicks, do Fleetwood Mac, outra banda famosa neste período. Moroder fez o convite a Nicks para ajudar na composição e cantar na faixa, mas ela recusou, pois o contrato dela com a gravadora Modern Records, impedia trabalhos com Moroder. O Blondie só surgiu no caminho de Moroder, pois era a única disponível que não estava em gravação de novo álbum.


Nos primeiros encontros com Debbie Harry e a banda, Moroder mostrou uma música instrumental que ele tinha composto chamada "Man Machine", e pediu para Debbie compor a letra e a melodia da canção. Processo que ela conseguiu fazer em poucas horas. A letra foi escrita na perspectiva do personagem de Richard Gere, o 'prostituto masculino'. Debbie disse que as letras foram inspiradas por suas impressões visuais ao assistir ao filme e que "Quando eu estava escrevendo, imaginei a cena de abertura, dirigindo na costa da Califórnia".

Junto a produção musical e auxiliando Moroder, estava seu fiel escudeiro, o músico alemão Harold Faltermeyer. Em entrevista ao Red Bull Music por volta de 2014, revelou que a gravação de "Call Me" não foi as mil maravilhas em termos de produção.

" Nós fizemos essa música com o Blondie. Jerry Bruckheimer solicitou uma música e Giorgio escreveu a música, e como sempre acontece nos filmes, você precisa de um artista e de onde obtê-lo? Você não pode simplesmente pegar carona com um artista qualquer, você só precisa de alguém. O problema é que a maioria deles estavam no trabalho de seu próprio álbum ou está em turnê ou simplesmente não estavam disponíveis. Portanto, é bastante difícil conseguir o artista que você deseja fazer uma música para um filme. A menos que você lhes pague uma fortuna, então você ganha todo mundo. O Blondie estava no meio de um álbum, mas eles acharam que seria uma boa ideia fazer uma música especialmente para um filme, porque eu sei que Debbie gostava de Richard Gere."

Faltermeyer continua:

"Blondie se comprometeu(a gravar)  e então fomos para Nova York. Primeiro de tudo, fizemos uma, o que eu chamo de grade, porque essa música foi usada no filme também bloqueada na imagem. Gravamos uma primeira sessão e a levamos de volta a Nova York, que não foi muito apreciada pelo grupo porque eles pensavam que podiam tocar tudo sozinhos. Giorgio sempre foi um cara que não quer passar horas e horas no estúdio. Tudo tinha que ser rápido e isso bastava. Você sabe como são os grupos de rock 'n' roll, eles passam tempo e tempo, depois fumam maconha e depois fazem uma pausa. E então eles vão ... pensar... Fazem uma pausa para relaxar novamente e voltar a gravar. Portanto, percebi imediatamente que aquele não era o mundo de Giorgio. Em Nova York, finalmente os convencemos a usar nossa trilha, porque poderíamos, é claro, justificar porque precisávamos dessa grade porque era para o filme e tínhamos que fazê-lo. Com uma música de filme, é sempre uma questão de fazer as coisas rapidamente e de não passar um ano com o grupo em um álbum. Blondie estava gravando sua voz em Nova York e o Sr. [Chris] Stein estava gravando sua guitarra. E eu estava criando na época, então lembro que a guitarra de Chris, acho que era o seu primeiro nome, sempre que ele tocava era como barulho. E quando ele parou de tocar, ele imediatamente cortou o volume. Eu disse: “Chris, o que você está fazendo aqui? Isso soa uma merda. ”Ele disse:“ Tudo bem quando eu tocar, isto será bom. ”“ Você poderia deixar o volume aberto por um tempo enquanto não está tocando? ”“ Não. Não. Não. Não. Não posso. ”Finalmente, consegui que ele mantivesse o volume aberto e você não pode acreditar no que ouvi. Era como um silvo, zumbido, problemas no chão e tudo em sua guitarra, e quando ele apenas tocou a corda, de alguma forma estava tudo bem, mas, é claro, era inaceitável gravar. Então tivemos que passar um dia na configuração do amplificador e nas guitarras dele e acertar as bases e tudo para fazer uma gravação decente."

"Eu sabia que estavam na moda em Nova Iorque naquele período. Mas gravar com o Blondie foi um pouco demais. Quero dizer, estou interessado em tudo o que há de novo, mas se são apenas problemas técnicos e isto realmente não soou, foi terrível. Conseguimos que eles fizessem a gravação e depois conversei com o tecladista. Eu disse: “Sim, tenho outra ideia para isso e aquilo.” E então tentamos gravá-lo. Não conseguimos sincronizar essas coisas e Giorgio disse: "Ok, pessoal. É isso". Voltamos para Los Angeles. Mas a banda nos disse: ""Bem, o disco ainda não terminou."" Respondemos que iriamos terminar em Los Angeles. Então pegamos as fitas de volta e terminamos, e tivemos uma discussão bastante séria com a banda porque eu toquei a parte solo da música, o que, é claro, de alguma maneira eu a entendo. O tecladista gostaria de tocá-la e ele realmente não gostou do que eu fiz, mas, de qualquer forma, a coisa acabou e foi um grande sucesso. Foi um dos maiores sucessos de Giorgio, e isso é toda a história."

Giorgio Moroder, quando entrevistado pelo Red Bull Music Academy, alguns dias depois , também fez revelações sobre "Call Me". Moroder disse que o projeto começou quando ele foi convidado pelo produtor de cinema Jerry Bruckheimer, para o filme 'Gigolo Americano' (American Gigolo) e pediu pra ele:  "Eu preciso de algo realmente dirigido, algo meio rock, mas ainda pop, para a cena de abertura do filme quando ele, o gigolô, Richard Gere, dirige para a cidade pronto para conquistar Hollywood". Segundo Moroder, a banda Blondie foi a primeira escolha e não poderia haver mais ninguém pra cantar, pois a imagem da banda era muito boa naquele momento: "Eles eram o grupo do quadril naquela época. E então eu dei a música para Deborah, e ela criou esse grande título, 'Call Me'. Então gravamos a música, com a banda em NY, eu acho nos estúdios da Electric Lady."

Moroder continua sobre a gravação: " E foi bem interessante, porque eu sempre trabalhava com músicos, certo? Músicos profissionais. Eles eram todos grandes músicos, mas, você sabe, ainda é um grupo. Então, das coisas que eu lembro. O baterista(Clem Burke), um ótimo baterista, mas se pudesse, teria feito um preenchimento a cada duas barras. Então ele era assim [imita a bateria]. Então eu disse:"OK, eu sei que você é um ótimo baterista, mas você pode fazer isso a cada oito compassos? Possivelmente a cada 16? ”“ Não, mas tem que ...! ”Então tivemos uma briga, uma luta criativa, e ele ainda estava tocando bateria. E agora você ouve. Está bem. Ele fez bem. O único problema então, nós gravamos aqui Nova Iorque, eu levei de volta para Los Angeles e adicionamos o solo. E eles não gostaram. Eles disseram: "Por que você não voltou aqui e eu poderia ter feito isso?" E falei : "Olha, nós tínhamos um prazo. Tinha que ser feito. ”E nós fizemos. E soou bem. Mas um dos problemas de grupos, como o Blondie, foi que  eles nunca quiseram tocar a música. Para o Blondie, a música deles era, por exemplo, o que eles tinham, era essa a música deles. Essa música realmente não se encaixava na imagem deles, certo? Então eles realmente não gostaram de tocar."


Debbie Harry e Chris Stein, também entrevistados para o Red Bull Academy, também deram suas versões ao fato. Seria verdade que eles não ficaram felizes em compor e tocar "Call Me" como Moroder havia falado dias antes ?

Debbie explicou: "Ah não. Nosso tecladista (Jimmy Destri) recusou-se a tocá-la, porque substituiu seu papel. Ele ficou muito insultado por isso."

Chris Stein: " Sim, quero dizer, Giorgio era Giorgio. Era Giorgio e ele tinha dois caras, um era engenheiro e o outro era guitarrista e tecladista, e tenho certeza que eles substituíram várias partes de nossas partes. Podemos ter inventado e influenciado as partes, mas acho que elas foram refinadas por alguns desses caras. Clem está definitivamente lá, com certeza. Além disso, não posso ter certeza, porque apenas trabalhamos com ele muito rapidamente, desenvolvemos uma versão da coisa e, em seguida, ele disse que estava bem e, na próxima coisa, sabemos que ouvimos o produto final. Eu sei que é o pessoal do sintetizador dele, é o som padrão dele."



Fonte: Red Bull Academy


quinta-feira, 14 de novembro de 2019

BLONDIE NO BRASIL - POPLOAD FESTIVAL (SÃO PAULO) 15/11/2018 - EU ESTAVA LÁ!!!




A notícia que o Blondie viria ao Brasil em 15 de novembro no Popload Festival-2018, foi algo que eu e a maioria dos fãs já não mais esperavamos. Foram anos de tentativas pra trazê-los.  Eu mesmo já havia conversado com vários produtores, fizemos vários abaixo-assinados, tentamos chamar a atenção da mídia para a banda, mas tudo foi um tiro no escuro. Então, qual foi a surpresa em Março de 2018, quando o jornalista de rock, Lúcio Ribeiro, anunciou os artistas que fariam parte do Popload Festival em 15 de novembro de 2018, no Memorial da América Latina...Entre as surpresas estava o  Blondie no line-up oficial ...então começou para nós, fãs (e pra mim em especial), 6 meses de angustia e preparação para a vinda da banda ao país.

Enfrentando a fila no Cine Joia, Liberdade pra comprar ingresso - Março/2018

Uma das primeiras providências da minha parte, e mais obvia de todas, foi ir atrás do ingresso. Por meio do site de vendas, a única possibilidade de compra era através de cartão de credito. Com duas opções de escolha:  Pista Comum ou Pista Premium  (bem mais cara), somando-se a isto uma taxa de conveniência que aumentava o ingresso ainda mais(um abuso). Logo descobri que o ingresso poderia ser comprado sem a taxa, diretamente nas bilheterias do Cine Joia, na Liberdade...fui pra lá então no mesmo dia, atrás do ingresso após um exaustivo dia de trabalho, e lá chegando tive que  enfrentar um começo de fila de 8 pessoas. Finalmente o ingresso estava na mão após 30 minutos de espera....Comprei logo a Pista Premium, para ficar mais perto do Blondie... e lá se foram R$ 700,00 (tirando mais R$ 100,00 de consumo interno).

Ingresso na mão....não acredito...depois de 40 anos de espera!!!

Nesta longa espera de 6 meses, as coisas para o meu lado não ficaram boas...em junho, operei de hérnia inguinal bilateral, em setembro o pior baque, estava após 16 anos de serviço, direto no olho da rua e para piorar, minha tia-avó faleceu após um acidente, sem contar com problemas de doenças na família. Um ano bastante difícil somando ainda as angústias de arrumar um novo emprego...



Pulseira e Poster, chegaram uma semana antes do show.

Os meses iam passando, a ansiedade também. Já tínhamos uma comunidade de fãs do Blondie no Facebook(criada pela amiga baiana Maily Guimarães), que por sua vez, era oriunda de outra comunidade mais antiga, do Orkut (criada pela outra amiga, a paraense Juliana Camargo), que também era oriunda de meu grupo pioneiro de fãs do Blondie que existe desde 2000, de uma lista de discussão no Yahoo Grupos(minha criação). Com a certeza da vinda da banda, surpreendentemente, a comunidade cresceu quase 4 vezes, passando dos seus 120 membros para mais de 400 !!!  Foi quando tive a ideia de criar em agosto daquele ano, o primeiro grupo de What's up, que chegou a ter quase 50 membros ativos, se preparando para o grande show em Novembro.


Tive uma ideia bacana de usar balões em formato de coração para agitarmos na hora do clássico "Heart of Glass", a ideia original era usar balões a gás, mas eles eram proibidos de entrar no festival, então optei por levar balões comuns no formato de coração para distribuí-los no dia. Comprei um pacote com estes balões na região da rua 25 de Março em agosto e guardei até o dia do festival.

Na comunidade surgiu a ideia de irmos uniformizados com uma camiseta especial do grupo, eu achei a ideia interessante, mas lembrei que a Debbie como ícone da moda, odeia padronização e seria mais interessante cada um, fazer sua própria camiseta para o show. Eu já tinha em mente, o que iria usar no dia...

Os meses estavam passando e o show já era questão apenas de dias. Uma das preocupações dos fãs seria com relação ao horário, Blondie não seria o headline do show, mas sim, a cantora neozelandesa Lorde que com certeza iria fechar o show, então ficamos na expectativa que a banda se apresentasse antes dela, como foi o caso da P.J. Harvey, no Popload 2017 no mesmo lugar. O problema, foi que no caso da P.J., o show foi programado para as 18:20 horário de verão, e naquele dia, muito quente, muitos artistas reclamaram do calor (sem contar, os fãs), então conseguimos através de posts na comunidade do Popload que o show do Blondie ou fosse o último, ou fosse mais tarde. Por fim, duas semanas antes do show,  foi anunciado que eles iriam tocar a partir das 19:20 (com horário do verão). Só faltava saber se teriam tempo de tocar todo o repertório da turnê estimado entre 15 a 16 músicas. Infelizmente anunciaram posteriormente que entre os shows das bandas convidadas, em um palco secundário iriam ter artistas que se revezariam enquanto as atrações principais não começavam, com horários 5 minutos antes e depois das bandas principais. Isto fazia o setlist completo do Blondie ficar comprometido....

Divulgação do horário...Blondie tinha que fechar, né ?


Faltando uma semana, a banda cancelou a ida ao Chile, jogando um balde de água fria nos fãs do Brasil, já que as informações sobre a vinda da banda pra cá, ainda estavam desencontradas, mas o pessoal do Popload Festival, confirmou no mesmo dia, que a vinda deles estava confirmada, independente de ter ou não o show no Chile. Também estava confirmado o show dois dias depois em Buenos Aires. Menos mau, mas quando seria exatamente que a banda iria chegar ao país ? Sem o show no Chile dia 10/11 sábado, a expectativa era que a banda viria daquele país para o Brasil já no domingo dia 11/11, e com seu cancelamento, os fãs deduziram que eles passariam a vir na véspera do show, possivelmente no dia 14/11. Angústia e suposições...

Qual foi a surpresa geral dos fãs que no dia 12/11, segunda-feira, ao ler as mensagens do grupo no What's up, enquanto estava me preparando para um curso de informática na Paulista, descobrir que o produtor de vídeo da banda, Rob Roth, postara fotos da Debbie no Shopping Center Cidade de S.Paulo, na Av.Paulista.  Isto foi uma tremenda loucura, pois estava a poucos metros daquele lugar, mas não poderia sair da aula.  Debbie estava dando autógrafos, pra quem a  reconhecia.  O coração já havia disparado e a  vontade de ir pra lá aumentou(era só atravessar a avenida).  Nas fotos foram tiradas na parte da tarde, era possível que ela tenha chegado na parte da manhã. Posteriormente Mr.Roth, muito gente fina,  informou o nome do hotel na qual eles estavam hospedados, o Renaissance São Paulo Hotel, na própria região da Av.Paulista.

Debbie chega escoltada junto com Matt ...sem chance de aproximação


No dia 13/11, terça-feira,  resolvi seguir em direção ao Hotel Renaissance, na tentativa de conseguir ver alguém da banda. Era por volta das 13:30 quando cheguei no hotel e adentrei no saguão e fiquei esperando sentado. Algum tempo depois, reparei em um cara que tinha acabado de entrar, era o Leigh Foxx, baixista da banda, veterano que tocava com a Debbie desde a época da carreira solo dela no final dos anos 80. Fui rapidamente falar com ele, me apresentando. Ele foi legal comigo. Foi uma conversa rápida, e logo depois também vi o tecladista Matt Katz-Bohen, outro que me deu uma boa atenção. Perguntei pra ele se o Chris Stein, guitarrista fundador do Blondie iria tocar na quinta-feira,  Matt infelizmente deu a notícia que Chris não viria ao Brasil (depois confirmado pelo próprio, motivado por problemas de saúde, fazendo o ficar fora dos últimos 5 shows da banda naquele ano). Debbie então entrou rápida, escoltada por um segurança mau encarado, ela passou direto, sem tempo de falar com ninguém...fiquei um pouco frustrado, mas não era realmente o dia certo. Ela estava de tênis, usando uma calça de ginástica, camiseta e boné, parecia uma turista americana normal. Me despedi do Matt e do Foxx, pedi para eles darem o máximo no show do Brasil( Break legs, guys!). Satisfeito, segui para o Conjunto Nacional, que ficava a um quarteirão. Fiquei pouco tempo lá, e tive uma surpresa  ao sair... quem eu vejo entrado lá? Novamente o Leigh Foxx, ele me reconheceu e pedi pra tirar uma Self com ele, prontamente atendido. Pena não ter tirado uma com o Matt. Mas o dia estava ganho !!! Não me frustrei por não ter me encontrado com a Debbie Harry, em 2012, eu já havia realizado meu sonho (vide meu post sobre aquele dia).

Eu e Leigh Foxx, baixista do Blondie


O SEGUNDO ENCONTRO

No dia 14/11, uma grande surpresa. Tinha médico por volta das 13:30, só que o mesmo acabou sendo cancelado, e como já estava lá na Região da Paulista, resolvi seguir novamente para o Conjunto Nacional. Estava lendo as mensagens no What's up, quando descobri que dois fãs , o Jean Paulo e o Lou., estavam na porta do Hotel Renaissance, tentando ver a Debbie, que naquele momento havia entrado sem querer nenhum contato com os fãs. Naquele dia, as notícias eram que a Debbie não estava muito disposta de dar atenção aos fãs aqui no Brasil, e assim começaram a surgir comentários desagradáveis sobre ela. Resolvi dar uma força para os amigos, e como já estava ali perto, a um quarteirão do hotel, sai da Livraria Cultura e fui direto pra lá, entrando  no lobby e achando os dois fãs, que estavam acompanhados do produtor Rob Roth. Fui apresentado ao Rob, ele foi muito legal com a gente. Disse até que aquela era a segunda vez que vinha pra S.Paulo e que adorava a cidade. Rob deu uma força pra gente, pelo celular, pediu pra Debbie descer pra cumprimentar a gente (na verdade, apenas o Jean e o Lou, eu realmente estava de gaiato ali), resolvi então esperar para ver o que iria acontecer. Jean trouxe algumas lembranças para a banda, como bonequinhos personalizados dos integrantes do Blondie.  E todos ali estavam com livros, DVDs, fotos, LPs para serem autografados. O segurança mau encarado da Debbie, foi avisado antes pelo Rob, que ela nos encontraria sem problemas, e ele ficou na dele. O segurança da Debbie parece aqueles caras mau encarados da máfia italiana.


Nós, estávamos nos preparando para a chegada da Debbie, como estava de gaiato e já havia me encontrado em 2012 com ela, me ofereci para filmar e fotografar aquele momento enquanto o encontro com os fãs acontecia. Passados alguns minutos,  Debbie surgiu lá no fundo, saindo do elevador e caminhando em nossa direção, com seus cabelos loiros soltos, quase brancos, sem maquiagem, com calça de ginastica preta e uma camiseta azul-escura, com um desenho de uma costela de caveira amarela, da última turnê do GARBAGE, banda que fez uma excursão conjunta com o Blondie um ano antes, e que também tive o privilégio de assistir ao vivo uns dois anos antes.  Debbie, foi muito atenciosa, chegou, abraçou e beijou os fãs (prontamente registrado por mim e esperando silenciosamente a minha vez).  Logo os fãs pediram pra ela autografar seus pertences, o Jean , havia feito uma tatuagem da Debbie no dia anterior, e pediu pra ela autografar a mesma (horas depois, ele imortalizou no braço o autografo da Debbie, embaixo do desenho dela...sensacional). Ele levou também o livro nacional "Vidas Paralelas"(biografia não autorizada do Blondie que foi lançado no Brasil recentemente), que ela autografou  e  o Lou levou um DVD lançado apenas nas Lojas Americanas , um bootleg brasileiro, na qual a própria Debbie ficou surpresa ao ver, achando um pouco de graça. Neste momento que eu fazia os registro fotográficos, chegou uma moça por trás, que viu toda a movimentação e perguntou para mim se aquela pessoa ali dando autografo  era alguma famosa, eu respondi que era a Debbie Harry do Blondie, e ela respondeu depois "ah, sei, tá, não conheço", pouco depois saiu de fininho...Será que se eu anunciasse que era a Madonna era ficaria mais contente ???

Debbie ao lado de Rob, autografando para os fãs Lou e Jean

Então, na hora que todos tiveram suas coisas autografadas, foi minha vez de ir cumprimentar a Debbie, ela foi bem atenciosa comigo, deu bejinhos(sim, beijei a Debbie Harry !) e falei que era aquele rapaz na qual em 2012 havia abordado ela junto com um amigo, e perguntado quando ela traria o Blondie ao Brasil. Naquela ocasião ela havia falado que "lutaria pra trazer a banda pra cá". E naquele hora eu agradeci bastante por aquele momento ter chegado, ela gostou , pelo menos parecia que tinha me reconhecido. Pouco depois, pedi um self com ela, no meu celular, pra deixar registrado. Infelizmente,não levei nada pra autografar, pois nem passava na cabeça que aquilo aconteceria naquele dia. Queria ficar mais com ela, fazer perguntas, mas recebi uma ligação de celular de casa, pedindo meu retorno imediato, e tive que me despedir e ir embora...agora era só esperar o show com o coração a mil !!! Mas naquele momento, o dia já estava ganho. Pois pela segunda vez na vida, me encontrei com a Debbie. A self não ficou lá estas coisas, esqueci de tirar os óculos ou sorrir, mas ela fez a parte dela, muito bem. Quem sabe não nos encontraremos em um futuro próximo ?

Sem palavras neste meu segundo encontro...
O DIA

Dia 15/11, depois de 6 meses de espera,o dia mais aguardado para mim e para os fã brasileiros do Blondie naquele ano turbulento, havia chegado. O Popload Festival iria começar ao meio-dia, mas só estava interessado em ver o Blondie, agendado para a noite, então não liguei muito para a questão da hora. Tive compromissos na parte da manhã, mas 12:30 já estava em casa, almocei, e por volta das 13:30 fui tomar meu banho e me preparar fisicamente para o show da vida. A camiseta eu tinha duas opções, uma que comprei, prometendo só usar quando o Blondie viesse e outra similar, que veio de brinde quando comprei o livro "Vidas Paralelas". Apesar de já ter usado a mesma a uns anos atrás ela estava bem guardada e conservada. Preferi usar esta do livro, botei um broche do single "Heart of Glass", no boné do CBGB's que havia comprado na 'Galeria do Rock', arrumei minha mochila, coloquei os balões em formatos de coração para serem distribuídos para a galera (eram proibidos), máquina fotográfica, a pulseira de acesso ao Popload e parti para o festival as 14:40.  Metrô Conceição ao Metrô Barra Funda...Vamos que vamos...


Camelôs tinha camisetas interessantes...melhores que as da loja oficial do festival

Primeira amiga que encontrei, Raquel Silva


Ao descer na Estação Barra Funda, já escutava ao fundo as músicas que vinham do Festival que ficava ao lado do Metrô. No caminho, comprei uma capa de chuva, já que aquele dia estava bastante instável, havia caído uma chuva forte por volta do horário do almoço e parecia que ela voltaria a qualquer hora. Chegando ao Memorial da América Latina e me dirigindo a entrada da Pistas Premium, vi vários camelôs vendendo camisetas do Blondie (e de outras bandas), estava com a grana contada. Passei o primeiro bloqueio logo após a catraca de entrada, passei pela  revista dos seguranças, abri o mochila, mas o segurança não viu nada suspeito, ganhei um guia do festival e fui caminhando até o local reservado a Pista Premium...No caminho comecei a me encontrar com vários fãs que só conhecia das comunidades do Blondie no Brasil, a primeira foi a Raquel Silva, depois perto do palco foi a vez da Demi Simões e mais a frente me encontrei com o resto da galera, Maily Guimarães, Davi Hughes, Josh e logo depois o meu amigo grego Yannis, junto com outros amigos de fora, John Labrow (Reino Unido) e outro amigo escocês. Estes gringos são pessoas que viajam o mundo para ver o Blondie onde quer que ocorra. Incrível. Só o amigo Yannis, era a 100 vez que via a banda ao vivo(e eu no meu primeiro show...). Fui lá pegar um copão de cerveja (a Cervejaria Haineken patrocinava o festival) pra juntar a galera, e depois fui dar um rolê na área e achar outros fãs por ali. A medida que fui me encontrando com eles, fui passando as bexigas em formato de coração e explicando que deveriam ser usadas na hora de 'Heart of Glass', para todo mundo agitar. Uma pena não ter visto todo mundo, já que havia as divisões da plateia e também porque muitos queriam estar na grade. Rapidamente avistei o amigo Marcelo que esteve comigo quando encontramos a Debbie em 2012. E para ele, era o terceiro show que via, já que estava no grupo de brasileiros que foram ao Persona Fest de 2004 em Buenos Aires na Argentina e no Pepsi Festival em Santiago do Chile em 2009.



Grande Marcelo, espremido ali na fila do gargarejo. Terceiro show dele.

 Vi muitos famosos por ali, mas só me aproximei de dois que valeriam a pena, um deles o Fábio "Reverendo" Massari, ex-VJ da MTV, uma verdadeira enciclopédia do rock. Ele é fanático pelo Blondie, mas nunca teve a chance de entrevistar a Debbie (sonho dele) nestes anos todos, e me confessou que viu ela uma vez, cantando com o Jazz Passangers por volta de 1996, e estava louco pra ver o show do Brasil. Passei uma bexiga pra ele e tirei uma self legal. O outro foi o André Forastieri, que conversei rapidamente, especializado em cultura pop (foi editor da revista HERÓI) , também escreveu para as revistas SET e BIZZ, além de apresentar na Band, um programa de shows de rock, no final dos anos 80. Também estava lá pra ver tendências musicais novas, mas principalmente pelo Blondie. 

Com o "Reverendo" Fábio Massari

O pior, foi um fake news, que agitou os fãs, algumas horas antes. Logo que cheguei,  a banda AT THE DRIVE IN, havia terminado a apresentação, e no meio da galera, encontrei o jornalista e amigo, José Norberto Flesch. Ele havia me alertado que o Blondie seria a próxima banda, pois havia uma mudança não programada na escalação. O motivo teria sido a apresentação da banda seguinte, o DEATH CAB FOR THE CUTIES. Isto provocou um certo reboliço, pois a promotora do festival entrou no palco logo em seguida, falando que esta banda talvez não tocasse, eles estevam no camarim, e o vocalista da banda havia se acidentado. Passei o alerta para os fãs do Blondie, que ficaram muito agitados, já que alguns não haviam chegado ainda e foi meio que um desespero. Mas no final, o DEATH, entrou assim mesmo com o vocalista em uma cadeira de rodas, e tocou o show inteiro desta forma até o final. Minha amiga Demi Simões, havia me tranquilizado, falando que o Blondie não havia saído do hotel ainda, então eles não poderiam tocar antes do programado. Deni Simões tem um primo que foi motorista da banda neste dia e passava as informações pra ela.



As "Fake News" que quase jogaram água no nosso Chopp...sem graça !!!


Reencontrei o grupo com Maily, David, Josh e os gringos e logo depois do fim da apresentação do MGMT, partimos para ficarmos mais no meio, antes que os fãs da Lorde, invadissem ali de vez. Por volta da 19 horas (horário de verão), o sol, já começava a baixar, as nuvens de chuva começavam a se juntar novamente e me precavi, colocando a minha capa de chuva e me preparando para o show de corpo e alma. Os roadies  do Blondie, já estavam no palco, verificando os instrumentos e preparando para o show. 15 minutos depois já dava pra ver, bem escondido no fundo, os artistas se preparando para entrar. Primeiro o Tommy Kessler, depois o Matt.

Nós...os fãs...com gente do Brasil, Escócia... Inglaterra...Grécia...

Eu e a amiga Deni Simões (cujo primo foi chofer do Blondie no Brasil)


O SHOW

Então as 19:28, as luzes do palco foram apagadas, e pouco depois o  telão foi ligado com uma imagem parecendo de uma TV fora do ar, com um barulho do que parecia ser um enxame de abelhas...era a Introdução... o show havia começado! Minutos depois, com todos os músicos no palco,  a bateria de Clem Burke, começou a bater sem parar e os primeiros acordes anunciava..."One Way or Another" . Debbie foi a última a entrar no palco, vestindo uma saia laranja e uma capa branca estilizada com os dizeres : "Stop fucking the planet" (Pare de ferrar nosso planeta), cabelos loiros coloridos usando óculos escuro, chegando no meio do palco toda alegre para começar a cantar...só não esperava a reação do público já  antecipando e cantando primeiro sem espera-la, como se tivessem preso o grito na garganta por mais de 40 anos...até a Debbie ficou surpresa, e não deixou a peteca cair, cantou a música a pleno vapor para o delírio geral de todos indo de um lado ao outro do palco, para que todos pudesse vê-la. E no final da música, Clem já afinado, mostra sua marca registrada , joga sua baqueta para o alto e pegando as mesmas no ar para logo em seguida finalizar a música... e.começar uma nova.  Sem tempo de respirar.

Eu e a Priscila Brito (Blog Festivalando)


Os telões já anunciavam, "Doom or Destiny", música que tem a Joan Jett como convidada, que obviamente, só aparece no clip do telão. Música nova de disco novo, que a galera consegue cantar  sem problemas o refrão...com eu lá no meio..."oh,oh, this is doom or destiny...", e olha que a galera foi ao delírio mesmo quando o telão exibiu uma imagem de uma suástica e a frase 'push the nazi' (bata nos nazistas). Delírio total. Pronto, o Blondie havia conquistado o público e até o pessoal que foi pra lá só ver a Lorde e as outras bandas, pareciam animados também.


Blondie finalmente no Brasil

Debbie sendo exibida no telão do Popload 2018


Se a segunda música, do novo álbum 'Pollinator'(2017), levantou a galera, o que me dizer da próxima faixa, também do mesmo álbum, que pasmem...nem foi lançado fisicamente no país. Eu mesmo tive que apelar para a importação. E da-lhe "Fun", música dançante praticamente voltada ao público LGBT, que estava em peso no show e que foi ao delírio nas imagens mais ...calientes do clip. Alias,esta é outra música que usa e abusa do vídeo clip oficial no telão, como a anterior, com imagens e efeitos especiais , apesar de pessoalmente achar a música mais inferior de todo o repertório do Pollinator. Nesta faixa, Debbie já havia removido sua capa com a frase de protesto, e estava bem mais a vontade, e certa que já tinha fisgado o público.

Rock'n'Roll puro, veio !!!


Mas o melhor estava por vir...as baquetas de Clem começavam a bater na bateria feito loucas, ele que estava com a camiseta do CBGB's, não perdoou, logo depois vieram os acordes de ..."Call Me", levando  todos ao delírio, na verdade, estavam sendo preparados para um dos maiores hits do Blondie, música composta junto com o lendário Giorgio Moroder e que foi tema do filme "Gigolô Americano"(1980).  Nesta faixa, Debbie mostrou que ainda está bem afinada, pois a Diva começou a dar vários pulos no palco...isto já aos seus...73 anos !!! Olha que a música tem vários artifícios vocais na sua versão original gravada em 1981, mas a Debbie hoje não é mais aquela mocinha de quase 40 anos atrás, mas sabe usar sua voz ainda que de forma inteligente, preservando a garganta ao mesmo tempo que continuava a seduzir a platéia. No telão, imagens do passado da banda, tiradas do programa Party TV (programa underground novaiorquino, na qual o Blondie e seus membros sempre faziam presença). Outro destaque foi o tecladista Matt, usando um keytar nos acordes eletrônicos da canção, saindo de seu tradicional deck de teclados e indo de um lado ao outro  do palco acompanhando Debbie  e a banda. Pra mim, esperei a vida toda por aquilo...não dava pra acreditar, queria que nunca mais parasse..."Call Me" é finalizado com a apoteose de Clem Burke e Debbie fazendo gestos como se tivesse nervosa de tanto chamar o amante na letra da música. Com o fim desta apresentação  Debbie faz sua primeira chamada ao público, agradecendo S.Paulo e dizendo que estava tendo um grande momento na cidade, elogiando até a chuva fina que caia...


This is Doom or Destiny ???


Após os agradecimentos, sem tempo para respirar direito, novamente as baquetas de Clem Burke cadenciam para a próxima faixa..."Rapture". E com esta fusão entre o pop, rock e rap, que Debbie vai empolgando as pessoas da plateia, as vezes pedindo palmas, as vezes fazendo uma dancinha sexy ao som da guitarra de Tommy e com o público anestesiado, comigo  lá no meio pulando e apontando pro céu toda vez que o refrão é entoado Rap...tureeee!!!  Todos ali domados pela banda. Ainda havia um pouco de garoa e chuva fina. Nada que a boa capa de chuva de camelô não resolva.

Blondie no Popload Festival


Enquanto Debbie, dá uma parada pra tomar uma água e já sem os óculos escuros, o batera Clem prepara suas baquetas para a próxima canção. Debbie faz um aceno pra ele ficar prolongando a entrada, enquanto faz um discurso sobre a próxima canção, dedicado a todas as mulheres... “Gracias, thank you, obrigada. Só estamos aqui hoje porque vocês nos convidaram e agora queremos nos divertir”, disse Debbie Harry antes de dedicar a próxima canção, o hit do final  dos anos 90Maria”, música  que trouxe o Blondie de volta as atividades e as paradas, favorita da maioria com menos de 30 anos, com Debbie dedicando para “todas as mulheres da plateia ou para todos que querem ser mulheres....". Não precisa nem falar que foi uma das músicas que mais foram cantadas pelo público do início ao fim. Em um determinado momento que ela anda para um dos lados do palco(oposto ao meu), ela meio que dá um grito de susto na galera, para logo continuar a música. Debbie encerrou a música de forma bacana acenando para toda a platéia.


Josh, David, Maily e eu 

Com a noite sobre nós e sem a garoa que havia dado uma trégua, segue então "The Tide is High", um reggae gostoso que deixa a galera menos agitada, foi quando a Debbie pede para todo mundo acenar os braços, o que é atendido de imediato por todos... Nesta faixa, na hora do "I wanna be your number 1", nossos indicadores são voltados pra cima, pois todos querem ser o número 1 favorito da banda...Um fato interessante desta música ao vivo, já no finalzinho a música é acelerada  (incluindo uma alusão no telão do show), onde é rapidamente incluindo um pequeno fragmento da música do Deee Lite, 'Groove Is In The Heart', finalizando a mesma . É o momento também da Debbie requebrar um pouco no palco e dizer mais algumas palavras para o público.


Mariiiiiaaa...

Segue então a minha música preferida do álbum Pollinator,  "Long Time", tão gostosa de cantar que chega a agitar toda a galera. Ela meio que começa com uma batida muito parecida com o clássico 'Heart of Glass', mas acaba ganhando uma cadência diferente e com uma música e letra bacana, que tem seu clip oficial (outra pérola do Rob Roth)  exibida no telão.Com Debbie sem capa e bem a vontade, ela começa a bater palmas antes de começar a cantar . Uma das músicas do novo álbum que não poderia faltar de jeito nenhum. Nesta hora, já com a garoa indo embora, o céu deu até abriu, hora de tirar fora a capa de chuva, que já me incomodava. Mais um momento muito bacana de tantas coisas bacanas acontecendo.

Fun...

É preciso ter fôlego, a banda não dá trégua, logo vem outro clássico..."Atomic", a música que  fechou o movimento Disco e inaugurou a New Wave definitivamente. Debbie passa a mão nos cabelos, para mostrar que o seu 'hair' ainda continua  'beautiful', enquanto no telão é exibida a imagem pixielizada de uma explosão e fogo. E com um final apoteótico da música, com os músicos dando o máximo nos instrumentais, em especial Clem Burke e o guitarrista Tommy Kessler que mesmo sem Chris, dá conta total do recado, a ponto de tocar com a guitarra de costas e dar um pulo para encerrar a música. Delírio total da platéia. Nas nossas cabeças ficará o refrão Atomic, Atomic, Atomic...ecoando pra sempre....

Antes da música seguinte, Debbie começa a fazer  a apresentação dos membros da banda e agradecer a plateia  por estarmos ali...pois algo de maravilhoso iria acontecer em seguida...

Meus balões fazendo sucesso...na hora de Heart of Glass...mais um sonho realizado


Debbie começa dizendo que seu parceiro de longa data, Chris Stein, infelizmente não poderia vir ao Brasil com banda, e aquela próxima música era dedicada a ele...Era hora do clássico dos clássicos, aquilo que nos faz estar aqui na Terra, o sonho se tornando realidade...sim, estamos falando de "Heart of Glass", com nossos próprios corações batendo mais forte... Debbie então, começa a bater palmas para o alto, o que é acompanhado por todo o público. No telão, é exibido um coração de vidro, despedaçado...e sim, começamos  a ver os primeiros balões vermelhos em formato de coração, que eu havia distribuído para a platéia...  Logo apareceram mais outro, e mais outro, e durante a música, eles começaram a ser soltos no meio da platéia, para nosso delírio geral, aquilo que planejara  durante meses, estava acontecendo, mesmo que muitos dos balões, tenham sido perdidos ou estourados antes(incluindo o meu). Durante o refrão do 'uuu..oh, oh', cantado em coro pelo público, Debbie exclamou: "Que lindo". Nesta hora, até o cometido baixista Leigh Foxx, dá um sorriso e também consegue interagir com a platéia.  Debbie começa a agitar os braços novamente e pedindo para todos interagirem juntos, durante a parte do "lá, lá, lá...laranal lá, lá, lá...", com todos agitando os braços de uma forma sincronizada e linda. Mas o melhor ainda estava por vir, quando se pensa que a música iria acabar, ela se transforma em um trecho de "I Feel Love", clássico da discoteca (irmã em espírito de Heart of Glass), composta por Giorgio Moroder e imortalizada pela cantora Donna Summer. Neste momento o  tecladista Matt Katz-Bohen, sai de seus teclados, e vem novamente até mais perto do palco junto ao público, com um keytar, comandando a parte eletrônica. Hora da Debbie fazer uma dança sexy para todos e em seguida deixar o palco. Com o fim da música, os restos dos músicos também abandonam o palco...será que o show iria acabar ?


Blondie no Brasil pela primeira vez.

Debbie retornar ao palco com o resto do Blondie, para o encore final, agora com uma capa transparente com flores artificiais, fazendo referência ao álbum 'Pollinator'. Era hora da clássica música "Dreaming", para a infelicidade geral, pois é a música na qual eles encerram o show. Novamente é Clem que dá a cadência inicial de batidas para que o resto da banda o acompanhe.  Debbie perfeita no vocal, indo de um lado para o outro do palco, as vezes tentando conversar com a plateia , pedindo o "free, free, free" várias vezes. Ao cantar os últimos versos de “Dreaming”, aproveitou parte da letra para enfatizar: “Nós somos livres.... " apontando pra gente.  E é neste modo que ela dá um grande adeus, Clem juntou-se ao lado dela assim como o resto da banda para um abraço e comprimento final ao público. Antes de sair, Clem ainda joga a suas baquetas para o público e Tommy lança suas palhetas também em várias direções. Pouco depois , as luzes do palco são desligadas...e o telão começa a mostrar a próxima atração, sim, era o fim definitivo. Um misto de tristeza e felicidade ao mesmo tempo. Eram 20:30, exatamente uma hora de show. 

AFTER  !!

Afinal, o show foi curto ? Sim, infelizmente por causa do tempo no Festival, o Blondie só pôde tocar uma hora, mas no seu setlist divulgado posteriormente estavam outras músicas que foram cortadas como a clássica "Hanging on the Telephone", " Gravity", " Fragments", " Sugar on the Side" e " Too Much".  Curiosamente, dois dias depois na Argentina, eles tocaram todas estas músicas em um show maior...onde obviamente foram headline,  o que não aconteceu aqui :(.

Então o show acabou...luzes apagadas, mas o cérebro ainda custa acreditar que é o fim. Tanto tempo de espera...pra chegarmos ao fim. Se pudêssemos salvar na memória cada detalhe do show e revive-los novamente...seria maravilho. Depois de alguns minutos, os fãs do Blondie começam a deixar o recinto, para os fãs da Lorde, invadirem de vez, hora que resolvi dar uma andada pela área, e reencontrar meus amigos...ainda tinha gente na grade, no caso o amigo Marcelo, que tentava entregar um buquê de rosas para a Debbie, mas os roadies do festival impediram.  E eu e os amigos Maily, David e os gringos tentamos chegar ao camarim, mas também fomos barrados, não restou nada mais, do que me despedir e ir usar os créditos da pulseira cashless  para comer e beber alguma coisa. Na saída reencontrei os amigos blondiemaníacos, na qual ainda fomos ao estacionamento atrás do Memorial em uma última tentativa de conseguíamos ver alguém da banda, mas não dava mais. Era muita segurança em volta. Assim, me despedi de todos e fui embora, ainda no caminho encontrei outra amiga da comunidade, Lais Bello.

Sonho realizado...vi o Blondie !!!


Alguns detalhes que peguei no show:

Clem Burke, sempre elétrico, em um determinado momento do show, acaba se desequilibrando quase caindo para trás  perdendo as baquetas..., ele rapidamente se recompõe e  recomeça de novo, após um rápido 'Nome do Pai' , como se tivesse se benzendo.

Outro detalhe, são os bonequinhos que costumam acompanhar a banda, e que ficam em cima dos amplificadores das guitarras. Eles fazem parte do ritual de todas as apresentações feitas com a presença do Chris Stein. Como ele não veio, não teve bonequinhos lá..

Eu e a Lais Bello após o show.


No show, Debbie  ainda fez um discurso sobre o meio-ambiente e elogiou a natureza do Brasil, falando que gostaria de voltar um dia no Brasil para visitar a Amazônia em uma próxima oportunidade,  revelando inclusive qual foi seu jantar da noite anterior. “Nós comemos formigas. E foi muito gostoso, de verdade".

E na hora que começou a cair uma garoa, ela também disse:
“Antes de continuar, queria dizer que este é um show especial. Acho até legal essa chuvinha caindo”,...

Depois do show, ainda vi o roqueiro Supla e a namorada, sendo barrados na entrada do backstage pelos seguranças do festival, logo ele, amigo pessoal da Debbie...

Supla barrado na entrada do backstage do Blondie...
Enfim, um show que ficará eternizado na memória e a expectativa que um dia eles retornem para um show só deles, pois neste, eles juntaram quase 14 mil pessoas ! Porque como a Debbie disse no final do show...Dreaming is Free !!!( Sonhar é livre !!!) .


Souvenir do show...
Se você quer saber mais sobre a vinda do Blondie e o Popload Festival 2018, leia este artigo aqui.


quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Novo destino de shows internacionais, Uberlândia terá grandes shows em 2020


Parque do Sabia com Estádio e Ginásio Arena multiuso em Uberlândia


New Order, Camila Cabello e Slash já tocaram na ciade do Triângulo Mineiro

Por Silvio Essinger (O Globo)


RIO - No domingo, o grupo americano Kiss anunciou as cidades brasileiras que farão parte da sua turnê de despedida em 2020: Porto Alegre (12/5), Curitiba (14), São Paulo (16, no Allianz Parque)... e Uberlândia (19, no estádio Parque do Sabiá). É, com certeza, o primeiro grande show internacional a passar pela cidade do Triângulo Mineiro no ano que vem (desbancando, por sinal, capitais como Rio e Belo Horizonte) — mas não será o único.

Arena Sabiazinho, palco de grandes shows e eventos em Uberlândia.


Nova Eldorado do pop internacional, Uberlândia recebe também em 2020 os Backstreet Boys (que se apresentam por lá, na Arena Sabiazinho, em 11 de março e depois passam por Rio e São Paulo) e o McFly (dia 19 de março, na Arena, seguindo para BH, Rio, Ribeirão Preto, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre).

New Order tocou em Uberlândia em 2018


— E anunciaremos mais uns 10 shows de grandes atrações internacionais para o ano que vem — promete o empresário Bruno Carvalho , dono da BConcerts, que produz os shows do Kiss e do McFly e dá apoio local aos produtores da data dos Backstreet Boys. — Uberlândia tem uma posição geográfica favorável, estamos perto de Goiânia, Brasília, Belo Horizonte, Ribeirão Preto e São Paulo. Estamos com datas fechadas até 2022.

Slash e sua banda tocaram em Uberlândia no começo de 2019


Há 20 anos no mercado de produção de shows, Bruno diz ter se convencido do potencial de Uberlândia há oito anos, quando pôs 40 mil pessoas, numa quinta-feira, num show do DJ francês David Guetta . Mais recentemente, ele levou à cidade astros do calibre do grupo inglês New Order , da ex- Fifth Harmony Camila Cabello (que esgotou os 8 mil lugares da Arena Sabiazinho) e o guitarrista Slash , dos Guns N'Roses (com o Myles Kennedy & The Conspirators ).

3 Grandes bandas que foram atrações do Rock in Rio 2019, tocaram em Uberlândia


Em 23 de setembro, a dias do Rock in Rio, a BConcerts levou para o festival Roadfest Uberlândia os shows de três atrações do festival: os grupos alemães Scorpions e Helloween e o inglês Whitesnake . Foi a grande realização da empresa, que veio se associando a produtoras maiores, como a Mercury Concerts e a Time 4 Fun, a fim de atrair para Uberlândia datas de grandes atrações internacionais.

KISS escolheu Uberlândia como uma das cidades brasileiras para turnê de despedida em  2020


— A cidade tem um estádio para 50 mil pessoas ( o Parque do Sabiá ) e uma arena ( a Sabiazinho ) para 8 mil e também uma infraestrutura legal de hotéis e um aeroporto grande — lista Bruno Carvalho, para quem depois do sucesso dos últimos shows e das parcerias com produtoras grandes "ficou muito mais fácil" trazer atrações internacionais para Uberlândia. — Agora não tem mais a resistência do artista e a gente parte para a briga.


terça-feira, 5 de novembro de 2019

Vinyl - (HBO) - 2016


VINYL (HBO) - 2016 - Produção de de Martin Scorsese e Mick Jagger com Terence Winter (Boardwalk Empire, A Família Soprano).



Situada na Nova York no início dos anos 70, que passava na sua pior recessão econômica de sua história. Uma época que nada funcionava. O metrô estava caindo aos pedaços. As taxas de criminalidade estavam altíssimas. Mas, ao mesmo tempo, culturalmente falando, aquela época foi um auge. O começo dos anos 70 e, em particular, o ano de 1973, foi um momento de grandes mudanças na indústria musical e tudo começou na cidade de Nova York, praticamente o centro do universo ocidental moderno e capitalista. O lugar onde o punk, as discotecas e o hip-hop começava a mudar o panorama musical em uma megalópole efervescente mas ao mesmo tempo decadente, a série explora  o mundo da música e sua industria corrupta, movida a sexo e drogas, através dos olhos do executivo Richie Finestra (Bobby Cannavale). Viciado em cocaína e álcool, ele comanda uma grande gravadora, a American Century Records, quase a beira da falência, enquanto tenta ressuscitar sua etiqueta e encontrar o próximo novo som, que irá revolucionar o mundo da música. Ray Romano (Everybody Loves Raymond) faz Zak Yankovich, braço direito de Richie e chefe do departamento de promoções da gravadora. Olivia Wilde interpreta Devon, ex-modelo, atriz e esposa de Richie. Juno Temple é Jamie Vine, ambiciosa assistente de Richie.  Andrey Dice Clay (Entourage), James Jagger (filho de Mick Jagger), Joe Caniano (Boardwalk Empire), Robert Funaro (A Família Soprano) e PJ Byrne (Intelligence) também estão no elenco.



Misturando realidade com ficção, a série aborda a industria fonográfica nos conturbados anos 70(a primeira temporada se passa no período 1973-74)  , de forma nua e crua, sem o glamour que estamos acostumados a conhecer das celebridades, mas seu outro lado da moeda mais sombrio, perverso, tudo regado a muito dinheiro e cocaína ...Saiba como funcionava o esquema de jabá e o catapultamento irregular de artistas para o topo da parada, sem que muitos nem tivessem o lado artístico realmente interessante e de gosto duvidoso para entrar nas paradas de sucesso (vide hoje com Anitta e Pablo Vittar),  tudo isto na visão dos produtores da série envolvidos, com um DNA de cada um. Scorsese, também responsável pelo episódio piloto, de quase duas horas, mostrando a NY dos anos 70, com imigrantes italianos e latinos, guetos negros , gangues, mafia, corrupção policial, sexo, drogas e é claro, as velhas discussões sobre família, honra e amizade. Já Jagger, traz seu filho James Jagger com a modelo Jerry Hall, um jovem que monta uma banda punk tentando sucesso na gravadora de Richie, ao mesmo tempo que tenta ser domado pela industria para que faça algo descente e suas loucuras com drogas e sexo. Outro destaque é a bela Juno Temple, na vida real, filha do diretor Julien Temple, conhecido por ser ligado aos filmes de rock, ela é a garota que quer subir na vida a qualquer custo, nem que para isto se entrega de corpo e alma  e muitas drogas para promover uma banda de rua, dentro da gravadora. Ainda temos o  Jackie Quaid, filho do Denis Quaid com a Meg Ryan, um rapaz que sente uma certa inveja de seus colegas e que para não ser demitido, aceita passar a ser o 'cara do café' e das correspondências.

 Richie Finestra (Bobby Cannavale)


Os personagens fictícios vão cruzando o caminho de personalidades reais ao longo da série, como Led Zeppelin, Andy Warhol, Alice Cooper, Lou Reed, John Lennon, Patti Smith, Bruce Springsteen, New York Dolls,Ramones  e até Elvis Presley, com destaque para o sexto episódio, dedicado a David Bowie, alias, uma linda homenagem de despedida ao Starman !

Alguns poderão reclamar do contexto sexo e drogas, mostrado de forma bastante pesada, como que glamorizando o vício, mas mostra também o rastro destrutivo deixado  por ela, uma combinação de  muita violência e descontrole, na qual o personagem principal, o  executivo Richie Finestra é o mais exposto a tudo, perdendo sua credibilidade, suas amizades e principalmente sua família. Sua esposa, Devon (a estonteante Olivia Wilde), foi uma ex-modelo da Factory de Andy Warhol, e apesar de também se sentir culpada pela destruição de seu casamento com Finestra, também fica perdida sem seu marido. Uma estrutura familiar totalmente destruída.  Finestra, também tem sua amizade comprometida com seu melhor amigo e sócio na gravadora, o judeu Ray Romano, uma relação de amor e ódio, na qual milhões de dólares são cobiçados e perdidos por total irresponsabilidade dos personagens. Finestra ainda tem outro problema, durante uma festa regado a muita droga, acaba assassinando um antigo colega, o radialista Buck Rogers(responsável por aceitar seus jabás nas cadeias de rádio)  e isto o colocada direto em choque com a polícia corrupta de NY e aumenta ainda mais seu envolvimento com a máfia local na qual corre em busca de proteção, a ponto de novamente colocar sua vida em risco total.

Um outro destaque aqui é por conta da presença do ator afro Ato Essandoh, o blueseiro Robert Grimes. Há uma senhora história contando  como o blues, o gospel, o rhythm'n'blues e a soul music foram cruciais para que o negócio fonográfico se tornasse multimilionário ao mesmo tempo que ainda segregava racialmente músicos afros na base da intimidação e da violência física. E ao colocá-lo no gueto nova-iorquino em que o funk borbulhava rumo à ebulição do hip hop, a série traça uma genealogia musical paralela a dos clássicos do rock que eram igualmente interessantes – e muito mais rica musicalmente. E você tem neste caldeirão de misturas o nascimento de novos ritmos como o surgimento da Disco Music, de dentro dos guetos, que a levou mais tarde para o mainstream das grandes casas noturnas mundiais. É sempre, assim, quando o preto junta com o branco, devemos esperar uma nova revolução de ritmos , mesmo que depois apenas só um lado se considere o verdadeiro dono dele. Foi assim com o rock, com a Disco, com o reggae...

O nascimento do punk, também é outro destaque nesta série, ao mostrar a banda fictícia The Nasty Bits, cujo vocalista e líder Kip Stevens (James Jagger) é um viciado em heroína que precisa estar sóbrio para entregar um material sólido para a gravadora de Richie Finestra, para que sejam aceitos no mercado fonográfico. O prêmio maior para sua banda, será abrir para o The New York Dolls, mas para chegar lá, o caminho será muito tumultuado e doloroso pra ele e para as pessoas que o cercam. Ele vive um relacionamento conturbado com a personagem Jamie (Juno Temple), quase um casal ao estilo Sid e Nancy...

Kip Stevens (James Jagger) e Jamie(Juno Temple) 


São 10 capítulos sensacionais, em um cada um deles, entre cenas, dentro do cenário ficticio da serie são inseridas pequenas vinhetas  musicais,  de artistas famosos ao longo das décadas como Elvis, Ray Charles, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Bo Diddley, entre outros. Sem contar a própria trilha sonora, um dos pontos fortes desta série.

Ainda temos um aperitivo extra da série...algumas mulheres lindas...e nuas...sim Olivia Wilde e Juno Temple, como vieram ao mundo...

A série é machista, racista e misógina ???? Sim, alias, não é nada chocante...estamos falando dos anos 70, baby...a verdade nua e crua . A palavra "fuck" é repetida umas mil vezes nesta série, que acaba sendo lugar comum do contexto histórico.....É contexto histórico, gente !!! Acorda !!! Ninguém quer mostrar um mundo falso ali.

Sobre os aspectos técnicos da série, pode se dizer que são sensacionais, a recriação dos anos 70, com seus figurinos exagerados um dos pontos altos de Vinyl . A  HBO torrou uma grana preta nela e isto também foi seu fim, pois após a emissora anunciar uma segunda temporada, quando o episódio piloto de Scorsese havia sido lançado, voltou atrás após o termino da temporada, quando os números da audiência se mostraram baixos e cancelou a série, mesmo que a pré-produção para segunda temporada já havia começado, sendo que neste meio tempo, o showrunner, Terence Winter abandonou a série por diferenças criativas e novos produtores haviam sido contratados. Para nossa infelicidade, nunca saberemos mais o final desta estória. Ficaremos com  aquele gostinho de quero mais...a série ainda tinha um potência enorme a ser desenvolvido, podemos imaginar nas temporadas seguintes, o fortalecimento do punk, pois no final da temporada, Richie encontra Hilly Kristal, em um bar, e ele apresenta a idéia do que seria posteriormente o CBGB's, a casa noturna na qual bandas como Ramones, Talking Heads e Blondie começariam...também veriamos a Disco e o RAP saindo dos guetos e indo para o mainstream, o nascimento da cultura Hip Hop , o glamour das grandes discotecas como o Studio 54, entre outras coisas marcantes daquela década. Infelizmente, tudo  jogado no lixo pela HBO, que já gastava rios de dinheiro  com outras séries como  "Game of Thrones"  e "Westword". Curiosamente, ela passou a apostar em outra série sobre os anos 70, desta vez sobre o universo da pornografia em NY, " The Deuce ", de James Franco. Mas ao meu ver, sem querer desmerecer o Franco, trocar Scorsese por ele...é um tiro no pé !!!



Vai deixar saudades.

Nota 4 1/2  de 5 !!!