sexta-feira, 30 de julho de 2021

"Juno to Jupiter" - Vangelis lança novo trabalho baseado em missão da NASA em Júpiter


O Multi-instrumentista eletrônico grego, Vangelis, está lançando um novo álbum no mercado, junto com a gravadora UNIVERSAL pelo selo Decca, trata-se de "JUNO TO JUPITER" com o lançamento oficial programado para 25 de setembro de 2020 inicialmente, mas que acabou sendo adiado devido a vazamento do álbum em alguns sites. O álbum foi um trabalho que Vangelis fez com a NASA, a agência espacial americana, na qual ele foi comissionado inicialmente parar criar uma trilha sonora para os vídeos da missão da sonda espacial JUNO(desenvolvida pelo JPL-NASA), para estudar o maior planeta do sistema solar, Júpiter. Desde dezembro de 2013, a NASA tem soltado vídeos oficiais da Missão Juno com músicas de Vangelis, sejam originais ou não. Agora a UNIVERSAL/Decca anuncia o lançamento para 24 de setembro de 2021, praticamente um ano depois do programado.



Missão Juno

Lançada ao espaço pela NASA em 05 de agosto de 2011,direto do Cabo Canaveral , na Florida, por um foguete Atlas V, em uma missão de pesquisa de 6 anos, a nave fez um sobrevoo na Terra novamente em outubro de 2013, para pegar um impulso para ser arremessada mais rápido a Júpiter, na ocasião a NASA postou um vídeo oficial feito pela sonda Juno se aproximando e se distanciando do sistema Terra - Lua, com uma música inédita de Vangelis, publica oficialmente em Dezembro de 2013.




Posteriormente em Julho de 2016, a sonda Juno chegou ao sistema jupteriano entrando em orbita do gigante do sistema solar, ocasião que a NASA publicou um novo vídeo com uma animação da chegada. Foi usado a música "Titans" da trilha sonora composta por Vangelis do filme  Alexandre (2004) de Oliver Stone.




Em Dezembro de 2017, o Jet Propultion Lab (JPL-NASA), divulgou as resultados das pesquisas realizadas no planeta Júpiter durante um ano de missão  Juno.  Um vídeo de animação levando o espectador à atmosfera de Júpiter foi lançado com novas músicas de Vangelis:




Em maio de 2018, o JPL-NASA divulgou um novo vídeo da missão Juno, com imagens inovadoras do sobrevoo de Juno ao Polo Norte de Júpiter, filmado em infravermelho. Vangelis compôs uma nova música para este vídeo:



E em 05 de agosto de 2020, novamente o JPL-NASA, divulgou um novo vídeo da Juno em Júpiter, com uma montagem com as imagens da sonda mostrando a formação de tempestades com raios nas nuvens do gigante gasoso, acompanhadas de uma música inédita de Vangelis




Assim, as expectativas para o lançamento do prometido álbum desta missão já são altas, pois ele é prometido desde 2018. Em verdade, aquele era o ano oficial do encerramento da Missão Juno a Júpiter, só que a sonda ganhou mais uma missão estendida por mais um tempo e a previsão é que ela se encerre com um voo suicida direto ao planeta em Julho  de 2021. Os engenheiros do JPL e equipe propuseram uma extensão que permitiria que as atividades continuem por mais tempo para sobrevoar algumas das principais luas jovianas de perto e aumentar a diversidade dos objetivos científicos. Esta extensão foi aprovada em janeiro de 2021, assim a sonda poderá continuar sua missão de exploração até setembro de 2025 ou até o fim da sua vida — o que acontecer primeiro. Nisso, a nave irá continuar realizando as observações essenciais de Júpiter, além de investigar também os anéis e luas do planeta por meio de sobrevoos de Ganimedes, Europa e Io.


Em 8 de outubro de 2020, a NASA lançou mais um novo vídeo da missão Juno a Jupiter. O filme é uma reconstrução de como seria a filmagem real de um voo de Júpiter, com base em 41 fotografias tiradas pela sonda. O vídeo é acompanhado por uma nova música de Vangelis. Tal como acontece com os outros vídeos lançados pela missão Juno, a música não está realmente entre as composições do próximo álbum e provavelmente só será ouvida neste vídeo:





Em 24 de junho de 2021, a NASA publicou novo vídeo, com o 34º sobrevoo da sonda Juno a Jupiter bem como um voo a seu satélite Ganimedes: 




Agora com o anúncio oficial realizado pela UNIVERSAL/Deeca em Julho/2021, podemos finalmente deslumbrar o tão aguardado álbum, seguido do primeiro single  "In The Magic Of Cosmos" (Já disponível nas plataformas digitais):


LINKS

Spotify: https://open.spotify.com/track/6l6eGJDCe2d0sEsgJNi2cU?si=c49d987b6ad4424a&nd=1

Apple Music: https://music.apple.com/us/album/juno-to-jupiter/1525721308

Deezer: https://www.deezer.com/br/album/246732882


RELEASE OFICIAL:



VANGELIS

    "JUNO TO JUPITER"


O AMANHECER DA VIAGEM DOS ENTUSIASTAS PARA O ESPAÇO,

JUNO TO JUPITER É UMA VIAGEM MUSICAL MULTI-DIMENSIONAL IMERSA EM

SONS DO COSMOS


RECURSOS DE GRAVAÇÃO POR VANGELIS

ANGELA GHEORGHIU, SOPRANO, AS JUNO

CD DE ÁLBUM E DIGITAL LANÇAMENTO PELOS REGISTROS DECCA EM 24 DE SETEMBRO

VINIL E UMA CAIXA DE EDIÇÃO LIMITADA A SEGUIR


Decca Records anuncia o lançamento do novo álbum de Vangelis "Juno to Jupiter" em 24 de setembro. O álbum estará disponível em CD e formatos digitais, com vinil e uma caixa de edição limitada definida a seguir.


O trabalho, inspirado na missão inovadora da NASA pela sonda espacial Juno e sua exploração contínua de Júpiter, é uma jornada musical multidimensional com a voz da superestrela da ópera Angela Gheorghiu. O álbum inclui sons do evento de lançamento de Juno na Terra, da sonda e seus arredores e da jornada subsequente de Juno que foi enviada de volta à Terra a partir da sonda, que continua a estudar Júpiter e suas luas: 365 milhões de milhas de distância da Terra em seu ponto mais próximo.


A missão Juno, uma das missões planetárias mais desafiadoras e cientificamente ambiciosas da NASA já tentada, recebeu esse nome em homenagem a Hera (em romano Juno), que, de acordo com a mitologia grega, era a mãe de deuses e humanos e esposa de Zeus, em romano Júpiter, que foi o pai dos deuses e dos humanos. Para esconder suas travessuras, Júpiter envolveu-se com um véu de nuvens. No entanto, Hera / Juno foi capaz de perscrutar através das nuvens e descobrir as atividades de seu marido com seus poderes especiais. Da mesma forma, a espaçonave Juno está olhando por baixo das nuvens, revelando a estrutura e a história do planeta e como nosso sistema solar foi formado.


“Pensei em colocar ênfase nas características de Júpiter / Zeus e Hera / Juno que, segundo a Teogonia Grega, tinham uma relação especial. Achei que deveria apresentar Zeus / Júpiter apenas com o som, pois as leis musicais transformam o caos em harmonia , que move tudo e a própria vida. Ao contrário, para Hera / Juno, senti necessidade de uma voz. Angela Gheorghiu, representa nesta representação histórica da missão ao planeta Júpiter, Hera / Juno, de uma forma deslumbrante. "

- Vangelis


Este julho marca o aniversário de cinco anos da inserção da espaçonave Juno na órbita de Júpiter. Lançado em 2011 da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, Juno chegou a Júpiter em 4 de julho de 2016. Devido à sua importância, a missão que estava programada para ser concluída em 31 de julho foi estendida pela NASA e agora Juno continuará explorando o sistema Joviano completo - Júpiter e suas luas - até setembro de 2025.


As vozes apresentadas no álbum, cortesia da NASA, incluem os cientistas Randall Faelan (Lockheed Martin, Líder de Operações em Tempo Real de Exploração do Espaço Profundo), Chris Leeds (Lockheed Martin, Engenheiro Sênior da Telecom), Jennifer Delavan (Lockheed Martin, Sistemas de Naves Espaciais) e Matt Johnson (Gerente de Missão Juno, JPL / Caltech).


Vangelis, um pioneiro da música eletrônica, com sua imaginação cada vez maior e experimentações inovadoras, é aquele que, como nenhum outro, fez a fusão perfeita entre o mundo acústico e eletrônico. Suas orquestrações para este novo álbum expandem mais uma vez os horizontes da música eletrônica, borrando a linha entre ela e a música sinfônica acústica que culmina em uma viagem musical de tirar o fôlego e ao mesmo tempo calmante. O uso característico de Vangelis de sintetizadores, riffs de metais ousados ​​e cordas expansivas transmitem uma sensação de mistério sobre a vida além do nosso próprio mundo e homenageiam todos aqueles que lidaram e ainda lidam com a observação e a exploração das estrelas, os planetas e o Universo ; e que dedicaram suas vidas a compreender a fronteira final e os segredos de nosso sistema solar.


“A música de um filme é instrumental no sentimento que se tem, essa ideia é clara para todos os cineastas, pois a música toca nossas almas de uma forma que ultrapassa em muito a experiência visual. É o caso de tantos filmes que Vangelis tem marcou, e é novamente verdadeiro para Juno a Júpiter, que fornece uma nova dimensão para nossa conexão com a natureza e a busca da humanidade para ir além da Terra e tocar a parte de nós que está presente em todo o sistema solar e além. "

- Dr. Scott Bolton , Investigador Principal da Missão Juno (NASA/JPL)


Vangelis, sem treinamento formal, começou a tocar piano aos quatro anos e aos seis estava dando apresentações públicas de suas próprias composições - seu dom natural vindo de um lugar que ele chama de memória - um lugar que ele diz que todos podemos acessar se pudermos apenas lembrar-se. Desde a infância, Vangelis está constantemente compondo música e lançou mais de quarenta álbuns, mais de vinte trilhas sonoras de filmes / TV, dois balés, uma apresentação de dança moderna, seis peças, três sinfonias corais e tem grandes espetáculos audiovisuais em seu crédito.


A música de Vangelis é frequentemente ligada a temas de ciência, história e exploração. Junto com sua trilha sonora vencedora do Oscar para 'Chariots of Fire' e sua aclamada música   'Blade Runner', ele escreveu o coral sinfônico 'Mythodea' para a missão 2001 da NASA em Marte, bem como filmes como Antarctica, '1492: Conquest of Paradise' e  'Alexander'. Vangelis também colaborou com a Agência Espacial Europeia (ESA) em seu álbum Rosetta para marcar o culminar da Missão Rosetta para pousar uma sonda em um cometa pela primeira vez na história, bem como para a transmissão pela ESA ao espaço de seu CD single dedicado ao falecido Professor Stephen Hawking, como um sinal de respeito e lembrança. Sua música também foi usada na série de documentários Cosmos: A Personal Voyage de Carl Sagan.


A NASA concedeu a Vangelis sua Medalha de Serviço Público. Além disso, o Centro Minor Planet da União Astronômica Internacional no Observatório Astrofísico Smithsonian chamou o Asteróide 6354 que está localizado entre Júpiter e Marte como "Vangelis" em sua homenagem, devido ao impacto internacional e valorização de seu trabalho, bem como sua relação com o Universo.


"Vangelis compôs todas as músicas para vídeos, documentários e simulações de observações da Juno [...]. Não é sempre que um compositor vencedor do Oscar (e não só) se inspira a escrever música sobre o espaço. Então, a missão Juno teve seu impacto público multiplicado pelo talento único da música de Vangelis. Este libreto é uma continuação da história da Juno .... "

- Stamatios (também conhecido como Tom) Krimigis, Pesquisador Principal das missões Voyager 1 e 2 (NASA/JPL)


TRACKLIST do ÁLBUM


     1. ATLAS’ PUSH  

          Palavras faladas são uma cortesia da NASA

     2. INSIDE OUR PERSPECTIVES  

     3. OUT IN SPACE   

     4. JUNO’S QUIET DETERMINATION 

     5. JUPITER’S INTUITION 

     6. JUNO’S POWER 

     7. SPACE’S MYSTERY ROAD  

     8. IN THE MAGIC OF COSMOS 

     9. JUNO’S TENDER CALL  

          Angela Gheorghiu, soprano, como Juno

    10. JUNO’S ECHOES 

    11. JUNO’S ETHEREAL BREEZE 

    12. JUPITER’S VEIL OF CLOUDS 

    13. HERA/JUNO QUEEN OF THE GODS 

          Angela Gheorghiu, soprano, como Juno

    14. ZEUS ALMIGHTY   

    15. JUPITER REX 

    16. JUNO’S ACCOMPLISHMENTS 

          Angela Gheorghiu, soprano, como Juno

    17. APO 22 

          Trechos falados são uma cortesia da NASA. (*) 

    18. IN SERENITATEM 


(*) Vozes: Randall Faelan, Lockheed Martin, Deep Space Exploration Real-Time Operations Lead; Chris Leeds, Lockheed Martin, Telecom Sr. Engineer; Jennifer Delavan, Lockheed Martin, Spacecraft Systems; e Matt Johnson, Juno Mission Manager, JPL/Caltech.



facebook.com/VangelisOfficial

Vangelis.lnk.to/JunoToJupiterSo


A Universal Music criou um site especial para o lançamento:

https://www.junotojupiter.com/


OBS: A capa mudou ligeiramente desde as listagens do ano passado: o nome de Angela Gheorghiu foi adicionado, rotulado como "Soprano, as Juno".

Observe, o lançamento do vinil, que virá em uma data posterior, terá uma faixa bônus chamada COSMOS AUTOPATOR adicionada no final. Além disso, IN SERENITATEM está listado como "(versão em vinil)", provavelmente para combinar com a faixa de fechamento extra.

Algo para se esperar: haverá um livreto grosso e bonito de 89 páginas que fará parte do lançamento do CD principal, assim como os próximos lançamentos em vinil e edições limitadas. O livreto está cheio de fotos de Júpiter, do cosmos, das equipes da NASA, da mitologia grega e de muitas fotos nunca antes divulgadas de Vangelis, Gheorghiu e outras pessoas envolvidas no álbum. Ele também contém contribuições textuais de Vangelis, Angela Gheorghiu e outros.


Algumas fotos disponíveis:

Vinil
Vinil

CD
CD


BOX SET 1
BOX SET  (Vinil e CD)


BOX SET 2
BOX SET (CD)




Fonte: NASA - Elsew.com / UNIVERSAL-Deeca / Vangelis

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Connery...Sir Connery (1930-2020)

 



Ele era um dos maiores mitos heroicos da história do cinema. Seu carisma, rigidez, charme e postura, levaram milhares de pessoas aos cinemas nos últimos 50 anos. Infelizmente, o ator escocês Sean Connery, o eterno James Bond, já não está mais entre nós. Na manhã do dia 31 de outubro, sua família, através de seu filho Jason Connery, informou que o ator faleceu, enquanto dormia em sua residência em Nassau, nas Bahamas, onde morava desde que saiu da Europa em 1999. Segundo Jason, seu pai  "já não estava bem, a algum tempo". A causa da morte não foi revelada, mas sua última esposa, Micheline Roquebrune, pintora francesa casada com o eterno o ator desde 1975, revelou : “Ele tinha demência e isso realmente teve efeitos negativos sobre ele. Ele era magnífico e tivemos uma vida maravilhosa juntos”, afirmou Roquebrune. “Vai ser muito difícil sem ele, eu sei. Mas não poderia durar para sempre e ele se foi em paz”, completou.

Thomas Sean Connery, nasceu em Edimburgo, na Escócia em 25 de Agosto de 1930, em uma família muito pobre. Filho de um pai católico e uma mãe protestante, que trabalhava como doméstica. Pra sobrevivência da família, teve que trabalhar desde cedo,  começou a vida como leiteiro em sua terra natal e até ter sua primeira oportunidade na vida artística, num musical chamado South Pacific, serviu na Marinha Real, foi motorista de caminhão e modelo vivo para artistas do Colégio de Artes de Edimburgo. Nesta época ele foi terceiro colocado no concurso de Mister Universo de onde, através da insistência de um amigo, saiu para fazer os testes para a peça, que acabou lhe abrindo o caminho para o trabalho de ator nos palcos, na televisão e nas telas de cinema.


007 



Após trabalhos menores no cinema e na televisão inglesa, entre o fim dos anos 50 e começo dos 60, Connery chegou à fama internacional na pele do agente James Bond no filme "007 Contra o Satânico Dr. No" em 1962, que inauguraria a mais bem sucedida e longeva série cinematográfica, que em 2012 completou 50 anos, e da qual Connery fez seis filmes oficiais, marcando o personagem de maneira definitiva. Em 1971, depois de "007 Os Diamantes são Eternos", Connery deixou o personagem (por apenas doze anos, já que voltaria a ele em 1983, no filme "007 Nunca Outra Vez", uma refilmagem de "007 Contra a Chantagem Atômica", feita numa produção de menor qualidade e com um Connery já envelhecido e que se revelou um fracasso de crítica e de bilheteria) para investir numa carreira mais diversificada. Até hoje, sua atuação como James Bond, tem sido apontada como a melhor de todos os atores que vieram posteriormente. 


Vida além de Bond


Sem querer ficar marcado apenas como o papel do famoso agente secreto, aceitou outros desafios mais difíceis, como trabalhar com o cineasta, Alfred Hitchcock, no filme "Marnie: Confissões de uma Ladra"(1964), ao lado da atriz Tippi Hedren, com um sucesso moderado de crítica e bilheterias. Após passar o bastão de 007, para o amigo, Roger Moore, Connery, tentou alcançar outros voos cinematográficos na carreira. Como o western "Shalako"(1968), ao lado da sex symbol, Brigitte Bardot.  "O Vento e o Leão" (1974), dirigido por John Milius, onde atuou ao lado de John Huston e Candice Bergen. O marcante "O Homem Que Queria Ser Rei" (1975) dirigido por John Houston, onde atuou ao lado dos amigos Michael Caine e Christopher Plummer, um filme de aventuras baseado no livro de Rudyard Kipling. "Robin and Marian"(1976), na qual viveu um veterano Robin Hood com a atriz Audrey Hepburn como Lady Marian. 


Apesar de uma carreira bastane extensa, acabou fazendo pouca ficção-científica, dentre os destaques estão "Zardoz"(1973), de John Boorman, ao lado da atriz Charlotte Rampling, "Meteoro" (1979),  "Outland: Comando Titânio" (1981), além de "Os Bandidos do Tempo"(81).

Connery em Outland (1981)


Os anos 80, trouxeram uma ampliação ainda maior a carreira de Connery, principalmente por sua importância no cinema de ação e aventuras, na qual era geralmente chamado para fazer aqueles personagens sábios que passam a experiência e sabedoria, para os atores mais jovens. Isto acabou levando a trabalhar com diretores e atores de grande nível de qualidade e finalmente conseguir seu único Oscar na carreira, como ator coadjuvante pelo filme "Os Intocáveis" dirigido por Brian De Palma na qual atuou ao lado de Kevin Costner e Robert De Niro em 1987. Esta atuação deu a Connery seu único Oscar, como Melhor Ator Coadjuvante em 1988.



 Outros papeis que seguiram esta linha de mestre, estão também em "Highlander - O Guerreiro Imortal"(1986), ao lado de  Christopher Lambert, o drama medieval baseado no livro de Humberto Eco, "O Nome da Rosa" (1986), onde atuou ao lado de Christian Slater e Ron Perlman. Um dos grandes destaques também desta fase, podemos destacar : "Caçada ao Outubro Vermelho"(1990), na qual faz um comandante de um submarino da antiga URSS, que quer desertar para o ocidente na qual trabalhou ao lado de Sam Neill e Alec Baldwin, uma adaptação da literatura de espionagem dirigido por John McTiernan, baseado no livro de Tom Clancy e "Sol Nascente" (1993), baseado em romance de Michael Crichton, dirigido por Philip Kaufman atuando junto de Wesley Snipes.

Highlander - O Guerreiro Imortal (1986)

Entre os vários personagens famosos que encarou na vida, estão Robin Wood(Robin and Marian), O Rei Ricardo Coração de Leão(Robin Hood)  e o Rei Arthur (Lancelot - O Primeiro Cavaleiro). Ele nunca chegou a fazer filmes de Sherlock Holmes, um dos maiores personagens da literatura britânica, mas seu personagem Guilherme de Baskerville em "O Nome da Rosa" foi baseado em Sherlock.

O Nome da Rosa(1986)

Mas os bons papeis começaram a rarear. Filmes como "A Casa da Russia"(1990) ao lado de Michelle Pfeiffer, "O Curandeiro da Selva"(1992) ao lado do brasileiro José Wilker, "Lancelot"(1995) ao lado de Richard Gere, não foram muito bem nas bilheterias. Mas a gota d'água foi o filme "A Liga Extraordinária"(2003), na qual Connery interpreta um veterano Alan Quarterman, neste filme, um grande fracasso de público e críticas, fez Connery repensar sua carreira, após várias desavenças com o diretor Stephen Norrington. Logo após a estreia, o ator anunciou sua aposentadoria e continuou assim até seu falecimento em 2020.


A Liga Extraordinária (2003)


Connery foi nomeado Cavaleiro pela Rainha em uma cerimônia de investidura no Palácio Holyrood em Edimburgo em 5 de julho de 2000. E após cinco décadas na frente das câmeras, o ator, que nunca se adaptou ao estilo de vida de "Hollywoodiana", decidiu se afastar das telonas nos anos 2000, quando passou a levar uma vida mais tranquila e  reclusa, jogando golfe.



Sua aposentadoria, não significava reclusão, pois sempre era visto em eventos, geralmente em sua homenagem, como a cerimônia na AFI em 2006, um prêmio tributo a sua carreira, na qual os cineastas Steven Spielberg e George Lucas, além dos atores Andy Garcia, Julia Ormond, Mike Myers e Pierce Brosnam (o 007 naquele período) entre outros fazem discursos em homenagem a Connery. O último a discursar foi o ator Harrison Ford, que entrega o prêmio a Connery, ao som de uma banda escocesa. 




Pai do Indy

Quando os cineastas George Lucas e Steven Spielberg estavam planejando a terceira aventura para os cinemas do personagem Indiana Jones, o diretor Spielberg sugeriu a Lucas, que produzia o filme, a inclusão do ator Sean Connery, como pai de Indy. Lucas a princípio rejeitou a ideia, pois iria tirar o foco na busca do Graal, mas acabou cedendo e o ator foi contratado com aval também do ator Harrison Ford. O filme, "Indiana Jones e a Última Cruzada", acertou em cheio e apesar da pouca idade entre Connery e Ford (apenas 12 anos), houve uma boa química entre os dois no filme e se tornou um grande campeão de bilheterias em 1989.

Por vários anos, houve a intenção de se fazer um quarto filme, um projeto que levou 18 longos anos, tempo que fez o próprio ator Sean Connery, a desistir após saber que seu personagem teria pouca importância, então pediu a George Lucas, que ele poderia ser morto. Em 2008, chegou as telas "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal", que trouxe uma rápida cena na qual Indiana lembra seu pai já falecido (junto com Marcus Brody), uma foto do Prof .Henry Jones, aparece na escrivaninha do herói.

Indiana Jones e a Última Cruzada


Homenagens pelo mundo

Assim que a notícia do falecimento de Connery, começa a circular, começam surgir também mensagens de homenagens de seus colegas e amigos. Entre os principais destaques de celebrações estão obviamente EON Productions, a produtora oficial dos filmes de 007, segundo a nota oficial da empresa assinada pelos produtores Michael G. Wilson e Barbara Broccoli:


“Estamos arrasados com a notícia do falecimento de Sean Connery. Ele foi e sempre será lembrado como o James Bond original, cuja entrada indelével na história do cinema começou quando ele anunciou aquelas palavras inesquecíveis - “O nome é Bond… James Bond” - ele revolucionou o mundo com seu retrato corajoso e espirituoso do sexy e carismático agente secreto. Ele é, sem dúvida, o grande responsável pelo sucesso da série de filmes e seremos eternamente gratos a ele. ”


Os outros atores que interpretaram James Bond no cinema, também prestaram homenagens a Sir Connery


Lazenby substituiu Sean Connery em 1969 no filme 007 – A Serviço Secreto De Sua Majestade. O ator prestou uma homenagem em suas redes sociais:

“Apenas há algumas semanas eu estava desejando o melhor a Sean em seu 90º aniversário. Agora, estou muito triste por ter que estar de luto com sua família e amigos. Claro, Sean Connery como James Bond, me inspirou pessoalmente e encapsulou uma era, os anos sessenta. Encontrei Sean algumas vezes e fiquei satisfeito por ele ter dado ao meu filme de Bond, ‘On Her Majesty’s Secret Service’, o seu selo de aprovação. Por muitas vezes, ele quase fez o meu filme, pois sentia que era a melhor das histórias de Fleming. Mas, pessoalmente, o mais importante é que seu trabalho foi muito além de Bond: na caridade, na família, na política e no golfe. Um homem que guardo no coração. Um grande ator, um grande homem e um artista subestimado nos deixou. Meus pensamentos estão com os filhos e netos de Lady Micheline e Sean. Só amor, George.”


As redes sociais oficiais administradas pela família de Sir Roger Moore(1927-2017), também lamentaram a morte de Connery.

“Como é infinitamente triste ouvir a notícia da morte de Sir Sean Connery. Ele e Roger foram amigos por muitas décadas e Roger sempre afirmou que Sean era o melhor James Bond de todos os tempos. Descanse em Paz.”


Timonty Dalton, que deu vida ao personagem nos filmes 007 – Marcado Para A Morte (1987) e 007 – Permissão Para Matar (1989), lamentou a morte de Sean em comunicado publicado pelo The New York Times:

“Sean foi uma presença maravilhosa. Um grande protagonista.”


Pierce Brosnan:

“Sir Sean Connery, você foi meu maior James Bond quando menino e como um homem que se tornou o próprio James Bond. Você lança uma longa sombra de esplendor cinematográfico que viverá para sempre. Você abriu o caminho para todos nós que seguimos seus passos icônicos. Cada homem, por sua vez, olhou para você com reverência e admiração, enquanto avançávamos com nossas próprias interpretações do papel. Você foi poderoso em todos os sentidos, como ator e como homem, e assim permanecerá até o fim dos tempos. Você foi amado pelo mundo e fará falta. Deus te abençoe, descanse agora, fique em paz.”


A declaração de Daniel Craig foi publicada no perfil oficial de @007 no Twitter: 

“É com muita tristeza que soube do falecimento de um dos verdadeiros grandes nomes do cinema. Sir Sean Connery será lembrado como Bond e muito mais. Ele definiu uma época e um estilo. A inteligência e o charme que ele retratou na tela podiam ser medidos em megawatts. Ele ajudou a criar o blockbuster moderno, e continuará a influenciar atores e cineastas por muitos anos. Meus pensamentos estão com sua família e entes queridos. Onde quer que ele esteja, espero que tenha um campo de golfe.”


Ursula Andress, 84 anos, lamentou a morte de Sean Connery e relembrou a química com o ator em 007 Contra o Satânico Dr. No, estreia da franquia 007 nos cinemas, no qual ela interpretou a Bond Girl Honey Ryder:

“Ele foi muito protetor comigo, adorável e fantástico. Ele adorava as mulheres. Eu não conhecia Sean e pensei que seria meu primeiro filme, e talvez o último. Mas o longa decolou, a química entre nós funcionou e foi a combinação perfeita“, lembrou.


Connery também deu vida ao Pai do Indiana Jones, que também ganhou uma homenagem especial nas paginas oficiais da Lucasfilm, empresa que produz os filmes da franquia Indiana Jones. Os produtores Frank Marshall e Kathy Kennedy: 

“Sir Sean Connery será lembrado por seu talento, seu charme, sua sagacidade e os muitos papéis inesquecíveis que desempenhou, mas ele sempre será o pai de Indy para nós. Foi uma honra conhecer e trabalhar com ele e nossos corações estão com sua família e entes queridos. ”


O cineasta George Lucas declarou:

“Sir Sean Connery, por meio de seu talento e energia, deixou uma marca indelével na história do cinema. Seu público se estendeu por gerações, cada um com seus papéis favoritos. Ele sempre terá um lugar especial no meu coração como pai de Indy. Com um ar de autoridade inteligente e senso astuto de travessura cômica, apenas alguém como Sean Connery poderia transformar Indiana Jones imediatamente em pesar ou alívio infantil por meio de uma severa reprimenda paterna ou um abraço alegre. Sou grato por ter tido a sorte de ter conhecido e trabalhado com ele. Meus pensamentos estão com a família dele."


Em em comunicado à revista "Variety", o ator Harrison Ford falou:

"Ele foi meu pai. Não na vida, mas em 'Indy 3' . Você não sabe o que é prazer até que alguém te pague para levar Sean Connery para um passeio no carro lateral de uma moto russa por uma trilha acidentada e sinuosa em uma montanha e poder assistir a ele se contorcer. Deus, a como nos divertimos — se ele está no céu, torço para que tenham campos de golfe. Descanse em paz, meu amigo."


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Lançamento do single "Call Me" completa 40 anos



A história de “Call Me” um dos maiores sucessos do Blondie.



Corria o ano de 1980, o início de uma nova década que parecia ser bastante promissora.  A cultura pop estava muito alta, seja na moda, no cinema ou na música. O cineasta Paul Schrader, queria levar as telas uma estória ousada de um 'profissional do sexo' masculino,  em um mundo elitista que satisfazia mulheres ricas. Tema considerado ainda um verdadeiro tabu nesta época.  O filme foi classificado com neo-nair e drama criminal. A Paramount, relutante no início, deu sinal verde a produção de Gigolô Americano (American Gigolo)  na qual Schrader assumiu como diretor e roteirista com produção de Jerry Bruckheimer, produtor que ainda faria seu nome em filmes blockbusters alguns anos depois.  A Paramount, resolveu apostar alto no filme, convidou atores jovens e bonitos para a produção, o iniciante Richard Gere e a modelo Lauren Hutton.  O produtor Bruckheimer, chamou o tarimbado produtor musical italiano Giorgio Moroder para criar a trilha sonora.



Moroder, obviamente aceitou a proposta, e convidou a banda Blondie, para tocar o tema principal, que seria a abertura do filme.  Nascia assim, "Call Me", um dos singles de maior sucesso da banda e dos anos 80,  primeiro lugar nas paradas nos EUA, no Reino Unido e em boa parte do mundo...mas como surgiu este clássico ?

Conta-se que o produtor Giorgio Moroder, tinha outra ideia para cantora da canção, que não era inicialmente Debbie Harry, vocalista do Blondie, mas Stevie Nicks, do Fleetwood Mac, outra banda famosa neste período. Moroder fez o convite a Nicks para ajudar na composição e cantar na faixa, mas ela recusou, pois o contrato dela com a gravadora Modern Records, impedia trabalhos com Moroder. O Blondie só surgiu no caminho de Moroder, pois era a única disponível que não estava em gravação de novo álbum.


Nos primeiros encontros com Debbie Harry e a banda, Moroder mostrou uma música instrumental que ele tinha composto chamada "Man Machine", e pediu para Debbie compor a letra e a melodia da canção. Processo que ela conseguiu fazer em poucas horas. A letra foi escrita na perspectiva do personagem de Richard Gere, o 'prostituto masculino'. Debbie disse que as letras foram inspiradas por suas impressões visuais ao assistir ao filme e que "Quando eu estava escrevendo, imaginei a cena de abertura, dirigindo na costa da Califórnia".

Junto a produção musical e auxiliando Moroder, estava seu fiel escudeiro, o músico alemão Harold Faltermeyer. Em entrevista ao Red Bull Music por volta de 2014, revelou que a gravação de "Call Me" não foi as mil maravilhas em termos de produção.

" Nós fizemos essa música com o Blondie. Jerry Bruckheimer solicitou uma música e Giorgio escreveu a música, e como sempre acontece nos filmes, você precisa de um artista e de onde obtê-lo? Você não pode simplesmente pegar carona com um artista qualquer, você só precisa de alguém. O problema é que a maioria deles estavam no trabalho de seu próprio álbum ou está em turnê ou simplesmente não estavam disponíveis. Portanto, é bastante difícil conseguir o artista que você deseja fazer uma música para um filme. A menos que você lhes pague uma fortuna, então você ganha todo mundo. O Blondie estava no meio de um álbum, mas eles acharam que seria uma boa ideia fazer uma música especialmente para um filme, porque eu sei que Debbie gostava de Richard Gere."

Faltermeyer continua:

"Blondie se comprometeu(a gravar)  e então fomos para Nova York. Primeiro de tudo, fizemos uma, o que eu chamo de grade, porque essa música foi usada no filme também bloqueada na imagem. Gravamos uma primeira sessão e a levamos de volta a Nova York, que não foi muito apreciada pelo grupo porque eles pensavam que podiam tocar tudo sozinhos. Giorgio sempre foi um cara que não quer passar horas e horas no estúdio. Tudo tinha que ser rápido e isso bastava. Você sabe como são os grupos de rock 'n' roll, eles passam tempo e tempo, depois fumam maconha e depois fazem uma pausa. E então eles vão ... pensar... Fazem uma pausa para relaxar novamente e voltar a gravar. Portanto, percebi imediatamente que aquele não era o mundo de Giorgio. Em Nova York, finalmente os convencemos a usar nossa trilha, porque poderíamos, é claro, justificar porque precisávamos dessa grade porque era para o filme e tínhamos que fazê-lo. Com uma música de filme, é sempre uma questão de fazer as coisas rapidamente e de não passar um ano com o grupo em um álbum. Blondie estava gravando sua voz em Nova York e o Sr. [Chris] Stein estava gravando sua guitarra. E eu estava criando na época, então lembro que a guitarra de Chris, acho que era o seu primeiro nome, sempre que ele tocava era como barulho. E quando ele parou de tocar, ele imediatamente cortou o volume. Eu disse: “Chris, o que você está fazendo aqui? Isso soa uma merda. ”Ele disse:“ Tudo bem quando eu tocar, isto será bom. ”“ Você poderia deixar o volume aberto por um tempo enquanto não está tocando? ”“ Não. Não. Não. Não. Não posso. ”Finalmente, consegui que ele mantivesse o volume aberto e você não pode acreditar no que ouvi. Era como um silvo, zumbido, problemas no chão e tudo em sua guitarra, e quando ele apenas tocou a corda, de alguma forma estava tudo bem, mas, é claro, era inaceitável gravar. Então tivemos que passar um dia na configuração do amplificador e nas guitarras dele e acertar as bases e tudo para fazer uma gravação decente."

"Eu sabia que estavam na moda em Nova Iorque naquele período. Mas gravar com o Blondie foi um pouco demais. Quero dizer, estou interessado em tudo o que há de novo, mas se são apenas problemas técnicos e isto realmente não soou, foi terrível. Conseguimos que eles fizessem a gravação e depois conversei com o tecladista. Eu disse: “Sim, tenho outra ideia para isso e aquilo.” E então tentamos gravá-lo. Não conseguimos sincronizar essas coisas e Giorgio disse: "Ok, pessoal. É isso". Voltamos para Los Angeles. Mas a banda nos disse: ""Bem, o disco ainda não terminou."" Respondemos que iriamos terminar em Los Angeles. Então pegamos as fitas de volta e terminamos, e tivemos uma discussão bastante séria com a banda porque eu toquei a parte solo da música, o que, é claro, de alguma maneira eu a entendo. O tecladista gostaria de tocá-la e ele realmente não gostou do que eu fiz, mas, de qualquer forma, a coisa acabou e foi um grande sucesso. Foi um dos maiores sucessos de Giorgio, e isso é toda a história."

Giorgio Moroder, quando entrevistado pelo Red Bull Music Academy, alguns dias depois , também fez revelações sobre "Call Me". Moroder disse que o projeto começou quando ele foi convidado pelo produtor de cinema Jerry Bruckheimer, para o filme 'Gigolo Americano' (American Gigolo) e pediu pra ele:  "Eu preciso de algo realmente dirigido, algo meio rock, mas ainda pop, para a cena de abertura do filme quando ele, o gigolô, Richard Gere, dirige para a cidade pronto para conquistar Hollywood". Segundo Moroder, a banda Blondie foi a primeira escolha e não poderia haver mais ninguém pra cantar, pois a imagem da banda era muito boa naquele momento: "Eles eram o grupo do quadril naquela época. E então eu dei a música para Deborah, e ela criou esse grande título, 'Call Me'. Então gravamos a música, com a banda em NY, eu acho nos estúdios da Electric Lady."

Moroder continua sobre a gravação: " E foi bem interessante, porque eu sempre trabalhava com músicos, certo? Músicos profissionais. Eles eram todos grandes músicos, mas, você sabe, ainda é um grupo. Então, das coisas que eu lembro. O baterista(Clem Burke), um ótimo baterista, mas se pudesse, teria feito um preenchimento a cada duas barras. Então ele era assim [imita a bateria]. Então eu disse:"OK, eu sei que você é um ótimo baterista, mas você pode fazer isso a cada oito compassos? Possivelmente a cada 16? ”“ Não, mas tem que ...! ”Então tivemos uma briga, uma luta criativa, e ele ainda estava tocando bateria. E agora você ouve. Está bem. Ele fez bem. O único problema então, nós gravamos aqui Nova Iorque, eu levei de volta para Los Angeles e adicionamos o solo. E eles não gostaram. Eles disseram: "Por que você não voltou aqui e eu poderia ter feito isso?" E falei : "Olha, nós tínhamos um prazo. Tinha que ser feito. ”E nós fizemos. E soou bem. Mas um dos problemas de grupos, como o Blondie, foi que  eles nunca quiseram tocar a música. Para o Blondie, a música deles era, por exemplo, o que eles tinham, era essa a música deles. Essa música realmente não se encaixava na imagem deles, certo? Então eles realmente não gostaram de tocar."


Debbie Harry e Chris Stein, também entrevistados para o Red Bull Academy, também deram suas versões ao fato. Seria verdade que eles não ficaram felizes em compor e tocar "Call Me" como Moroder havia falado dias antes ?

Debbie explicou: "Ah não. Nosso tecladista (Jimmy Destri) recusou-se a tocá-la, porque substituiu seu papel. Ele ficou muito insultado por isso."

Chris Stein: " Sim, quero dizer, Giorgio era Giorgio. Era Giorgio e ele tinha dois caras, um era engenheiro e o outro era guitarrista e tecladista, e tenho certeza que eles substituíram várias partes de nossas partes. Podemos ter inventado e influenciado as partes, mas acho que elas foram refinadas por alguns desses caras. Clem está definitivamente lá, com certeza. Além disso, não posso ter certeza, porque apenas trabalhamos com ele muito rapidamente, desenvolvemos uma versão da coisa e, em seguida, ele disse que estava bem e, na próxima coisa, sabemos que ouvimos o produto final. Eu sei que é o pessoal do sintetizador dele, é o som padrão dele."



Fonte: Red Bull Academy


quinta-feira, 14 de novembro de 2019

BLONDIE NO BRASIL - POPLOAD FESTIVAL (SÃO PAULO) 15/11/2018 - EU ESTAVA LÁ!!!




A notícia que o Blondie viria ao Brasil em 15 de novembro no Popload Festival-2018, foi algo que eu e a maioria dos fãs já não mais esperavamos. Foram anos de tentativas pra trazê-los.  Eu mesmo já havia conversado com vários produtores, fizemos vários abaixo-assinados, tentamos chamar a atenção da mídia para a banda, mas tudo foi um tiro no escuro. Então, qual foi a surpresa em Março de 2018, quando o jornalista de rock, Lúcio Ribeiro, anunciou os artistas que fariam parte do Popload Festival em 15 de novembro de 2018, no Memorial da América Latina...Entre as surpresas estava o  Blondie no line-up oficial ...então começou para nós, fãs (e pra mim em especial), 6 meses de angustia e preparação para a vinda da banda ao país.

Enfrentando a fila no Cine Joia, Liberdade pra comprar ingresso - Março/2018

Uma das primeiras providências da minha parte, e mais obvia de todas, foi ir atrás do ingresso. Por meio do site de vendas, a única possibilidade de compra era através de cartão de credito. Com duas opções de escolha:  Pista Comum ou Pista Premium  (bem mais cara), somando-se a isto uma taxa de conveniência que aumentava o ingresso ainda mais(um abuso). Logo descobri que o ingresso poderia ser comprado sem a taxa, diretamente nas bilheterias do Cine Joia, na Liberdade...fui pra lá então no mesmo dia, atrás do ingresso após um exaustivo dia de trabalho, e lá chegando tive que  enfrentar um começo de fila de 8 pessoas. Finalmente o ingresso estava na mão após 30 minutos de espera....Comprei logo a Pista Premium, para ficar mais perto do Blondie... e lá se foram R$ 700,00 (tirando mais R$ 100,00 de consumo interno).

Ingresso na mão....não acredito...depois de 40 anos de espera!!!

Nesta longa espera de 6 meses, as coisas para o meu lado não ficaram boas...em junho, operei de hérnia inguinal bilateral, em setembro o pior baque, estava após 16 anos de serviço, direto no olho da rua e para piorar, minha tia-avó faleceu após um acidente, sem contar com problemas de doenças na família. Um ano bastante difícil somando ainda as angústias de arrumar um novo emprego...



Pulseira e Poster, chegaram uma semana antes do show.

Os meses iam passando, a ansiedade também. Já tínhamos uma comunidade de fãs do Blondie no Facebook(criada pela amiga baiana Maily Guimarães), que por sua vez, era oriunda de outra comunidade mais antiga, do Orkut (criada pela outra amiga, a paraense Juliana Camargo), que também era oriunda de meu grupo pioneiro de fãs do Blondie que existe desde 2000, de uma lista de discussão no Yahoo Grupos(minha criação). Com a certeza da vinda da banda, surpreendentemente, a comunidade cresceu quase 4 vezes, passando dos seus 120 membros para mais de 400 !!!  Foi quando tive a ideia de criar em agosto daquele ano, o primeiro grupo de What's up, que chegou a ter quase 50 membros ativos, se preparando para o grande show em Novembro.


Tive uma ideia bacana de usar balões em formato de coração para agitarmos na hora do clássico "Heart of Glass", a ideia original era usar balões a gás, mas eles eram proibidos de entrar no festival, então optei por levar balões comuns no formato de coração para distribuí-los no dia. Comprei um pacote com estes balões na região da rua 25 de Março em agosto e guardei até o dia do festival.

Na comunidade surgiu a ideia de irmos uniformizados com uma camiseta especial do grupo, eu achei a ideia interessante, mas lembrei que a Debbie como ícone da moda, odeia padronização e seria mais interessante cada um, fazer sua própria camiseta para o show. Eu já tinha em mente, o que iria usar no dia...

Os meses estavam passando e o show já era questão apenas de dias. Uma das preocupações dos fãs seria com relação ao horário, Blondie não seria o headline do show, mas sim, a cantora neozelandesa Lorde que com certeza iria fechar o show, então ficamos na expectativa que a banda se apresentasse antes dela, como foi o caso da P.J. Harvey, no Popload 2017 no mesmo lugar. O problema, foi que no caso da P.J., o show foi programado para as 18:20 horário de verão, e naquele dia, muito quente, muitos artistas reclamaram do calor (sem contar, os fãs), então conseguimos através de posts na comunidade do Popload que o show do Blondie ou fosse o último, ou fosse mais tarde. Por fim, duas semanas antes do show,  foi anunciado que eles iriam tocar a partir das 19:20 (com horário do verão). Só faltava saber se teriam tempo de tocar todo o repertório da turnê estimado entre 15 a 16 músicas. Infelizmente anunciaram posteriormente que entre os shows das bandas convidadas, em um palco secundário iriam ter artistas que se revezariam enquanto as atrações principais não começavam, com horários 5 minutos antes e depois das bandas principais. Isto fazia o setlist completo do Blondie ficar comprometido....

Divulgação do horário...Blondie tinha que fechar, né ?


Faltando uma semana, a banda cancelou a ida ao Chile, jogando um balde de água fria nos fãs do Brasil, já que as informações sobre a vinda da banda pra cá, ainda estavam desencontradas, mas o pessoal do Popload Festival, confirmou no mesmo dia, que a vinda deles estava confirmada, independente de ter ou não o show no Chile. Também estava confirmado o show dois dias depois em Buenos Aires. Menos mau, mas quando seria exatamente que a banda iria chegar ao país ? Sem o show no Chile dia 10/11 sábado, a expectativa era que a banda viria daquele país para o Brasil já no domingo dia 11/11, e com seu cancelamento, os fãs deduziram que eles passariam a vir na véspera do show, possivelmente no dia 14/11. Angústia e suposições...

Qual foi a surpresa geral dos fãs que no dia 12/11, segunda-feira, ao ler as mensagens do grupo no What's up, enquanto estava me preparando para um curso de informática na Paulista, descobrir que o produtor de vídeo da banda, Rob Roth, postara fotos da Debbie no Shopping Center Cidade de S.Paulo, na Av.Paulista.  Isto foi uma tremenda loucura, pois estava a poucos metros daquele lugar, mas não poderia sair da aula.  Debbie estava dando autógrafos, pra quem a  reconhecia.  O coração já havia disparado e a  vontade de ir pra lá aumentou(era só atravessar a avenida).  Nas fotos foram tiradas na parte da tarde, era possível que ela tenha chegado na parte da manhã. Posteriormente Mr.Roth, muito gente fina,  informou o nome do hotel na qual eles estavam hospedados, o Renaissance São Paulo Hotel, na própria região da Av.Paulista.

Debbie chega escoltada junto com Matt ...sem chance de aproximação


No dia 13/11, terça-feira,  resolvi seguir em direção ao Hotel Renaissance, na tentativa de conseguir ver alguém da banda. Era por volta das 13:30 quando cheguei no hotel e adentrei no saguão e fiquei esperando sentado. Algum tempo depois, reparei em um cara que tinha acabado de entrar, era o Leigh Foxx, baixista da banda, veterano que tocava com a Debbie desde a época da carreira solo dela no final dos anos 80. Fui rapidamente falar com ele, me apresentando. Ele foi legal comigo. Foi uma conversa rápida, e logo depois também vi o tecladista Matt Katz-Bohen, outro que me deu uma boa atenção. Perguntei pra ele se o Chris Stein, guitarrista fundador do Blondie iria tocar na quinta-feira,  Matt infelizmente deu a notícia que Chris não viria ao Brasil (depois confirmado pelo próprio, motivado por problemas de saúde, fazendo o ficar fora dos últimos 5 shows da banda naquele ano). Debbie então entrou rápida, escoltada por um segurança mau encarado, ela passou direto, sem tempo de falar com ninguém...fiquei um pouco frustrado, mas não era realmente o dia certo. Ela estava de tênis, usando uma calça de ginástica, camiseta e boné, parecia uma turista americana normal. Me despedi do Matt e do Foxx, pedi para eles darem o máximo no show do Brasil( Break legs, guys!). Satisfeito, segui para o Conjunto Nacional, que ficava a um quarteirão. Fiquei pouco tempo lá, e tive uma surpresa  ao sair... quem eu vejo entrado lá? Novamente o Leigh Foxx, ele me reconheceu e pedi pra tirar uma Self com ele, prontamente atendido. Pena não ter tirado uma com o Matt. Mas o dia estava ganho !!! Não me frustrei por não ter me encontrado com a Debbie Harry, em 2012, eu já havia realizado meu sonho (vide meu post sobre aquele dia).

Eu e Leigh Foxx, baixista do Blondie


O SEGUNDO ENCONTRO

No dia 14/11, uma grande surpresa. Tinha médico por volta das 13:30, só que o mesmo acabou sendo cancelado, e como já estava lá na Região da Paulista, resolvi seguir novamente para o Conjunto Nacional. Estava lendo as mensagens no What's up, quando descobri que dois fãs , o Jean Paulo e o Lou., estavam na porta do Hotel Renaissance, tentando ver a Debbie, que naquele momento havia entrado sem querer nenhum contato com os fãs. Naquele dia, as notícias eram que a Debbie não estava muito disposta de dar atenção aos fãs aqui no Brasil, e assim começaram a surgir comentários desagradáveis sobre ela. Resolvi dar uma força para os amigos, e como já estava ali perto, a um quarteirão do hotel, sai da Livraria Cultura e fui direto pra lá, entrando  no lobby e achando os dois fãs, que estavam acompanhados do produtor Rob Roth. Fui apresentado ao Rob, ele foi muito legal com a gente. Disse até que aquela era a segunda vez que vinha pra S.Paulo e que adorava a cidade. Rob deu uma força pra gente, pelo celular, pediu pra Debbie descer pra cumprimentar a gente (na verdade, apenas o Jean e o Lou, eu realmente estava de gaiato ali), resolvi então esperar para ver o que iria acontecer. Jean trouxe algumas lembranças para a banda, como bonequinhos personalizados dos integrantes do Blondie.  E todos ali estavam com livros, DVDs, fotos, LPs para serem autografados. O segurança mau encarado da Debbie, foi avisado antes pelo Rob, que ela nos encontraria sem problemas, e ele ficou na dele. O segurança da Debbie parece aqueles caras mau encarados da máfia italiana.


Nós, estávamos nos preparando para a chegada da Debbie, como estava de gaiato e já havia me encontrado em 2012 com ela, me ofereci para filmar e fotografar aquele momento enquanto o encontro com os fãs acontecia. Passados alguns minutos,  Debbie surgiu lá no fundo, saindo do elevador e caminhando em nossa direção, com seus cabelos loiros soltos, quase brancos, sem maquiagem, com calça de ginastica preta e uma camiseta azul-escura, com um desenho de uma costela de caveira amarela, da última turnê do GARBAGE, banda que fez uma excursão conjunta com o Blondie um ano antes, e que também tive o privilégio de assistir ao vivo uns dois anos antes.  Debbie, foi muito atenciosa, chegou, abraçou e beijou os fãs (prontamente registrado por mim e esperando silenciosamente a minha vez).  Logo os fãs pediram pra ela autografar seus pertences, o Jean , havia feito uma tatuagem da Debbie no dia anterior, e pediu pra ela autografar a mesma (horas depois, ele imortalizou no braço o autografo da Debbie, embaixo do desenho dela...sensacional). Ele levou também o livro nacional "Vidas Paralelas"(biografia não autorizada do Blondie que foi lançado no Brasil recentemente), que ela autografou  e  o Lou levou um DVD lançado apenas nas Lojas Americanas , um bootleg brasileiro, na qual a própria Debbie ficou surpresa ao ver, achando um pouco de graça. Neste momento que eu fazia os registro fotográficos, chegou uma moça por trás, que viu toda a movimentação e perguntou para mim se aquela pessoa ali dando autografo  era alguma famosa, eu respondi que era a Debbie Harry do Blondie, e ela respondeu depois "ah, sei, tá, não conheço", pouco depois saiu de fininho...Será que se eu anunciasse que era a Madonna era ficaria mais contente ???

Debbie ao lado de Rob, autografando para os fãs Lou e Jean

Então, na hora que todos tiveram suas coisas autografadas, foi minha vez de ir cumprimentar a Debbie, ela foi bem atenciosa comigo, deu bejinhos(sim, beijei a Debbie Harry !) e falei que era aquele rapaz na qual em 2012 havia abordado ela junto com um amigo, e perguntado quando ela traria o Blondie ao Brasil. Naquela ocasião ela havia falado que "lutaria pra trazer a banda pra cá". E naquele hora eu agradeci bastante por aquele momento ter chegado, ela gostou , pelo menos parecia que tinha me reconhecido. Pouco depois, pedi um self com ela, no meu celular, pra deixar registrado. Infelizmente,não levei nada pra autografar, pois nem passava na cabeça que aquilo aconteceria naquele dia. Queria ficar mais com ela, fazer perguntas, mas recebi uma ligação de celular de casa, pedindo meu retorno imediato, e tive que me despedir e ir embora...agora era só esperar o show com o coração a mil !!! Mas naquele momento, o dia já estava ganho. Pois pela segunda vez na vida, me encontrei com a Debbie. A self não ficou lá estas coisas, esqueci de tirar os óculos ou sorrir, mas ela fez a parte dela, muito bem. Quem sabe não nos encontraremos em um futuro próximo ?

Sem palavras neste meu segundo encontro...
O DIA

Dia 15/11, depois de 6 meses de espera,o dia mais aguardado para mim e para os fã brasileiros do Blondie naquele ano turbulento, havia chegado. O Popload Festival iria começar ao meio-dia, mas só estava interessado em ver o Blondie, agendado para a noite, então não liguei muito para a questão da hora. Tive compromissos na parte da manhã, mas 12:30 já estava em casa, almocei, e por volta das 13:30 fui tomar meu banho e me preparar fisicamente para o show da vida. A camiseta eu tinha duas opções, uma que comprei, prometendo só usar quando o Blondie viesse e outra similar, que veio de brinde quando comprei o livro "Vidas Paralelas". Apesar de já ter usado a mesma a uns anos atrás ela estava bem guardada e conservada. Preferi usar esta do livro, botei um broche do single "Heart of Glass", no boné do CBGB's que havia comprado na 'Galeria do Rock', arrumei minha mochila, coloquei os balões em formatos de coração para serem distribuídos para a galera (eram proibidos), máquina fotográfica, a pulseira de acesso ao Popload e parti para o festival as 14:40.  Metrô Conceição ao Metrô Barra Funda...Vamos que vamos...


Camelôs tinha camisetas interessantes...melhores que as da loja oficial do festival

Primeira amiga que encontrei, Raquel Silva


Ao descer na Estação Barra Funda, já escutava ao fundo as músicas que vinham do Festival que ficava ao lado do Metrô. No caminho, comprei uma capa de chuva, já que aquele dia estava bastante instável, havia caído uma chuva forte por volta do horário do almoço e parecia que ela voltaria a qualquer hora. Chegando ao Memorial da América Latina e me dirigindo a entrada da Pistas Premium, vi vários camelôs vendendo camisetas do Blondie (e de outras bandas), estava com a grana contada. Passei o primeiro bloqueio logo após a catraca de entrada, passei pela  revista dos seguranças, abri o mochila, mas o segurança não viu nada suspeito, ganhei um guia do festival e fui caminhando até o local reservado a Pista Premium...No caminho comecei a me encontrar com vários fãs que só conhecia das comunidades do Blondie no Brasil, a primeira foi a Raquel Silva, depois perto do palco foi a vez da Demi Simões e mais a frente me encontrei com o resto da galera, Maily Guimarães, Davi Hughes, Josh e logo depois o meu amigo grego Yannis, junto com outros amigos de fora, John Labrow (Reino Unido) e outro amigo escocês. Estes gringos são pessoas que viajam o mundo para ver o Blondie onde quer que ocorra. Incrível. Só o amigo Yannis, era a 100 vez que via a banda ao vivo(e eu no meu primeiro show...). Fui lá pegar um copão de cerveja (a Cervejaria Haineken patrocinava o festival) pra juntar a galera, e depois fui dar um rolê na área e achar outros fãs por ali. A medida que fui me encontrando com eles, fui passando as bexigas em formato de coração e explicando que deveriam ser usadas na hora de 'Heart of Glass', para todo mundo agitar. Uma pena não ter visto todo mundo, já que havia as divisões da plateia e também porque muitos queriam estar na grade. Rapidamente avistei o amigo Marcelo que esteve comigo quando encontramos a Debbie em 2012. E para ele, era o terceiro show que via, já que estava no grupo de brasileiros que foram ao Persona Fest de 2004 em Buenos Aires na Argentina e no Pepsi Festival em Santiago do Chile em 2009.



Grande Marcelo, espremido ali na fila do gargarejo. Terceiro show dele.

 Vi muitos famosos por ali, mas só me aproximei de dois que valeriam a pena, um deles o Fábio "Reverendo" Massari, ex-VJ da MTV, uma verdadeira enciclopédia do rock. Ele é fanático pelo Blondie, mas nunca teve a chance de entrevistar a Debbie (sonho dele) nestes anos todos, e me confessou que viu ela uma vez, cantando com o Jazz Passangers por volta de 1996, e estava louco pra ver o show do Brasil. Passei uma bexiga pra ele e tirei uma self legal. O outro foi o André Forastieri, que conversei rapidamente, especializado em cultura pop (foi editor da revista HERÓI) , também escreveu para as revistas SET e BIZZ, além de apresentar na Band, um programa de shows de rock, no final dos anos 80. Também estava lá pra ver tendências musicais novas, mas principalmente pelo Blondie. 

Com o "Reverendo" Fábio Massari

O pior, foi um fake news, que agitou os fãs, algumas horas antes. Logo que cheguei,  a banda AT THE DRIVE IN, havia terminado a apresentação, e no meio da galera, encontrei o jornalista e amigo, José Norberto Flesch. Ele havia me alertado que o Blondie seria a próxima banda, pois havia uma mudança não programada na escalação. O motivo teria sido a apresentação da banda seguinte, o DEATH CAB FOR THE CUTIES. Isto provocou um certo reboliço, pois a promotora do festival entrou no palco logo em seguida, falando que esta banda talvez não tocasse, eles estevam no camarim, e o vocalista da banda havia se acidentado. Passei o alerta para os fãs do Blondie, que ficaram muito agitados, já que alguns não haviam chegado ainda e foi meio que um desespero. Mas no final, o DEATH, entrou assim mesmo com o vocalista em uma cadeira de rodas, e tocou o show inteiro desta forma até o final. Minha amiga Demi Simões, havia me tranquilizado, falando que o Blondie não havia saído do hotel ainda, então eles não poderiam tocar antes do programado. Deni Simões tem um primo que foi motorista da banda neste dia e passava as informações pra ela.



As "Fake News" que quase jogaram água no nosso Chopp...sem graça !!!


Reencontrei o grupo com Maily, David, Josh e os gringos e logo depois do fim da apresentação do MGMT, partimos para ficarmos mais no meio, antes que os fãs da Lorde, invadissem ali de vez. Por volta da 19 horas (horário de verão), o sol, já começava a baixar, as nuvens de chuva começavam a se juntar novamente e me precavi, colocando a minha capa de chuva e me preparando para o show de corpo e alma. Os roadies  do Blondie, já estavam no palco, verificando os instrumentos e preparando para o show. 15 minutos depois já dava pra ver, bem escondido no fundo, os artistas se preparando para entrar. Primeiro o Tommy Kessler, depois o Matt.

Nós...os fãs...com gente do Brasil, Escócia... Inglaterra...Grécia...

Eu e a amiga Deni Simões (cujo primo foi chofer do Blondie no Brasil)


O SHOW

Então as 19:28, as luzes do palco foram apagadas, e pouco depois o  telão foi ligado com uma imagem parecendo de uma TV fora do ar, com um barulho do que parecia ser um enxame de abelhas...era a Introdução... o show havia começado! Minutos depois, com todos os músicos no palco,  a bateria de Clem Burke, começou a bater sem parar e os primeiros acordes anunciava..."One Way or Another" . Debbie foi a última a entrar no palco, vestindo uma saia laranja e uma capa branca estilizada com os dizeres : "Stop fucking the planet" (Pare de ferrar nosso planeta), cabelos loiros coloridos usando óculos escuro, chegando no meio do palco toda alegre para começar a cantar...só não esperava a reação do público já  antecipando e cantando primeiro sem espera-la, como se tivessem preso o grito na garganta por mais de 40 anos...até a Debbie ficou surpresa, e não deixou a peteca cair, cantou a música a pleno vapor para o delírio geral de todos indo de um lado ao outro do palco, para que todos pudesse vê-la. E no final da música, Clem já afinado, mostra sua marca registrada , joga sua baqueta para o alto e pegando as mesmas no ar para logo em seguida finalizar a música... e.começar uma nova.  Sem tempo de respirar.

Eu e a Priscila Brito (Blog Festivalando)


Os telões já anunciavam, "Doom or Destiny", música que tem a Joan Jett como convidada, que obviamente, só aparece no clip do telão. Música nova de disco novo, que a galera consegue cantar  sem problemas o refrão...com eu lá no meio..."oh,oh, this is doom or destiny...", e olha que a galera foi ao delírio mesmo quando o telão exibiu uma imagem de uma suástica e a frase 'push the nazi' (bata nos nazistas). Delírio total. Pronto, o Blondie havia conquistado o público e até o pessoal que foi pra lá só ver a Lorde e as outras bandas, pareciam animados também.


Blondie finalmente no Brasil

Debbie sendo exibida no telão do Popload 2018


Se a segunda música, do novo álbum 'Pollinator'(2017), levantou a galera, o que me dizer da próxima faixa, também do mesmo álbum, que pasmem...nem foi lançado fisicamente no país. Eu mesmo tive que apelar para a importação. E da-lhe "Fun", música dançante praticamente voltada ao público LGBT, que estava em peso no show e que foi ao delírio nas imagens mais ...calientes do clip. Alias,esta é outra música que usa e abusa do vídeo clip oficial no telão, como a anterior, com imagens e efeitos especiais , apesar de pessoalmente achar a música mais inferior de todo o repertório do Pollinator. Nesta faixa, Debbie já havia removido sua capa com a frase de protesto, e estava bem mais a vontade, e certa que já tinha fisgado o público.

Rock'n'Roll puro, veio !!!


Mas o melhor estava por vir...as baquetas de Clem começavam a bater na bateria feito loucas, ele que estava com a camiseta do CBGB's, não perdoou, logo depois vieram os acordes de ..."Call Me", levando  todos ao delírio, na verdade, estavam sendo preparados para um dos maiores hits do Blondie, música composta junto com o lendário Giorgio Moroder e que foi tema do filme "Gigolô Americano"(1980).  Nesta faixa, Debbie mostrou que ainda está bem afinada, pois a Diva começou a dar vários pulos no palco...isto já aos seus...73 anos !!! Olha que a música tem vários artifícios vocais na sua versão original gravada em 1981, mas a Debbie hoje não é mais aquela mocinha de quase 40 anos atrás, mas sabe usar sua voz ainda que de forma inteligente, preservando a garganta ao mesmo tempo que continuava a seduzir a platéia. No telão, imagens do passado da banda, tiradas do programa Party TV (programa underground novaiorquino, na qual o Blondie e seus membros sempre faziam presença). Outro destaque foi o tecladista Matt, usando um keytar nos acordes eletrônicos da canção, saindo de seu tradicional deck de teclados e indo de um lado ao outro  do palco acompanhando Debbie  e a banda. Pra mim, esperei a vida toda por aquilo...não dava pra acreditar, queria que nunca mais parasse..."Call Me" é finalizado com a apoteose de Clem Burke e Debbie fazendo gestos como se tivesse nervosa de tanto chamar o amante na letra da música. Com o fim desta apresentação  Debbie faz sua primeira chamada ao público, agradecendo S.Paulo e dizendo que estava tendo um grande momento na cidade, elogiando até a chuva fina que caia...


This is Doom or Destiny ???


Após os agradecimentos, sem tempo para respirar direito, novamente as baquetas de Clem Burke cadenciam para a próxima faixa..."Rapture". E com esta fusão entre o pop, rock e rap, que Debbie vai empolgando as pessoas da plateia, as vezes pedindo palmas, as vezes fazendo uma dancinha sexy ao som da guitarra de Tommy e com o público anestesiado, comigo  lá no meio pulando e apontando pro céu toda vez que o refrão é entoado Rap...tureeee!!!  Todos ali domados pela banda. Ainda havia um pouco de garoa e chuva fina. Nada que a boa capa de chuva de camelô não resolva.

Blondie no Popload Festival


Enquanto Debbie, dá uma parada pra tomar uma água e já sem os óculos escuros, o batera Clem prepara suas baquetas para a próxima canção. Debbie faz um aceno pra ele ficar prolongando a entrada, enquanto faz um discurso sobre a próxima canção, dedicado a todas as mulheres... “Gracias, thank you, obrigada. Só estamos aqui hoje porque vocês nos convidaram e agora queremos nos divertir”, disse Debbie Harry antes de dedicar a próxima canção, o hit do final  dos anos 90Maria”, música  que trouxe o Blondie de volta as atividades e as paradas, favorita da maioria com menos de 30 anos, com Debbie dedicando para “todas as mulheres da plateia ou para todos que querem ser mulheres....". Não precisa nem falar que foi uma das músicas que mais foram cantadas pelo público do início ao fim. Em um determinado momento que ela anda para um dos lados do palco(oposto ao meu), ela meio que dá um grito de susto na galera, para logo continuar a música. Debbie encerrou a música de forma bacana acenando para toda a platéia.


Josh, David, Maily e eu 

Com a noite sobre nós e sem a garoa que havia dado uma trégua, segue então "The Tide is High", um reggae gostoso que deixa a galera menos agitada, foi quando a Debbie pede para todo mundo acenar os braços, o que é atendido de imediato por todos... Nesta faixa, na hora do "I wanna be your number 1", nossos indicadores são voltados pra cima, pois todos querem ser o número 1 favorito da banda...Um fato interessante desta música ao vivo, já no finalzinho a música é acelerada  (incluindo uma alusão no telão do show), onde é rapidamente incluindo um pequeno fragmento da música do Deee Lite, 'Groove Is In The Heart', finalizando a mesma . É o momento também da Debbie requebrar um pouco no palco e dizer mais algumas palavras para o público.


Mariiiiiaaa...

Segue então a minha música preferida do álbum Pollinator,  "Long Time", tão gostosa de cantar que chega a agitar toda a galera. Ela meio que começa com uma batida muito parecida com o clássico 'Heart of Glass', mas acaba ganhando uma cadência diferente e com uma música e letra bacana, que tem seu clip oficial (outra pérola do Rob Roth)  exibida no telão.Com Debbie sem capa e bem a vontade, ela começa a bater palmas antes de começar a cantar . Uma das músicas do novo álbum que não poderia faltar de jeito nenhum. Nesta hora, já com a garoa indo embora, o céu deu até abriu, hora de tirar fora a capa de chuva, que já me incomodava. Mais um momento muito bacana de tantas coisas bacanas acontecendo.

Fun...

É preciso ter fôlego, a banda não dá trégua, logo vem outro clássico..."Atomic", a música que  fechou o movimento Disco e inaugurou a New Wave definitivamente. Debbie passa a mão nos cabelos, para mostrar que o seu 'hair' ainda continua  'beautiful', enquanto no telão é exibida a imagem pixielizada de uma explosão e fogo. E com um final apoteótico da música, com os músicos dando o máximo nos instrumentais, em especial Clem Burke e o guitarrista Tommy Kessler que mesmo sem Chris, dá conta total do recado, a ponto de tocar com a guitarra de costas e dar um pulo para encerrar a música. Delírio total da platéia. Nas nossas cabeças ficará o refrão Atomic, Atomic, Atomic...ecoando pra sempre....

Antes da música seguinte, Debbie começa a fazer  a apresentação dos membros da banda e agradecer a plateia  por estarmos ali...pois algo de maravilhoso iria acontecer em seguida...

Meus balões fazendo sucesso...na hora de Heart of Glass...mais um sonho realizado


Debbie começa dizendo que seu parceiro de longa data, Chris Stein, infelizmente não poderia vir ao Brasil com banda, e aquela próxima música era dedicada a ele...Era hora do clássico dos clássicos, aquilo que nos faz estar aqui na Terra, o sonho se tornando realidade...sim, estamos falando de "Heart of Glass", com nossos próprios corações batendo mais forte... Debbie então, começa a bater palmas para o alto, o que é acompanhado por todo o público. No telão, é exibido um coração de vidro, despedaçado...e sim, começamos  a ver os primeiros balões vermelhos em formato de coração, que eu havia distribuído para a platéia...  Logo apareceram mais outro, e mais outro, e durante a música, eles começaram a ser soltos no meio da platéia, para nosso delírio geral, aquilo que planejara  durante meses, estava acontecendo, mesmo que muitos dos balões, tenham sido perdidos ou estourados antes(incluindo o meu). Durante o refrão do 'uuu..oh, oh', cantado em coro pelo público, Debbie exclamou: "Que lindo". Nesta hora, até o cometido baixista Leigh Foxx, dá um sorriso e também consegue interagir com a platéia.  Debbie começa a agitar os braços novamente e pedindo para todos interagirem juntos, durante a parte do "lá, lá, lá...laranal lá, lá, lá...", com todos agitando os braços de uma forma sincronizada e linda. Mas o melhor ainda estava por vir, quando se pensa que a música iria acabar, ela se transforma em um trecho de "I Feel Love", clássico da discoteca (irmã em espírito de Heart of Glass), composta por Giorgio Moroder e imortalizada pela cantora Donna Summer. Neste momento o  tecladista Matt Katz-Bohen, sai de seus teclados, e vem novamente até mais perto do palco junto ao público, com um keytar, comandando a parte eletrônica. Hora da Debbie fazer uma dança sexy para todos e em seguida deixar o palco. Com o fim da música, os restos dos músicos também abandonam o palco...será que o show iria acabar ?


Blondie no Brasil pela primeira vez.

Debbie retornar ao palco com o resto do Blondie, para o encore final, agora com uma capa transparente com flores artificiais, fazendo referência ao álbum 'Pollinator'. Era hora da clássica música "Dreaming", para a infelicidade geral, pois é a música na qual eles encerram o show. Novamente é Clem que dá a cadência inicial de batidas para que o resto da banda o acompanhe.  Debbie perfeita no vocal, indo de um lado para o outro do palco, as vezes tentando conversar com a plateia , pedindo o "free, free, free" várias vezes. Ao cantar os últimos versos de “Dreaming”, aproveitou parte da letra para enfatizar: “Nós somos livres.... " apontando pra gente.  E é neste modo que ela dá um grande adeus, Clem juntou-se ao lado dela assim como o resto da banda para um abraço e comprimento final ao público. Antes de sair, Clem ainda joga a suas baquetas para o público e Tommy lança suas palhetas também em várias direções. Pouco depois , as luzes do palco são desligadas...e o telão começa a mostrar a próxima atração, sim, era o fim definitivo. Um misto de tristeza e felicidade ao mesmo tempo. Eram 20:30, exatamente uma hora de show. 

AFTER  !!

Afinal, o show foi curto ? Sim, infelizmente por causa do tempo no Festival, o Blondie só pôde tocar uma hora, mas no seu setlist divulgado posteriormente estavam outras músicas que foram cortadas como a clássica "Hanging on the Telephone", " Gravity", " Fragments", " Sugar on the Side" e " Too Much".  Curiosamente, dois dias depois na Argentina, eles tocaram todas estas músicas em um show maior...onde obviamente foram headline,  o que não aconteceu aqui :(.

Então o show acabou...luzes apagadas, mas o cérebro ainda custa acreditar que é o fim. Tanto tempo de espera...pra chegarmos ao fim. Se pudêssemos salvar na memória cada detalhe do show e revive-los novamente...seria maravilho. Depois de alguns minutos, os fãs do Blondie começam a deixar o recinto, para os fãs da Lorde, invadirem de vez, hora que resolvi dar uma andada pela área, e reencontrar meus amigos...ainda tinha gente na grade, no caso o amigo Marcelo, que tentava entregar um buquê de rosas para a Debbie, mas os roadies do festival impediram.  E eu e os amigos Maily, David e os gringos tentamos chegar ao camarim, mas também fomos barrados, não restou nada mais, do que me despedir e ir usar os créditos da pulseira cashless  para comer e beber alguma coisa. Na saída reencontrei os amigos blondiemaníacos, na qual ainda fomos ao estacionamento atrás do Memorial em uma última tentativa de conseguíamos ver alguém da banda, mas não dava mais. Era muita segurança em volta. Assim, me despedi de todos e fui embora, ainda no caminho encontrei outra amiga da comunidade, Lais Bello.

Sonho realizado...vi o Blondie !!!


Alguns detalhes que peguei no show:

Clem Burke, sempre elétrico, em um determinado momento do show, acaba se desequilibrando quase caindo para trás  perdendo as baquetas..., ele rapidamente se recompõe e  recomeça de novo, após um rápido 'Nome do Pai' , como se tivesse se benzendo.

Outro detalhe, são os bonequinhos que costumam acompanhar a banda, e que ficam em cima dos amplificadores das guitarras. Eles fazem parte do ritual de todas as apresentações feitas com a presença do Chris Stein. Como ele não veio, não teve bonequinhos lá..

Eu e a Lais Bello após o show.


No show, Debbie  ainda fez um discurso sobre o meio-ambiente e elogiou a natureza do Brasil, falando que gostaria de voltar um dia no Brasil para visitar a Amazônia em uma próxima oportunidade,  revelando inclusive qual foi seu jantar da noite anterior. “Nós comemos formigas. E foi muito gostoso, de verdade".

E na hora que começou a cair uma garoa, ela também disse:
“Antes de continuar, queria dizer que este é um show especial. Acho até legal essa chuvinha caindo”,...

Depois do show, ainda vi o roqueiro Supla e a namorada, sendo barrados na entrada do backstage pelos seguranças do festival, logo ele, amigo pessoal da Debbie...

Supla barrado na entrada do backstage do Blondie...
Enfim, um show que ficará eternizado na memória e a expectativa que um dia eles retornem para um show só deles, pois neste, eles juntaram quase 14 mil pessoas ! Porque como a Debbie disse no final do show...Dreaming is Free !!!( Sonhar é livre !!!) .


Souvenir do show...
Se você quer saber mais sobre a vinda do Blondie e o Popload Festival 2018, leia este artigo aqui.