quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Discografia completa revista - Tears for Fears- (1981 - 2022)

 





O Tears for Fears, é uma banda inglesa formada pela dupla Roland Orzabal (voz e guitarra) e Curt Smith (voz e baixo). Eles se tornaram bastante populares em meados dos anos 80, por fazer um rock voltado a new wave e synthpop, sem esquecer as suas letras politizadas, mas também dançantes e contagiantes. Tears for Fears era inicialmente associado com as bandas de sintetizadores new wave do começo dos anos 1980, mas posteriormente o estilo se ramificou para o rock e o pop mainstream, que os levaram para as paradas de sucesso internacionais.  A banda fez parte da Segunda Invasão Britânica nos Estados Unidos, dirigida pela MTV. Durante as décadas singles, houve uma ruptura entre Orzabal e Smith, sendo este último abandonando a banda após desentendimento com Orzabal que passou a liderar a banda sozinha entre 1991 a 2003, quando Smith, após fracassar em sua carreira solo, retornou a Tears For Fears e continuam até hoje apesar dos poucos lançamentos de estúdio. Aqui no Brasil ficaram conhecidos como..."Tias fofinhas" :)

A origem da banda, é outra chamada GRADUATE (1978 - 1980), fundada por Roland Orzabal(Guitarras, Teclados, Vocal principal) e Curt Smith( Baixo elétrico, Sintetizadores, Vocal principal (Ocasionalmente)) além de John Baker( Guitarra rítmica, Vocal principal (Ocasionalmente)), Steve Buck(Teclados e flauta) e Andy Marsden(bateria). Lançaram um álbum comercialmente chamado "Acting My Age" (1980), um seguinte estava sendo preparado em estúdio quando foi cancelado antes de ser finalizado (parte das músicas podem ser escutadas na versão estendida de "Acting My Age", lançado posteriormente). Este álbum lançado originalmente com 10 faixas merece ser escutado, pois é música de boa qualidade, não cansativa, de uma banda que realmente sonhava alto, nada querendo ser estratosférico, como o U2 ou Pink Floyd, mas que poderia ter futuros voos mais altos. New Wave interessante, com músicas alegres e dançantes...não existe hits parades aqui, mas as músicas são legais...Orzabal e Smith, decidiram deixar a banda e foram substituídos por outros músicos, mas não tiveram uma direção e ela acabou logo em seguida...quanto aos dois principais...formariam o Tears For Fears, um trabalhado que deixaram a alegria de lado e partiriam pra algo mais sério ...Mas recomendo escutarem o álbum "Acting My Age" em sua versão estendida, que tem material do 2° álbum, "Ambitions", interrompido no meio e nunca lançado. Que alias, também tinham músicas legais. Em geral, a banda Gradute tocava um estilo de New Wave com 'mod revival', as vezes com letras alegres ou satíricas.  


The Hurting (1983) - Álbum de estréia do Tears for Fears. Roland Orzabal e Curt Smith, partiram para montar outra banda com uma proposta diferente do Gradute. O tecladista Ian Stanley e o baterista Manny Elias foram integrados à banda . Em 1983 lançaram o The Hurting, com uma sonoridade extremamente eletrônica com canções baseadas em guitarras e sintetizadores, e contém letras que remetem à triste e amarga infância de Orzabal. Este álbum é considerado o mais conceitual da banda, pela sua referência ao sofrimento emocional e à terapia do "grito primal", desenvolvida pelo psicanalista Arthur Janov. Era uma new wave com tendências do synthpop influenciado por Gary Numan,  Talking Heads e Peter Gabriel. Ao mesmo tempo que as letras estilo mais melódicos remetia a banda para o lado do dark wave e rock gótico, sem ser exatamente isto, mantendo as características pop/rock. O álbum possui 3 singles que foram sucesso absoluto nas rádios inglesas e depois no resto do mundo: "Mad World" , "Pale Shelter" e "Change" . Um fator diferencial das outras bandas que estavam surgindo aos montes no mesmo período era as vozes conjuntas de Orzabal (mais agressiva e forte) com Smith(mas suave e melódica) e ainda tinha as melodias eletrônicas de synths bem construidas e cadência de guitarra, baixo e bateria criando canções que viraram clássicos. Outros destaques : "The Hurting" ,"Suffer The Children", "Start Of The Breakdown". Um álbum muito bom por sinal e uma ótima estreia...não foi atoa que chegou rapidamente ao primeiro lugar no Reino Unido conquistando crítica e público logo na estreia, e seus 3 singles foram todos top 5, nas charts britânicas. Vários discos de ouro e diamante pelo mundo também.


Songs from the Big Chair (1985) - Se o álbum de estreia os levaram ao topo, o segundo álbum mostrou que eles vieram realmente pra ficar. Não só continuar o sucesso mas ir um pouco mais além. O título do álbum reflete a visão da banda de ser alvo de uma imprensa musical inglesa hostil na época. Neste álbum, eles abandonam um pouco a melancolia do anterior e parte para músicas mais alegres, mas que não deixavam de ter letras fortes para o mundo. Uma abordagem mais leve, mas um pouco mais de guitarra em prioridade aos synths. As composições usam muitos estilos e influências diferentes, particularmente o rock progressivo como uma influência principal citada no álbum...um pop progressivo. E o álbum já começa bem, "Shout", um sucesso instantâneo, um verdadeiro hino dos anos 80. Se fosse apenas por esta música, o álbum já valeria a pena...mas segue com "The Working Hour", que apesar de não ser single, é uma música deliciosa. "Everybody Wants to Rule the World" é outra maravilha, um single sensacional, assim como Shout, não parava de tocar nas rádios. "Mothers Talk", primeiro single deste álbum, também outra música muito bem escrita, com uma pecada dance e batidas cadenciadas. "I Believe", esta música é uma canção lenta, ao piano e mais acústica na voz do Curt Smith, linda poesia. Mostrava que não só de batidas viveria a banda. "Broken", uma faixa meio um mix da próxima música...Então entra a grandiloquente  "Head Over Heels", outro single de sucesso que a banda já tocava ao vivo entre os dois discos e que cuja versão do álbum é uma versão ao vivo...alias, grande versão. Outro clássico oitentista. O álbum finaliza com "Listen", uma música instrumental com backing vocal feminino que lembra até um Pink Floyd pop, de 6 minutos....Pra quem escutar a versão Deluxe, verá algumas músicas instrumentais que poderiam ser proto-músicas do álbum e acabaram não sendo aproveitadas. Sons experimentais por assim dizer: "The Big Chair", "Empire Building" ,"The Marauders" , "Broken Revisited" e "The Conflict". O álbum Songs from the Big Chair, se tornou o maior álbum de vendagens da banda, um clássico dos anos 80 e com certeza um dos melhores álbuns produzidos naquele período. Ficou em 2° lugar no Reino Unido e 1° lugar nos States, graças principalmente a MTV e aos clips bastante manjados da banda e seus sucessos.



The Seeds of Love (1989) - O grande sucesso de Songs from the Big Chair, levou a banda ao estrelato mundial, tocaram em várias partes do globo (inclusive no Brasil), mas a ressaca deixaram eles de molho mais tempo para lançar um terceiro álbum, na qual dois integrantes Ian Stanley e Manny Elias, prefiriram seguir caminhos diferentes, deixando apenas Smith e Orzabal, que por sua vez começou a execer total liderança sobre a banda. Quando o álbum foi lançado, já no final da década, foi uma grande surpresa, pois muitos imaginavam que a banda já era...mas não...e o álbum é uma grande surpresa também, as músicas apresentam influências de vários estilos: jazz e blues até The Beatles, na qual os estilos variam do pop progressivo ao neo-psicodelismo. A música 'beatlemaniaca' é  "Sowing the Seeds of Love", o maior sucesso do álbum. A balada "Woman in Chains", outro grande hit no mundo inteiro e 1º lugar no Brasil, contou com a participação especial de Phil Collins na bateria e Oleta Adams - que alcançou o sucesso graças ao seu descobrimento por Roland Orzabal, com quem divide os vocais nessa canção. "Advice for the Young at Heart, também foi outro single que teve bom sucesso nas rádios e no Brasil foi tema de novela global das 20 horas. Apesar do disco não ser superior ao anterior, mostrou uma banda com uma versalidade grande e é até mais romântico. Pareciam que estavam em um caminho certo. Por estas 3 canções, o álbum já vale bastante ser escutado. As outras faixas destaco também "Year of the Knife" e "Standing on the Corner of the Third World"  que são musicas bacanas com letras também legais. 4 Faixas bônus da versão relançada parecem mais músicas instrumentais onde posteriormente se teriam letras, mas que não foram finalizadas. Como por exemplo, "Tears Roll Down", que acabou sendo lançada finalizada posteriormente. Esta versão do álbum ainda é muito instrumental com muita batida e percussão.

Infelizmente, as tenções de Orzabal e Curt Smith, fazem este último abandonar a banda em 1991, e se mudar para NY, onde lançaria um novo álbum solo(com sucesso mediano) e colaborações com outros artistas. Foi 1º lugar no Reino Unido e 8° nos States, ainda ganhando boas posições em vários países do mundo.


Tears Roll Down (Greatest Hits 1982-1992) - (1992) - A coletânea lançada um ano após a partida de Smith, mas com os sucessos dos 3 álbuns do Tears For Fears. Se em 3 álbuns vc possui 3 singles de sucesso por álbum, estão 9 faixas, valem muito a pena, pois é o fino do pop/rock oitentista que se sustenta bastante. A única música inédita, é a bacana "Laid So Low (Tears Roll Down)", uma música inacabada do álbum anterior, inclusive foi lado B de "Sowing the Seeds of Love", e saiu na versão atualizada como bônus. No Greatest Hits, ela ganha vozes e letras, mas não tem a voz de Curt Smith, que já havia abandonado a banda. Uma ótima coletânea para quem começar a ouvir Tears for Fears. Bastante recomendável. Foi 2° lugar no Reino Unido e 53° lugar nos States...Eu tenho ela em CD na minha coleção particular.



Elemental (1993) - Primeiro álbum sem Curt Smith, com Orzabal assumindo tudo. Apesar de tudo, não é um álbum ruim, na verdade é um bom álbum, mas falta ali uma voz que conhecemos, né ? Apesar da voz de Orzabal ter dotes vocalicos maiores que Smith, a dualidade das vozes, era que fazia o Tears for Fears ser aquele sucesso da década anterior. Este álbum continua o flete com o pop progressivo, um pouco da new wave bem diluida e um casamento com o rock alternativo dos anos 90, o que faz dele bem interessante. O álbum também reflete a saída de Smith da banda, nas palavras e canções de Orzabal, um divórcio. Temos um single ótimo alias, que chegou bem as paradas, o que foi uma surpresa, mas foi a última vez que isto aconteceu, "Break It Down Again" , tocou nas rádios neste período. Alias continua até hoje no setlist da banda em seus shows.  "Elemental" e "Cold" também são duas músicas boas que seguram bem o álbum, se fossem por elas, valeria a pena escutar o mesmo. O restante são musicas mais ao estilo alternativo segurado pela voz de Orzabal. O álbum conseguiu chegar ao n° 5 no Reino Unido e não foi bem nos states, apenas o 45° lugar e desempenhos moderados em outras praças. 



Raoul and the Kings of Spain (1995) - Quarto álbum do Tears for Fears e segundo com apenas Roland Orzabal no comando, após a saída de Curt Smith. Obviamente que soa como um álbum solo do Orzabal, já que sem a presença de Smith neste álbum, fizeram os fãs torcerem o nariz durante seu lançamento, inclusive eu.  Mas por incrível que pareça, o álbum é muito bom , a voz de Orzabal é poderosa e seus timbres são característicos aqui. O álbum tem como tema recorrente as relações familiares e aprofunda sua própria herança espanhola. O título do álbum foi debatido já na década de 1980 como um possível candidato ao terceiro álbum da banda (que acabou se tornando The Seeds of Love). Raoul era originalmente o primeiro nome de Orzabal dado no nascimento antes de ser anglicizado por seus pais para Roland (Orzabal mais tarde deu o nome de "Raoul" ao seu primeiro filho, nascido em 1991). Tem muitas características que lembram bastante o Seeds of Love. Duas faixas que gostei bastante são logo as duas primeiras:  "Raoul and the Kings of Spain" e "Falling Down". Outra interessante, bem latina é "Los Reyes Católicos", podemos ouvir até um pouco de flamenco ao fundo. Outra faixa interessante é  "Me and My Big Ideas" com o retorno da vocalista  Oleta Adams, que participou de "Seeds of Love". Mas é claro, ainda falta ali uma pitada de Curt Smith, e talvez este álbum seria fantástico. Mas não é um álbum ruim. Infelizmente crítica e fãs fizeram deste álbum o menos vendido da banda. 41° no Reino Unido e 79° nos States...o álbum seguinte do Orzabal, preferiu definir como solo apenas, sem o nome da banda...Tomcats Screaming Outside lançado em 2001, na qual não terá review aqui.



Everybody Loves a Happy Ending (2004) - No começo de 2000, Curt Smith e Orzabal, se acertaram, deixaram as diferenças de lado. Então finalmente saiu um novo álbum de estúdio com o retorno de Smith ao lado de Orzabal.Isto foi lançado por um selo independente. Alias o nome do álbum é bem sarcástico que poderia ser traduzido como "Todo mundo adora um final feliz"... O álbum é bem diferente dos anteriores com Orzabal, apenas mas também não tem o mesmo impacto dos álbuns produzidos anos anos 80. Fica entre o pop rock e art rock em um som que seria uma emulação dos Beatles fase pós Rubber soul com R.E.M. dos anos 90. Talvez a faixa mais interessante seria "Secret World". Mas sinto falta da química vocálica que havia nos primeiros álbuns, não que o álbum seja todo ruim, ele é bom, mas até os álbuns que tem apenas o Orzabal, são melhores que ele. Então este retorno ficou devendo. Parece que Smith e Orzabal, resolveram acender uma fogueira na praia e cantar canções de amor e relembrar o Flower Power dos anos 60, com pensamentos vagos...A dualidade das vozes que haviam nos primeiros álbuns, não se fez muito presente neste novo álbum. Ficou em 46° lugar no Reino Unido (pior colocação na história da banda) e 46° nos States.



Rule the World: The Greatest Hits (2017) - Smith e Orzabal, após o fraco desempenho de 'Everybody Loves a Happy Ending', demoraram algum tempo para começar novo projeto. Enquanto a preparação de um novo álbum de estúdio continuava a passos lentos, eles lançaram esta nova coletânea em 2017, com seus grandes sucessos, incluindo músicas dos discos que Orzabal esteve sozinho e do último Everybody...Pra incrementar mais um pouco a coletânea, duas músicas novas,  "Stay" e "I Love You but I'm Lost" chegando a agendar uma turnê mundial entre 2018 a 2019, cancelada por problemas de saúde...e logo viria a pandemia. Tocaram inclusive no Rock in Rio de 2017. Os principais clássicos que fizeram o Tears for Fears um grande sucesso na década de 80 estão lá, mas isto já havia ocorrido também com a coletânea anterior, 

Tears Roll Down (92). Então aqui o que se sustenta também são as inéditas:  "I Love You but I'm Lost" co/escrito com  Dan Smith do Bastille, musica moderninha, mas sem muitas pretensões por assim dizer.  "Stay", é uma música do Curt Smith, na voz dele, bem lentinha...mas, não passa disto. Mas a coletânea tem também surpresas pra clássicos, "Mothers Talk" (U.S. remix) versão não superior a original mas foi a faixa produzida especialmente para o mercado americano, as vezes ficam mais abafadas. "Change" (radio edit), versão de rádio um pouquíssimas diferenças da faixa original do LP. "Pale Shelter" está erroneamente descrita como segunda versão de single, mas se trata da mesma versão do LP original. E ainda temos as melhores músicas dos álbuns sem Smith e com o retorno dele.  "Break It Down Again","Raoul and the Kings of Spain" e "Closest Thing to Heaven". Uma definição final, esta coletânea é um "Tears Roll Down -Greatest Hits" com esteroides, se posso definir isto. Chegou a 12° no Reino Unido e 87° lugar nos States...muito abaixo da primeira coletânea de 1992.



The Tipping Point (2022) - Demoraram 18 longos anos para que Orzabal e Smith resolvessem voltar ao estúdio para lançar um álbum inédito. Os últimos cinco anos de vida de Caroline, esposa do cantor e compositor Roland Orzabal, não foram fáceis. Alcoólatra, ela misturava bebida com remédios controlados. Como consequência, desenvolveu demência e a cirrose que a mataria em 2017. Orzabal acompanhou a esposa nessa angustiante via-crúcis. Atingido em cheio pelo drama, acabou ele próprio internado em uma clínica de reabilitação. Quando saiu, percebeu que Curt Smith, seu parceiro artístico de longa data no Tears for Fears, seria seu porto seguro para enfrentar a nova fase da vida. No primeiro álbum da dupla em quase vinte anos, o recém-lançado The Tipping Point, Orzabal canta sobre a tragédia com uma sinceridade desconcertante. “A vida é cruel, a vida é dura / A vida é louca, é louca, e então tudo vira pó”, diz a letra da faixa-título, escrita logo após a morte de Caroline...E então, o que esperar de um álbum destes ??? Não espera...escuta, pois é muito bom !!! Sim, Orzabal e Smith, abandonam o paz e amor do "Everybody Loves a Happy Ending", e partem para produzir um álbum bem maduro, seguro, com rock e eletrônica juntas seus melhores trabalhos desde "The Seeds of Love". Começa com "No Small Thing", uma canção bacana, passa pelo single de promoção, "The Tipping Point", uma música legal, mas que não é nem de longe a melhor do álbum, "My Demons" como se a banda quisesse  soar tipo Depeche Mode, e finaliza com "Master Plan" e "End of Night", duas músicas sensacionais de boa produção até acabar com "Stay", faixa presente na coletânea de 2017, mas aqui com uma roupagem mais pop. Então é o melhor Tears for Fears de volta ? Bom, o disco é ótimo, um dos melhores do ano (mesmo porque não precisa ser muito bom pra produzir qualquer coisa boa hoje), mas não é ainda a volta ao passado. Algumas músicas ainda soam com a dualidade antiga das vozes de Orzabal e Smith, outras nem tanto, mas o produto final é bem interessante e merece ser escutado. A recepção foi ótima, foi 2° lugar no Reino Unido e 8° nos States . Conseguiu bons frutos provando que a banda ainda pode continuar por um bom tempo...




Conclusão: O Tears for Fears é uma grande banda dos anos 80, conseguiram se manter na década com ótima música, não foram 'one hit only', tiveram vários sucessos, mas também tiveram uma crise interna que infelizmente rachou a banda...Orzabal levou o nome da banda em dois álbuns interessantes, mas que não conseguiram captura a essência original e Smith fracassou na carreira solo. Retornaram nos anos 2000, mas produziram pouca coisa, um álbum médio, mas agora em 2022, parece que finalmente conseguiram acertar os trilhos...e esperamos que os dois grandes nomes da banda, continuem assim por muito e muito tempo e façam novamente um grande som que os fizeram atingir o sucesso do passado.


Nota para banda :  4 de 5

Nota para Composições: 4 de 5

Banda tenta encontrar seu passado para voltar ao sucesso, é o atual momento do Tears for Fears no atual cenário fonográfico, ao mesmo tempo que tentam se encaixar com a juventude atual sem esquecer as lições do passado. 



sábado, 20 de agosto de 2022

Discografia completa revista - U2 - Parte I - (1980 - 1990)

 




O U2 é uma banda da Republica da Irlanda, formada em 1976 que possui até hoje a mesma formação original: Bono Vox (vocalista),  The Edge (guitarra, teclado e backing vocal), Adam Clayton (baixo) e Larry Mullen Jr. (bateria e percussão). Surgiram na Irlanda, em meio ao conturbado período do Punk e adotaram a postura do pós-punk com letra as vezes fortes ou sons melódicos muitas vezes com uma tendência bastante religiosa cristã e política, que arrebatou fãs no mundo inteiro. No meu caso, conheci a banda pela rádio que escutava em Belo Horizonte, por volta de 1986 e do álbum The Joshua Tree, seus clips sempre passavam nos programas de TV, como Clip Clip(Globo) ou FM TV(Manchete) ou Superspecial(Band). O nome da banda foi tirado de um avião espião americano usado durante a Guerra Fria.


BOY (1980) - 1° álbum da banda lançada pela gravadora britânica Island Records. Os temas comuns entre canções do álbum são os pensamentos e frustrações da adolescência. A música que abre o álbum, foi o segundo single da banda, "I Will Follow", que sobreviveu ao repertório grande da banda em shows, até hoje. Logo de cara da pra sentir os riffs de The Edge, com o baixo de Clayton e a bateria cadenciada quase militar de Larry, somando-se a isto a bela voz poderosa de Bono Vox, na qual sem ela e o carisma do vocalista, a banda não alcançaria o status que alcançou. As músicas seguintes, são praticamente desconhecidas pra mim, "Twilight" é uma boa música, mas a seguinte, "An Cat Dubh" é bastante poderosa, não sei o motivo de não ter feito sucesso posteriormente. Temos "Into the Heart", com uma balada que ganha bons resultados na voz de Bono e "Out of Control", na qual os riffs de The Edge, já denunciam a herança punk que a banda carrega... e isto vai seguindo nas outras músicas do disco, fazendo o álbum, uma estreia muito interessante e uma aposta acertada pela gravadora. Outra música que gostei, "Eletric Co", é uma balada poderosa. Então, o álbum tem a pegada boa pós-punk, não chega a ser nada sóbrio como Cure ou Joy Division, mas os acordes punks estão lá, mas as boas melodias também. Foi uma boa estreia. O álbum chegou a posição 52° no Reino Unido e 63° nos States, sendo que no seu país de origem, 13° lugar. Posições não muito animadoras, mas a gravadora estava apostando fichas de que a banda teria um futuro promissor. 

OCTUBER (1981) - 2° álbum de estúdio do U2. O álbum contou com temas espirituais, inspirados por Bono, The Edge e Larry Mullen Jr., associados em um grupo cristão chamado "Shalom Fellowship", que levou-os a questionar a relação entre a fé cristã e estilo de vida do rock and roll. O álbum parece seguir muito o caminho do anterior. Você consegue sentir a guitarra do Edge, o baixo do Clayton, a batida do Larry e a voz do Bono, mas achei que não teve uma evolução maior que o álbum anterior, é ainda uma banda amadurecendo, eles ainda estão no underground do pós-punk, esperando uma oportunidade maior de estourarem. Nesta época, a tendência do mainstream era formada por bandas com pegada pesada, Heavy Metal, Hard Rock ou bandas voltadas aos sintetizadores e new wave e suas vertentes do synthpop. O registro colocado uma ênfase na religião e espiritualidade, especialmente nas canções "Gloria" (com um latim no refrão de "Gloria, in te domine"), "With a Shout (Jerusalem)" e "Tomorrow". Sobre o álbum, Bono declarou em 2005: "Você pode imaginar o seu segundo álbum — o difícil segundo álbum — é sobre Deus?" Então é ainda uma banda cristã tentando atingir seus fieis fãs...Alias, deste álbum "Gloria" sobreviveu ao repertório de shows da banda. Música ótima e cativante. E existem músicas que são apenas instrumentais: "October", "Scarlet" e "Is That All?".  Ficou na posição 11° no Reino Unido (uma boa subida com relação ao álbum anterior) e 104° nos States (um mercado que precisa ser melhor trabalhado).

WAR (1983) - 3° álbum de estúdio do U2. O álbum chegou a ser considerado como o primeiro álbum abertamente político do U2, em parte por causa de canções como "Sunday Bloody Sunday" e "New Year's Day", bem como o título, que se origina da percepção da banda sobre o mundo na época; Bono afirmou que "a guerra parecia ser o tema para 1982". Então volta na capa o mesmo garoto de Boy, mas desta vez com cara de bravo. O Reino Unido estava saindo da Guerra das Malvinas com a Argentina e havia vários conflitos no mundo, principalmente em torno da Guerra Fria e a polarização (EUA X URSS). Então o álbum abre magnificamente com a música que se tornaria um dos maiores clássicos, "Sunday, Blood Sunday", pouco depois temos "New Year's Day", a minha música preferida da banda. Só estas duas já valem o álbum. As outras faixas, seguem uma banda tentando pegar uma batida mais poderosa, riffs punks e canções politizadas, talvez um dos álbuns até agora mais pesados. No final, as faixas "Surrender" e a bacana "40", deixam um pouco para um som mais suave e esperançoso.  O álbum foi descrito como a gravação onde a banda "transformou o pacifismo em uma cruzada". Eles não vieram pra brincadeira, e isto foi positivo. Atingiu em cheio o 1° Lugar no Reino Unido (destronando nada mais, nada menos que  Thriller do Michael Jackson). Nos States foi 12°. Foi um álbum marcante, pois a banda passou também a focar agora os EUA em uma grande turnê que gerou outro álbum bacana...

Under a Blood Red Sky (1983) - 1° álbum live do U2. O álbum é composto por gravações ao vivo de três shows da banda durante a War Tour de Colorado, em Boston, e na Alemanha. Em destaques do álbum, inclui a versão de "Sunday Bloody Sunday" (famosa por Bono introduzir com as palavras, "esta não é uma canção de rebeldia") e um animado b-side, "Party Girl".  Um vídeo que o acompanha, intitulado Live at Red Rocks: Under a Blood Red Sky foi lançado no ano seguinte. Ao contrário do álbum, o filme foi gravado inteiramente no exterior do "Red Rocks Amphitheatre" em 5 de junho de 1983. O desempenho da banda de "Sunday Bloody Sunday" do filme tem sido citado como uma dos "50 momentos que mudaram a história do rock n' roll". O mais bacana deste álbum ao vivo é pegar as principais músicas dos álbuns iniciais do U2, e exibir algo ainda melhor e mais marcante que suas versões de estúdio. Ao lado de Pink Floyd por exemplo, as músicas do U2, são muito mais ricas ao vivo do que nas suas versões originais, fazendo com que elas ganhem novas dimensões. "The Electric Co."  e "40" são duas faixas que ganham vidas novas ao vivo e são sensacionais. Este LP, mesmo que ao vivo, vale bastante para mostrar que Bono tem a plateia dos lugares onde canta nas mãos e a banda tem um direção segura ao vivo. Ficam em 2° lugar no Reino Unido e ...28° nos States..

The Unforgettable Fire (1984) - 4° álbum de estúdio, o primeiro com a produção de  Brian Eno e Daniel Lanois, que preparam o U2 para um outro patamar da música.  A banda queria um estilo musical diferente, seguido de uma batida mais dura que seu álbum de 1983, War. Os dois produtores ajudaram a banda a uma experimentação de mais música ambiente e um som abstrato. O resultado da mudança na direção na época da banda era a mais dramática. Eles abandonam de vez a incerteza do pós-punk e partem para experimentar e abraçar grandes audiências. Para agradar direto ao público americano na qual queriam conquistar, fazem duas músicas em homenagem a Martin Luther King, líder dos direitos humanos dos anos 60 e um dos guias de Bono Vox: "Pride (In the Name of Love)" e  "The Unforgettable Fire", que viraram dois hits do álbum. Ainda podemos destacar "Bad", sobre o vício de heroína.  "Wire", tem uma batida pesada legal, não conhecia, achei muito boa. "Elvis Presley and America" , "4th of July" e "MLK", são com temas especialmente americanos E eles acertam em cheio. É o melhor álbum de estúdio até agora e deixa a banda pronta para voos ainda maiores... Conseguem repetir o sucesso de Bad, 1° Lugar no Reino Unido e 12° nos States...


Wide Awake in America (1985) - E.P. entre álbuns do U2, gravação ao vivo de shows da banda. Ele combina duas performances ao vivo de músicas do grupo do álbum de estúdio de 1985, The Unforgettable Fire com dois b-sides da época, que tinha sido previamente disponíveis apenas no Reino Unido. Lançado apenas nos States e depois Japão. Relançado depois em 1990 para todo o mundo. O EP serve de consolo de espera para um próximo álbum do U2, que só seria lançado dois anos depois, mas deixa o "esquenta" para os americanos sentirem com um convite para o que vem ai...As duas primeiras faixas, são performances ao vivo em lugares diferentes do Reino Unido. Começa com "Bad", em uma versão um pouco abafada (algumas gravações de shows posteriores, são melhores trabalhadas), mas como é uma bela canção, tem muita vibração ocasionada pelos instrumentais da banda e a voz do Bono. Esta gravação é de um show  no National Exhibition Centre, em Birmingham, Inglaterra, em 12 de novembro de 1984, como parte da Unforgettable Tour. A música seguinte, "A Sort of Homecoming" é ao vivo do Estádio de Wembley, em Londres, Inglaterra em 15 de novembro de 1984, com um pouco de ruido. As duas seguintes são versões de estúdio, "The Three Sunrises", produzida por Brian Eno e Daniel Lanois, é um B-side muito bom , seria muito interessante a banda tocar esta música nas turnês. A seguinte, "Love Comes Tumbling", parece uma emulação de Bono com uma voz meio Bowie meio Brian Ferry, uma baladinha de amor. O EP chegou a 11° posição no Reino Unido e 37 nos States. Ainda vale a pena a escutada.


The Joshua Tree (1987) - 5° álbum de estúdio...U2, não quer desistir, quer tomar o mundo de assalto. Os álbuns anteriores foram apenas refresco para algo que estava por vir. O U2 assina contrato milionário que apenas grandes estrelas como Michael Jackson, Madonna ou Rolling Stones assinaram nesta época. Então se entrega de corpo e alma para criar seu melhor álbum...depois de 3 anos do último. Um álbum conceitual...O resultado é uma esperada obra-prima, da mesma forma que Beatles tem seu Sgt Peppers, e Pink Floyd o seu Dark Side of the Moon, o U2 tem em The Joshua Tree, seu mais importante álbum da carreira, um documento histórico que coloca a banda no panteão sagrado dos grandes da música. Novamente produzidos por Daniel Lanois e Brian Eno. Em contraste com o ambiente de experimentação do lançamento de seu álbum de 1984, The Unforgettable Fire, o U2 destinou um som mais cru e pulsante em The Joshua Tree, dentro dos limites das estruturas estritas das músicas. O álbum é influenciado pela música americana e música irlandesa, e retrata os sentimentos conflitantes de amor e ódio dentro dos Estados Unidos, com letras socialmente e politicamente conscientes embelezadas com imagens espirituais. Quando se fala neste disco, pode ter certeza, do começo ou fim, não tem música ruim ou mais ou menos. São muito bem executadas, escritas e várias delas fazem parte dos hits do U2. As 3 primeiras são clássicas:"Where the Streets Have No Name" , "I Still Haven't Found What I'm Looking For" e "With or Without You". As seguintes continuam com um ótimo ritmo na qual o U2 abandona de vez o som pesado do Punk/Pós Punk e parte pra criar canções misturadas com blues e country americano. Letra sobre mães desesperadas, cristianismo (novamente), esperança em uma terra de oportunidades..."In God's Country" é outra maravilhosa junto com "One Tree Hill". O álbum colocou o U2 no topo, onde os Beatles estiveram um dia, 1° Lugar, no Reino Unido...1° Lugar nos States, e 1° Lugar em várias partes do mundo. Um álbum simplesmente maravilhoso.

Rattle and Hum (1988) - 6° álbum de estúdio e também com faixas ao vivo da turnê do grandioso The Joshua Tree ao mesmo tempo que serviu de trilha sonora para o filme de cinema lançado no mesmo ano(igual os Beatles faziam nos anos 60), com um documentário da turnê do U2 pelos EUA, o que leva todo projeto também como conceitual. Este álbum continua a pegada anterior, da busca da banda de conquistar a América. O filme  mostra toda a saga da banda na turnê americana, uma verdadeira 'way of life' para a banda, incluindo visita a Graceland, terra do Elvis, encontro com músico de rua, cover dos Beatles,"Helter Skelter", pegando de volta a música roubada pelo psicopata, Charles Manson, um pouco de Jimmy Hendrix,"The Star Spangled Banner", e até um inusitado encontro do U2 com o mestre do Blues, B.B.King,"When Love Comes to Town" em uma fantástica parceria. É fenomenal. Se o objetivo era ser superior ao Joshua Tree, a banda consegue com louvor. Bono Vox, cada vez mais messiânico, fazendo pregações pelos direitos humanos, contra o racismo, o  apartheid na África do Sul. E o álbum surpreende bastante, temos três músicas novas da turnê que são executadas até hoje, virando clássicas:  "Desire", "Angel of Harlem" e "All I Want Is You".  Até o The Edge, se arrisca em uma canção, a fabulosa "Van Diemen's Land", a voz dele chega a ser tão boa quanto a do Bono. Os clássicos antigos ao vivo ??? Sim, mas de albuns anteriores a The Joshua Tree, pra não ser apenas um álbum repeteco live, "I Still Haven't Found What I'm Looking For" (com o coro do coral negro do Harlem de NY) e "Pride (In the Name of Love)" com direito a uma  homenagem a Martin Luther King Jr. Chego a dizer que o álbum foi tão bom, que supera The Joshua Tree e é meu álbum preferido do U2. Assim como o anterior, 1° Lugar no Reino Unido e nos Estados Unidos e em outras partes do mundo. O U2 estava no topo e ninguém tirava eles de lá. Bono Vox e a banda poderiam fazer qualquer coisa agora.


U2 -The Best of 1980-1990 (1990) - Primeira coletânea de peso do U2. Mostrando porque foram a principal banda dos anos 80. Para fechar a década de 80 com chave de ouro, o U2 nos presenteia com esta coletânea dupla com os melhores sucessos e raridades/Lados Bs de singles. Talvez seja uma melhor maneira de se começar a escutar o U2 e escutar o que ele tem de melhor (em verdade eu recomendo os três últimos álbuns da década: The Unforgettable Fire , The Joshua Tree e Rattle and Hum). As faixas não estão dispostas em ordem cronológicas de lançamento, pois as músicas acabam sendo atemporais. Ao todo são 3 músicas do álbum Boy, uma do War, uma do Octuber, 3 do The Unforgettable Fire, 3 do The Joshua Tree e 3 do Rattle and Hum. Um presente desta coletânea é a inédita faixa: "Sweetest Thing", uma baladinha despretensiosa, na qual Bono finalizou após alguns anos, como um pedido de desculpas a esposa por estar ausente estes anos todos de sucesso. O clip é bem interessante, mas a música não é assim tão fantástica.  Mas o álbum é duplo, e o disco 2 temos as grandes surpresas que fazem esta coletânea indispensável. Os grandes lados Bs: "The Three Sunrises" (The  Unforgettable Fire), "Spanish Eyes" (The Joshua Tree), a demo original de "Sweetest Thing" (The Joshua Tree), "Love Comes Tumbling" e "Bass Trap" (ambos do The  Unforgettable Fire) e algumas surpresas como covers: "Dancing Barefoot" (original da Patti Smith), "Everlasting Love" (famosa na voz da cantora tecnopop alemã, Sandra),  "Unchained Melody" (famosa canção do filme Ghost, originalmente gravada pelos Righteous Brothers e posteriomente pelo Elvis Presley). E as versões de estúdio do The Joshua Tree que viraram lados B's e posteriormente foram para trilha ao vivo do Rattle and Hum : "Walk to the Water", "Luminous Times (Hold on to Love)","Hallelujah Here She Comes", "Silver and Gold","Endless Deep" e mais um bônus ao vivo com umas brincadeiras: "Trash, Trampoline and the Party Girl". Vale a pena comprar então esta coletânea ? Bom, o disco 1 são dos álbuns conhecidos, mas o disco 2 são todas versões conhecidas apenas dos singles e raridades nunca vistas. Então vale muito !!! Esta coletânea foi 1° lugar no Reino Unido e 2° lugar nos States...só sucesso .


Conclusão: O U2, foi um fenômeno mundial. Vieram da pobre e castigada Irlanda, cresceram dentro dentro do disputadíssimo mercado britânico (que já desconfiam de irlandeses), conquistaram a Europa, arrasaram nos Estados Unidos, resgatando inclusive a música americana de qualidade e que origem ao rock como o Country, Rhythm and blues e o velho rock e dominaram o mundo e quase toda a década de 80...foram a banda principal desta década, como Beatles e Pink Floyd lideraram nos anos 60 e 70. Bono se tornou um ativista humanista para várias causas de toda o Planeta Terra, a banda ganhou fãs que tornaram o U2 quase como uma religião . Mas as letras são politizadas, cristãs, humanistas e de protesto...



Nota para banda :  5 de 5

Nota para Composições: 5 de 5

Tudo perfeito. Banda Evolution  !!!


A banda continuou seu reinado na década seguinte, mas isto será tema de um futuro post, para cobrir o período a partir dos anos 90 e novo século...


segunda-feira, 25 de julho de 2022

Discografia completa PINK FLOYD (1967 - 2022)


 

O Pink Floyd é uma banda britânica, formada por estudantes universitários por volta de 1965. Eles bebem muito da fonte progressiva do rock, que estava em vigor no final dos anos 60, o chamado rock psicodélico o que posteriormente os colocariam como uma das mais influentes bandas de rock progressivo da história. Se destacaram por suítes longas e pelas apresentações ao vivo muito criativa, na qual usavam bastante os elementos de luz, projeções e imagens e figuras, arte e som, uma verdadeira viagem... Um dos grupos mais bem sucedidos comercialmente e influentes da história da música.  Alguns apontam o Pink Floyd como mais influente que os The Beatles. 


Inicialmente formado por Syd Barret(vocal/guitarra) com Roger Waters(Baixo), Rick Wright (piano) e Nick Manson, estabeleceram uma nova diretriz na música, posteriormente Barret, líder-fundador, acabou sendo substituído do David Gilmour, que levou o Floyd a um patamar mais comercial e a voos mais altos alcançando patamares além da imaginação. Enquanto os Beatles, começaram a aranhar diferentes formas de música dentro do rock, o Pink Floyd foi além, apontando diferentes direções progressivas ao longo da sua história. Um dos pioneiros no uso da eletrônica, orquestra, algo que os Beatles já tinha feito, mas sem aprofundamento . 



The Piper at the Gates of Dawn (1967) - Álbum de estreia do Pink Floyd, ainda com a liderança de seu enigmático vocalista, compositor Syd Barret. Já começa com uma capa com fotos dos membros da banda em um efeito caleidoscópico. Não é uma estreia totalmente comercial, eles não eram os Beatles ainda, que teve toda uma evolução musical, mas era uma banda que estava em um circuito alternativo e foram convidados a gravar seu primeiro registro pela poderosa EMI. O álbum tem letras caprichosas sobre espantalhos, gnomos, bicicletas e contos de fadas, juntamente com passagens instrumentais de rock psicodélico. Já mostra sua principal característica de longas suítes, muitas baseadas em Blues e Jazz americano...Não foi atoa que o nome da banda veio de dois Bluesmans, Pink Anderson e Floyd Council. Curiosamente, o álbum foi produzido no famoso estúdio londrino, Abbey Road, em sessões quase juntas as gravações de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. E parece que ambas as bandas trocaram impressões e influencias durante as sessões. Obviamente Sgt.Pepper's se tornou um marco na  história, mas o primeiro disco do Floyd, deixou uma boa impressão na crítica e público, de algo muito bom que ainda estava por vir. Muita influencia psicodélica e lisérgica, com muito experimentalismo.  Não seria um álbum realmente pra qualquer público. Os fãs mais acostumados com os clássicos do Floyd, irão estranhar bastante, mesmo porque a banda estava em seu começo e não temos hits ou clássicos nele. Chegou a ser o 7° álbum mais vendido no Reino Unido e o 131° nos EUA...



A Saucerful of Secrets (1968) - EMI, levou os rapazes do Floyd para os estúdios para um novo álbum. Mas a situação de Barret, estava piorando a cada dia, devido aos problemas com acido e drogas. Um amigo chamado David Gilmour, foi chamado para ser um quinto membro de apoio, ajudando também na composição e guitarra. Barret acabou sendo excluído da banda e Gilmour ocupando seu lugar em definitivo, o que atrasou bastante este lançamento. Foi o último álbum com Barret e o primeiro com Gilmour. Então temos uma parte com Barret e outra com Gilmour e apenas uma música com os 5 juntos("Set the Controls for the Heart of the Sun "). É um álbum muito mais interessante que o anterior, tem uma capa com uma ilustração bacana e psicodélica, e as músicas ainda existe um certo experimentalismo, mas a guitarra de Gilmour dá um novo e melhorado som a banda. Podemos distinguir os acordes e sentir um pré-The Dark Syde of the Moon, em alguns trechos.  Ganha força também os teclados de Richard Wright, na qual também faz uso de alguns synths primitivos em algumas faixas. Isto dá as músicas um ambiente mais "espacial" e psicodélico, algo que posteriormente ficaria definido como o 'rock espacial'. Waters, começa a tomar as rédeas junto com Wright para o direcionamento da banda, após o afastamento de Barret. Destaque aqui pra a viajada "Let There Be More Ligh", e a longa "A Saucerful of Secrets" de quase 12 minutos, na verdade foi um retalho de outras músicas e sessões para finalizar o material do álbum.  "Corporal Clegg" , tem uma cadência de batida militar, algo que o Roger Waters passou a usar quase como tema quando controlava a banda até 1983 e "Jugband Blues" , a única música composta Syd Barret, repetindo uma velha forma de blues e jazz do álbum anterior. Chegou a ocupar o 9° lugar das paradas britânicas...nos States demorou a emplacar, só anos depois no relançamento que conseguiu atingir a posição 36 da Billboard.



More (1969) - Este terceiro álbum, é a primeira trilha sonora feita pela banda a convite de um estúdio. O filme More foi lançado no mesmo ano. Primeiro álbum sem a presença de Syd Barret. Como parte da trilha sonora, muitas músicas são ambientais, deixando o grupo livre para criarem um ambiente sonoro diversificado de acordo com o tema de cada cena. Tem momentos interessantes aqui, o rock espacial, os temas mais experimentais, tem até música espanhola. Ao que parece, o grupo já tinha várias músicas preparadas, antes de serem convidados para o filme. Estavam tocando material novo em shows e preparando outra trilha sonora de outro filme que não foi aproveitado. Tem partes com harmonia e outras com sons estranhos e barulhentos. A faixa "The Nile Song" e "Ibiza Bar" são surpreendentemente hard rock, "Green is the Colour" é uma balada folk,  "Quicksilver" e "Main Theme", são instrumentais, que terão ecos nos futuros trabalhos da banda,  "A Spanish Piece" é uma música com elementos das folclóricas musicais espanholas.  Sim, o trabalho bastante interessante, não tem clássicos aqui, mas dá pra ver que a banda está livre para criar, a EMI, conseguiu uma banda que ainda dará muitos lucro, então assim como os Beatles, que estavam chegando ao fim nesta época, o Floyd estava se tornando a nova banda capitânia da gravadora. Chegou a ocupar o 9° lugar no Reino Unido e apenas a 153 ° posição nos EUA. Ainda faltava algo para a banda estourar nos EUA. 



Ummagumma (1969) - A EMI, sentia o cheiro de lucro cada vez mais com o Pink Floyd, e autorizaram um novo álbum em 1969...um álbum duplo em seu quarto lançamento...O álbum mistura apresentações ao vivo com trabalho de estúdio. Tem uma capa bacana com fotografias da banda no mesmo lugar, só que em diferentes posições, sobrepostas, um trabalho da  Hipgnosis , um grupo artístico de Londres, que desenhava as capas do Floyd deste o primeiro álbum. O álbum começa com apresentações ao vivo bacanas de "Astronomy Domine" , "Careful with That Axe, Eugene", "Set the Controls for the Heart of the Sun" e "A Saucerful of Secrets", faixas conhecidas do álbuns anteriores e bem viajadas. Aqui os arranjos e solos ao vivo dão nova ênfase a estas viagens astrais e lembram em algum momento os futuros trabalhos. Então as músicas de estúdio deixam um pouco a desejar, "Sysyphus (Parts 1–4)"(do Wright), "Grantchester Meadows"(de Waters), "The Grand Vizier's Garden Party (Part 1: Entrance; Part 2: Entertainment; Part 3: Exit)" (de Manson) e "The Narrow Way (Parts 1–3)" (de Gilmour) , são faixas experimentais e longas com sons novamente estranhos e barulhentos misturados aos seus solos individuais. Não vi muita evolução do que já faziam nos álbuns anteriores. Então é um álbum de altos e baixos. Então é um álbum que vai do Rock espacial, ao experimental e psicodélico e um pouco de avant-garde. Apesar de o álbum ter sido bem recebido na altura da sua comercialização, e de ter chegado ao top 5 das tabelas de venda do Reino Unido, o próprio grupo não o vê como um bom trabalho, opinião expressa em entrevistas.



Atom Heart Mother (1970) - Já sem os Beatles que chegou ao fim, a EMI deu liberdade total ao Pink Floyd começa a definir algumas mudanças para seu quinto álbum. O famoso disco da "vaquinha". Foi o primeiro álbum do Pink Floyd a ser especialmente produzido em som quadrifônico de quatro canais, e no convencional estéreo de dois canais. Um grande trabalho de estúdio no Abbey Road. Aqui podemos dizer que chegamos a fase que a maioria das pessoas conhecem o Pink Floyd, com seu rock progressivo espacial, muito mais orgânico. Eles tentam deixar o avant-garde e o experimental de lado para partir para algo mais executável popularmente falando e levar o som a mais pessoas que não gostam de experimentação. O resultado é bem melhor, pois achei o álbum muito superior aos 4 primeiros.  Houve um salto considerável aqui. A faixa homônima que abre o álbum tem 24 minutos divididos em 6 partes !!! Com cada membro dando o seu melhor ali. O lado B, são faixas compostas individualmente como foi feito no álbum anterior, Ummagumma, com cada membro dando o seu melhor em cada faixa.  "If" é um rock bacana do Waters, "Summer '68"  uma balada legal do Wright,  "Fat Old Sun" deixa o compositor Gilmour, livre para sonhar na sua guitarra. Por fim a faixa  "Alan's Psychedelic Breakfast" é uma tentativa de retorno ao psicodelismo experimentalismo ainda presente, mas partes com um teclado de Wright, viajando em uma paisagem de som relaxado e o resto da banda cumprindo o seu papel.  Ainda não é o melhor do Floyd, mas mostra que eles estão acertando a sintonia para voos mais altos. Foi o primeiro álbum a chegar no todo das vendas no Reino Unido, com um brilhante primeiro lugar e sua melhor posição na América, 55° , longe ainda do topo, mas melhorando as posições dos anteriores...



Meddle (1971) -  O sexto álbum de uma banda já madura. Sem composições para trabalhar e sem uma ideia clara acerca da direção em que o álbum devia seguir, o grupo decidiu experimentar novas abordagens que acabaram por dar origem a Echoes. Embora muitos dos álbuns seguintes tivessem por base um tema central unificador, com letras escritas quase exclusivamente por Roger Waters, Meddle representou um esforço conjunto em que cada membro contribuiu com letras, e é considerado um álbum de transição entre as influências de Syd Barrett do final dos anos 1960 e os "novos" Pink Floyd. E já fica claro, desde o álbum anterior, "Atom Heart Mother", que o Pink Floyd irá seguir uma nova direção para atingir voos ainda maiores. Melodias mais acessíveis, e mais coeso que o trabalho anterior. o álbum se caracterizadas por diferentes estilos e emoções,  a instrumental "One of These Days"(um sucesso que tem sido executado em vários de seus shows futuramente)  é seguido de "A Pillow of Winds", um tema que, dos poucos da carreira do grupo, fala de amor, é calmo e acústico. A ligação destas duas músicas é feita com recurso a efeitos sonoros que simulam vento, antecipando a técnica que mais tarde seria utilizada em "Wish You Were Here". A faixa  "Fearless" faz uso de gravações do coro do Liverpool F.C. "San Tropez" por contraste, é uma música pop com influências de jazz, tocada num ritmo swing, composta por Waters no seu crescente estilo jovial e extemporâneo de escrever musicas." Seamus", um a pseudo-blues com um cachorro latindo ao fundo...e finalmente outra música marcante, "Echoes" de 23 minutos, uma verdadeira viagem sonora de ótima música, o Space Rock propriamente dito. Só ela já vale o álbum inteiro. Não temos mais tantas experimentações e lisérgicas que marcaram os álbuns anteriores, o fantasma de Syd Barret está longe de passar aqui. Guitarra de David Guilmour fluindo com melodias e riffs lindos. Teclado de Wright e bateria de Manson completam ainda com o baixo de Waters. Uma banda perfeita, que ainda nem mostrou todo o seu potencial. O álbum mais evoluindo até aqui da carreira Floyd...Apesar de no Reino Unido ter chegado ao terceiro lugar, a falta de divulgação por parte da Capitol Records resultou em poucas vendas nos EUA, e apenas alcançou o lugar 70 nas tabelas de vendas.



Obscured by Clouds (1972) - O sétimo álbum do Floyd foi feito para ser a trilha sonora do filme  'La Vallée' e como a banda estava preparando o seu próximo álbum 'The Dark Syde of the moon', muitos elementos são comuns nas duas produções. Apesar de ser trilha sonora, isto é, feito com pensamentos em determinadas cenas as músicas são muito melhores que as trilhas anteriores do Floyd, muito mais rock clássico com guitarras e solos de teclado e outros instrumentos. Não consegui enxergar aqui faixas épicas , como do álbum "Meddle", mas o som é realmente bom. Uma banda muito mais encorpada e longe do que fazia incialmente. Ele é mais curto do que os álbuns anteriores e tem um som mais pesado da guitarra. Liricamente, as músicas giram em torno do amor, um tema comum no filme em que o álbum foi inspirado. Na faixa " Obscured by Clouds " Richard Wright, faz uso do sintetizador  VCS 3 em algumas faixas, existe algumas influencias de country music e também faixas com violão. Manson faz uso de bateria eletrônica também. "When You're In" tem um estilo similar a anterior. "Wot's... Uh the Deal?" tem um solo bacana do Gilmour uma das suas características. "Childhood's End" do Gilmour foi inspirado no livro de Sir Arthur Clarke, 'O fim da Infância'. "Free Four" tem referencias a morte do pai de Roger Waters na II Guerra, algo que irá marcar bastante o artista e o Floyd ao longo dos anos. E as outras faixas são interessantes, mas não faz dele um álbum superior ao anterior, mas mostra que o Floyd tomou um caminho certo para algo que irá mudar a história da música muito em breve...O álbum foi nº6 no Reino Unido e 46° nos EUA, e 1° Lugar na França. 



The Dark Syde of the Moon (1973) - Oitavo álbum...e um dos mais históricos e importantes álbuns da história da música. A capa do álbum é uma das mais icônicas da história. Uma Obra Prima .!!! Se o Floyd praticamente começou a gravar seu 1° álbum lá em 1967, durante a sessão de gravação de um dos maiores discos da história, "Sgt Pepper's Lonely Heart Club Band" dos Beatles, agora estavam criando o seu próprio Sgt Peppers...ou seu álbum mais importante revolucionário, o álbum conceitual. A EMI não deixou por menos, atendendo todos os pedidos da banda pra fazer deste disto um clássico, marcando também uma nova era para seus membros, com letras mais bem elaboradas e pessoais, ao mesmo tempo que ainda se voltavam para sons experimentais, mas desta vez para as massas, contendo alguns dos mais complicados usos dos instrumentos e efeitos sonoros existentes na época, incluindo o som de alguém correndo à volta de um microfone e a gravação de múltiplos relógios a tocar ao mesmo tempo. Ou risadas... Os temas explorados na obra são variados e pessoais, incluindo cobiça, doença mental e envelhecimento, inspirados principalmente pela saída de Syd Barrett, integrante que deixou o grupo em 1968 depois que sua saúde mental se deteriorou. O conceito básico do disco foi desenvolvido quando a banda estava em turnê, e muito do novo material foi apresentado ao vivo, muito antes de ser gravado. Como álbum conceitual, desta vez as músicas não são longas suítes, mas cada música ao terminar se conecta na outra, permanecendo assim até o final, como um álbum coeso. "Speak to Me", começa com risadas e falas só indicando que um minuto depois viria "Breath", que já começa em uma viajada jazzeada e cantada lentamente, seguido por "On the Run", com sons estranhos , parece que estamos assistindo a algum objeto voador, que passa sobre nossas cabeças. Então chega "Time", com efeitos de milhares de relógios despertando seguido de uma marcação pulsante, pra mais em frente se tornar uma canção mais pesada e poderosa e com guitarra solística do Guimour arrasando. "The Great Gig in the sky", é uma canção exemplo de space rock que o Floyd ajudou a criar. O teclado do Wright está bem afinado seguido de uma linda soprano soltando a voz sensacionalmente. Então entra os sons de maquinas registradoras, estamos em "Money", falando sobre dinheiro e tudo que o ele representa. "Us and Them", uma das músicas mais bonitas do álbum, com solo de guitarra, piano, baixo e bateria, com lindo coral. "Any Colour you like", teclado e guitarra, bastante uso de sintetizadores, EMS VCS 3 e Synthi A. Então chegamos a "Brain Damage", sobre um lunático, possivelmente uma homenagem ao Syd Barret, musica que não deixa o álbum cair de forma alguma no obvio e conformismo. Então chegamos a "Eclipse", música que fecha o álbum maravilhosamente, uma balada sensacional dentro do top 10 das melhores músicas do Floyd. Enfim. Não há palavras certas pra descrever um álbum tão sensacional. Eu na minha opinião pessoal acho superior até ao "Sgt.Pepper's" dos Beatles. Talvez o álbum mais emblemático do rock. Ele foi nº 2 no Reino Unido (contesto, creio que sempre foi 1°) e finalmente conquistou a América e logo o mundo com o 1° Lugar do topo das paradas. A partir daqui, ninguém mais poderia parar o Pink Floyd.




Wish You Were Here
(1975) - Nono disco, gravado com uma banda já madura e sabendo o que quer.  Para provar que o álbum anterior, uma obra prima sonora não foi algo feito de sorte, este seguinte tem muito do anterior, começando que também é um álbum conceitual. O novo álbum, com uma capa bem estranha de uma pessoa cumprimentando outra que está queimando,  explora temas como ausência, indústria musical e a deterioração mental de Syd Barrett, um dos fundadores do conjunto, que curiosamente chegou a visitar o estúdio durante a gravação e que não chegou a ser reconhecido inicialmente. O conceito do álbum é praticamente todo do Roger Waters, que aos poucos também, começa a ter seu visão de líder contestada pelos outros membros. Mas aqui, ainda flui bastante a camaradagem para começar a música com a primeira parte de "Shine On You Crazy Diamond", na verdade são 5 partes menores, uma verdadeira viagem nos teclados de Richard Wright e na guitarra solística de Gilmour. As vezes com algumas intervenções cantadas por Waters. Seguem duas músicas mais roqueiras, "Welcome to the Machine"  e "Have a Cigar", uma pegada mais pesada, entra então a música que se tornaria um clássico da banda, "Wish You Were Here" que por si só, já valeria todo o disco, e finaliza com a segunda parte de "Shine On You Crazy Diamond", divididas entre partes 6 e 9. Fechando o disco com maestria. É incrível como os sintetizadores de Wright, se associava facilmente com guitarra e baixo e bateria, verdadeiras operas rock espaciais...O álbum foi primeiro a ser 1° no Reino Unido e 1° nos EUA, mercado praticamente conquistados pela banda.



Animals (1977) - Décimo álbum, com uma sequência ótima de grandes álbuns e música boa, o Floyd segue sua legado pelos anos. Como os dois anteriores, também é um álbum conceitual, que faz críticas às condições político-sociais da Inglaterra dos anos 1970, além de apresentar uma notável mudança no estilo musical do grupo. Sua capa já virou icônica, um porco sobrevoando entre duas chaminés da Usina Termelétrica de Battersea...mas durante o disco inteiro, não consegui encontrar qualquer música conhecida, épica ou clássica. Foi uma surpresa, pois estamos no auge da banda. O conceito do álbum é baseado no livro "A Revolução dos Bichos" de George Orwell, uma crítica ao comunismo, mas o álbum é o contrário, é uma crítica ao capitalismo. O álbum abre com "Dogs" tem alguns desempenhos 'explosivos' da guitarra de Gilmour as vezes bom batidas mais hard rock com teclados de Wright, "Pigs", lembra muito "Have a Cigar" do disco anterior, com uma pegada blues das guitarra de Gilmour. "Sheep", tem versos dos Salmos com alterações e "Pigs on the Wing" é uma canção mais romântica pequena. Eu penso que o álbum está muito do modo automático. Foi a partir deste álbum que os desentendimentos de Roger Waters(compôs 90% das canções) com o resto da banda, pelo controle começara a aparecer(Richard Wright por exemplo, não tem qualquer composição escrita).  Acho que o mesmo poderia ser melhor trabalhado. Não que seja um álbum ruim, mas acho que faltou algo. O álbum chegou ao Top 2 do Reino Unido e ao Top 3 dos EUA. Floyd ainda vendia muito.



The Wall (1979) - Décimo primeiro álbum. O último projeto a contar com a participação dos quatro membros que compõem a chamada formação clássica. Álbum duplo baseado nas apresentações ao vivo em uma turnê fantástica e um projeto para um filme de cinema com direção do aclamado Alan Parker. Mais um álbum conceitual, tratando de temas como abandono e isolamento pessoal. The Wall é uma ópera rock centrada em Pink, um personagem fictício baseado em Waters. As experiências de vida de Pink começam com a perda de seu pai durante a Segunda Guerra Mundial, e continuam com a ridicularização e o abuso de seus professores, com sua mãe super protetora e, finalmente, com o fim de seu casamento. Tudo isso contribui para uma auto imposta isolação da sociedade, representada por uma parede metafórica. Talvez este seja o seu álbum mais popular da carreira. The Wall é na minha opinião um dos melhores álbuns lives já feitos. Boa parte com composições exclusivas da turnê. Uma opera rock sensacional. Vi alguns vídeos antigos da turnê original e me impressionei. Mas pelo que sabemos, mesmo vendendo horrores desde o início dos anos 70, os membros do Pink Floyd chegaram quase falidos ao final da década, vitima da má aplicação e conduta por parte dos administradores financeiros da banda. The Wall teria sido feito para sanar estas dívidas... e o ego de Roger Water que praticamente queria mandar em tudo, fazendo o relacionamento com os outros integrantes esfriar durante as gravações. Em algum ponto da produção, Richard Wright não aguentou a pressão e saiu, embora tenha continuado no processo de gravação como um músico pago, apresentando-se com o grupo na turnê The Wall.. É interessante que não sinto ruindade de forma alguma neste álbum duplo, são músicas fantásticas e que se tornaram clássicos do rock. A introdução grandiosa começa com "In the Flesh?", seguindo um ritmo com canções, baladas, mais pesado ao logo do álbum. "Another Brick in the Wall" virou um clássico atemporal, que milhões de pessoas reconhecem instantaneamente. "Goodbye Blue Sky", uma balada mais lenta para algo maior a vir, "Mother" musica linda sobre a superproteção materna, "Hey You", com uma cadência que aumenta a cada verso, "Comfortably Numb"  se tornou minha música preferida do Pink Floyd de todos os tempos..."Run Like Hell", outra que cantarolo sempre. Enfim, um álbum perfeito.  Eu tenho ele na versão de 1999, "In the Flesh - The Wall", remasterizada e expandida ... com um bootleg lindo.  O álbum foi 1° lugar nos EUA e chegou em 3° no Reino Unido.



The Final Cult (1983) - 12° álbum da banda Pink Floyd...já sem Richard Wright, com Roger Waters se transformando em principal criador e "dono" da banda , deixando o resto dos músicos com meros músicos de apoio, então nos apresenta um álbum que parece...ser quase uma cópia ou material perdido de The Wall...o que pra muita gente considera um dos álbuns mais fracos do grupo, na minha opinião eu acho...justamente o contrário. Eu gosto bastante. Sim, tem bastante pegada do The Wall, tem o tema anti-bélico e perda do pai, que Roger Waters, ficou obcecado, mas ainda é um álbum interessante. Tá certo que a falta das teclas do Wright fazem falta, mas fico imaginado apenas que seria um álbum perfeito, se ele estivesse no time. Sei que o Gilmour que tocou neste álbum, diz que apenas "duas músicas prestam" e não morre de amores por ele. Acho exagero. É mais um álbum conceitual do Floyd, como seus trabalhos a partir dos anos 70. Um curta metragem bacana, foi feito para divulgação do mesmo. Lembro de ter visto na TV e revisto outro dia no Youtube, o que ainda acho sensacional. Temas sombrios continuam, anti-guerra das Malvinas, anti-Margareth Tarcher na faixa "The Fletcher Memorial Home", anti-guerra nuclear na faixa "Two Suns in the Sunset". Tem a pegada pesada e a pegada balada, comuns nos discos do Floyd. Minhas duas favoritas, "Your Possible Pasts" e é claro, "Not Now John" (principalmente por causa de um comercial da LEVI'S que passava na TV). Escute e tire suas dúvidas. A revista Rolling Stone deu ao álbum cinco estrelas, com Kurt Loder classificando a obra como "uma conquista superlativa... a principal obra-prima do art rock".Foi 1° lugar no Reino Unido e 6° nos EUA...Apesar de tudo, foi o último álbum de Roger Waters com Gilmour e Manson. Em 1984, entrou com um processo para liquidação da banda e fim do Pink Floyd...algo que não foi bem aceito por Gilmour e Manson...na qual a pendenga foi parar na justiça..



A Momentary Lapse of Reason (1987) - 13° Album...com o Pink Floyd sobe nova direção. Vocês acham que Gilmour e Manson iria deixar a banda acabar assim do nada ? Entraram na justiça e conseguiram o direito sobre ela, tirando Roger Waters de qualquer controle, que declarou guerra aos antigos companheiros. Richard Wright foi recontratado, mas foi colocado apenas com músico convidado, já que uma decisão na justiça anterior, impedia ele se ser membro do Pink Floyd novamente. Então o que temos aqui neste disco ??? O álbum não é um trabalho conceitual ao contrário dos anteriores, nem temático, sendo assim um apanhado de canções de rock escritas por David Gilmour. Canções na qual Gilmour esta livre para destrinchar sua guitarra, fazendo ela chorar com os teclados do Wright e batidas do Manson. Um álbum bem 'up', ou contrário dos tons sombrios dos anteriores, o que de certa forma pode fazer muita gente torcer o nariz. Falta realmente um pouco do espírito de Roger Waters, e o próprio Gilmour sabe disto, deixando o álbum mais com cara de trabalho solo. Então, destaco duas músicas que fizeram sucessos nas rádios e são muito boas "Learning to Fly" e "On the Turning Away"  .  Ambas já valem o álbum inteiro que não tem muitas ousadias que os anteriores.. Fica até difícil de julgar. Foi Top 3 tanto nos EUA quanto no Reino Unido...isto é...Pink Floyd ainda vende...



Delicate Sound of Thunder (1988) - 2° album live do Pink Floyd, com Gilmour levando a turnê do  "Momentary Lapse of Reason" pelo mundo. As principais faixas do novo álbum do Pink Floyd sem Roger Waters, até que são bem executadas, e ganham mais vida ao vivo, principalmente pelo improviso da guitarra de Gilmour e a cadência das batidas de Manson, auxiliados por outros músicos e coro feminino excelente. Então, músicas do "Momentary..." como "Yet Another Movie", "Round and Around" e "Sorrow" ganham em qualidade sonora e o público aceitou mais facilmente, outro grande destaque é  "The Dogs of War", um rock mais pesado com ecos do período Waters que era obcecado pelos temas anti belicistas. Os singles "Learning to Fly" e "On the Turning Away", foram músicas novas de fácil assimilação e cantadas pelo público. Mas talvez o principal ali, eram os clássicos do Pink Floyd como "One of These Days", "Time", "Money", "Wish You Were Here", "Comfortably Numb", "Shine On You Crazy Diamond", e é claro, "Another Brick in the Wall (Part 2)". Serve como coletânea de tanto sucesso. Assista ao show de vídeo lançado em VHS, DVD e BluRay totalmente restaurado. Os álbuns foram 11° lugar tanto no Reino Unido como nos EUA, quase atingindo o TOP 10...



The Division Bells (1994)  - 14° álbum e 2° de estúdio da fase sem Roger Waters. Gilmour, Manson e Wright (agora oficialmente membro reintegrado da banda), partiram para mais um álbum de estúdio, após o retorno das atividades em 1987. E novamente sem Roger Waters, para guiar os temas, temos mais um álbum de músicas soltas bem soft/pop, em alguns casos beirando quase a new age music. E mesmo não sendo um dos melhores trabalhos do PF, chegou a primeiro lugar em diferentes partes do mundo além de EUA, Reino Unido, sendo até disco de platina no Brasil. Principais temas musicais: a falta de comunicação, junto com outras questões como o isolamento, conflitos e autodefesa.  Pega também parte do momento político vivido no mundo no período do fim da guerra fria. A canção "A Great Day for Freedom" justapõe a euforia geral, como a queda do Muro de Berlim com a limpeza étnica e o genocídio que se seguiu na Iugoslávia. "Keep Talking" foram utilizadas amostras de voz de Stephen Hawking, famoso cientista. Dois destaques principais que viraram singles "Take It Back" (cujo clip passou no Fantástico) e "High Hopes". Ainda destaco "Lost for Words" , uma balada que começa bem suave e se torna mais energética e progressiva.  Álbum melhor que "A Momentary Lapse of Reason" ? Sim, muito melhor produzido...mas longe de ser os grandes discos da banda que realmente ficaram no passado.



P.U.L.S.E. (1995) -  3° álbum live do Pink Floyd da fase Gilmour, Manson e Wright (sem Waters). Registro em álbum duplo da turnê mundial do álbum The Division Bells. Aqui temos uma melhora bastante significativa dos shows em relação ao "Delicate Sound of Thunder", que já era um espetáculo. Uma banda bem a vontade e afiada, tocando seus clássicos de forma bem executada com apoio do público. O disco 1, começa com a abertura de "Shine On You Crazy Diamond(Part I-V)", e para surpresa de todos, traz a esquecida "Astronomy Domine" escrita pelo Sid Barret do primeiro álbum do Floyd lançado em 1967. "What Do You Want From Me" , "Keep Talking" e "Coming Back To Life", são faixas novas do The Division Bells, aqui a banda consegue melhorar bastante nas apresentações ao vivo. "Learning To Fly", hit do álbum anterior, foi trazida de volta nesta turnê. "High Hopes" foi hit do novo álbum, também muito bem trabalhada. E ainda temos as surpresas, duas faixas escritas por Roger Waters : "Hey You" e "Another Brick In The Wall" (Part 2) do álbum The Wall, fazendo a galera delirar. O disco 2 é uma surpresa, a banda toca por completo ao vivo o álbum "The Dark side of the Moon", com faixas como "Time", "Money", "Us And Them", "Brain Damage" e "Eclipse", ganhando muita vida e delirios. Pra fechar o álbum, temos três faixas especiais das mais conhecidas músicas clássicas da banda: "Wish You Were Here", "Comfortably Numb" e "Run Like Hell". Melhor impossível. Este álbum mostra que a banda está bem afiada ao vivo mesmo sem Roger Waters, mas seria bastante interessante se tivesse ele...1° lugar no Reino Unido , EUA e várias partes do mundo. 



Echoes: The Best of Pink Floyd (2001) - Coletânea da banda Pink Floyd, com um apanhado de toda sua carreira, onde as faixas desta coleção de hits e outros, estão dispersas e não em ordem cronolígica de lançamento. Outra curiosidade é que os álbuns More, Ummagumma, Atom Heart Mother and Obscured by Clouds, não possuem músicas representadas na coleção. Roger Waters, deu até uma contribuição a coleção...o título, pois segundo ele, o que o resto da banda queria seria ridículo. Aqui estão incluídos os dois primeiros singles "See Emily Play" e "Arnold Layne" lançados em 1967, que antecederam o álbum de estreia da banda, mas que curiosamente NÃO ESTÃO no "The Piper at the Gates of Dawn" e em nenhum outro álbum de estúdio.   A primeira música, é bem ao estilo beatlemaniaco da fase intermediária após "Help", algo que o Floyd não repetiu em seu álbum de estreia, passando direto para a psicodélia. "Astronomy Domine" está muito bem trabalhada apesar da viajada lisérgica psicodélica. Então, se vc quer iniciar em Pink Floyd, e escutar suas principais músicas incluindo seus singles iniciais que não foram lançados em álbuns, está ai uma boa pedida. O álbum foi n°02 tanto nos EUA quanto no Reino Unido e ganhou vários discos de ouro e platina. 



The Endless River (2014) - Em 2005, o improvável aconteceu. Para marcar os eventos do Festival Live Earth (dos mesmos organizadores do famoso Live Aid), Roger Waters, concordou em deixar suas diferenças de lado com o resto da banda, e voltaram a tocar todos juntos o concerto de reunião do Pink Floyd, em 2 de Julho de 2005. Waters, Gilmour, Manson e Wright tocaram seus maiores sucessos em um show aberto no Hyde Park de Londres...mas infelizmente, apesar de tentativas de aproximação (com Gilmour e Manson, tocando de surpresa em um show do Roger Waters em 2011), infelizmente as relações entre eles voltaram a estremecer...Um ano depois, em 2006, o gênio fundador e a muitos anos afastado, Syd Barret faleceu...e Rick Wright infelizmente morreu de câncer em 2008. Aquele show do Live Earth foi o retorno e a ...despedida do Pink Floyd com os membros originais...e os lançamentos da banda, ficaram na base de coleções e coletâneas...até 2014, quando Gilmour e Manson, autorizaram o lançamento do 15° álbum do Pink Floyd...sem Waters. O projeto é baseado em sessões excluídas do último álbum, The Division Bell, o qual contém várias contribuições do finado tecladista e compositor Richard Wright. As músicas, grande parte são formadas por longas suítes ao estilo jazzisticas com grande apoio das teclas de Wright, criando um ambiente sonoro que quase chega a ser New Age Music..A última faixa - "Louder Than Words" - é a única música do álbum que possui vocais principais, com as letras escritas pela esposa de David Gilmour, Polly Samson. Uma versão deluxe, contem outras faixas de sobras das gravações anteriores, cujo destaque é "Nervana", um hard rock que daria uma ótima música se fosse gravada com vozes. Então, ainda é um disco ambiental e instrumental bacana, mas longe dos grandes anos dourados do Floyd... Mas serve como homenagem final ao Richard Wright. Chegou ao 1° lugar no Reino Unido...e 3° lugar nos EUA. Ainda mostra que qualquer coisa do Pink Floyd vende muito...



Bonus: Hey Hey Rise Up (Single) (2022) - Mais uma vez, o improvável aconteceu, em apoio aos músicos da Ucrânia, país que está sofrendo ações militares pela Rússia, David Gilmour e Nick Manson, gravaram esta música junto com  Andriy Khlyvnyuk do Bloombox, banda ucraniana. A faixa leva a pegada mais hard rock do Floyd e é um grito contra a guerra da Ucrânia. Roger Waters, não quis se manifestar sobre o lançamento...mas é uma música bem interessante pela pegada mais pesada. O single físico também possui a faixa:  "A Great Day for Freedom", do álbum Division Bells (1994), em uma versão alternativa bem interessante, recriada por David Gilmour a partir da fita master registrada na época.



Conclusão: O Pink Floyd é uma banda fenomenal, mesmo que seus membros já estejam bastantes desgastados e perdemos já alguns deles, os músicos Gilmour e Waters, ainda mostram certa versatilidade com seus projetos paralelos e turnês levando o som do Floyd pra muito mais gente. Comparado aos Beatles, o Floyd pegou e moldou o som para a melhor recepção e continuou a usar a música como forma de expressão e propaganda política e social. Foram revolucionários em muitos sentidos, apesar dos Beatles, sempre procurava descobrir novos sons, mas sem ficar preso as tendências. O Som do Floyd é viajante, as vezes louco , as vezes sólido, são muitas variações. Quase ninguém conseguiu chegar ao nível deles e sempre será uma referência para várias gerações. 


Nota para banda :  5 de 5

Nota para Composições: 5 de 5

Tudo perfeito. Banda Evolution  !!!