quinta-feira, 13 de abril de 2017

"A VIGILANTE DO AMANHÃ – Ghost in the Shell” (2017)

ENREDO

 Em um mundo futurista pós-2029, é bastante comum o aperfeiçoamento do corpo humano a partir de inserções tecnológicas. O ápice desta evolução é a Major Mira Killian (Scarlett Johansson), que teve seu cérebro transplantado para um corpo inteiramente construído pela Hanka Corporation. Considerada o futuro da empresa, Major logo é inserida no Section 9, um departamento da polícia local. Lá ela passa a combater o crime, sob o comando de Aramaki (Takeshi Kitano) e tendo Batou (Pilou Asbaek) como parceiro. Só que, em meio à investigação sobre o assassinato de executivos da Hanka, ela começa a perceber certas falhas em sua programação que a fazem ter vislumbres do passado quando era inteiramente humana.


A versão live-action do anime está sendo lançada agora nos cinemas, em uma superprodução da Dreamworks/Paramount Pictures com outras produtoras da join-venture Amblin Partner. Um verdadeiro parto diga-se de passagem, cujo produto final, pode não agradar a todos, devido as polêmicas referentes a uso de atores ocidentais em um material cujo original é orienta, mas o tempo dirá que o filme se tornará talvez um cult um dia.

A ORIGEM E DIFERENTES FORMATOS:

Masamune Shirow


MANGA:


O início de tudo foi o mangá (popular quadrinho japonês) “Ghost in the Shell”, de influências cyberpunk, criado por Masamune Shirow. Foi lançado no Japão pela Editora Kodansha entre 1989 a 1990, mas só chegou ao Brasil pela Editora JBC, em 2016, na esteira do lançamento do novo filme. O manga gerou duas continuações "Ghost in the Shell 2: Man/Machine Interface" (entre 1991 a 1997) que é a continuação oficial do primeiro mangá. E depois "Ghost in the Shell 1.5: Human Error Processor" (entre 1991 a 1996) que inclui uma série de histórias que seriam originalmente publicadas em "Ghost in the Shell 2: Man/Machine Interface".




ANIME:




O sucesso levou a criação de filmes de anime baseado no manga. " Ghost in the Shell", lançado no Japão em 1995, e lançado diretamente para VHS no Brasil como "O Fantasma do Futuro".Dirigido por Mamoru Oshii e escrito por Kazunori Itô e pelo próprio autor original Masamune Shirow.Foi o primeiro filme anime a ser lançado ao mesmo tempo no Japão, Grã-Bretanha e os Estados Unidos. Foi uma das principais inspirações para a trilogia de filmes Matrix. A história do filme se passa num futuro distante e começa quando um grupo policial tenta encontrar um hacker que rouba informações do governo. Em 2008, uma nova versão do filme original - Ghost in the Shell - foi relançada em alguns cinemas japoneses, com gráficos e som retrabalhados. 


O filme teve uma continuação intitulada "Ghost in the Shell 2: Innocence" lançado em 2004. Também dirigida por Oshii, ela teve como protagonista o personagem Batou. Este filme anime foi o primeiro a conseguir uma indicação a Palma de Ouro em Cannes - 2004.

Em junho de 2013 foi iniciada uma nova franquia de filmes com a série "Arise". O primeiro "Ghost in the Shell: Arise - Border:1 Ghost Pain", contando uma nova história original que aborda o início da Section 9. Em novembro do mesmo ano foi lançada a continuação "Ghost in the Shell: Arise - Border:2 Ghost Whispers", seguida por "Ghost in the Shell: Arise - Border:3 Ghost Tears"  em junho de 2014 e "Ghost in the Shell: Arise - Border:4 Ghost Stands Alone" em setembro do mesmo ano, e para fechar a série, em agosto de 2015 foi lançado " Ghost in the Shell: Arise - Pyrophoric Cult" .

Previsto para junho de 2015 um novo filme animado, com o nome de "Ghost in the Shell: The New Movie (2015), o filme tem ligações com o enredo de "Ghost in the Shell: Arise", principalmente nos episódios Pyrophoric Cult da série "Arise - Alternative Architecture". Ambientado após os eventos de Arise, o filme envolve o assassinato do Primeiro-Ministro do Japão que é publicamente descrito como o "maior evento desde a guerra". Cabe a Secção de Segurança Pública 9, liderada pelo Major Motoko Kusanagi, descobrir a verdadeira natureza do assassinato. Eles são auxiliados pelo filho do Primeiro-Ministro, Osamu Fujimoto.



SÉRIE DE TV
A franquia iniciada pelo mangá,  foi também adaptado para TV em uma série animada, com o nome de "Ghost in the Shell: Stand Alone Complex". A direção foi feita por Kenji Kamiyama, trazendo um enredo alternativo e separado daquele elaborado por Mamoru Oshii nos filmes e por Masamune Shirow nos mangás originais. O foco é na carreira da personagem Motoko Kusanagi e sua equipe, com alguns elementos baseados no filme e no mangá. O sucesso da série rendeu ainda uma segunda temporada, "Ghost in the Shell: S.A.C. 2nd GIG" e o filme - "Ghost in the Shell: S.A.C. Solid State Society" - que estreou na emissora SKY Perfect em 1 de Setembro de 2006, finalizando a franquia SAC.



Em abril de 2015, um novo anime intitulado "Ghost in the Shell: Arise  - Alternative Architecture" iniciou sua exibição. O anime deve ser finalizado com 10 episódios. Série baseada na pentalogia de cinema, "Arise".

No Japão, também foram lançados, livros e games baseados na série.

PRODUÇÃO DO FILME

O sucesso de "Ghost in the Shell" seja em anime, série de TV ou manga pelo mundo, fez com que sua produtora, Production I.G, companhia do criador do anime, Mamoru Oshii, começa-se a abrir negociação com estúdios de Hollywood para consolidar a ideia, a partir de Janeiro de 2007. Em Abril de 2008, depois de negociações com a Universal e a Sony, a DreamWorks Pictures comprou os direitos do mangá lançado em 1989. O filme seria realizado com atores, como planejado, com a intensão de ser totalmente desenvolvido com tecnologia de projeção 3-D! O nome do cineasta Steven Spielberg estava por trás desta aquisição, já que ele foi um dos fundadores do estudio DreamWorks. Para a Variety ele disse :  "Ghost in the Shell é uma das minhas histórias favoritas. É um gênero ao qual damos entusiasmadas boas-vindas na DreamWorks". A DreamWorks também foi responsável pela distribuição dos animes japoneses nos Estados Unidos, então houve realmente a preferência por este estúdio. Os produtores de filmes da Marvel, Avi Arad e seu filho Ari Arad, foram confirmados como os produtores do filme ao lado de Steven Paul. O roteiro inicial ficou a cargo  de Jamie Moss(Os Reis da Rua). Mas pelas sua complexidade, a produção do filme demorou muitos anos ainda pra que se pudesses concretizar.

Em 2009, a roteirista Laeta Kalogridis (Ilha do Medo, Alexandre, Terminator 5), foi chamada para criar uma nova versão do roteiro, iniciado plo Jamie Moss. Em 2010 ela deu uma entrevista falando sobre o roteiro que tinha escrito ao site Shock Till You Drop que a adaptação do mangá cyberpunk era o seu próximo trabalho. "Eu tenho Ghost in the Shell, que é uma adaptação de outro mangá e anime que a DreamWorks e Steven (Spielberg) vão produzir e que eu espero terminar o primeiro roteiro muito em breve, com a esperança de que ele goste. Além disso, estou meio que aberta porque não sei muito bem o que quero fazer. Eu amo Ghost In The Shell há muitos e muitos anos. Acho que poderiam ser três filmes de duas horas, que é o que eu votei. Mas é o texto seminal do cyberpunk, tipo um Neuromancer. É mesmo e não há nada que chegue nem perto dele", desabafou a roteirista, que assumiu o projeto no lugar de Jamie Moss, atual roteirista de X-Men: First Class, do Bryan Singer.

Rupert Sander no set de filmagens de Ghost in the Shell

Só teriamos notícias novamente sobre o projeto apenas em janeiro de 2014, quando o diretor britânico Rupert Sander (Branca de neve e o caçador), foi contratado pela DreamWorks para dirigir a adaptação . Também foi contratado um novo roteirista, William Wheeler (O vigarista do ano) para criar uma nova versão do roteiro, mas ainda não havia previsão de fimagens. Sander falou em entrevista a revista brasileira PREVIEW, seu envolvimento no projeto:

"Eu conhecia bem o anime, já assisti várias vezes. Eu havia feito uma reunião com Steven Spielberg, que estava desenvolvendo o projeto, e ele se aproximou de mim e perguntou: '-Você estaria interessado em Ghost in the Shell?', e era óbvio que eu estava. Vi o esboço que ele havia feito. Era um grande filme com efeitos explosivos. Mas eu queria explorar a essência da série original.Então comecei a capturar fotogramas do anime original, de 'Fantasmas do futuro 2: Inocência' e de 'Stand Alone Complex'. Em seguida, escrevi um rascunho da história e coloquei o texto ao lado das imagens. Levei este projeto de volta para Steven e falei que era assim que gostaria que o filme fosse feito. Originalmente, eu queria fazer a versão da primeira animação. Mas é uma história complexa, com tantas introspecções filosóficas, achei difícil que sua adaptação rendesse um bom filme."

Esboço inicial de Margot Robbie como Major.
Começou-se então uma corrida para encontrar a atriz perfeita para o papel da Major . Em Setembro de 2014, a atriz australiana Margot Robbie (O Lobo de Wall Street), entrou em negociações com a DreamWorks pelo papel principal.  Em Janeiro de 2015, a Variant, anunciou que a DreamWorks acertou com a atriz Scarlett Johansson para o papel principal. Margot Robbie desistiu do filme para ficar com o papel de Alerquina no vindouro Esquadrão Suicida. Scarllet teria recebido U$ 10 milhões pelo papel, o que a coloca entre as atrizes mais bem pagas de Hollywood. Em outubro de 2015, um novo roteirista foi contratado para o projeto, Jonathan Herman, escritor iniciante que assina o roteiro final de "Straight Outta Compton - A História do N.W.A."

Perguntada pelo Collider sobre o fato de ter sido escolhida para o papel, Scarllet Johansson respondeu: "Não sei se sou a pessoa certa, mas acredito que o (diretor) Rupert Sanders e eu compartilhamos a mesma visão do personagem. Logo de cara, quando tivemos essa mesma conversa, acho que cabe ao público decidir se sou a pessoa certa para o papel."
Scarllet Johansson no set de filmagem de Ghost in the Shell

Em seguida, Johansson passou a argumentar a favor de si. "Acho que posso ser desafiada, e tentar fazer isso. Acredito que tenho algo a contribuir. E acho que, nesse caso, minha simpatia pela experiência desta personagem me fez sentir capaz de interpretar o papel", explica a atriz.
"E claro, adoro fazer a parte física. É sempre divertido para mim, é desafiador, e me ajuda como uma outra maneira de aprender habilidades que aprimoram o meu trabalho. Ghost in the Shell vai tornar as gravações de Vingadores 3 e 4 mais fáceis para mim", argumenta.

Definido o papel principal para Scarlett Johansson, começaram a se definir os outros papéis do filme, em novembro de 2015 o site ComicBook anunciou o dinamarquês Pilou Asbæk (Lucy, Game of Thrones) seria Batou, o segundo em comando na unidade da major Mokoto Kusanagi. O ator inglês Sam Riley (Malévola, Na Estrada) entrou em negociações para assumir o vilão da trama, mas o acordo acabou não saindo, só em fevereiro de 2016, que este papel foi preenchido pelo ator Michael Pitt para viver o antagonista The Laughing Man, personagem que é meio humano meio máquina. Outros atores foram contratados para completar o elenco, incluindo o veterano ator japonês Takeshi Kitano (Verão Feliz), no papel de Daisuke Aramaki, fundador e líder da Sessão 9 e a atriz francesa Juliette Binoche, como  Dra. Ouelet, uma cientista que assume, direta ou indiretamente, um papel materno na vida da Major. Uma adição também ao elenco foi a atriz japonesa Rila Fukushima (Wolverine), para viver a androide geisha assassina.

A DreamWorks sabia que um projeto desta magnitude deveria ser realizado em cooperação com outro estúdio gigante de Hollywood, a primeira opção foi a Walt Disney Productions. O lançamento do filme foi originalmente agendado pela Walt Disney Studios Motion Pictures para o dia 14 de abril de 2017, através de sua subsidiária Touchstone Pictures. O filme era parte do acordo de distribuição da DreamWorks Pictures com Walt Disney Studios, que começou em 2009. Em abril de 2015, a Disney mudou a data de lançamento do filme na América do Norte para o dia 31 de março de 2017, com a Paramount Pictures lidando com a distribuição internacional. No entanto, foi relatado em setembro de 2015 que a DreamWorks não renovou seu acordo de distribuição com a Walt Disney Studios Motion Pictures que terminaria em agosto de 2016, em janeiro do mesmo ano, a Disney se retirou do filme depois que DreamWorks Pictures assinou um acordo de distribuição com a Universal Pictures em dezembro de 2015.

Os direitos de distribuição de Ghost in the Shell na América do Norte que ficaria com a Walt Disney Studios Motion Pictures foram transferidos completamente para a Paramount Pictures que anteriormente faria somente a distribuição internacional e à partir de agora fará em ambos os mercados, mantendo o lançamento do filme na segunda data estipulada pela Walt Disney Studios Motion Pictures para o dia 31 de março de 2017.

FILMAGENS

As filmagens principais do filme começaram em 1° de fevereiro de 2016 e foram realizadas em Wellington,  Nova Zelândia  onde também foram desenvolvidos os efeitos especiais principais, a cargo da WETA (empresa de efeitos de Peter Jackson, responsável por Senhor dos Aneis e Hobbit), com finalização em 3 de Junho daquele ano. Então a produção seguiu para Hong Kong na China, a partir do dia 7 a 16 de junho. A cidade que o anime original lançado em 2005 se passava, não era identificada com precisão. O local era uma megalópole que união várias características de capitais orientais como Toquio, Singapura ou Pequim. "Vamos trazer esta mesma sensação de estranhamento e familiaridade que o anime passava. Filmamos em muitas cidades e unimos isto para criar um ambiente únicos", segundo o produtor Arad.



Para ser fiel ao anime original a produção procurou a WETA WORKSHOP para criar os efeitos e desenhos artísticos do filme. Todos equipamentos que o elenco usa, vieram da WETA, incluindo a roupa e o esqueleto da Major. Robbie Gillies, chefe de desenho de produção, disse: "Tudo que será exibido na tela de cinema busca uma referência no anime. Demos nosso toque, mas foi algo que fizemos muito próximo ao pessoal que desenhou o original e que agora entende como esta visão pode ser atualizada."




Em uma entrevista com o IGN, o produtor-executivo da adaptação com atores de Ghost in The Shell, Michael Costigan, comentou sobre como ele acredita que o filme é muito fiel ao material original, e que acha que os fãs vão gostar do resultado final.
"Eu me sinto tanto como um geek fazendo este filme porque realmente estamos o trazendo à vida tão fielmente," Costingan afirmou. "Estamos trazendo coisas que vimos no anime à frente em live-action então eu estou muito animado pelos fãs."

Making of (por trás das câmeras)  - parte 1 e parte 2






Os diretores das animações originais, Mamoru Oshii e Kenji Kamiyama, foram ao set de filmagens em Hong Kong e participaram da produção com ideias, apresentadas ao diretor Sanders. Oshii aliás, foi um ótimo conselheiro para Sanders, e falou que estava bastante animado pela produção. O criador do mangá original, Masamune, não quis se envolver com a produção.

Visita de Mamoru Oshii ao set de gravações :



Em 13 de novembro de 2016 a Paramount Pictures divulgou em suas redes sociais o primeiro trailer do filme. A Paramount realizou  um evento em Tóquio, no Japão, para apresentar o filme ao público. Minutos antes de o trailer de Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell ser revelado ao mundo, o diretor Rupert Sanders estava em um palco repleto de jornalistas e convidados. Participante de um "painel" com perguntas já combinadas previamente, Sanders foi questionado sobre qual assinatura traria para a adaptação americana do clássico criado por Masamune Shirow e dirigido em animação por Mamoru Oshii. "Tudo o que fiz foi pegar o trabalho destes dois mestres e colocar na tela", afirmou Sanders, em tom de brincadeira.

Diretor Sanders e elenco na premier do filme em Tóquio no Japão

A colocação de Sanders, entretanto, não poderia ser mais séria. Quando se fala em versões hollywoodianas de obras da cultura pop japonesa como animes, mangás e light novels, é impossível não se lembrar de pérolas como Dragonball Evolution, com sua total falta de compromisso com o material adaptado. Frente a um cenário como este e em meio a críticas em torno da escalação de Scarlett Johansson para o papel da protagonista Motoko Kusanagi, Ghost in the Shell afirmou, com convicção, que quer enterrar a má fama dos filmes de anime em Hollywood.

Muito além dos segredos do trailer e sua aproximação com o material original, o evento diz muito sobre a intenção de Sanders, Johansson e a equipe que produziu o filme. Não apenas por trazer a mídia de entretenimento global para Tokyo, cidade onde se situa a história original e que respira cultura pop japonesa como nenhuma outra no planeta, mas também pelo que foi apresentado por lá.

Comparação entre o filme e o anime original.

O lançamento no Brasil, também teve cópias legendadas e dubladas. Para dar voz a um dos mais desejados símbolos sexuais da história do cinema foi uma tarefa que a dubladora paulista Fernanda Bullara encara com um sabor de desafio ao assumir o papel principal – o de ninguém menos do que Scarlett Johansson – na versão brasileira de A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell. Na ativa desde criança, a atriz de 32 anos – que dubla desde os 6 – enxerga na esperada ficção científica do diretor Rupert Sanders um tom mais seco no timbre vocal da estrela americana a quem já cedeu sua garganta no passado.

“Dublei Scarlett num filme dos anos 2000 chamado Falsária, quando ela era mais jovem e eu também”, diz Bullara, que já emprestou sua voz a outras atrizes de Hollywood como Mila Kunis e Christina Ricci. Agora, neste filme, que está sendo super esperado, ela fala baixo, num tom mais grave. O meu maior desafio foi encontrar esse tom. Um ator de cinema tem o olhar para traduzir suas emoções. Nós, na dublagem, não: a emoção tem que ser concentrada na voz”. "Ela começa o filme séria, muito direta, num clima misterioso, mas, aos poucos, vai vendo o quanto é humana e vai ficando cada vez mais nervosa”, explica Bullara, que dublou desenhos como Naruto (Ino) e Sakura Card Captors (Tomoyo). “A dublagem brasileira hoje tem um espaço muito grande não apenas pelo mercado aberto nos games, como pelo reconhecimento dos fãs de animês”.

Trailer da versão dublada brasileira


TRILHA SONORA


Para um filme onde o futurismo e a tecnologia de ponta são os temas principais, obviamente que isto também deveria ser sentido na criação da trilha sonora do filme. Ela ficou a cargo de dois proficionais da área, Lorne Balfe e Clint Mansell. Grandes nomes da música eletrônica mundial também foram convidados para participar do projeto. Após Steve Aoki lançar o remix oficial da música do game, “Utai IV Reawakening”, de Kenji Kawai, o tracklist do álbum com as músicas presentes no longa ficou assim:

01) Kenji Kawai– “Utai IV Reawakening” (Steve Aoki remix)
02) Johnny Jewel – “The Hacker”
03) Boys Noize – “Cathryn’s Peak”
04) DJ Shadow ft. Nils Frahm – “Scars”
05) Above & Beyond – “Surge”
06) IO Echo – “Aokigahara Forest” (Album Only)
07) Tricky – “Escape”
08) Ki: Theory – “Enjoy The Silence” (Album Only)
09) Johnny Jewel – “Free Fall”
10) Gary Numan – “Bed Of Thorns”
11) Johnny Jewel – “The Key”
12) Kenji Kawai– “Utai IV Reawakening”


Entre os nomes confirmados estão Above & Beyond, Boys Noize, DJ Shadow entre outros. O álbum, intitulado, "Music Inspired by the Motion Picture Ghost in the Shell", foi lançado em serviços de streaming no dia 31 de março, um dia depois da estreia do longa nos cinemas . Segundo o diretor Sanders e o produtor Arad: "Trouxemos boa parte da equipe que trabalhou no anime Ghost in the Shell, para ajudar na composição da trilha. Queremos muita fidelidade nesta área, mas ao mesmo tempo, queremos dar um pouco da nossa cara ."

A versão de Ki Theory para o clássico do Depeche Mode, "Enjoy the Silence", que toca apenas no trailer de divulgação do filme:



Polêmica  do  "whitewashing"

Desde o anúncio das compras dos direitos cinematográficos por um estúdio americano, houve debates acalorados de fãs com relação ao uso de atores ocidentais brancos para os papéis principais, já que o material de origem é japonês.  Este termo em Hollywood é conhecido como "Whitewashing" (limpeza branca). Houve inclusive uma petição para a mudança da atriz principal.  A questão ainda incomoda alguns fãs da do anime/ mangá e atores, como é o caso de Ming-Na Wen, de Agents Of SHIELD, ela escreveu no seu perfil do Twitter:
“Nada contra Scarlett Johansson. Na verdade, sou uma grande fã. Mas tudo contra esse Whitewashing de um papel asiático.”

Em vista disto, os produtores do filme Paramount e a DreamWorks encomendaram testes de efeitos visuais para deixar a protagonista com visual mais asiático durante a pós-produção.
O teste teria sido conduzido pela Lola VFX, responsável por O Curioso Caso de Benjamin Button e uma das melhores empresas do chamado processo de “embelezamento” dos filmes de Hollywood, que deixam atores mais jovens, mais magros, mais fortes, etc. O site diz que, após a revisão do teste, que foi feito de forma digital sem a participação da atriz fisicamente, a ideia foi descartada pelos produtores. A Paramount afirmou que houve um teste, mas não confirmou que foi para fazer a mudança de etnia e disse que tudo aconteceu com outro ator, e não com a protagonista.

Scarllet caiu como uma luva no papel da Major


Depois da polêmica sobre testes para mudar a etnia de Scarlett Johansson em Ghost in the Shell , Sam Yoshiba, diretor da divisão internacional da editora Kodansha, afirmou que gostou da escalação da atriz e que uma atriz japonesa nunca foi cogitada (via THR):
“Olhando para a carreira dela até agora, Scarlett Johnsson é uma escolha de elenco muito boa. Ela tem uma coisa meio cyberpunk sabe. E, desde o começo, nós nunca imaginamos que seria uma atriz japonesa”, afirmou Yoshiba. A Kodansha é a editora responsável por publicar o mangá de Ghost In The Shell em 1989.
“É a chance de uma propriedade japonesa ser vista ao redor do mundo”, completou o executivo dizendo ainda que visitou o set do filme na Nova Zelândia e ficou impressionado com o respeito da equipe ao material original.

Em entrevista ao Buzzfeed, o produtor Steven Paul justificou a escolha de Scarlett Johansson para estrelar a versão americana de Ghost in the Shell e reagiu à controvérsia do "whitewashing" - a tendência hollywoodiana de diluir etnias e escolher caucasianos em papéis-chave para supostamente não perder o apelo do público americano médio:.

 Rupert Sanders,  Scarlett Johansson e Mamoru Oshii.
"Eu acho que todo mundo vai terminar ficando bem feliz com o filme. [Os fãs] ficarão contentes quando virem o que de fato realizamos com o mangá, e não acho que as pessoas vão sair desapontadas", começa Paul. "Acho que honramos o mangá, e os fãs vão ficar felizes porque estamos pagando um grande respeito ao mangá."

Sobre o "embranquecimento", o produtor diz que o filme terá "um mundo internacional". "Estamos utilizando todo tipo de pessoa e nacionalidade no mundo de Ghost in the Shell. É gente de todas as partes do mundo. Temos japoneses, chineses, britânicos, americanos", diz. "Eu não acho que seja uma história só japonesa. Ghost in the Shell era uma trama bem internacional, não só focada no Japão, a ideia era que fosse um mundo todo. Por isso em acho que o enfoque internacionalista é o melhor enfoque."

Masamune Shirow, o AUTOR original, o cara que criou o mangá que deu origem ao filme e ao anime, aprovou a escolha de Scarlet. Mais: ele disse que mangás são obras 'apátridas', obviamente salvo se forem sobre samurais e outros elementos históricos japoneses. No fim das contas, deviam aprovar a DIVERSIDADE exibida no filme, no Japão, um dos países mais etnicamente uniformes do mundo.

Por fim a própria atriz principal, Scarlett Johansson, falou sobre a polêmica. Em entrevista à Marie Claire comentou: "Eu certamente nunca me atreveria a interpretar outra raça de uma pessoa. Diversidade é importante em Hollywood e nunca gostaria de sentir que estava interpretando uma personagem que era ofensiva. Além disso, ter uma franquia estrelada por uma mulher é uma oportunidade tão rara. Eu certamente sinto a pressão disso, o peso de uma franquia tão grande nos meus ombros", explicou a atriz.

Em verdade é que a personagem original do manga/anime não é exatamente asiática, apesar da estória de passar em algum lugar da Asia, seus traços são bem ocidentais, ela tem olhos grandes e até olhos claros. Alias, ela é um androide, então ela pode ser qualquer coisa. No filme também vemos atores orientais como é o caso de  Takeshi Kitano e Rila Fukushima, entre outros.

  Resultado final e bilheterias

Poster para o mercado japonês


O filme foi lançado em 29 de Março em várias partes do mundo e logo, começaram a aparecer as primeiras críticas, positivas em sua maioria, mas o filme não conseguiu ter uma abertura boa nos Estados Unidos/Canadá, e estreou apenas em terceiro lugar, ficou atrás de O Poderoso Chefinho — estreante da semana — e de A Bela e a Fera, que foi para sua terceira semana em cartaz. O blockbuster da Paramount arrecadou apenas US$ 19 milhões e nem chegou perto de cobrir o seu orçamento de produção. Ghost in the Shell teve um orçamento de US$ 110 milhões e, no mundo todo, o filme arrecadou na estreia US$ 59 milhões. A segunda semana foi ainda pior, somou apenas US$ 7,3 milhões, chegando a um total acumulado de US$ 31,45 milhões nas bilheterias domésticas, uma queda de 60%. A surpresa, foi onde o filme foi bem...no mercado asiático, que muitos pensavam que o filme também fracassaria devido a polêmica do "whitewashing", o filme foi o lider da semana de estreia na China, onde já tinha arrecadado  US$ 21,4 milhões. Outra supresa foi no Japão, país de origem da franquia,  o sci-fi teve uma estreia surpreendente, se comparado com o mesmo final de semana de abertura nos Estados Unidos.  Arrecadando US$ 3 milhões em seus primeiros três dias no cinema, ‘A Vigilante do Amanhã’ teve uma recepção muito positiva entre os japoneses, apesar de toda a revolta gerada pelo ‘embranquecimento’ com a escalação de ScarJo para o papel da cyborg japonesa.

De acordo com o site de cinema do Yahoo japonês, a produção contabilizou a pontuação de 3.56 entre os fãs, número maior que o da animação original. O site The Hollywood Reporter também conversou com algumas pessoas que foram aos cinemas assistir ao sci-fi e a maior parte das opiniões sobre o filme foi positiva. Dentre os aspectos mais elogiados estão os efeitos visuais, a atuação de ScarJo e de forma geral a abordagem feita do material de origem.



Graças à bilheteria global, a produção deu uma boa recuperada, acumulando um total de US$ 124.373 milhões, sendo que mais de US$ 90 milhões vieram de fora dos EUA. Mas, ainda ficará abaixo do esperado,como consequência o filme deve sofrer um prejuízo grande, pois alcançando sua projeção de US$ 200 milhões arrecadados mundialmente, a produção ainda ficará no vermelho. Juntando os custos de produção e de publicidade, o filme custou mais de US$ 250 milhões, o que geraria uma perda de aproximadamente US$ 60 milhões. A publicação também reporta que fontes próximas do longa informaram que o orçamento de “A Vigilante do Amanhã” – listado em US$ 110 milhões – na verdade está mais próximo de US$ 180 milhões. Caso isso se confirme, o prejuízo será ainda maior, podendo ficar em torno de US$ 100 milhões. O que se pode dizer que o futuro no cinema, parece que se encerrou já no primeiro filme e dificilmente veremos alguma continuação de algum grande estúdio.

Paramount Pictures, produtora do filme, comentou o caso e culpou parte do fracasso na polêmica da escolha de um elenco não asiático, principalmente no caso de Scarlett Johansson como protagonista:
‘’Tínhamos esperanças de melhores resultados no mercado interno. Acho que a conversa com relação ao elenco impactou os comentários”, admitiu Kyle Davies, chefe de distribuição doméstica da Paramount, durante entrevista à CBC. “Você tem um filme que é muito importante para os fãs, uma vez que é baseado em um filme de anime japonês”, completou.
Para Davies, a ideia de transformar uma história asiática em global é um desafio muito difícil de ser feito. “Então você está sempre tentando enfiar essa agulha entre honrar o material de origem e fazer um filme para um público em massa. Isso é desafiador, mas claramente os comentários não ajudaram”, lamentou.




CRITICAS DE SITES GEEKS BRASILEIROS
- Boa parte dos sites e blogs de cultura Nerd e Geek, deram reviews positivos ao filme, sendo que muitos também apontaram alguns problemas nesta adaptação.


“Ghost in The Shell ganhou um filme digno de sua importância. Corajoso, fiel e diferente como deveria ser.”
THIAGO ROMARIZ - OMELETE
Nota 4 de 5 (ÓTIMO)



“Por fim, A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é um blockbuster com pretensões de trazer questões temáticas e estéticas que se diferenciem do atual cenário do cinemão. Se essa versão de Ghost in the Shell pode não chegar ao status de cult movie, trazer características e ideias que fogem do padrão é sempre muito bem-vindo.”
 GIOVANNI RIZZO – Observatório do Cinema
Nota 3 e ½ de 5




“No fim das contas, A VIGILANTE DO AMANHÃ é um filme que até tem uma cota de pontos positivos, que o torna interessante até para ser revisto. Nem que seja para ficar novamente deslumbrado com o desenho de produção e as cores, que não saem prejudicadas pelo 3D, aqui usado de maneira atraente e elegante.”

Ailton Monteiro – SCI FI DO BRASIL
Nota: 3 de 5




“Ainda deve-se aplaudir a inteligência do filme em não tomar partido em relação a quem é o verdadeiro vilão da história. “


 Pedro Karan – Observatório do Cinema

Nota: 4 de 5


" Então Ghost In The Shell, entre hipnótico e monótono, a maior obra audiovisual do cyberpunk. Cyberpunk que era o mundo das idéias de então: a chegada da revolução digital às ruas e às nossas almas, ao business e à guerra, além das fronteiras, para o bem e para o mal.
Como chamávamos então, pela sigla: GITS. Balas voando e Baudrillard, Philip K. Dick e Mecha, política, pop e espiritualidade. A presciência do século 21, do impacto que a nascente internet teria, a intuição das discussões de gênero e identidade e classe e geopolítica que viriam. E Major, uma protagonista feminina capaz, complicada, fria e quente, quente como só um cérebro humano em um corpo artifical poderia ser."

Andre Forastieri - Jornalista R7




Fontes: Omelete, CinePop, Observatório do Cinema, Wikipedia, Paramount Pictures/Dreamworks

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Desde 1910 Minas Gerais pode ter saída para o mar...

Caravelas(BA)...futuro mar mineiro ???

Esta unidade de carbono, nasceu na unidade da federação brasileira chamada Estado de Minas Gerais, um dos mais ricos e influentes estados do Brasil. Um fato que sempre me chamou atenção neste estado nacional, foi que apesar de toda importância na história deste país desde a colonização portuguesa, Império e República até hoje, não existe uma saída para o mar. Um absurdo! Sua costa oeste é cercada pelo estados do Rio de Janeiro e o Espírito Santo, além de um pequeno pedaço de faixa litorânea que pertence a Bahia. Pois bem, de acordo com um documento datado de 1910, Minas Gerais teria comprado uma estreita faixa de terra na divisa de seu território com a Bahia até o mar. Se isto realmente for provado, os mineiros poderiam ter finalmente sua saída para o mar? Talvez sim...talvez não!

A primeira vez que esta unidade de carbono ouviu falar sobre isto, foram a mais de 30 anos, quando estes documentos teriam sido descobertos nos arquivos públicos mineiros. Na época o governador de Minas Gerais era o Sr.Newton Cardoso, um político linha dura, que nasceu...na Bahia. Então não é de se estranhar na época, o assunto não foi mais falado. Agora, o assunto volta a tona devido a novas descobertas, mas isto poderá um dia mudar a geografia do nosso país e dar um mar a Minas Gerais? Para entender isto, devemos voltar na história.

HISTÓRIA

O assunto é polêmico e tem início no II Império do Brasil com a história da "Baiminas", a ferrovia que ligou no passado a Ponta de Areia (BA) a Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha. Inaugurada em 1881, a estrada de ferro seria desativada em 1966 pelo Regime Militar vigente no país, para dar prioridade as rodovias. Para incentivar a construção da linha pela iniciativa privada, o Imperador Dom Pedro II (1825-1891) concedeu à Companhia de Estrada de Ferro Bahia e Minas seis quilômetros de terras devolutas em cada uma das margens dos trilhos.

A empresa enfrentou dificuldade financeira no fim daquela década e hipotecou as terras ao Banco de Crédito Real do Brasil. Em 1908, já proclamada a República, a instituição financeira executou a dívida. Dois anos depois, quando foi a vez de o banco entrar em liquidação forçada, o governo de Minas Gerais adquiriu as terras em escritura de cessão de crédito e transferência de direito. O pagamento foi por meio de títulos da dívida pública. Pronto, o Estado de Minas Gerais comprou as terras bahianas!

Por algum motivo, contudo, Minas jamais explorou as terras. O assunto permaneceu no esquecimento por quase quatro décadas. Apenas em 1948, o então advogado-geral do estado, Darcy Bessone, alertou o governador Milton Campos (1900-1972) sobre o possível mar de Minas. Dias depois, o então secretário de Finanças, Magalhães Pinto, fez o mesmo. “Senhor governador, tenho a honra de submeter à elevada consideração de Vossa Excelência o presente processo relativo ao domínio do estado sobre terras marginais da estrada de ferro Bahia-Minas, no qual se encontra cópia do parecer emitido pelo doutor advogado-geral do estado, pedindo a Vossa Excelência deliberar sobre a orientação que se deva imprimir ao caso”, escreveu Magalhães Pinto na época.



O chefe do Executivo determinou ao advogado-geral que encaminhasse um expediente ao seu congênere na Bahia. A ordem foi cumprida em 1949: “Tenho a honra de submeter à elevada consideração de Vossa Excelência os inclusos documentos relativos a terras marginais da Bahia-Minas, de propriedade deste estado (Minas). (…) Como vê Vossa Excelência, exclui-se do domínio desse estado (Bahia), ao qual não se contesta, todavia, o poder jurisdicional resultante dos limites que o separam do território mineiro”. O governo vizinho não se manifestou sobre o assunto. Simplesmente assim...e o assunto parece que morreu na década de 40!

O assunto voltou a tona através de uma reportagem publicada para todo o Brasil na revista O CRUZEIRO em 23 de maio de 1973. O texto da reportagem “Olha aí o Mar de Minas” do jornalista mineiro e Fernando Brant (1946-2015), que algum tempo depois seria parceiro de composições musicais de Milton Nascimento dizia:

“É o fim da nostalgia do mar. Minas Gerais já têm o seu, de direito, desde 1910. O Cruzeiro descobre e mostra documentos e fatos que comprovam: Minas é um estado marítimo. A história começa no segundo Império e se arrasta até hoje (1973), encoberta por inexplicável silêncio. Não se trata do Contestado, motivo de tanta briga, em passado recente, entre mineiros e capixabas. Uma briga inútil, pois, desde 1910, trezentos contos de réis tornaram Minas Gerais proprietário, de direito, de um trecho no extremo Sul da Bahia, que vai dar em Caravelas, Ponta de Areia e Barra de Caravelas. Por mistério da política, o assunto nunca foi devidamente levantado.

As terras marginais da estrada de ferro Bahia-Minas, com extensão de 142 quilômetros por 12 (quilômetros), seis para cada lado da linha férrea, ligando a terra mineira ao Atlântico, abrangendo Caravelas, Barra e Ponta de Areia, pertenceriam ao estado de Minas Gerais. ‘Seria isso verdade?’, perguntará o ansioso mineiro. Será que os pintores, escritores, poetas mineiros perderão este elemento tão inspirador e legendário, a nostalgia do mar?”

Em seu texto, Brant informava que o ofício encaminhado pelo advogado-geral de Minas aguardava resposta do colega baiano havia, então, quase 25 anos. Procurado pelo Estado de Minas, o governo baiano informou que procuraria o documento para emitir uma resposta, o que não aconteceu novamente.

Mas se os questionamentos sobre a saída mineira para o mar foram em vão, a viagem de Brant para apurar a matéria teve muito mais proveito do que apenas a reportagem publicada em O Cruzeiro. A partir dela, veio a inspiração para que o compositor escrevesse a canção Ponta de Areia, cujos versos iniciais ocupam o alto desta página.
 
Reportagem "O Cruzeiro" - 1973
A música agrada aos ouvidos do pescador Manoel da Silva, de 45 anos. Mas ele é taxativo quanto à sua naturalidade: baiano. “Nasci em Caravelas e moro em Ponta de Areia. Aqui vai ser sempre Bahia. Contudo, sou é Flamengo”, brinca o homem.

Apesar da convicção do pescador baiano, Brant entendeu de maneira diferente: “É apenas um fiapo no mapa, mas é o quanto basta para Minas. Um fio de linha, uma modesta e tímida maneira de se chegar ao mar. O direito real é aclarado pelos documentos; falta a posse de fato para que o mineiro possa um dia dizer, debaixo das amendoeiras de Grauçá e Aracaré: ‘Olha aí o nosso mar’”.

Nos anos 80, durante o Governo Newton Cardoso, também ocorreu discussões na imprensa sobre as terras que Minas teria comprado da Bahia, mas não houve qualquer repercussão a seguir.

Quase 30 anos depois em 19 de agosto de 2015, houve nova reportagem e pesquisa, realizada pelo jornal O ESTADO DE MINAS, o que acabou novamente desencadeando uma nova paixão pelo assunto, já que a pergunta sempre fica...porque Minas Gerais nunca tomou posse das terras apesar de ter a escritura de compra das mesmas? No dia seguinte a publicação, foi informado que os governos de Minas Gerais e da Bahia iriam pesquisar seus arquivos em busca de documentos que esclareçam a negociação que, em 1910, transferiu ao patrimônio mineiro um filete do território baiano, de 12 quilômetros de largura por 142 quilômetros de extensão, mostrada ontem pelo Estado de Minas. A atual administração baiana informou que iria consultar os documentos para emitir um parecer. Da mesma forma, o governo de Minas. Parte do terreno que pode ser patrimônio mineiro integra uma área que abrange vários mangue. De acordo com o pesquisador de solos Carlos Hernesto Schaefer, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), o Sul da Bahia “é composto pelo maior conjunto de manguezais do Nordeste, e um dos maiores do Brasil”.



No dia 21 de agosto, novas atualizações sobre o caso. Talvez procurando ganhar popularidade, o Governador mineiro Fernando Pimentel mandou criar uma "força-tarefa" para resolver o assunto. Profissionais de seis órgãos foram escalados para localizar possíveis documentos de que o Palácio da Liberdade tem a posse de um trecho que vai da divisa entre os dois estados à cidade histórica de Caravelas, mas se comprovada..infelizmente não iria mudar em nada o mapa do Brasil. Tão pouco significa dizer que aquele pedaço de chão será incorporado ao território mineiro. Na prática, sendo localizado documentos que confirmem a história, é como se Minas fosse uma pessoa física ou empresa com o título de posse de uma área no estado vizinho, devendo obedecer às leis de lá. “Não muda nada no mapa nacional. Seria uma propriedade do ente federativo Minas (no território da Bahia)”, disse Leonardo Barbabela, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Público do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Um dos órgãos envolvidos na “força-tarefa” é o Instituto de Geoinformação e Tecnologia de Minas Gerais (IGTEC). Em nota, o IGTEC reforça que, “à luz dos registros oficiais, a divisa de Minas com a Bahia é estabelecida, formalmente, por decreto (número 24.155)” e que nele “não consta qualquer faixa de terras pertencentes a Minas Gerais, que se estenda até o litoral de outro estado”. A questão é saber qual a resposta do governo baiano ao ofício encaminhado pelo governo mineiro na década de 1940, como cobrou Brant em sua reportagem.

Do lado bahiano, o governo Rui Costa (PT) garante não ter qualquer informação crível sobre a história. E assim, a história parece que morreu de novo...aguardemos cenas dos próximos capítulos ???



Reportagem da TV Record sobre o assunto em 2015:




Fonte: Revista "O Cruzeiro" / Jornal Estado de Minas

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

CARRIE FISHER(1956-2016) & DEBBIE REYNOLDS(1932-2016)

Debbie Reynolds recebe de Carrie Fisher o SAG 2015

CARRIE FISHER (1956-2016)

Carrie Fisher,atriz que interpretou a Princesa Leia na saga "Star Wars", faleceu aos 60 anos no último dia 27/12. A notícia foi confirmada à revista "People" por um representante da família, Simon Halls. "É com grande pesar que Billie Lourd [filha de Carrie] confirma que sua amada mãe, Carrie Fisher, morreu às 8h55 desta manhã. Ela era amada pelo mundo e sua ausência será profundamente sentida. Nossa família agradece pelos pensamentos e orações". Carrie foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na sexta-feira (23/12) após sofrer uma parada cardíaca dentro de um avião, pouco antes de a aeronave, que veio de Londres, pousar em Los Angeles.

A então estrela dos anos de ouro de Hollywood Debbie Reynolds com a filha Carrie Fisher


Carrie Frances Fisher nasceu em Beverly Hills, filha de um casal famoso em Hollywood formado pelo cantor Eddie Fisher e pela atriz Debbie Reynolds, Quando Carrie tinha apenas dois anos de idade, seus pais se separaram. Seu pai acabou se casando com a atriz Elizabeth Taylor, fato que ela nunca o perdoou por abandonar a mãe. No ano seguinte, sua mãe se casou com Harry Karl, dono de uma rede de lojas de sapatos. Carrie escreveu sobre sua relação complicada com a mãe no livro "Postcards from the edge". A obra foi adaptada para o cinema em 1990, com o título "Lembranças de Hollywood", estrelado por Meryl Streep e Shirley MacLaine. Carrie era uma leitora ávida, desde criança, apelidada pela família como "rato de biblioteca". Passou a infância lendo literatura clássica e escrevendo poesias. Estudou no Beverly Hills High School até os 15 anos, quando debutou como cantora na Broadway com o musical Irene, em 1973. Neste mesmo ano, Carrie se matriculou na London's Central School of Speech and Drama, onde estudou por dezoito meses. Em 1978, foi aceita no Sarah Lawrence College, onde planejava cursar Artes. Entretanto, antes de se formar, ela largou o curso por incompatibilidade de agenda com as filmagens de Star Wars. Em 1975, ganhou seu primeiro papel nos cinemas, com o filme "Shampoo", estrelados por Warren Beatty, Julie Christie e Goldie Hawn. Em sua biografia, Fisher, então menor de idade com 17 anos, revelou que durante as filmagens de "Shampoo" o ator Warren Beatty(36 anos na época), pediu pra ela contracenar com ele sem sutiã.

Fisher com o ator Warren Beatty no filme "Shampoo"(1975)


Em 1977 a jovem atriz conseguiu um dos mais disputados papeis da época, o papel da Princesa Leia, a jovem líder de um grupo de rebeldes que tentam derrubar um Império do mau, no filme "Star Wars - Guerra nas Estrelas" (rebatizado de "Star Wars : Episódio IV - Uma Nova Esperança". A partir daí sua vida mudou radicalmente, tornando-se um ícone cultural do século XX. Ela retornaria ao papel da Princesa Leia em mais três filmes: "O Império Contra Ataca"(1980), "O Retorno de Jedi"(1983) e recentemente  "O Despertar da Força" (2015).  Fisher já havia terminado as filmagens do Star Wars Episódio 8 (ainda sem título definido) a ser lançado em dezembro de 2017.


Carrie como Princesa Leia em "Guerra nas Estrelas" (1977)


A Princesa Leia (no último filme ela se torna General Leia), acabou se tornando um símbolo de empoderamento feminino, para várias gerações de mulheres ao longo dos anos. No filme, ela aparece inicialmente como uma frágil princesa que é resgatada por um grupo de rebeldes que mais tarde sabemos que se trata do irmão gêmeo Luke Skywalker e o contrabandista e cara de páu Han Solo, pela qual ela se apaixona. Mas a fragilidade da princesa vem abaixo, quando descobrimos que ela é boa de briga, consegue ajudar seu novos companheiros a fugir da Estrela da Morte e logo planejar a destruição da mesma, mostrando astúcia e inteligência. Seu papel foi ganhando destaque nos filmes seguintes, quando descobrimos que Leia é filha do vilão, Darth Vader, que não mostra qualquer sinal de arrependimento ao tortura-la no primeiro filme. Na nova trilogia, já veterana e agora com a patente de General, Leia continua a comandar a Aliança Rebelde, agora como membro da nova Republica, contra remanescentes do antigo Império, a Primeira Ordem. Descobrimos que Leia e Solo tiveram um filho, Ben Skywalker que se volta para o lado negro como Kylo Ren, que idolatra as memórias do avó malvado, Darth Vader.

Carrie como Leia durante as filmagens de "O Império Contra Ataca" (1980)

Carrie mais uma vez como Leia e o famoso biquíni de escrava de Jabba em "O Retorno de Jedi" (1983)


Carrie Fisher, ainda teve ótimas atuações em filmes como "The Blues Brothers - Os irmãos cara de pau"de John Landis (1980), "Hanna e suas irmãs" de Woody Allen(1984), "Amazonas na Lua" de Joe Dante(1986), "Harry e Sally - Feitos um para o outro" (1989),"Meus vizinhos são um terror" de Joe Dante (1989), " Austin Power" (1997), "Panico 3" (2000), "Fanboys" (2009), entre outros.

Carrie no filme "The Blues Brothers - Os irmãos cara de pau"(1979)


Além de atriz, Carrie Fisher era escritora e roteirista tendo até contribuído com cenas cômicas em alguns filmes que nem imaginávamos. Fisher era reconhecida como “script-doctor” em Hollywood, uma pessoa para quem os roteiristas pedem auxílio ao encontrar problemas no roteiro ou que podem tornar a obra mais interessante com seus conselhos e indicações. Entre esses filmes para os quais Fisher prestou consultoria estavam Pânico 3(na qual atua), Hook – A Volta do Capitão Gancho, de Steven Spielberg (na qual faz uma ponta junto com George Lucas), e a trilogia de Star Wars composta pelos episódios I, II e III.Entre outros trabalhos de revisão de roteiro estão: "Mudança de hábito" (1992), "Epidemia" (1995) e "Afinado no amor" (1998). Apesar da ajuda nos roteiros, Fisher não foi creditada por seu trabalho.

Com o primeiro marido, o cantor Paul Simon(1984).


Outro trabalho de roteiro da atriz, foi para o seriado "O Jovem Indiana Jones", na qual ela escreveu o episódio : " Paris, October 1916", onde o Jovem Indy conhece a espião Mata Hari e se apaixona por ela.

Em 2007, Carrie foi convidada pelo cineasta Steven Spielberg para ser jurada do reality show "On the lot", que escolheria um futuro diretor.

Como General Leia ao lado do ator Harrison Ford em "SW: O Espertar da Força"(2015)

Apesar de todo sucesso, fama e o reconhecimento mundial, a vida da atriz não foi só alegrias. Ainda muito jovem teve contato com o mundo das drogas, segundo conta e sua biografia, Carrie experimentou de "quase" tudo nos anos 70 e 80 além de um grave problema de alcoolismo . Ela revelou que praticamente atuou chapada em cocaína nas filmagens de "O Império Contra Ataca). Perguntada pela Vanity Fair, em 2006, como convenceu George Lucas a lhe dar o papel da princesa Leia, respondeu: "Eu transei com um nerd. Espero que tenha sido George". "Usei muitas drogas para (conseguir me) lembrar quem foi", acrescentou.

Com o diretor J.J.Abrams e os jovens atores de "O Despertar da Força"


Fisher e Harrison Ford no último beijo em 2015 para promover Episódio 7. Atores foram amantes no passado.


Seus casamentos também não deram muito certo. Foi casada por menos de um ano com o cantor Paul Simon em 1984. Alguns anos depois casou com o Agente de Talentos, Bryan Lourd, pai de sua filha, Billie Lourd (nascida em 1992), hoje atriz. Este casamento chegou ao fim, quando ela descobriu que o marido a traia...com outro homem!

Carrie fez terapia eletro-convulsiva, que consistia em pequenas descargas elétricas liberadas no cérebro para desencadear pequenas convulsões e tratar a depressão. Em sua primeira coluna de conselhos no jornal britânico The Guardian, ela prometeu "proporcionar assessoramento solicitado, baseado em uma vida de tropeços e acidentes". Carrie Fisher disse, ainda, aos seus leitores que as dependências, os problemas sentimentais e os transtornos mentais equivalem a uma distribuição "compartilhada de desafios e experiências infelizes". "Com o tempo, prestei atenção, tomei nota e esqueci facilmente a metade de tudo o que passei. Mas remexo a metade das lembranças e as ponho aos seus pés", afirmou.

Fisher como Princesa Leia em "Guerra nas Estrelas" e seu famoso cabelo.


Ela também ficou conhecida por debater publicamente seu transtorno bipolar e seu alcoolismo na forma da peça/livro/especial da HBO "Wishful drinking" (que chegou a receber duas indicações ao Emmy de 2011).

Em uma nova biografia que estava promovendo em 2016, ela contou que manteve um relacionamento de três meses com o ator Harrison Ford, seu parceiro em Star Wars, quando estavam filmando o primeiro filme em Londres em 1978. Na época, Carrie Fisher tinha 19 anos, e Ford, com 33, era então casado com sua primeira mulher, Mary Marquardt.

Existem algumas evidências, que mesmo longe dos vícios, ela pode ter tido uma recaída nos últimos meses, o que pode ter agravado sua saúde e abreviado sua vida recentemente.

Assim que a notícia de seu falecimento foi oficializado, várias pessoas começaram a mandar mensagem de condolências:

Debbie Reynolds (Mãe de Carrie Fisher, atriz e cantora):
"Obrigado a todos que abraçaram os dons e talentos da minha amada e incrível filha. Estou grata por seus pensamentos e orações, que agora estão a guiando para sua próxima parada. Com amor, a mãe de Carrie".

LUCASFILM : Kathleen Kennedy, presidente da Lucasfilm, liberou uma declaração oficial lamentando a morte de Carrie Fisher, estrela da saga Star Wars, pela qual a produtora é responsável.

“Carrie tem um espaço tão especial nos corações de todo mundo na Lucasfilm que é difícil pensar em um mundo sem ela. Ela era a Princesa Leia para o mundo, mas uma amiga muito especial para todos nós. Ela tinha um espírito indomável, uma sabedoria incrível, e um coração amoroso. Carrie também definiu a heroína do nosso tempo. Seu papel como Leia serviu como inspiração e empoderamento para meninas por todo o mundo. Vamos sentir sua falta”, escreveu.

WALT DISNEY COMPANY: Bob Iger, presidente da Disney, liberou mensagem oficial sobre o falecimento de Carrie Fisher, a Princesa Leia da franquia Star Wars, que pertence ao estúdio.

 “Carrie Fisher era única, uma personagem de verdade que dividiu seu talento e sua verdade com todos nós de sua forma irreverente e sábia. Milhões se apaixonaram por ela como a indomável Princesa Leia; ela sempre terá lugar nos nossos corações e nos corações dos fãs de Star Wars. Sentiremos sua falta gravemente, e nos juntamos a milhões de fãs ao redor do mundo que estão de luto por sua perda hoje”.

GEORGE LUCAS (Criador, Produtor e Diretor da Saga Star Wars) : “Carrie e eu fomos amigos por toda a nossa vida adulta”, disse Lucas. “Ela era extremamente esperta; uma atriz talentosa, escritora e comediante com uma personalidade colorida que todos amavam. Em Star Wars, ela foi nossa poderosa princesa – ousada, sábia e cheia de esperança em um papel que era mais difícil do que as pessoas presumem. Meu coração e orações estão com Billie, Debbie e toda a família e amigos de Carrie. Todos sentiremos sua falta”.

STEVEN SPIELBERG: “Eu sempre me impressionei com Carrie”, escreveu Spielberg. “Suas observações sempre me fizeram rir e ficar chocado ao mesmo tempo. Ela não precisava da Força. Ela era uma força da natureza, da lealdade e da amizade. Eu vou sentir muito sua falta”.

HARRISON FORD(Han Solo): “Carrie era única… brilhante, original. Era engraçada e emocionalmente destemida. Ela viver sua vida bravamente. Meus pensamentos estão com sua filha, Billie, sua mãe, Debbie, e seu irmão, Todd, além de seus muitos amigos. Vamos todos sentir falta dela”, escreveu Ford.

MARK HAMILL  (Luke Skywalker): “Nunca é fácil perder um mebro tão vital e insubstituível da família, mas isso é de partir o coração. Carrie era única e pertencia a todos nós – quer ela gostasse ou não. Ela era NOSSA princesa, poxa, e a atriz se transformou em uma linda, ferozmente independente e engraçada mulher que tomava as rédeas e tirou o fôlego de todos nós. Determinada e forte, mas com vulnerabilidade que fazia você torcer por ela e torcer para que ela alcançasse o sucesso e fosse feliz. Ela interpretou um papel crucial na minha vida profissional e pessoal, e ambas seriam muito mais vazias sem ela. Eu sou grato pelo seu sorriso, sabedoria, bondade e até pelas coisas malcriadas e egocêntricas que minha amada gêmea do espaço me deu ao longo dos anos. Obrigado Carrie. Eu te amo, Mark Hamill”.

J.J.ABRAMS (Diretor de Star Wars - O Despertar da Força): "Você não precisava encontrar Carrie Fisher para entender seu poder ", escreveu o cineasta em uma nota manuscrita. "Ela era tão brilhante e bonita, dura e maravilhosa, incisiva e engraçada como você poderia imaginar. Que coisa injusta perdê-la. Que sorte ter sido abençoada com ela."

Dave Prowke(Darth Vader): "Estou extremamente triste em saber da morte de Carrie. Ela era maravilhosa para se trabalhar junto. Condolências para seus amigos, família e fãs pelo mundo".

Peter Mayhew (Chewbacca): " Não há palavras para essa perda. Carrie foi a estrela mais brilhante em cada sala em que entrou. Eu vou sentir sua falta".

Billy Dee Williams (Lando Calrissian) : “Estou profundamente triste com a morte de Carrie. Ela é uma grande amiga, que eu admirava e respeitava. A Força está negra hoje”.

Daisy Ridley (Rey): “Estou devastada com essa perda monumental. Me sinto sortuda de tê-la conhecido, e me sinto terrível por ter que dizer adeus”.

Anthony Daniels(C3PO): "Apesar de tantos pensamentos e tantas orações de tantos", disse, completando: "Estou muito triste".

Paul Simon (Cantor e ex-marido) : "Ontem foi um dia horrível. Carrie era uma menina maravilhosa e especial. Foi muito cedo. "

William Shatner (capitão Kirk de Star Trek): “Estou profundamente triste de ouvir sobre a morte de Carrie Fisher. Vou sentir falta das nossas conversas. Um talento incrível e uma luz foi extinguida”.

Whoopi Goldberg, (atriz):  “Carrie Fisher morreu, ela era mais engraçada e esperta do que qualquer pessoa tem o direito de ser".

Carrie tinha 60 anos e deixa apenas uma filha, Billie Lourd, que atuou com ela em "Star Wars - Episódio VII - O Despertar da Força" e no futuro "Star Wars - Episódio VIII (ainda sem título)".


DEBBIE REYNOLDS  (1932-2016)

 
Fisher e Reynolds em um musical 

Se não bastasse o falecimento de Carrie Fisher, sua mãe, a lendária Debbie Reynolds, acabou passando mau e tendo um AVC um dia depois da morte da filha. Levada ao hospital as pressas, infelizmente ela não resistiu. Ela estava na casa do filho, Todd Fisher, em Hollywood, justamente preparando os detalhes do enterro da filha. Segundo o filho, as últimas palavras de Debbie teriam sido: “Quero estar com a Carrie. Sinto muito a falta dela”. A informação foi divulgada ao site TMZ pelo ator Todd Fisher, filho de Reynolds e irmã de Carrie.

Debbie Reynolds uma das estrelas mais lindas da Era de Ouro de Hollywood

Nascida Mary Frances Reynolds, no dia 1º de abril de 1932 em El Paso, nos Estados Unidos, a posteriormente artista conhecida como Debbie Reynolds chamou a atenção dos "caça talentos", quando adolescente venceu um concurso de beleza na cidade de Burbank, na Califórnia.

Loira, de olhos azuis e rosto doce e muito expressivo, Debbie Reynolds estreou no cinema pelas mãos do estúdio Warner Bros, com o filme "Vocação Proibida" (1950), embora foi sua futura associação com a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) a que fez chegar ao estrelato de Hollywood.

Neste mesmo ano participou do musical "Três Palavrinhas", protagonizado por Fred Astaire, mas sua sorte mudaria completamente quando, dois anos depois, Stanley Donen e Gene Kelly a escolheram como atriz principal de um dos musicais mais famosos da história, "Cantando na Chuva".


Reynolds ao lado de Gene Kelly em "Cantando na Chuva"(1952)


Ao lado do próprio Kelly e Donald O'Connor, Debbie Reynolds compôs o trio protagonista de um filme sobre o início do cinema sonoro e cujos deslumbrantes números de dança, como "Singin' in the Rain", "Make 'Em Laugh" e "Good Morning", passariam imediatamente a fazer parte do cânone do gênero.

Debbie Reynolds aproveitou o vento favorável naqueles anos e deixou sua marca em outros filmes como "Armadilha Amorosa" (1955), ao lado de Frank Sinatra; "A Festa de Casamento" (1956); o western "A Conquista do Oeste" (1962); e "A Inconquistável Molly" (1964), pelo qual foi indicada para o Oscar de melhor atriz.

Reynolds ao lado de Frank Sinatra em "Armadilha Amorosa"(1955)

Nos anos seguintes, ela trabalhou em musicais da Broadway como "Irene" (1973), onde estreou sua filha Carrie Fisher, e em Las Vegas, onde chegou a possuir um cassino, em um negócio que não deu muito certo.

No entanto, nunca deixaria de ter um pé em Hollywood, como demonstram suas participações nos filmes "Mãe é Mãe" (1996), "Será Que Ele É?" (1997) ou "Minha Vida com Liberace" (2013), seu último papel.

Esteve em excursão ao Brasil em 1953 e a outros países da América do Sul em companhia da amiga Pier Angeli. Em 1964 foi indicada ao Óscar pelo seu papel em The Unsinkable Molly Brown. Foi casada com o ator e cantor Eddie Fisher, com quem teve dois filhos: a atriz Carrie Fisher e Todd Fisher. Eddie a abandonou pela então viúva de seu amigo, o produtor Mike Todd, a também atriz Elizabeth Taylor, o que causou um grande escândalo e ganhou as primeiras páginas da imprensa americana. Mais tarde, casaria em 1960 com Harry Karl, se separando em 1973, após ele ter perdido sua fortuna no jogo, e seu terceiro marido foi Richard Hamlett, com quem esteve casada de 1984 até 1994 e com quem foi proprietária de um hotel e cassino em Las Vegas, mas o empreendimento faliu em 1997.

3 Gerações de atrizes: Carrie Fisher, Debbie Reynolds e  Billie Lourd (filha de Carrie)


Em 2015, recebeu um prêmio SAG pela carreira das mãos da filha, Carrie





Dias tristes...ano triste !!!
Duas Ladies Evolutions !!!


Fonte: G1 / Wikipedia / Observatório do Cinema / UOL notícias