sexta-feira, 16 de junho de 2017

"O PRISIONEIRO" ( 1967-1968)


INTRODUÇÃO:

Série britânica da ITV, produzida no final dos anos 60. Criada e estrelada pelo ator Patrick McGoohan, a série narrava as aventuras de um agente secreto inglês que, após se demitir do serviço secreto, é sequestrado e levado para uma ilha conhecida apenas como A Vila. Lá ele encontra dezenas de outras pessoas que não tem a menor ideia de como chegaram ali. Determinado a descobrir o que está acontecendo, quem comanda a Vila e como escapar dela, o agente, agora batizado pelos administradores como Número 6, precisa ainda enfrentar as sessões de torturas psicológicas às quais é submetido para revelar os motivos pelos quais pediu demissão. A Vila é comandada pelo Número 2, que se altera de episódio para episódio, sendo também que suas identidades nunca são reveladas. Para descobrir a principal informação que querem, o verdadeiro motivo do agente ter pedido demissão, o Número 2 ordena uma série de ações contra o Número 6, que inclui desde uso de drogas alucinógenas e roubo de identidade até controle dos sonhos e coerção social. A Vila também possui um sistema de defesa própria, na qual bolas gigantes, são usadas para perseguir quem tenta fugir ou que vá contra as regras vigentes no lugar.



PRODUÇÃO:


A série foi uma ideia produzida em conjunto pelo ator Patrick McGoohan e pelo escritor, roteirista e jornalista George Markstein. O ator McGoohan, estava trabalhando em uma série sobre agente secreto chamada "Danger Man" (entre 1960 a 1968), a espionagem estava em alta neste período devido a Guerra Fria, tornando bastante popular ao público desde o sucesso dos filmes do famoso agente James Bond-007. McGoohan, tinha o desejo de sair da série e desde 1962 junto com o roteirista Markstein, já editavam o que seria o plot principal de "O Prisioneiro". Junto com o produtor David Tomblin, ambos escreveram o piloto da série, "The Arival" que foi aprovado pela rede inglesa ITV. Markstein depois se instalou como editor de roteiro da série. Mais tarde, ele descreveu o trabalho do editor de histórias como "o homem-chave em qualquer série, ele é o homem em cujas mãos é o ethos da série, o espírito da série, e é seu trabalho transmitir os escritores e os autores de modo que um diretor dirija seus atores e as estrelas ".



Os detalhes exatos de quem criou quais aspectos do programa são disputados; Crédito de opinião da maioria seria que McGoohan foi o único criador da série. No entanto, um status de co-criador em disputa foi posteriormente atribuído a Markstein depois de uma série de entrevistas de fãs foram publicadas na década de 1980. O programa em si não possui "um criado por". Isto gerou uma polêmica por anos sobre quem seria realmente o verdadeiro criador da série.

Markestein queria uma série simples de ação, McGoohan queria uma série intrincada, cheia de símbolos, sem explicação, deixando para o público absorver e tentar entender seu significado. Quando Markestein defendeu a idéia de dar um episódio final explicativo para o Prisioneiro, McGoohan se opôs e a dupla se desfez, deixando McGoohan sozinho na produção da série. Além de atuar, McGoohan também escreveu e dirigiu vários episódios.



Na opinião de McGoohan, ele não queria mais interpretar um agente secreto a "la James Bond", que é expert em armas de fogo e catador de mulheres. Pra ele, isto era bastante vazio. Ele pensou em outro tipo de personagem, seu personagem deveria ser meio excêntrico, averso à violência, utilizando o raciocínio para resolver seus casos, e tímido com as mulheres, embora fingisse não ser. Isto já era um diferencial na sua série anterior, "Danger Man", na qual chegou a brigar com os produtores para que se realizassem mudanças do personagem neste sentido. Foi durante as filmagens do seriado anterior, que McGoohan, conheceu o vilarejo-estancia gales de Portmeirion, lugar que chamou bastante atenção do ator e onde se inspirou para começar a escrever a série que depois seria "O Prisioneiro".



Tendo sido renovada para uma quarta temporada, agora a cores, "Danger Man" iniciou a produção de seus primeiros episódios quando Patrick McGoohan anunciou que não desejava mais estrelar a série. Em troca, ofereceu "O Prisioneiro", que utilizaria a mesma equipe de produção e seria exibida no lugar das aventuras do agente John Drake. Com a série aprovada pela ITV e o início das filmagens agendados, com o vilarejo de Portmeirion servindo de cenário, a produção apresentou o novo seriado à imprensa inglesa.

Na apresentação da série à mídia, McGoohan apareceu preso em uma jaula, confundindo os jornalistas presentes. A cada pergunta feita pelos jornalistas, Patrick McGoohan respondia com outra pergunta, confundido ainda mais o público presente que saiu dali sem saber direito do que se tratava a série que eles deveriam divulgar.


McGoohan originalmente queria produzir apenas sete episódios de "O Prisioneiro", mas Lew Grade,produtor da ITV argumentou que mais shows eram necessários para que ele vendesse com sucesso a série para a americana CBS. O número exato que foi acordado, juntamente com a forma como a série terminou, é contestado por diferentes fontes. Segundo algumas fontes a CBS estava disposta a bancar uma série com 26 episódios, mas no final McGoohan só concordou com 17 episódios. Mas de acordo com "The Prisoner: The Official Companion" para a série de TV clássica, ela deveria ser executada por mais tempo, mas foi cancelada, obrigando McGoohan a escrever o episódio final em apenas alguns dias.

A série estreiou na TV britânica em 29 de setembro de 1967 e seu último episódio foi ao ar no dia em 1° de Fevereiro de 1968. 


A lista de episódios de "O Prisioneiro":


1) Arrival
2) Free For All
3) Dance Of The Dead
4) Checkmate
5) The Chimes Of Big Ben
6) A, B And C
7) The General
8) The Schizoid Man
9) Many Happy Returns
10)  It's Your Funeral
11) A Change Of Mind
12) Hammer Into Anvil
13) Do Not Forsake Me Oh My Darling
14) Living In Harmony
15) The Girl Who Was Death
16) Once Upon A Time
17) Fall Out


A SÉRIE:

Algumas dúvidas são levantadas ao longo da série:

O personagem que representa o inimigo se apresenta como “novo número 2”. Por que o novo número 2? Porque, durante a série o número é trocado sistematicamente a cada episódio.

Há a pergunta “Quem é o número 1?”. Esta pergunta percorrerá toda a série sendo o seu principal mistério.

 Onde exatamente se localiza a Vila?

 O que aquelas pessoas que vivem na Vila estão fazendo ali? Alguns são prisioneiros como o número 6, outros podem ser infiltrados...

 Qual foi o motivo da demissão do agente antes de ser enviado para a Vila?

As tentativas de subversões contra a Vila ou seu sistema ou mesmo as fugas (impossíveis), eram punidas através de um sistema de auto-defesa do lugar chamado "Rover", que mais parecia uma bola branca gigante de borracha que perseguia e as vezes asfixiava os oponentes. 



Entre as principais teorias ao longo dos anos feitos pelos fãs da série se relaciona a verdadeira identidade do Número 6. Seu verdadeiro nome nunca é revelado. Seria ele o espião protagonista da série Danger Man, série anterior de Patrick McGoohan ? O próprio ator é  silente a este respeito, sempre negando o fato.


Existem ao longo do programa uma variedade grande de citações bastante claras a outras obras de ficção como "Alice no País das Maravilhas" e "Alice no Reino do Espelho" (num dos episódios há um imenso jogo de Xadrez, e um dos personagens foi representado pelo mesmo ator que representou o Chapeleiro Louco na versão televisiva do livro), O Processo de Kafka (Patrick McGoohan fez uma ponta na versão de Orson Wells para o cinema), o Gabinete do Dr Caligari. E que não poderia deixar de ser também, as sociedades utópicas totalitárias presentes em livros como "1984" de George Orwell ou "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley.

A série faz uso de tecnologias que só se tornaram realidade muito tempo depois. Realidade virtual, técnicas de manipulação psicológica (lembrando os pastores da TV de hoje), inteligência artificial, controle mental através de drogas, transmutação de pensamento, etc.

Não podemos esquecer também uma crítica social que seria a desumanização em frente  à burocracia estatal que reduz a pessoa a apenas um número em um banco de dados. O protagonista sempre diz como lema :  "I am not a number, I am a free man!" (não sou um número, sou um homem livre!).


O FINAL ENIGMÁTICO E AS CONSEQUÊNCIAS


O episódio "Fall Out", representou o fim da série. Escrito e dirigido pelo próprio Patrick McGoohan, continuação direta do anterior, " Once Upon A Time", na qual Número 2 tenta a todo custo obter informações do Número 6, através de um método de regressão mental do prisioneiro. Tentativas que acabam colocando a própria vida de seu algoz em cheque no final. Finalmente no último episódio, o prisioneiro tem a oportunidade de conhecer os subterrâneos da Vila em seus diferentes níveis, sendo o nível mais baixo, onde encontrará finalmente o Número 1 e provocará uma reação sem procedentes para o futuro de todos envolvidos. Uma verdadeira viagem lisérgica e surrealista, com direito até a Beatles na trilha sonora.

O final enigmático e aberto da série, causou tanta confusão que a rede ITV passou a receber inúmeros telefonemas indignados. Patrick McGoohan teria sofrido inclusive ameças e pressões na própria casa com os espectadores que não estavam contentes com o cancelamento do seriado, sem nenhuma explicação.. "Eu ia ser linchado", McGoohan disse uma vez. "Eu tive que me esconder nas montanhas por duas semanas".No começo dos anos 70, ele se mudou para a Suíça, e tornou-se mais recluso e não aceitando dar entrevistas sobre o assunto...

CULTURA POP

"O Prisioneiro" teve curta duração no final dos anos 60, mas por causa de reprises nos EUA uma década depois, ela passou a atingir um status de cult. Livros, resenha, documentários , audio books, cards, quadrinhos e várias outras coisas foram criados sobre ela. Ela também ajudou a inspirar muita gente em especial diretores e roteiristas que fazem homenagens ou paródios em outros filmes, cinemas e outros meios de mídia. Como por exemplo:

A banda britânica de heavy metal, "IRON MADEN", lançou a música "The Prisoner" no álbum "The Number of the Beast" (1982) e " Back In The Village" no álbum "Powerslave" uma homenagem a série. O início da música, podemos escutar as palavras que o ator Patrick McGoohan diz junto com o número 2, na abertura do programa.

No episódio " The Computer Wore Menace Shoes"  da 12° temporada do desenho "Os Simpsons", produzido em 2000, o ator Patrick McGoohan foi convidado para dublar a voz do "número 6" em uma estória na qual Bart Simpson vai parar na Vila.



Isto só pra citar alguns, pois as referências são várias em diversos programas, séries, filmes, músicas...

O diretor/produtor David Lynch, é um grande fã de "O Prisioneiro", o seu famoso seriado "Twin Peaks", bebe muito da fonte no quesito mistério . Ambas apresentavam uma similaridade muito grande, onde o espectador via a maior parte da história, desde o ponto de vista do protagonista, mas não conseguia compreender direito o que está se sucedendo.

Se a série introduziu a teoria de conspiração na TV, também devemos lembrar do seriado "Arquivo X", nos anos 90, também bebendo da mesma fonte.  O que dizer do produtor e diretor J.J.Abrams outro grande fã da série, que ao criar "Alias", se inspirou muito na série, isto sem falar no seu maior sucesso, "Lost", que praticamente 'chupa' várias ideias da série sessentista e até mesmo "Fringe". Ron Moore, ao criar a nova versão de "Galactica" para a televisão, deu o nome a personagem cylone, "número 6", como inspiração ao personagem principal do seriado "O Prisioneiro".

A série chegou até mesmo a ser teses em faculdades norte-americanas.

O que dizer então de filmes como The Truman Show(1998) ou EDTV(1999) ?



Nos quadrinhos, na segunda metade dos anos 1970, a editora americana Marvel Comics comprou os direitos para produzir uma série de O Prisioneiro. A ideia inicial do projeto foi do escritor e então Editor-Chefe Marv Wolfman, um apaixonado confesso pela série de TV. Isso deve ter acontecido no final de 1975... A série deveria ser escrita por Steve Englehart e desenhada por Gil Kane! No entanto, com a volta de Jack Kirby à Marvel para produzir uma nova fase do Capitão América (que iria culminar no bicentenário da declaração da independência dos EUA), além de 2001: A Space Odissey, Black Panther etc, Stan Lee decidiu passar o projeto a ele. Uma história completa de 17 páginas foi escrita e desenhada por Kirby em fevereiro de 1976. No entanto, antes que a mesma fosse totalmente arte-finalizada e letrada por Mike Royer, o projeto foi engavetado pelo próprio Lee. Recentemente, os manuscritos originais e não acabados dos quadrinhos desenhados por Kirby, foram encontrados e levado a leilão na internet. O seu comprador então resolveu escanear as páginas e colocar online para todos lerem . A pouco tempo, o brasileiro Leandro Luigi Del Manto, ex-editor da Globo e da Pandora Books e atual editor da Devir, traduziu e letrou por conta própria em seu tempo livre, com o único objetivo de compartilhar com outros fãs. O projeto, absolutamente sem fins lucrativos e com o objetivo apenas de divulgação pode ser visto clicando-se aqui.


Entre 1988 a 1989, a mini-série "Shattered Visage" em quadrinhos Graphic Novel baseado no seriado, escritas e desenhadas por Dean Motter e Mark Askwith,  foi lançada como pela DC COMICS, e depois em edição completa em 1990. Ele chegou ao Brasil no mesmo ano , como "O Prisioneiro". A estória se passa 20 anos após a evacuação da Vila e o retorno do número 6.




REMAKE DE 2009


Por volta de 2005/2006, a BBC anunciou que um remake da série “O Prisioneiro” estaria sendo preparado pelo canal britânico a cabo SKY ONE, como uma mini-serie de 6 partes. O Diretor de Programa do canal prometeu uma "reinvenção emocionante" do drama sobre um ex-agente secreto preso em uma aldeia isolada. "Se Doctor Who definiu o padrão, O Prisioneiro levantará o bar", disse ele.  O ator britânico Christoper Eccleston, recém-saído do seriado Doctor Who, teria sido atachado ao projeto, como o novo "Número 6".  "Este projeto sofreu um nível de atenção sem precedentes, atraindo uma série de atores e escritores de primeiro nível", disse a editora Elaine Pyke. A nova série será feita pela TV Granada a partir de um roteiro de Bill Gallagher, escritor da premiada série Clocking Off."O Prisioneiro é como a caixa de Pandora - é o thriller de conspiração final", disse Damien Timmer, produtor executivo do show. "Como 24, a nova série irá atrapalá-lo da cena de abertura. Esperamos que ele toque o seguimento de culto existente deste icônico show, criando uma nova geração de fãs".

Apenas em 2008, que novos detalhes do remake foram divulgados na ComicCon San Diego daquele ano. Um avião-publicitário sobrevoou o evento no céu de San Diego com a faixa "Procure o número 6".

Mas foi só na ComicCon San Diego de 2009, que foram revelados os detalhes da nova série, incluindo um trailer de 9 minutos e um painel de discussão com o  elenco e produção. A série foi exibida finalmente em 15 de novembro de 2009, nos States, pelo canal AMC e no Reino Unido pela ITV. Apesar da chama e todo o marketing em cima, ela dividiu opiniões entre os fãs.  No lugar de Patrick McGoohan, temos o ator Jim Caviezel (Paixão de Cristo) e como número 2, o ator Sir Ian McKellen (O Senhor dos Aneis e X Men).  A mini-serie foi dividida em 6 capítulos e filmada na Namíbia, na costa da Africa.  O ator Patrick McGoohan, foi convidado para uma ponta no primeiro episódio, mas declinou. Segundo o produtor, ele chegou a sugerir ser o "número 2" desta vez. Pouco antes do lançamento da mini-serie, Patrick McGoohan faleceu em 13 de Janeiro de 2009 aos 80 anos .

Antes de apresentar esta minissérie, a AMC, transmitiu todos os 17 episódios da série original de televisão. O remake recebeu uma recepção dividida tanto do público como da crítica especializada. Alguns gostaram do espetáculo e outros simplesmente a detestaram.

Episódios:

01 – Arrival
02 – Harmony
03 – Anvil
04 – Darling
05 – Schizoid
06 – Checkmate

UMA IMPROVÁVEL VERSÃO DE CINEMA...

Uma versão de cinema baseado no seriado original, tem sido tentado a muitos anos. O próprio ator Patrick McGoohan já tentou lever a estória para a tela grande sem sucesso.  A Polygram havia comprado os direitos da série e pretendia fazer um filme, através de sua produtora subsidiária Propaganda. Como parte das negociações de direitos originais, Patrick McGoohan tornou-se e Produtor Executivo e foi comissionado para escrever o primeiro rascunho do roteiro por volta de 1996(nesta época, ele estava interessado que Mel Gibson fizesse o Número 6, Patrick estava trabalhando como ator no filme de Mel, "Coração Valente" como o tirano Rei da Inglaterra). Quando o rascunho foi entregue (vários anos depois), PMG e Michael Kuhn (então chefe do Polygram) entraram em uma briga pública sobre a natureza do projeto. PMG então se envolveu em outras coisas e assumiu o banco de trás no desenvolvimento do filme de "O Prisioneiro".



O diretor de filmes de ação Simon West (ConAir e Tomb Rider), grande fã do seriado, se envolveu na produção de um remake para o cinema,quando os direitos eram propriedade da produtora Propaganda(subsidiária do grupo Polygram). Depois eles foram passados para a USA Films e finalmente passados para a Universal Studios, após uma disputa com outros estúdios de cinema.  O projeto então passou a ser supervisionado por volta de 1999, pela produtora U Prexy Kevin Misher.  Quando ainda estava com os direitos do filme, a produtora Propaganda decidiu não levar a cabo o script de McGoohan, mas sim, criar um novo roteiro a cargo de Larry Konner e Mark Rosenthal.

West, disse que trabalhou repetidamente com Larry Konner e Mark Rosenthal por vários anos para garantir que o filme não fosse apenas um remake qualquer. Ele queria filmar já em 1999, assim que terminasse o filme "A Filha do General" para a Paramount. Mas devido as constantes mudanças dos direitos do filme, acabou esperando uma decisão que seria da Universal Studios. Com a luz verde dada pela Universal as filmagens começariam no final de 2000, nos estúdios Pinewood,na Inglaterra.West iria ajudar a co-produzir o filme com sua produtora Wychwood Prods.  A ideia de West, fã do seriado original, era desenvolver a estória do filme por conta própria, baseado no livro "Shelley's Garden", cujo roteiro Lloyd Fonvielle (A Mumia) estava desenvolvendo para a Paramount . "Shelley's Garden", é baseado na avó de Simon West, que teve um grande impacto na paixão do diretor pelo seriado "O Prisioneiro", pois levava ele quando jovem a Portmeirion, lugar das filmagens da série.

Segundo West: "Meu pai me mostrou a série no final dos anos 60, e fiquei tão obcecado que, quando visitei minha avó no País de Gales, a fiz dirigir comigo por quatro horas para o set ", disse West. "Esta aldeia construída por Lord William Clough Reese Ellis no norte do País de Gales que replicava esses edifícios da Itália. Aqui está essa mulher que dificilmente poderia andar ou ver, e eu a fazia andar por esta aldeia comigo uma e outra vez. Eu quero que seja tão radical como era a série na época, com o tema de um homem lutando contra o sistema depois que ele cai no buraco do coelho".

O que se sabe sobre esta versão final do roteiro de Larry Konner e Mark Rosenthal, estava definido que a estória se passaria em futuro próximo (definitivamente depois da Guerra Fria) e o Número 6 agora é americano, trabalhando para algo como a CIA no campo antiterrorista. A Vila não seria em Portmerion, mas outro lugar. O filme não seria apenas explosões e perseguições de carro. Traria também uma boa dose de psicodélica original, truques filosóficos e jogos de mentalidade psicológica que tornaram a série de TV tão grande. Sobre o ator principal, não chegou a ser definido, mas se falavam muito na época em Mel Gibson, fã do seriado original e amigo de Patrick McGoohan (cujo o filme dirigido por Mel, "Coração Valente", ele tem o papel de Rei da Inglaterra).

Por volta de 2000, chegou  a ser anunciado que o produtor Barry Mendel (O Sexto Sentido) estaria assumindo a produção deste remake, com a contratação de Chris McQuarrie (Os Suspeitos) como novo roteirista. West ainda estava anexado a direção do filme, tendo Patrick McGoohan como Produtor Executivo . O produtor Mendel chegou a dizer a imprensa nesta época que "Para mim, este projeto é uma grande responsabilidade porque há um culto seguindo para a série. Com Simon West e Chris McQuarrie vai ser um filme legal e comercial. Quando cheguei à Universal, este era exatamente o tipo de filme que eu queria fazer. ''

Problemas no roteiro de Chris McQuarrie, que teve que ser reescrito, levaram ao adiamento das filmagens em um ano (2001). Simon West também esperava ao aval de Patrick McGoohan para o roteiro de McQuarrie, inclusive para que o ator pudesse participar do filme atuando de alguma forma, já que vivia recluso com a família em Los Angeles. Neste período, o ator Clive Owen, chegou a ser cotado como novo "Número 6".

Apesar da vontade de Simon West em dirigir e produzir o remake para o cinema, o projeto acabou não indo pra frente, e foi arquivado pela Universal.

Notícias sobre um remake só foram aparecer por volta de 2006, quando foi anunciado que a Universal estava quase fechando um acordo com o diretor Christopher Nolan (Batman Begin), para ele assumir a direção do filme, agora com novos roteiros de Janet e David Peoples (Os 12 Macacos). Nolan assumiria as filmagens assim que terminasse de filmar "Batman : The Dark Knight" e teria produção de Scott Stuber, Mary Parent, Barry Mendel e Emma Thomas. Durante uma entrevista para divulgar o seu primeiro filme do Batman, o diretor falou sobre seu desejo em dirigir o novo filme. "O Prisioneiro é algo que eu tenho interessado por muito tempo, e acho que descobriu a maneira como abordaríamos isto. A relevância disso hoje. David e Janet Peoples são fantásticos, quem sabe escreve coisas como  Blade Runner e Os 12 Macacos ... Todos os tipos de filmes excelentes. Eles estão trabalhando no script agora. Eu não gostaria de falar sobre isto então estou muito ansioso para ver o que eles inventaram. "  Foi justamente neste período que a produção da mini-série remake para a TV começou. Infelizmente em 2009, o produtor Barry Mendel, disse em entrevista que Nolan acabou se desligando do projeto e assumindo o filme "A Origem" no lugar. Mesmo assim, Mendel, não se dava por vencido, pois achava que o roteiro escritpo por Janet e David Peoples era brilhante. Mendel não achava que a mini-serie da Sky One poderia ser um impecílio para a produção do filme para o cinema. Segundo ele: "A execução dele [o filme] é tão diferente que eu acho que é irreconhecível, enquanto o programa de TV é uma versão bem-feita e atualizada do show original, mas muito mais fiel ao show original".

 Novamente demoraria mais um tempo, até que aparecessem novas notícias sobre uma versão de cinema. Em janeiro de 2016, foi anunciado que a Universal estava sondando o diretor Ridley Scott (Alien, Blade Runner), para que ele assumisse a direção do filme. A coprodução seria da Bluegrass Films(produtores Scott Stuber e Dylan Clark). Se Scott assinar o contrato, sua produtora, a Scott Free, deverá entrar como coprodutora também. O novo roteiro esta a cargo de William Monahan (Os Infiltrados, Cruzada).

PATRICK MCGOOHAN (1928 - 2009)

Patrick McGoohan nasceu em 1928 em Nova Iorque, Estados Unidos. Ainda criança foi levado para a Irlanda por seus pais irlandeses pouco depois e sete anos depois a família se instalou em Sheffield, no Reino Unido. Na escola, ele era um grande boxeador e, depois de sair da escola com 16 anos, trabalhou em uma fábrica de cordas, uma fazenda de frangos, como funcionário do banco, um motorista de caminhão e um gerente de palco no Sheffield Repertory Theatre. Embora ele nunca tenha considerado atuar, quando um dos atores ficou doente no último momento, McGoohan ficou de pé e ficou convencido de que era o que ele queria fazer com sua vida.

Uma mistura do arrojado, o perigoso e o moralmente correto, McGoohan rapidamente começou a conquistar papéis principais, e com sua aparência se tornou um favorito do público.
Foi representando em Sheffield que ele também se apaixonou pela atriz Joan Drummond, a quem escreveu cartas de amor todos os dias até que ela concordou em se casar com ele. Em 1951, eles se casaram e tiveram três filhas. O casal ficou junto até o falecimento do ator em 2009.

Logo ele estrelou no West End, impressionando as críticas com sua personagem do homem jovem e irritado, e os papéis de pouso, como o padre acusado de ser gay em 'Serious Charge', 'Henrique V' no Old Vic e pouco tempo depois interpretou um padre acusado de ser um homossexual na peça “Serious Charge”, que impressionou o grande ator e diretor Orson Welles, que o chamou para outras peças. Depois assinou um contrato com a produtora européia Rank Organisation, onde apareceu em alguns filmes. Com a  TV logo veio um chamando do chefe de ATV, Lew Grade, que em 1960 lhe ofereceu o papel principal como um espião para o novo seriado "Danger Man". O sucesso deste levou a outro, que escreveu, produziu e ajudou a dirigir, "O Prisioneiro", da qual será sempre lembrado. O sucesso fez dele uma das pessoas mais bem pagas do país.

Após a curta temporada de "O Prisioneiro", o ator mudou para a família por um breve período para a Suiça no início dos anos 70, onde se tornou recluso por um período. McGoohan, que era um homem religioso e profundamente moral, por isto recusou papéis de James Bond e do seriado "O Santo" por achar os personagens vazios.

Foi para a Suiça com a família, mas depois se estabeleceu nos Estados Unidos, morando em  Los Angeles, onde começou a trabalhar em Hollywood. Ele estrelou e dirigiu episódios do seriado Columbo (pelo qual ganhou dois prêmios Emmy), também pode ser visto em filmes como " Trinity e Seus Companheiros"(1975) com Terence Hill, "O Expresso de Chicago" (1976) com Gene Wilder e  Richard Pryor, "O Homem da máscara de Ferro" (1977) com Richard Chamberlain," Alcatraz - Fuga Impossível"(1979) com Clint Eastwood,  "Scanners - Sua Mente Pode Destruir"(1981) com direção de David Cronenberg,  " Coração Valente" (1996) com Mel Gibson, "O Fantasma" (1996) com Billy Zane e "Tempo de Matar" (1996).

Suas últimas atuações foram vozes para animações. Como o famoso episódio de "Os Simpsons" em 2000, na qual retorna como "Número 6" e  na animação dos estúdios Disney," Planeta do Tesouro" em 2002.

O ator faleceu em Los Angeles no dia  13 de janeiro de 2009, depois de uma curta batalha contra uma doença.  Seu corpo foi cremado e as cinzas passadas a família. O ator deixou a esposa, três filhas, cinco netos e um bisneto.

Com uma frase o ator definiu bem sua ligação com o personagem mais famoso:

"Mel Gibson será sempre  Mad Max e eu serei sempre o Número 6"



sexta-feira, 5 de maio de 2017

Album : “SIGN OF US” - Dlaivison


2017 é um ano que vai ficar marcado no mercado eletrônico mundial. Após anos de estudo e produção, meu amigo Dlaivision Ribamares, mineiro de Belo Horizonte, está lançando seu primeiro álbum na sua vindoura carreira. Trata-se de “Sign of Us”. 

Segundo o artista no site oficial do projeto:

“O projeto Sign of Us iniciou há algum tempo, como uma ideia que me perseguia sobre a compreensão de nosso papel no universo e o entendimento desse papel. Essa busca de ter essa compreensão pode nos levar a diversos caminhos… numa busca interior e exterior sobre entender o micro e o macro. Em minhas buscas sempre tive a clara ideia de que há um sorriso sutil e singelo em todas as coisas, como se fosse uma forma de assinatura. Consigo entender conexões entre pessoas e certas coisas e essa leitura me permitiu perceber a presença dessa inteligência, seja nossa, ou externa e que denota seus padrões em todas as coisas como uma forma de assinatura ou símbolo.”



O álbum apresentado em uma linda embalagem digipack, com encartes e textos em inglês, trás informações detalhadas das músicas e da produção, com os devidos agradecimentos. A concepção artística do álbum e do seu material online disponível na internet, também é caprichada e de primeira. De cara se nota a qualidade do produtor e de que não estamos falando de um simples músico amador, mas de alguém com vasto conhecimento cultural ao longo dos anos que pensou nos mínimos detalhes para que este trabalho fosse apresentado com sua grande qualidade gráfica como artística. Talvez o lançamento do ano para quem quer algo de primeira linha em ambient music, new age ou música progressiva.

O álbum (disponível também em meios digitais), leva os ouvintes a uma verdadeira viagem para o universo da imaginação. A música eletrônica hoje perdeu seu sonho antigo de levar seus ouvintes a viajar dentro da mente, hoje tudo é feito com base em batidas,grooves e metais, deixando a emoção musical de fora. Tudo hoje tem sido criado para ser esquecível, mas não este excelente trabalho.

O álbum de Dlaivison tem como ideia universal as “assinaturas” ou “sinais” que se fazem presente em todas as coisas, sejam elas: pessoas, objetos, energias ou elementos da natureza. "Sign Of Us" apresenta dez músicas, em que o compositor relata sua visão; e porque não dizer sensações que as diversas assinaturas de seus elementos tais como a natureza lhe emitem o conceito de expressão musical e conexão com o todo visível e invisível no universo e de compreensão através da música.



Quem gosta de música na linha de Jean Michel Jarre, Mike Oldfield, Vangelis ou Giorgio Moroder, vai gostar deste álbum.


Analisando o álbum faixa a faixa:

1 - Dreams - Primeira faixa chega bem enérgica, como o próprio nome diz, "sonhos" na tradução mais literal. Uma viagem a paisagem de sonhos. Batida cadenciada e sons de fundo evocando algo na linha de Chronologie do Jarre e um pouco de tecnopop.

2 - The Wind's Valse - Uma faixa bastante "oxygenada", bastante influenciada nos primeiros trabalhos de Jean Michel Jarre. Algo realmente sideral e viajante. Com o título diz, "A valsa do vento".

3 - Belle - Uma música que começa bastante bonita. Lembrando sons de uma trilha de um filme romântico.

4 - Calyx - Uma viagem no mundo da imaginação. Com uma batida e cadência legal. Perfeita para uma trilha sonora criada na nossa cabeça. Uma das mais legais do álbum. Poderia ser o hit.

05 - Horizons - Assim como a anterior, merece ser um hit. Poderia ser tema de uma série tipo "Twilight Zone - Além da Imaginação". Com um final no piano com muita emoção.

06 - Heroes - Uma faixa com uma viajada mais lenta, o que não deixa de ser bela, criando uma atmosfera e ambiente mais relaxante.Mas a música tem um crescimento gradual ao longo dela.

07 - Angels - Na linguagem dos anjos. Um encontro com o celestial. Que música bem viajada.Sua segunda parte tem uma pegada mais dance. Talvez a única do álbum.

08 - Amazon - Uma viagem profunda dentro de uma floresta, que pode ser a nossa Amazônia. Sons de animais podem ser sentidos aqui.

09 - Sinus - Uma verdadeira viajem sideral.

10 - The Journey - Nada como fechar o álbum com uma jornada...sons do mar, praia...mas não na forma melancólica igual a Jarre, algo pra deixar um espaço para a esperança no final a canção. Valeu a Jornada!!!

O álbum termina com gosto de quero mais...então vamos aproveitar o máximo “SIGN  OF US” e torcer para um novo trabalho de Dlaivison Ribamares.



Obs: Para quem comprou o álbum físico em CD, existem alguns easter eggs no mesmo. Prestem atenção ao "QR"...

Mais informações acesse o site oficial e conheça mais sobre as músicas, produção e do próprio Dlaivison.

EVOLUTION MAN !!!

Mais informações sobre o projeto:

http://signofus.com/pt/


Dlaivison Ribamares




quinta-feira, 13 de abril de 2017

"A VIGILANTE DO AMANHÃ – Ghost in the Shell” (2017)

ENREDO

 Em um mundo futurista pós-2029, é bastante comum o aperfeiçoamento do corpo humano a partir de inserções tecnológicas. O ápice desta evolução é a Major Mira Killian (Scarlett Johansson), que teve seu cérebro transplantado para um corpo inteiramente construído pela Hanka Corporation. Considerada o futuro da empresa, Major logo é inserida no Section 9, um departamento da polícia local. Lá ela passa a combater o crime, sob o comando de Aramaki (Takeshi Kitano) e tendo Batou (Pilou Asbaek) como parceiro. Só que, em meio à investigação sobre o assassinato de executivos da Hanka, ela começa a perceber certas falhas em sua programação que a fazem ter vislumbres do passado quando era inteiramente humana.


A versão live-action do anime está sendo lançada agora nos cinemas, em uma superprodução da Dreamworks/Paramount Pictures com outras produtoras da join-venture Amblin Partner. Um verdadeiro parto diga-se de passagem, cujo produto final, pode não agradar a todos, devido as polêmicas referentes a uso de atores ocidentais em um material cujo original é orienta, mas o tempo dirá que o filme se tornará talvez um cult um dia.

A ORIGEM E DIFERENTES FORMATOS:

Masamune Shirow


MANGA:


O início de tudo foi o mangá (popular quadrinho japonês) “Ghost in the Shell”, de influências cyberpunk, criado por Masamune Shirow. Foi lançado no Japão pela Editora Kodansha entre 1989 a 1990, mas só chegou ao Brasil pela Editora JBC, em 2016, na esteira do lançamento do novo filme. O manga gerou duas continuações "Ghost in the Shell 2: Man/Machine Interface" (entre 1991 a 1997) que é a continuação oficial do primeiro mangá. E depois "Ghost in the Shell 1.5: Human Error Processor" (entre 1991 a 1996) que inclui uma série de histórias que seriam originalmente publicadas em "Ghost in the Shell 2: Man/Machine Interface".




ANIME:




O sucesso levou a criação de filmes de anime baseado no manga. " Ghost in the Shell", lançado no Japão em 1995, e lançado diretamente para VHS no Brasil como "O Fantasma do Futuro".Dirigido por Mamoru Oshii e escrito por Kazunori Itô e pelo próprio autor original Masamune Shirow.Foi o primeiro filme anime a ser lançado ao mesmo tempo no Japão, Grã-Bretanha e os Estados Unidos. Foi uma das principais inspirações para a trilogia de filmes Matrix. A história do filme se passa num futuro distante e começa quando um grupo policial tenta encontrar um hacker que rouba informações do governo. Em 2008, uma nova versão do filme original - Ghost in the Shell - foi relançada em alguns cinemas japoneses, com gráficos e som retrabalhados. 


O filme teve uma continuação intitulada "Ghost in the Shell 2: Innocence" lançado em 2004. Também dirigida por Oshii, ela teve como protagonista o personagem Batou. Este filme anime foi o primeiro a conseguir uma indicação a Palma de Ouro em Cannes - 2004.

Em junho de 2013 foi iniciada uma nova franquia de filmes com a série "Arise". O primeiro "Ghost in the Shell: Arise - Border:1 Ghost Pain", contando uma nova história original que aborda o início da Section 9. Em novembro do mesmo ano foi lançada a continuação "Ghost in the Shell: Arise - Border:2 Ghost Whispers", seguida por "Ghost in the Shell: Arise - Border:3 Ghost Tears"  em junho de 2014 e "Ghost in the Shell: Arise - Border:4 Ghost Stands Alone" em setembro do mesmo ano, e para fechar a série, em agosto de 2015 foi lançado " Ghost in the Shell: Arise - Pyrophoric Cult" .

Previsto para junho de 2015 um novo filme animado, com o nome de "Ghost in the Shell: The New Movie (2015), o filme tem ligações com o enredo de "Ghost in the Shell: Arise", principalmente nos episódios Pyrophoric Cult da série "Arise - Alternative Architecture". Ambientado após os eventos de Arise, o filme envolve o assassinato do Primeiro-Ministro do Japão que é publicamente descrito como o "maior evento desde a guerra". Cabe a Secção de Segurança Pública 9, liderada pelo Major Motoko Kusanagi, descobrir a verdadeira natureza do assassinato. Eles são auxiliados pelo filho do Primeiro-Ministro, Osamu Fujimoto.



SÉRIE DE TV
A franquia iniciada pelo mangá,  foi também adaptado para TV em uma série animada, com o nome de "Ghost in the Shell: Stand Alone Complex". A direção foi feita por Kenji Kamiyama, trazendo um enredo alternativo e separado daquele elaborado por Mamoru Oshii nos filmes e por Masamune Shirow nos mangás originais. O foco é na carreira da personagem Motoko Kusanagi e sua equipe, com alguns elementos baseados no filme e no mangá. O sucesso da série rendeu ainda uma segunda temporada, "Ghost in the Shell: S.A.C. 2nd GIG" e o filme - "Ghost in the Shell: S.A.C. Solid State Society" - que estreou na emissora SKY Perfect em 1 de Setembro de 2006, finalizando a franquia SAC.



Em abril de 2015, um novo anime intitulado "Ghost in the Shell: Arise  - Alternative Architecture" iniciou sua exibição. O anime deve ser finalizado com 10 episódios. Série baseada na pentalogia de cinema, "Arise".

No Japão, também foram lançados, livros e games baseados na série.

PRODUÇÃO DO FILME

O sucesso de "Ghost in the Shell" seja em anime, série de TV ou manga pelo mundo, fez com que sua produtora, Production I.G, companhia do criador do anime, Mamoru Oshii, começa-se a abrir negociação com estúdios de Hollywood para consolidar a ideia, a partir de Janeiro de 2007. Em Abril de 2008, depois de negociações com a Universal e a Sony, a DreamWorks Pictures comprou os direitos do mangá lançado em 1989. O filme seria realizado com atores, como planejado, com a intensão de ser totalmente desenvolvido com tecnologia de projeção 3-D! O nome do cineasta Steven Spielberg estava por trás desta aquisição, já que ele foi um dos fundadores do estudio DreamWorks. Para a Variety ele disse :  "Ghost in the Shell é uma das minhas histórias favoritas. É um gênero ao qual damos entusiasmadas boas-vindas na DreamWorks". A DreamWorks também foi responsável pela distribuição dos animes japoneses nos Estados Unidos, então houve realmente a preferência por este estúdio. Os produtores de filmes da Marvel, Avi Arad e seu filho Ari Arad, foram confirmados como os produtores do filme ao lado de Steven Paul. O roteiro inicial ficou a cargo  de Jamie Moss(Os Reis da Rua). Mas pelas sua complexidade, a produção do filme demorou muitos anos ainda pra que se pudesses concretizar.

Em 2009, a roteirista Laeta Kalogridis (Ilha do Medo, Alexandre, Terminator 5), foi chamada para criar uma nova versão do roteiro, iniciado plo Jamie Moss. Em 2010 ela deu uma entrevista falando sobre o roteiro que tinha escrito ao site Shock Till You Drop que a adaptação do mangá cyberpunk era o seu próximo trabalho. "Eu tenho Ghost in the Shell, que é uma adaptação de outro mangá e anime que a DreamWorks e Steven (Spielberg) vão produzir e que eu espero terminar o primeiro roteiro muito em breve, com a esperança de que ele goste. Além disso, estou meio que aberta porque não sei muito bem o que quero fazer. Eu amo Ghost In The Shell há muitos e muitos anos. Acho que poderiam ser três filmes de duas horas, que é o que eu votei. Mas é o texto seminal do cyberpunk, tipo um Neuromancer. É mesmo e não há nada que chegue nem perto dele", desabafou a roteirista, que assumiu o projeto no lugar de Jamie Moss, atual roteirista de X-Men: First Class, do Bryan Singer.

Rupert Sander no set de filmagens de Ghost in the Shell

Só teriamos notícias novamente sobre o projeto apenas em janeiro de 2014, quando o diretor britânico Rupert Sander (Branca de neve e o caçador), foi contratado pela DreamWorks para dirigir a adaptação . Também foi contratado um novo roteirista, William Wheeler (O vigarista do ano) para criar uma nova versão do roteiro, mas ainda não havia previsão de fimagens. Sander falou em entrevista a revista brasileira PREVIEW, seu envolvimento no projeto:

"Eu conhecia bem o anime, já assisti várias vezes. Eu havia feito uma reunião com Steven Spielberg, que estava desenvolvendo o projeto, e ele se aproximou de mim e perguntou: '-Você estaria interessado em Ghost in the Shell?', e era óbvio que eu estava. Vi o esboço que ele havia feito. Era um grande filme com efeitos explosivos. Mas eu queria explorar a essência da série original.Então comecei a capturar fotogramas do anime original, de 'Fantasmas do futuro 2: Inocência' e de 'Stand Alone Complex'. Em seguida, escrevi um rascunho da história e coloquei o texto ao lado das imagens. Levei este projeto de volta para Steven e falei que era assim que gostaria que o filme fosse feito. Originalmente, eu queria fazer a versão da primeira animação. Mas é uma história complexa, com tantas introspecções filosóficas, achei difícil que sua adaptação rendesse um bom filme."

Esboço inicial de Margot Robbie como Major.
Começou-se então uma corrida para encontrar a atriz perfeita para o papel da Major . Em Setembro de 2014, a atriz australiana Margot Robbie (O Lobo de Wall Street), entrou em negociações com a DreamWorks pelo papel principal.  Em Janeiro de 2015, a Variant, anunciou que a DreamWorks acertou com a atriz Scarlett Johansson para o papel principal. Margot Robbie desistiu do filme para ficar com o papel de Alerquina no vindouro Esquadrão Suicida. Scarllet teria recebido U$ 10 milhões pelo papel, o que a coloca entre as atrizes mais bem pagas de Hollywood. Em outubro de 2015, um novo roteirista foi contratado para o projeto, Jonathan Herman, escritor iniciante que assina o roteiro final de "Straight Outta Compton - A História do N.W.A."

Perguntada pelo Collider sobre o fato de ter sido escolhida para o papel, Scarllet Johansson respondeu: "Não sei se sou a pessoa certa, mas acredito que o (diretor) Rupert Sanders e eu compartilhamos a mesma visão do personagem. Logo de cara, quando tivemos essa mesma conversa, acho que cabe ao público decidir se sou a pessoa certa para o papel."
Scarllet Johansson no set de filmagem de Ghost in the Shell

Em seguida, Johansson passou a argumentar a favor de si. "Acho que posso ser desafiada, e tentar fazer isso. Acredito que tenho algo a contribuir. E acho que, nesse caso, minha simpatia pela experiência desta personagem me fez sentir capaz de interpretar o papel", explica a atriz.
"E claro, adoro fazer a parte física. É sempre divertido para mim, é desafiador, e me ajuda como uma outra maneira de aprender habilidades que aprimoram o meu trabalho. Ghost in the Shell vai tornar as gravações de Vingadores 3 e 4 mais fáceis para mim", argumenta.

Definido o papel principal para Scarlett Johansson, começaram a se definir os outros papéis do filme, em novembro de 2015 o site ComicBook anunciou o dinamarquês Pilou Asbæk (Lucy, Game of Thrones) seria Batou, o segundo em comando na unidade da major Mokoto Kusanagi. O ator inglês Sam Riley (Malévola, Na Estrada) entrou em negociações para assumir o vilão da trama, mas o acordo acabou não saindo, só em fevereiro de 2016, que este papel foi preenchido pelo ator Michael Pitt para viver o antagonista The Laughing Man, personagem que é meio humano meio máquina. Outros atores foram contratados para completar o elenco, incluindo o veterano ator japonês Takeshi Kitano (Verão Feliz), no papel de Daisuke Aramaki, fundador e líder da Sessão 9 e a atriz francesa Juliette Binoche, como  Dra. Ouelet, uma cientista que assume, direta ou indiretamente, um papel materno na vida da Major. Uma adição também ao elenco foi a atriz japonesa Rila Fukushima (Wolverine), para viver a androide geisha assassina.

A DreamWorks sabia que um projeto desta magnitude deveria ser realizado em cooperação com outro estúdio gigante de Hollywood, a primeira opção foi a Walt Disney Productions. O lançamento do filme foi originalmente agendado pela Walt Disney Studios Motion Pictures para o dia 14 de abril de 2017, através de sua subsidiária Touchstone Pictures. O filme era parte do acordo de distribuição da DreamWorks Pictures com Walt Disney Studios, que começou em 2009. Em abril de 2015, a Disney mudou a data de lançamento do filme na América do Norte para o dia 31 de março de 2017, com a Paramount Pictures lidando com a distribuição internacional. No entanto, foi relatado em setembro de 2015 que a DreamWorks não renovou seu acordo de distribuição com a Walt Disney Studios Motion Pictures que terminaria em agosto de 2016, em janeiro do mesmo ano, a Disney se retirou do filme depois que DreamWorks Pictures assinou um acordo de distribuição com a Universal Pictures em dezembro de 2015.

Os direitos de distribuição de Ghost in the Shell na América do Norte que ficaria com a Walt Disney Studios Motion Pictures foram transferidos completamente para a Paramount Pictures que anteriormente faria somente a distribuição internacional e à partir de agora fará em ambos os mercados, mantendo o lançamento do filme na segunda data estipulada pela Walt Disney Studios Motion Pictures para o dia 31 de março de 2017.

FILMAGENS

As filmagens principais do filme começaram em 1° de fevereiro de 2016 e foram realizadas em Wellington,  Nova Zelândia  onde também foram desenvolvidos os efeitos especiais principais, a cargo da WETA (empresa de efeitos de Peter Jackson, responsável por Senhor dos Aneis e Hobbit), com finalização em 3 de Junho daquele ano. Então a produção seguiu para Hong Kong na China, a partir do dia 7 a 16 de junho. A cidade que o anime original lançado em 2005 se passava, não era identificada com precisão. O local era uma megalópole que união várias características de capitais orientais como Toquio, Singapura ou Pequim. "Vamos trazer esta mesma sensação de estranhamento e familiaridade que o anime passava. Filmamos em muitas cidades e unimos isto para criar um ambiente únicos", segundo o produtor Arad.



Para ser fiel ao anime original a produção procurou a WETA WORKSHOP para criar os efeitos e desenhos artísticos do filme. Todos equipamentos que o elenco usa, vieram da WETA, incluindo a roupa e o esqueleto da Major. Robbie Gillies, chefe de desenho de produção, disse: "Tudo que será exibido na tela de cinema busca uma referência no anime. Demos nosso toque, mas foi algo que fizemos muito próximo ao pessoal que desenhou o original e que agora entende como esta visão pode ser atualizada."




Em uma entrevista com o IGN, o produtor-executivo da adaptação com atores de Ghost in The Shell, Michael Costigan, comentou sobre como ele acredita que o filme é muito fiel ao material original, e que acha que os fãs vão gostar do resultado final.
"Eu me sinto tanto como um geek fazendo este filme porque realmente estamos o trazendo à vida tão fielmente," Costingan afirmou. "Estamos trazendo coisas que vimos no anime à frente em live-action então eu estou muito animado pelos fãs."

Making of (por trás das câmeras)  - parte 1 e parte 2






Os diretores das animações originais, Mamoru Oshii e Kenji Kamiyama, foram ao set de filmagens em Hong Kong e participaram da produção com ideias, apresentadas ao diretor Sanders. Oshii aliás, foi um ótimo conselheiro para Sanders, e falou que estava bastante animado pela produção. O criador do mangá original, Masamune, não quis se envolver com a produção.

Visita de Mamoru Oshii ao set de gravações :



Em 13 de novembro de 2016 a Paramount Pictures divulgou em suas redes sociais o primeiro trailer do filme. A Paramount realizou  um evento em Tóquio, no Japão, para apresentar o filme ao público. Minutos antes de o trailer de Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell ser revelado ao mundo, o diretor Rupert Sanders estava em um palco repleto de jornalistas e convidados. Participante de um "painel" com perguntas já combinadas previamente, Sanders foi questionado sobre qual assinatura traria para a adaptação americana do clássico criado por Masamune Shirow e dirigido em animação por Mamoru Oshii. "Tudo o que fiz foi pegar o trabalho destes dois mestres e colocar na tela", afirmou Sanders, em tom de brincadeira.

Diretor Sanders e elenco na premier do filme em Tóquio no Japão

A colocação de Sanders, entretanto, não poderia ser mais séria. Quando se fala em versões hollywoodianas de obras da cultura pop japonesa como animes, mangás e light novels, é impossível não se lembrar de pérolas como Dragonball Evolution, com sua total falta de compromisso com o material adaptado. Frente a um cenário como este e em meio a críticas em torno da escalação de Scarlett Johansson para o papel da protagonista Motoko Kusanagi, Ghost in the Shell afirmou, com convicção, que quer enterrar a má fama dos filmes de anime em Hollywood.

Muito além dos segredos do trailer e sua aproximação com o material original, o evento diz muito sobre a intenção de Sanders, Johansson e a equipe que produziu o filme. Não apenas por trazer a mídia de entretenimento global para Tokyo, cidade onde se situa a história original e que respira cultura pop japonesa como nenhuma outra no planeta, mas também pelo que foi apresentado por lá.

Comparação entre o filme e o anime original.

O lançamento no Brasil, também teve cópias legendadas e dubladas. Para dar voz a um dos mais desejados símbolos sexuais da história do cinema foi uma tarefa que a dubladora paulista Fernanda Bullara encara com um sabor de desafio ao assumir o papel principal – o de ninguém menos do que Scarlett Johansson – na versão brasileira de A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell. Na ativa desde criança, a atriz de 32 anos – que dubla desde os 6 – enxerga na esperada ficção científica do diretor Rupert Sanders um tom mais seco no timbre vocal da estrela americana a quem já cedeu sua garganta no passado.

“Dublei Scarlett num filme dos anos 2000 chamado Falsária, quando ela era mais jovem e eu também”, diz Bullara, que já emprestou sua voz a outras atrizes de Hollywood como Mila Kunis e Christina Ricci. Agora, neste filme, que está sendo super esperado, ela fala baixo, num tom mais grave. O meu maior desafio foi encontrar esse tom. Um ator de cinema tem o olhar para traduzir suas emoções. Nós, na dublagem, não: a emoção tem que ser concentrada na voz”. "Ela começa o filme séria, muito direta, num clima misterioso, mas, aos poucos, vai vendo o quanto é humana e vai ficando cada vez mais nervosa”, explica Bullara, que dublou desenhos como Naruto (Ino) e Sakura Card Captors (Tomoyo). “A dublagem brasileira hoje tem um espaço muito grande não apenas pelo mercado aberto nos games, como pelo reconhecimento dos fãs de animês”.

Trailer da versão dublada brasileira


TRILHA SONORA


Para um filme onde o futurismo e a tecnologia de ponta são os temas principais, obviamente que isto também deveria ser sentido na criação da trilha sonora do filme. Ela ficou a cargo de dois proficionais da área, Lorne Balfe e Clint Mansell. Grandes nomes da música eletrônica mundial também foram convidados para participar do projeto. Após Steve Aoki lançar o remix oficial da música do game, “Utai IV Reawakening”, de Kenji Kawai, o tracklist do álbum com as músicas presentes no longa ficou assim:

01) Kenji Kawai– “Utai IV Reawakening” (Steve Aoki remix)
02) Johnny Jewel – “The Hacker”
03) Boys Noize – “Cathryn’s Peak”
04) DJ Shadow ft. Nils Frahm – “Scars”
05) Above & Beyond – “Surge”
06) IO Echo – “Aokigahara Forest” (Album Only)
07) Tricky – “Escape”
08) Ki: Theory – “Enjoy The Silence” (Album Only)
09) Johnny Jewel – “Free Fall”
10) Gary Numan – “Bed Of Thorns”
11) Johnny Jewel – “The Key”
12) Kenji Kawai– “Utai IV Reawakening”


Entre os nomes confirmados estão Above & Beyond, Boys Noize, DJ Shadow entre outros. O álbum, intitulado, "Music Inspired by the Motion Picture Ghost in the Shell", foi lançado em serviços de streaming no dia 31 de março, um dia depois da estreia do longa nos cinemas . Segundo o diretor Sanders e o produtor Arad: "Trouxemos boa parte da equipe que trabalhou no anime Ghost in the Shell, para ajudar na composição da trilha. Queremos muita fidelidade nesta área, mas ao mesmo tempo, queremos dar um pouco da nossa cara ."

A versão de Ki Theory para o clássico do Depeche Mode, "Enjoy the Silence", que toca apenas no trailer de divulgação do filme:



Polêmica  do  "whitewashing"

Desde o anúncio das compras dos direitos cinematográficos por um estúdio americano, houve debates acalorados de fãs com relação ao uso de atores ocidentais brancos para os papéis principais, já que o material de origem é japonês.  Este termo em Hollywood é conhecido como "Whitewashing" (limpeza branca). Houve inclusive uma petição para a mudança da atriz principal.  A questão ainda incomoda alguns fãs da do anime/ mangá e atores, como é o caso de Ming-Na Wen, de Agents Of SHIELD, ela escreveu no seu perfil do Twitter:
“Nada contra Scarlett Johansson. Na verdade, sou uma grande fã. Mas tudo contra esse Whitewashing de um papel asiático.”

Em vista disto, os produtores do filme Paramount e a DreamWorks encomendaram testes de efeitos visuais para deixar a protagonista com visual mais asiático durante a pós-produção.
O teste teria sido conduzido pela Lola VFX, responsável por O Curioso Caso de Benjamin Button e uma das melhores empresas do chamado processo de “embelezamento” dos filmes de Hollywood, que deixam atores mais jovens, mais magros, mais fortes, etc. O site diz que, após a revisão do teste, que foi feito de forma digital sem a participação da atriz fisicamente, a ideia foi descartada pelos produtores. A Paramount afirmou que houve um teste, mas não confirmou que foi para fazer a mudança de etnia e disse que tudo aconteceu com outro ator, e não com a protagonista.

Scarllet caiu como uma luva no papel da Major


Depois da polêmica sobre testes para mudar a etnia de Scarlett Johansson em Ghost in the Shell , Sam Yoshiba, diretor da divisão internacional da editora Kodansha, afirmou que gostou da escalação da atriz e que uma atriz japonesa nunca foi cogitada (via THR):
“Olhando para a carreira dela até agora, Scarlett Johnsson é uma escolha de elenco muito boa. Ela tem uma coisa meio cyberpunk sabe. E, desde o começo, nós nunca imaginamos que seria uma atriz japonesa”, afirmou Yoshiba. A Kodansha é a editora responsável por publicar o mangá de Ghost In The Shell em 1989.
“É a chance de uma propriedade japonesa ser vista ao redor do mundo”, completou o executivo dizendo ainda que visitou o set do filme na Nova Zelândia e ficou impressionado com o respeito da equipe ao material original.

Em entrevista ao Buzzfeed, o produtor Steven Paul justificou a escolha de Scarlett Johansson para estrelar a versão americana de Ghost in the Shell e reagiu à controvérsia do "whitewashing" - a tendência hollywoodiana de diluir etnias e escolher caucasianos em papéis-chave para supostamente não perder o apelo do público americano médio:.

 Rupert Sanders,  Scarlett Johansson e Mamoru Oshii.
"Eu acho que todo mundo vai terminar ficando bem feliz com o filme. [Os fãs] ficarão contentes quando virem o que de fato realizamos com o mangá, e não acho que as pessoas vão sair desapontadas", começa Paul. "Acho que honramos o mangá, e os fãs vão ficar felizes porque estamos pagando um grande respeito ao mangá."

Sobre o "embranquecimento", o produtor diz que o filme terá "um mundo internacional". "Estamos utilizando todo tipo de pessoa e nacionalidade no mundo de Ghost in the Shell. É gente de todas as partes do mundo. Temos japoneses, chineses, britânicos, americanos", diz. "Eu não acho que seja uma história só japonesa. Ghost in the Shell era uma trama bem internacional, não só focada no Japão, a ideia era que fosse um mundo todo. Por isso em acho que o enfoque internacionalista é o melhor enfoque."

Masamune Shirow, o AUTOR original, o cara que criou o mangá que deu origem ao filme e ao anime, aprovou a escolha de Scarlet. Mais: ele disse que mangás são obras 'apátridas', obviamente salvo se forem sobre samurais e outros elementos históricos japoneses. No fim das contas, deviam aprovar a DIVERSIDADE exibida no filme, no Japão, um dos países mais etnicamente uniformes do mundo.

Por fim a própria atriz principal, Scarlett Johansson, falou sobre a polêmica. Em entrevista à Marie Claire comentou: "Eu certamente nunca me atreveria a interpretar outra raça de uma pessoa. Diversidade é importante em Hollywood e nunca gostaria de sentir que estava interpretando uma personagem que era ofensiva. Além disso, ter uma franquia estrelada por uma mulher é uma oportunidade tão rara. Eu certamente sinto a pressão disso, o peso de uma franquia tão grande nos meus ombros", explicou a atriz.

Em verdade é que a personagem original do manga/anime não é exatamente asiática, apesar da estória de passar em algum lugar da Asia, seus traços são bem ocidentais, ela tem olhos grandes e até olhos claros. Alias, ela é um androide, então ela pode ser qualquer coisa. No filme também vemos atores orientais como é o caso de  Takeshi Kitano e Rila Fukushima, entre outros.

  Resultado final e bilheterias

Poster para o mercado japonês


O filme foi lançado em 29 de Março em várias partes do mundo e logo, começaram a aparecer as primeiras críticas, positivas em sua maioria, mas o filme não conseguiu ter uma abertura boa nos Estados Unidos/Canadá, e estreou apenas em terceiro lugar, ficou atrás de O Poderoso Chefinho — estreante da semana — e de A Bela e a Fera, que foi para sua terceira semana em cartaz. O blockbuster da Paramount arrecadou apenas US$ 19 milhões e nem chegou perto de cobrir o seu orçamento de produção. Ghost in the Shell teve um orçamento de US$ 110 milhões e, no mundo todo, o filme arrecadou na estreia US$ 59 milhões. A segunda semana foi ainda pior, somou apenas US$ 7,3 milhões, chegando a um total acumulado de US$ 31,45 milhões nas bilheterias domésticas, uma queda de 60%. A surpresa, foi onde o filme foi bem...no mercado asiático, que muitos pensavam que o filme também fracassaria devido a polêmica do "whitewashing", o filme foi o lider da semana de estreia na China, onde já tinha arrecadado  US$ 21,4 milhões. Outra supresa foi no Japão, país de origem da franquia,  o sci-fi teve uma estreia surpreendente, se comparado com o mesmo final de semana de abertura nos Estados Unidos.  Arrecadando US$ 3 milhões em seus primeiros três dias no cinema, ‘A Vigilante do Amanhã’ teve uma recepção muito positiva entre os japoneses, apesar de toda a revolta gerada pelo ‘embranquecimento’ com a escalação de ScarJo para o papel da cyborg japonesa.

De acordo com o site de cinema do Yahoo japonês, a produção contabilizou a pontuação de 3.56 entre os fãs, número maior que o da animação original. O site The Hollywood Reporter também conversou com algumas pessoas que foram aos cinemas assistir ao sci-fi e a maior parte das opiniões sobre o filme foi positiva. Dentre os aspectos mais elogiados estão os efeitos visuais, a atuação de ScarJo e de forma geral a abordagem feita do material de origem.



Graças à bilheteria global, a produção deu uma boa recuperada, acumulando um total de US$ 124.373 milhões, sendo que mais de US$ 90 milhões vieram de fora dos EUA. Mas, ainda ficará abaixo do esperado,como consequência o filme deve sofrer um prejuízo grande, pois alcançando sua projeção de US$ 200 milhões arrecadados mundialmente, a produção ainda ficará no vermelho. Juntando os custos de produção e de publicidade, o filme custou mais de US$ 250 milhões, o que geraria uma perda de aproximadamente US$ 60 milhões. A publicação também reporta que fontes próximas do longa informaram que o orçamento de “A Vigilante do Amanhã” – listado em US$ 110 milhões – na verdade está mais próximo de US$ 180 milhões. Caso isso se confirme, o prejuízo será ainda maior, podendo ficar em torno de US$ 100 milhões. O que se pode dizer que o futuro no cinema, parece que se encerrou já no primeiro filme e dificilmente veremos alguma continuação de algum grande estúdio.

Paramount Pictures, produtora do filme, comentou o caso e culpou parte do fracasso na polêmica da escolha de um elenco não asiático, principalmente no caso de Scarlett Johansson como protagonista:
‘’Tínhamos esperanças de melhores resultados no mercado interno. Acho que a conversa com relação ao elenco impactou os comentários”, admitiu Kyle Davies, chefe de distribuição doméstica da Paramount, durante entrevista à CBC. “Você tem um filme que é muito importante para os fãs, uma vez que é baseado em um filme de anime japonês”, completou.
Para Davies, a ideia de transformar uma história asiática em global é um desafio muito difícil de ser feito. “Então você está sempre tentando enfiar essa agulha entre honrar o material de origem e fazer um filme para um público em massa. Isso é desafiador, mas claramente os comentários não ajudaram”, lamentou.




CRITICAS DE SITES GEEKS BRASILEIROS
- Boa parte dos sites e blogs de cultura Nerd e Geek, deram reviews positivos ao filme, sendo que muitos também apontaram alguns problemas nesta adaptação.


“Ghost in The Shell ganhou um filme digno de sua importância. Corajoso, fiel e diferente como deveria ser.”
THIAGO ROMARIZ - OMELETE
Nota 4 de 5 (ÓTIMO)



“Por fim, A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é um blockbuster com pretensões de trazer questões temáticas e estéticas que se diferenciem do atual cenário do cinemão. Se essa versão de Ghost in the Shell pode não chegar ao status de cult movie, trazer características e ideias que fogem do padrão é sempre muito bem-vindo.”
 GIOVANNI RIZZO – Observatório do Cinema
Nota 3 e ½ de 5




“No fim das contas, A VIGILANTE DO AMANHÃ é um filme que até tem uma cota de pontos positivos, que o torna interessante até para ser revisto. Nem que seja para ficar novamente deslumbrado com o desenho de produção e as cores, que não saem prejudicadas pelo 3D, aqui usado de maneira atraente e elegante.”

Ailton Monteiro – SCI FI DO BRASIL
Nota: 3 de 5




“Ainda deve-se aplaudir a inteligência do filme em não tomar partido em relação a quem é o verdadeiro vilão da história. “


 Pedro Karan – Observatório do Cinema

Nota: 4 de 5


" Então Ghost In The Shell, entre hipnótico e monótono, a maior obra audiovisual do cyberpunk. Cyberpunk que era o mundo das idéias de então: a chegada da revolução digital às ruas e às nossas almas, ao business e à guerra, além das fronteiras, para o bem e para o mal.
Como chamávamos então, pela sigla: GITS. Balas voando e Baudrillard, Philip K. Dick e Mecha, política, pop e espiritualidade. A presciência do século 21, do impacto que a nascente internet teria, a intuição das discussões de gênero e identidade e classe e geopolítica que viriam. E Major, uma protagonista feminina capaz, complicada, fria e quente, quente como só um cérebro humano em um corpo artifical poderia ser."

Andre Forastieri - Jornalista R7




Fontes: Omelete, CinePop, Observatório do Cinema, Wikipedia, Paramount Pictures/Dreamworks